Parece mentira, mas essa é a maneira, irresponsável, que vão separar as torcidas no Derby (assim é chamado o confronto Palmeiras x Corinthians), que acontecerá daqui a algumas horas no Itaquerão (aquele estádio que custou 1,2 bilhões do dinheiro público):

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Umas placas escoradas com uns pedaços de pau ou ferro (who knows?), é mole? “Segurança total” e “ultramoderna”, não é mesmo? E, repare, as “escoras” estão colocadas em frente às cadeiras. Sem contar que a visibilidade dos torcedores quase nem vai ficar comprometida…

De fazer inveja aos engenheiros da Nasa… e aos melhores estádios do mundo.

Espero que o clássico seja de paz entre as torcidas,  mas quero ver quem vai ser responsabilizado caso não seja assim…

Essa postagem já havia sido publicada há uns anos atrás e, agora, neste Brasileirão-2014, ela foi atualizada. 

O campeonato Brasileiro, ‘palco’ onde se apresentam os maiores clubes do Brasil, está em andamento mais uma vez. Os confrontos entre esses grandes clubes levam milhares de torcedores aos estádios do país e dão pontos preciosos no IBOPE para as emissoras que transmitem os chamados “clássicos”.

Pelo que representam, pelos títulos brasileiros conquistados, pelos grandes e inúmeros craques que já defenderam as suas cores, podemos considerar que são 12 os maiores times do Brasil: Palmeiras, Santos, Flamengo, Corinthians, Fluminense, São Paulo, Inter, Grêmio, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Botafogo e Vasco (4 de São Paulo, 4 do Rio de Janeiro, 2 de Minas Gerais e 2 do Rio Grande do Sul). Atlético-PR, Coritiba, Sport e Guarani, embora não façam parte do grupo mais seleto, também já foram campeões brasileiros uma vez cada um, sem contar que os três primeiros são as grandes forças de seus respectivos estados.

E você sabia que no histórico dos confrontos entre esses grandes clubes do Brasil, desde 1942, o Palmeiras leva a vantagem diante de 8 deles? Sabia que dentre os 16 clubes que conseguiram ser campeões nacionais, o Palmeiras leva vantagem no confronto direto com 12 deles? Uma marca bastante significativa, não é verdade? Ainda mais se considerarmos que, durante muitos anos, o Palmeiras foi vítima de péssimas e desastrosas administrações, que acabaram interferindo dentro de campo, e, por consequência, o Verdão fez alguns campeonatos bastante ruins, deixando de participar de duas edições do Brasileirão da Série A. Consideremos também os grandes danos causados por arbitragens mandrakes e nocivas, que lhe prejudicaram bastante em vários campeonatos, e, ainda assim, o Palmeiras, octocampeão brasileiro, se mantém soberano no confronto direto diante de 8 dos seus 11 maiores rivais no Brasil, e, dentre os 19 clubes que, além do Palmeiras, disputam a edição 2014 do campeonato nacional, o Verdão tem o melhor histórico diante de 15 deles. Nada mau, não é mesmo?

E como no próximo domingo teremos Palmeiras x Corinthians, o clássico de maior rivalidade e visibilidade do país, ganham destaque as estatísticas sobre “quem leva vantagem sobre quem”, “qual dos clubes marcou mais gols”… essas coisas…

Até falaram sobre isso, hoje, no programa Jogo Aberto, da Band,  citaram a vantagem do Palmeiras no Derby nacional, mas colocaram no vídeo uma imagem com os números invertidos e uma vantagem para o time alvinegro. Como assim, Dona Band? NA, NA, NI, NA, NÃO!

Confira o histórico dos confrontos do Palmeiras, em campeonatos brasileiros, diante dos grandes clubes do país e dos demais que disputam o Brasileirão 2014. Contra os números não há argumentos:

histórico-PalxGambás

A maior invencibilidade entre Palmeiras e Corinthians, no campeonato brasileiro, é do Palmeiras, que ficou 8 jogos seguidos sem perder.

O maior jejum entre as duas equipes é do Corinthians, que ficou 4 partidas seguidas sem marcar gol. 

