“Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos” (Victor Hugo)
Que difícil é separar a razão do coração… Ainda mais quando se está com ele amargurado; quando a alma está de joelhos, rezando; quando precisamos de um peito emprestado, porque a dor já não cabe no nosso… Ontem, foi tenso! Se o Palmeiras fosse uma pessoa, eu o tomaria em meus braços, diria a ele que tudo vai acabar bem, o abraçaria muito, muito apertado… e não largaria mais.
Quando acabou o jogo contra o Coritiba, eu parecia ter saído de uma luta de MMA… Doía o pescoço, a cabeça, as costas, os ombros… e o coração. Uma luta de MMA que outros vinte milhões também lutaram…
Ficou bem mais difícil, mas continuo acreditando… E, quando eu digo que estou com o Palmeiras pro que der e vier, isso também significa que estou preparada pro que der e vier. E podem me colocar na cruz e bater os pregos, pois não acho que a pior coisa que pode acontecer a um clube de futebol é ele ser rebaixado. Não, se esse retrocesso servir para que se mude a mentalidade com a qual ele é administrado. Não aproveitamos a chance que tivemos depois de 2002… Sim, porque a tragédia daquela época, poderia ter sido uma chance de se apagar tudo o que estava errado e começar outra vez; de sair do atraso de muitos anos e progredir.
Mustafá, Della Monica, Belluzzo e Tirone, também tiveram chances de fazer a diferença. Em seus discursos sempre tiveram toda boa vontade do mundo, mas, na hora de agir, ou de dar a ”canetada”; na hora de comprar as dores do Palmeiras, quantas vezes tramadas em escusos bastidores; na hora de afastar algumas pessoas, de se cercar de outras, mais competentes; na hora de fazer o melhor para o Palmeiras e não para os amigos, ou para os frequentadores das piscinas; na hora de enfrentar essa Máfia do futebol de frente (tá mais do que na cara que ela existe)… cada qual, ao seu jeito, se furtou à ação. E o Palmeiras ficou anos atrasado no tempo. Perdemos o bonde da renovação e da profissionalização.
Eu sempre me gabo de o Palmeiras não estar metido em compra de campeonatos, lavagem de dinheiro, essas coisas… E me sentiria mortalmente envergonhada se estivesse. Mas não estar metido nisso, não significa que o Palmeiras está sendo bem cuidado, que não acontece um monte de coisa errada lá; não significa que eu não me sinta envergonhada do mal que fazem ao Palmeiras e dos que fazem mal a ele.
Reclamei o ano inteiro das bizarrices de Felipão para escalar e substituir jogadores, do esquema utilizado, das muitas oportunidades dadas pra alguns e negadas pra outros (mas, ainda assim, nenhum de nós pode afirmar que ele não fazia o que achava que seria melhor); reclamei da quantidade absurda de jogadores no DM (clube nenhum teve tantos, e não venham me dizer que, no Palmeiras, e só no Palmeiras, os jogadores preferem ficar no DM); reclamei da falta de talento de alguns (o que não significa que eles não tentaram fazer o melhor que podiam); reclamei dos árbitros -e eles, num esquemão mafioso, nos garfaram muitos pontos, MESMO! Pela CBF, o Palmeiras tem 26 pontos, no Placar Real, ele teria 32. E esqueceram de computar o jogo diante do Bahia e alguns outros onde os danos foram menos descarados. As arbitragens nos mandaram para a zona de rebaixamento! Alguém nos mandou rezar e sabia o que dizia.
Eu também reclamei (e continuo reclamando) da imprensa, que se omitiu a cada partida em que fomos escandalosamente roubados, e que fez escarcéu nas raríssimas vezes em que aconteceu o contrário (e ela continua agindo da mesma forma, a cada jogo); reclamei de Lucas não ter sido expulso ontem, pelo carrinho criminoso dado em Thiago Real (já tinha dado uma entrada dura em Obina, sem levar cartão); reclamei de Lincoln meter o dedo na cara do juiz sem levar amarelo (o que poderia ter feito com que ele fosse expulso mais tarde) e só receber como punição um: ”Calma, senhor”… reclamei do time se sentir derrotado antes da hora… reclamei de Kleina ter se atrapalhado todo nas substituições (Vinícius? Daniel Carvalho?)
Reclamo, há dois anos, dos nossos dirigentes – fundo do iceberg que bate de frente com nosso navio-, amadores, sem capacidade para ocupar os cargos e cuidar de um clube com a grandeza do Palmeiras (por melhores que possam ser as suas intenções, se é que são melhores)… reclamei das entrevistas horrorosas que deram, das declarações esdrúxulas, das piadinhas sem graça e inoportunas, dos elogios para árbitros que nos prejudicaram, que nos tiraram da final do paulistão 2011; reclamei da incapacidade de contratar, da displicência para conduzir os assuntos do futebol; dos olhos fechados aos que vazavam notícias -muitas vezes mentirosas-, aos que entregavam documentos confidenciais à imprensa… da Base sempre esquecida… da falta de força nos bastidores… reclamei da omissão de Tirone, Frizzo, Piraci e Cia (que conseguem, em um único mandato, fazer uma lambança digna de vários mandatos de Mustafá).
E com o clube sem comando, sem rumo, largado à própria sorte, não há “cristo” que se mantenha no trilho… E, ainda assim, o Palmeiras conquistou mais um título. Um oásis nesse deserto de conquistas. E foi na luta, na raça, de time, comissão técnica e torcida, contra arbitragens e um sem número de inesperados acontecimentos; com cada um tirando força de onde não tinha. E quanta gente duvidou que fôssemos conseguir…
E agora, amargando a zona de rebaixamento, por mais vontade que o time possa ter, o peso desse ‘fantasma’ fica cada vez maior, o medo também; e o medo paralisa… e é por isso que a gente vê o time lutando, sim, ele luta, mas já se sentindo perdido.
Daqui a poucos meses, tenhamos sucesso ou não, os dirigentes estarão fora do comando e das manchetes -se é que não vão encontrar “palmeirenses” capazes de reelegê-los. E é por isso mesmo, que eu acho que deveríamos exigir que saíssem de lá agora, (não terão a grandeza de saírem por livre e espontânea vontade); para que todos os que vierem depois deles, entendam, e de uma vez por todas, que a gente palestrina exige ser respeitada! Que a gente palestrina não vai mais permitir que essa história se repita, e que ela vai, sim, reconduzir o Palmeiras para o alto!
Não podemos deixar esse “bonde” passar outra vez! É hora de tomarmos o ‘remédio’ e nos livrarmos da doença de décadas! É hora de darmos ”voz” aos sócios torcedores! É hora de nós ajudarmos a reconstruir o Palmeiras! E se pedimos raça ao time, pedimos luta, superação, como nos negaremos a fazer o mesmo? Como deixaremos de lutar pelo clube que amamos, quando ele precisa mais precisa de nós?
Pra mim, apesar da tristeza de ontem, só vai ser “já era”, quando matematicamente não existirem mais chances… e não me dou por vencida antes disso! Meu lugar é com o Verdão, torcendo por ele, até no inferno se preciso for. E o amor que eu sinto, e você também sente, e que não muda nunca, vai fazer toda a diferença!
FORÇA, PALMEIRAS! É difícil, mas não é impossível! EU ACREDITO!
E, aconteça o que acontecer, que não seja barato, que não seja sem luta, sem sangue nos olhos, sem brigar por cada centímetro do gramado, que não seja alma, sem coração… que não seja em vão… AQUI É PALMEIRAS, PORRA!