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Fonte: http://futpedia.globo.com/palmeiras

O Palmeiras jogou com o Cruzeiro, perdeu o jogo, mas não mereceu a derrota. Na maior parte do tempo, jogou muito mais bola do que o líder do campeonato.

Gareca, arrojado, meteu três atacantes no time, Henrique, Diogo e Leandro – Mouche, relacionado pela primeira vez, ficou no banco. E o Palmeiras começou o jogo correndo bastante, o Cruzeiro também. Não tinha nem um minuto ainda e Renato arriscou uma bomba de fora da área, mas errou o alvo; o Cruzeiro tentou na cabeçada de Egídio, e Fábio foi buscar no cantinho; Diogo cruzou com perigo na área, mas o zagueiro cortou. E o relógio ainda marcava dois minutos de jogo…

Foi então que aconteceu o que a gente não esperava… O Cruzeiro se aproveitou de 8 minutos de apagão do Palmeiras e de uma falta não marcada pelo juiz – facilitadora do primeiro gol -, e colocou 2 x 0 no placar. Um gol aos 7′, e outro aos 10′ (e uma baita defesa do Fábio aos 18′), e não teve quem não se lembrasse do Brasil e da sacolada de gols que ele levou da Alemanha…

Embora o Palmeiras tivesse três atacantes, o time sentia muita falta de alguém para armar o jogo e municiar esses atacantes. Mendieta, que é bom jogador, parece se sentir tímido com a tarefa de ser o responsável pela criação, agora que Valdivia não está mais, e não tem jogado como esperamos e como ele pode (vamos ter que dar um tempo para ver como renderão os jogadores sob o comando de Gareca). Por isso, tínhamos dificuldade para atacar e, até os 30′, mais ou menos, o Cruzeiro dominava o meio de campo e a partida. E fazia muitas faltas duras também.

O Palmeiras começou então a dar pequenas mostras que saía do estado letárgico que o deixara em desvantagem. Mendieta fez uma boa jogada e tocou para Leandro, ele chutou, e o goleiro fez uma bela defesa; no rebote, com o gol escancarado, e sem goleiro, Henrique, num dia pra lá de infeliz, conseguiu fazer o mais difícil e chutou por cima. Não dava pra acreditar que aquele gol tivesse sido desperdiçado.

Eguren, machucado, foi substituído por Felipe Menezes, e então, com o “Özil” palestrino, o Palmeiras começou a se acertar ainda mais em campo e passou a pressionar o Cruzeiro. Leandro foi para o ataque, mas chutou em cima da marcação; após cobrança de escanteio, bola perigosa na área e Henrique (o deles),  de cabeça, mandou na trave e quase fez contra.

O Verdão estava esperto e desperto, e as chances iam surgindo. O Palmeiras já era outro; Diogo, raçudo, se movimentava bastante, tentava do jeito que podia. Leandro, teve oportunidade de invadir a área, mas chutou pela linha de fundo.

E assim fomos para o intervalo com o jogo equilibrado, mas com a desvantagem e aquele “quase” gol de Henrique para lamentarmos.

O Palmeiras voltou pressionando… Falta em Diogo, “Özil” mandou pra área, mas Fábio (o deles) deu um soco na bola e afastou o perigo; Lúcio fez jogada individual, avançou, acabou desarmado, foi lá e roubou a bola de novo, e, sob aplausos, ouviu a torcida gritar o seu nome (a gente quer ver isso em campo, raça, vontade, determinação). E a galera, que tava quietinha, se inflamou. Leandro foi parado com falta, Felipe “Özil” Menezes cobrou, e quase que o Tobio alcançou…

O Palmeiras jogava certinho e o Cruzeiro, priorizando a marcação, descia o sarrafo. Erra difícil acreditar que o time mineiro tinha ficado as 3 partidas anteriores sem tomar um amarelo, porque seus jogadores batiam um bocado. Achei que o juiz, pra variar,  estava sendo muito camarada com eles, porque várias faltas cruzeirenses foram bem duras (algumas nem sequer foram marcadas), e ter tomado  só três cartões amarelos até aquele momento deixava o time mineiro no lucro.

Então, teve mais uma falta em Leandro; “Özil” cobrou lá pra área, e a bola, boazinha e obediente, foi procurar o pé do… Tobio! E, de pé direito, com muita tranquilidade, ele guardou no canto esquerdo do goleiro,  e saiu comemorando o seu primeiro gol no Palmeiras, o primeiro gol da Era Gareca  – ela vai dar frutos – um gol argentino. Festa na arquibancada. Que delícia! Eu estava morrendo de saudade de gritar um gol do Palmeiras.

O Verdão fazia de tudo pra empatar; Felipe Menezes cruzou na área e Tobio quase alcançou de cabeça… jogada rápida de Leandro e William Matheus, que tocou na área pra Henrique sair na cara do goleiro, e o goleiro deu uma esticada no braço e fez a defesa. Meu Deus, podíamos ter empatado!

Gareca sacou Leandro e promoveu a entrada de Pablo Mouche.

O Palmeiras dominava o jogo. O Cruzeiro, me lembrando dos adversários que enfrentáramos na segundona, fazia cera e mais cera.

Era inacreditável, o Palmeiras encurralava o líder do campeonato – parecia que era ele o líder da competição -, a torcida empurrava, mas o gol não saía… Lúcio, do campo de defesa, lançou a bola lá na frente para Mouche, que a recebeu dentro da área, dominou, chutou e quase empatou o jogo. Passou pertinho…

Pra você ter uma ideia de como o Cruzeiro batia, ele, que recebera 14 cartões amarelos em 10 partidas, já tinha recebido 5 no jogo, e estava muito barato. Eu já estava rouca de tanto xingar o juiz, que deixava de ver umas faltas a nosso favor, e via, com lentes de aumento, tudo o que o Palmeiras fazia.

O gol não saía, mas a torcida gostava do Palmeiras que via em campo, que jogava certinho, com vontade, e que deixava o líder do campeonato fazendo hora e gastando tempo na linha de fundo a cada vez que podia cobrar um tiro de meta.

O jogo acabou, e, enquanto os (aliviados) mineiros comemoravam não terem sofrido o empate e, quem sabe, a virada, os palmeirenses saíam com a sensação de que uma grande injustiça acontecera na tarde de domingo. O Palmeiras, tinha jogado muito bem (era o que todo mundo falava ao final) e não merecera perder… mesmo!

Os deuses do futebol por certo não estavam inspirados… mas eles que se preparem, porque, pelo que estamos percebendo no trabalho de Gareca, que já imprime o seu estilo ao Palmeiras, esse time vai dar… tango!

Esperei tanto tempo para ver o Palmeiras em campo de novo – sim, um mês sem Palmeiras foi tempo demais -, esperei pra ver o trabalho de Gareca, o nosso técnico argentino, e , quando a Copa acabou e chegou a hora tão esperada, tudo que pude ver foi a bela homenagem a Oberdan Cattani, o uniforme azul, lindo, igual ao que nossa “Muralha Verde” usava,  e vi também que Gareca é um bom técnico, e já deu uma mudada no sistema defensivo (e não tem medo de lançar a garotada), mas é um bom técnico que, infelizmente, vai sofrer pela falta de material no “almoxarifado palestrino”.

Eu sei que o Mouche não fez a sua estreia, que jogamos sem Lúcio, Henrique, sem o Mago – mandado lá para o deserto -, sem Marquinhos Gabriel, que também foi para o mundo árabe… mas o Santos era muito fraco e, ainda assim, conseguimos não fazer nada em campo e tomar dois gols.

A falta de qualidade no time, a sua inofensividade, deixou a gente preocupado. A falta de pontaria também, afinal, pelo que consegui ver, (no PC, a transmissão travava o tempo todo) perdemos 2 gols feitos, um com Diogo e outro com Leandro – tivemos também um gol mal anulado (isso não muda nunca). E foi só.

Mas o que me pareceu determinante foi a falta de criatividade… não havia um “cristo” para criar uma jogada. Bruno César não dava conta do recado; Wesley, de capitão (piada), não atava e nem desatava… Difícil… E olha que no começo do jogo, com o time compacto, o Palmeiras deu a impressão que faria um outro tipo de partida. Até conseguir tomar um gol bobo numa cobrança de falta.

O narrador e comentarista repetiam incessantemente que o Palmeiras não criava nada, que faltava alguém ali na função de armar o jogo – Maledetos. Quando esse “alguém” estava no time, eram os narradores e comentaristas os primeiros a dar pauladas nele e fazer comentários venenosos a seu respeito.

Mas que “ele” fazia falta, fazia… e muita.

POR QUE “FES ISO”, DIRETORIA? Eu sei que compra e venda de jogadores é coisa corriqueira nos clubes, mas já tínhamos deficiências em algumas posições para as quais ainda precisamos contratar, alguns titulares não têm suplentes, precisamos qualificar mais o elenco… aquelas coisas de sempre, e pra ontem, e vocês ainda resolvem vender o melhor jogador do time? E o que é pior, e totalmente incompreensível pra mim, pra ter que comprar outro pra posição? Não era mais fácil ficar com o que tínhamos? Só nós, torcedores, sabíamos que ele era importantíssimo pro time?  Já era um mantra, repetido por todos, até mesmo alguns profissionais de imprensa, que o Palmeiras, sem Valdivia, era um time comum, previsível, e com ele, era um time com muita qualidade, perigoso. Não entendo muito de negociações, mas acho que o manager aí tá pisando na bola. Pra trazer outro do mesmo nível (talentoso, como ele, não vamos achar outro) vai ter que gastar muito, o cara tem que chegar, se entrosar… e já tínhamos isso no time…

Em campo o jogo era sofrível, perdíamos a partida, tínhamos tido um gol legítimo anulado (cuidado, Palmeiras! Não esqueça do que as arbitragens te fizeram em 2012) e não tínhamos ofensividade alguma, o Santos, se  não tinha nada demais, se não apresentava um futebol brilhante, conseguia ser eficiente e se aproveitava da nulidade ofensiva do nosso time, que não conseguia criar jogadas de perigo e ainda dava alguma moleza pro ataque do Santos.

Narrador e comentarista continuavam repetindo que faltava alguém pra criar, pra pensar o jogo… e o nosso ‘alguém’ lá com os camelos… E a gente se perguntando: o que foi levado em consideração nessa negociação? Só o dinheiro? Perdemos o melhor meia em atividade no país, totalmente identificado com o clube, que fazia muita diferença em campo, e que, por acaso, era ídolo, por causa de alguns milhões, que serão gastos (serão mesmo?) para se repor o buraco – mais um – imenso que existe no time pós Copa.

Vamos ter que cantar agora: EÔ EÔ O MILHÃO É UM TERROR? Ou, quem sabe, AU AU AU O MILHÃO É ANIMAL? Talvez, OLE LÊ LÊ, OLA LÁ LÁ, O MILHÃO VEM AÍ E O BICHO VAI PEGAR? E será que o “milhão” vai entrar em campo criar as jogadas?

Me sinto muito desapontada…

Quando venderam o Mago,  eu, suspeitíssima para opinar, fiquei na minha e apenas disse: “O tempo vai dizer se foi uma boa para o Palmeiras, para o jogador, para a torcida…”. Para o Palmeiras, na primeira partida sem ele, a gente já viu que não foi, tampouco para a torcida, que teve que amargar vendo um time sem criatividade, sem imaginação…

A janela tinha acabado de abrir, podiam, pelo menos, ter esperado um pouco mais; se já era sem noção vendermos o craque do time, imagine vendê-lo antes de enfrentarmos Santos, Cruzeiro, o líder do campeonato, e Gambás, o mais ajudado pelas arbitragens? E um atrás do outro! Alguém acha que não nos importaremos de perder essas três partidas?

Eu até entendo o papo de que não temos a obrigação de ser campeões no centenário, entendo mesmo. No entanto, penso que temos a obrigação de querer ser campeões no centenário, e não entendo quando percebo que esse desejo não existe do outro lado; só a torcida quer isso, ou melhor, só a torcida quer poder querer um título, quer poder sonhar com ele. E perceber essas coisas me aborrece muito, afinal, a gente faz tudo o que pode pelo Palmeiras, e fazemos com o coração. Mas o clube sempre tem que deixar o coração de lado? Não acho certo. Existem ocasiões em que o coração é bem mais inteligente do que a razão, ele vê além, vê coisas que a razão ignora.

E se o torcedor é convocado a ajudar o time, a se associar ao Avanti, a comprar camisas e produtos oficiais, pelo coração, pelo amor que sente por ele, o Palmeiras precisa olhar para o seu torcedor com o coração também. É o ano do nosso centenário, caramba, queremos poder pelo menos sonhar! Estamos nos sentindo lesados. Tínhamos um time melhor na segundona, do que temos no Brasileirão! Como é que pode isso? Para cada dois que chegam saem quatro?

Se o clube é uma empresa, e não acho ruim que o pensem e conduzam assim, nós somos os clientes, os consumidores, certo? E o consumidor sempre tem razão, tem que estar satisfeito, não é mesmo? Sendo assim, vamos ter que reclamar no PORCON por não termos um time competitivo?

De que adianta trazer um bom técnico, se lhe tiram as peças com as quais trabalhar? Burrada Master!

Lá no banco, quando o Santos já tinha feito o segundo gol, quando o jogo caminhava para os minutos finais, olhando o que não acontecia em campo, olhando para o ataque, zerado, porque o time não tinha armação, Gareca parecia desolado. Senti pena dele.

Devia estar pensando no trabalhão que vai ter, devia se lembrar que, dias antes, o time treinava tão bem, mostrava um futebol tão diferente nos jogos treinos e amistosos… e, até ele, devia estar com saudade do cara que treinou fazendo mágica contra o Red-Bull…

Agora, é nós aqui, e  ele lá… Parabéns aos envolvidos!

FORÇA, GARECA! O trabalho triplicou, mas vamos conseguir. Hoje, teremos Lúcio, e Henrique de volta, Mouche fará a sua estreia, e, hoje também, você vai conhecer a “famiglia”, no Pacaembu, e vai saber que ela entra em campo, sim, e que você pode contar ela, sempre!!

VAMOS GANHAR, PORCOOO!

Mago-campeão

“Não tem palavras pra explicar o q este clube representa na minha vida,e não falo de futebol. falo de vida, de aprendizado, de 6 anos q me entregue bem ou mau, mas fiquei diante de todas as adversidades, sequestro, agressão. tudo isso me fez querer mais ainda o clube. Sou e por sempre serei agradecido da torcida, do clube, das pessoas q sempre me apoiaram em todos os momentos. fui mto feliz disputando uma segunda divisão pelo clube q amo, voltando o clube onde nunca jamais deverá sair.meu futuro está num outro clube a partir de agora.mas minha adoração por este clube será por toda a vida.goataria muito de ter ficado até velho por aqui mas o clube precisa dessa grana , espero q vcs entendam e vejam q sou um aternamente agradecido por vcs …por sempre agradecido e por sempre porco.” Despedida de Valdivia, via Instagram.

Eu não queria ter que escrever sobre isso, na verdade, não queria que estivesse acontecendo isso, mas, antes da Copa, quando me disseram que o Palmeiras “estava doido para vender o Mago”, meio que me preparei para esse momento – mas de nada adiantou…

E Valdivia vai/foi embora… e até já se despediu da gente… que difícil… perder o cara que é o diferencial do time, ver as esperanças de conquistarmos algo no centenário do clube diminuírem um bocado, e, pra mim, com o agravante de perder também o meu ídolo, que eu adoro e, mais do que isso, que admiro e respeito demais… Como diria Camões: “Num é fácio”…

O tempo dirá se isso foi uma negociação inteligente, se o Palmeiras ganhou com ela e se haverá reposição à altura… mas, penso, que perdemos todos, Palmeiras, Valdivia, futebol e torcida – principalmente as crianças, que adoram o Mago.

Sabe, Mago, pra nós também é difícil encontrar palavras para dizer o que você representa. As pessoas tentam traduzir o que você significa e, observando a variedade de significados que ‘Valdivia’ tem para a maioria dos torcedores, compreendemos o muito de ausência que você vai deixar aqui.

Nos divertimos juntos, sofremos juntos também, e aprendemos a ser mais fortes a superar os momentos difíceis. Foram 3 títulos e um bocado de emoção, unhas roídas, lágrimas de alegria, dribles e passes maravilhosos. Um Paulistão inesquecível, que caiu como chuva farta na terra árida e infértil de uma década, até aquele momento, maldita… Uma Copa do Brasil, conquistada na raça, na fibra, na superação de tantos obstáculos e problemas – até mesmo de um sequestro (e quantos apostaram que você não ficaria depois disso)… e aquele gol mágico diante do Grêmio, que aqueceu o nosso coração e os nossos corpos naquela noite de chuva e frio… gol que nos colocou na final, com a certeza que poderíamos superar qualquer adversidade que surgisse dali pra frente, e, quase sem acreditar naquela felicidade gigante, conquistamos a  Copa do Brasil, que sacramentou o Palmeiras no posto de maior campeão nacional. E teve a famigerada segundona (ela quase nos pegou em 2011, mas você nos salvou), da qual saímos pelas portas da frente, honrados, dignos e campeões (e quantos juraram que você não disputaria a série B). As alegrias que você nos deu, Mago, são pra sempre, ajudaram a escrever algumas páginas da história do Palmeiras e jamais serão esquecidas.

O Paulistão de 2008 não foi o primeiro título que vi o Palmeiras conquistar, mas foi deliciosamente redentor, a Copa do Brasil também não foi a primeira –  foi a mais eletrizante -, portanto, Valdivia, você não foi o meu primeiro ídolo, quero crer que não será o último, mas você é especial, único e muito amado. E sabe  o quanto te respeito e admiro.

Foi um prazer e um privilégio imenso ver, mais uma vez em ação, esse seu talento raro a serviço do meu/nosso Palmeiras. Você é o grande namorado da bola, que se encanta e se rende a você, enquanto tantos outros jogadores não conseguem conquistá-la de jeito nenhum…  Você brinca, faz poesia no gramado, e nunca entrou em campo para não jogar sério, nunca fugiu do pau… e, por isso mesmo, foi tão caçado em campo defendendo as cores do Palmeiras.

Como disse Armando Nogueira, num bilhete que te escreveu, “os medíocres é que detestam o drible” (eles é que o confundem com provocação, deboche), mas, “assim como o sol, ele – o drible – não nasceu pra todos. O drible é um privilégio, e só os eleitos merecem o dom que, por sinal, os deuses te concederam. O drible é invenção que nasce do coração. O driblador é um poeta… e pertence à uma dinastia que foi canonizada pelas canelas de Stanley Mattews, de Garrincha, de Zico, de Júlio Botelho, de Maradona e de tantos outros apóstolos do evangelho do drible”

Você é um poeta, é um Mago sim, na acepção da palavra; quantas vezes lá na arquibancada, nós, torcedores, boquiabertos, olhamos um para a cara do outro e nos perguntamos: “Como foi que ele fez aquilo”? E, rindo, encantados, não sabemos responder, e esperamos chegar em casa para ver o replay. Sim, seus dribles e passes muitas vezes parecem magia…

Você sempre foi o diferencial do nosso time, aquele toque de categoria e inteligência, de futebol arte, que anda tão raro por aqui. Num país com uma escassez tão grande de bons jogadores na sua posição (a selenike, na Copa, não tinha um nesse nível), era você quem nos mostrava que o futebol arte ainda existe, e é muito difícil aceitar que vamos ficar sem nostro Mago agora, que o “nosso futebol arte” vai brilhar em outro clube, que voltaremos à mesmice de um futebol sem magia, que venderam “o melhor 10 do país”, “o cara” do time, tão identificado com o Palmeiras. E como será possível trazer um outro lá de fora, com a mesma competência futebolística sua, sem gastar muito mais do que o Palmeiras recebe agora? Essas coisas são tão difíceis de entender e aceitar. E em pleno ano do nosso centenário, quando, teimosos que somos, sonhamos tão alto…

Ah, você vai fazer muita falta, Mago… e nem imagina quanta; vai fazer falta em todos os jogos, porque, agora, vamos perder até a costumeira esperança de uma jogada mágica  e inesperada, e do gol que surge depois dela. Você vai fazer falta para os atacantes palmeirenses lá na área, porque a bola, na maioria das vezes, não vai chegar mais tão redondinha e açucarada. Só os adversários se contentarão com a sua ausência.

Vão fazer falta as entrevistas com as suas míticas e divertidas declarações, vão fazer falta as suas comemorações, a sua alegria, a sua marra o seu sorriso franco…

Eu sei que nenhum jogador é maior do que o clube. Mas também sei que são os jogadores que ajudam a construir a grandeza de um clube ao conquistarem os títulos e as glórias. Sem eles, a mágica não acontece! Não se conta a história do Palmeiras sem citar seus jogadores e seus feitos pelos gramados. E você escreveu seu nome na história da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Boa sorte, Jorgito! Que você seja muito feliz em seu novo clube. Que Deus te abençoe e que a Virgem Del Carmen te ilumine (leva a medalhinha com você). Avisa lá os caras ‘de vestido’, que eles ganharam uma torcedora e vão ganhar muitos torcedores mais (vou comprar uma burca pra ir aí te ver jogar).

Muito obrigada, El Mago,  por todas as alegrias, por ter honrado a camisa do Palmeiras e tê-la vestido com tanta raça. Obrigada por ter aprendido a amar o Palmeiras – eu sei que você o ama sim.

Foi um presente de Deus poder te conhecer, viu?

Eu e a camisa 10 do Palmeiras estamos muito tristes, e vamos morrer de saudade do seu futebol e de você, Mago. Mas não somos as suas únicas admiradoras (você tem milhões de fãs palestrinos), e fazemos nossas as palavras desse santo aqui:

Marcos-msg

Até breve, Mago! Nunca se esqueça de voltar pra casa! #PraSemprePorco

Os alemães (seleção e dirigentes) vieram ao Brasil e construíram um CT (um condomínio) em Santa Cruz da Cabrália-BA, construíram um campo de futebol, pavimentaram uma rua, doaram dinheiro à comunidade indígena do local para que ela possa comprar um veículo para ajudar no atendimento aos doentes, doaram 25 bicicletas para as crianças locais, incentivaram a criação de um programa “escola em tempo integral” em Cabrália, contribuíram para a reforma de algumas escolas…

Tudo isso, gerando 250 empregos, uma vez que não trouxeram mão de obra alemã para a construção do Centro de Treinamento, e empregaram pessoas da localidade.

Não bastasse isso, ainda doaram gentileza, cordialidade, participando de festas com a população, dançando com os índios, sendo extremamente simpáticos e sociáveis com os habitantes do local, fosse na praia ou na cidade… ganhando amigos e, até mesmo, torcedores brasileiros.

Vestiram a camisa do Bahia e cantaram o seu grito de guerra com os seus torcedores, interagiram com o Brasil inteiro, via Twitter,  com mensagens simpáticas, de apoio, até mesmo escrevendo em português…

Foram extremamente elegantes e respeitosos na partida em que engoliram a seleção brasileira. Fizeram 7 gols é verdade, mas poderiam ter feito uma dúzia e “tiraram o pé”. E em cada um desses gols, a comemoração, que VALIA VAGA NA FINAL DA COPA DO MUNDO, foi contida, sem provocações, respeitando a nossa tragédia (sim, somos um povo que valoriza mais o futebol do que um país bem governado, governado para o benefício povo, de verdade)

E então, os alemães fizeram um vídeo, lindo, com momentos de sua passagem por aqui, momentos da interação com os moradores de Cabrália, momentos de seus treinamentos, de seus jogos, um vídeo recheado com a alegria que trouxeram ao Brasil e com a que alegria com que foram recebidos aqui também, e, nada mais óbvio e lógico, usaram uma música brasileira de fundo.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=4lN1Q6mZlHs[/youtube]

E o que aconteceu?

O vídeo foi retirado do ar (nem sei se você poderá acessar o link acima), porque Paula Lavigne, a ex-mulher do BAIANO Caetano Veloso, reclamou do uso da música “Tieta”, de autoria dele, que não tinha sido autorizado. Se os alemães estivessem usando a música para ganhar dinheiro com ela eu até entenderia.

PaulaLavigne-reclamação

Que imbecilidade!

E pensar que Caetano era da turma do ‘É proibido proibir”

“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem. Cegos que, vendo, não vêem”  – José Saramago

A gente bem que avisou… sem “parmera”, seleção brasileira nenhuma ganha título…

Eu nunca fui favorável à realização de uma Copa do Mundo no Brasil. Por mais divertida e bem sucedida que ela pudesse ser, eu sabia que isso ia custar os olhos da cara… do povo! E custou, muitos bilhões!! Para um país que tem tantas necessidades pra ontem, não dá para achar legal gastar essa grana toda com diversão, esquecendo, entre outras coisas, a Saúde e a Educação. É o mesmo que você torrar seu salário na gandaia e ficar sem luz e água em casa,  sem comida…

E, pra piorar,  superfaturaram tudo, nem todas as obras ficaram 100% prontas, muitas delas, de mobilidade urbana, acabaram sendo esquecidas… teve gente que ameaçou com o #NãoVaiTerCopa, a polícia sentou a borracha nos descontentes, e teve Copa sim.

Mas é futebol, a alegria dos brasileiros! E foi esse o ‘espelhinho’ com que cegaram boa parte do povo, com que tiraram a atenção dele do que era realmente importante para o país, espelho com o qual fizeram as pessoas só enxergarem a seleção e até acreditarem que ela podia ganhar a Copa.

E aquela parte da população que é patriota apenas de quatro em quatro anos, que confunde patriotismo com torcer pela seleção – e não percebe que a seleção é da CBF, da emissora de TV e da patrocinadora, menos do povo -, ficou encantada com a chegada das seleções, com os jogos, os turistas, e, induzida e manipulada, passou a pensar que a prioridade para o Brasil era ganhar o “équiça”, esquecendo da conta que vamos ter que pagar durante um bom tempo, e de quão mais difíceis as coisas ficarão por aqui depois da Copa, e por causa da Copa.

“Pão e Circo” pra ninguém botar defeito, mesmo que o pão não esteja tão acessível, já que a inflação está aí, de volta. Era esse mesmo o interesse dos governantes, o de fazer com que a população esqueça o que não tem, não se dê conta do que lhe foi tirado, e, temporariamente feliz, vote de novo nos mesmos que torraram a sua grana – mal sabiam todos quão doloroso seria o “despertar do transe”…

E embora a maioria da população não tivesse acesso aos estádios e jogos (sim, fizeram a Copa para a elite, para os que podiam pagar, e o povão… ficou de fora), os brasileiros, loucos por futebol, esqueceram todo o resto e acabaram seduzidos pela presença dos maiores e mais badalados jogadores do planeta, e dos muitos torcedores que vieram atrás deles.

Messi, Cristiano Ronaldo, Schweinsteiger, Piquet, Casillas, Aguero, Pirlo, Balotelli, Klose, Neuer, Buffon, Rooney, Benzema, Alexis Sanches, Vidal, Valdivia, Campbel, James, Ochoa, Eto’o, Drogba, Robben, Van Persie, Sjneider, Daniel Alves, David Luiz, Neymar (um ótimo jogador, que a imprensa esportiva do Brasil faz questão de colocar ao nível de um extraterrestre)…

A primeira fase foi deliciosa. Altas doses de futebol na veia, duas vezes por dia – até três vezes, em algumas ocasiões -, para ficarmos felizes da vida. As prostitutas, que ganharam cursos de inglês do governo, reclamavam que os negócios iam mal, mas o povo estava enlouquecido com tanto futebol. Sem contar a interação dos povos, e as imagens, inúmeras e memoráveis, de momentos que nunca passaram por nossa imaginação antes… E os destaques começaram a surgir… Robben, Neymar, Neuer, Uchoa, Pirlo, Benzema, James, Howard…

E porque alguns dos bichos papões do futebol mundial não mostraram muita bala na agulha – o Brasil, inclusive -,e porque as seleções consideradas coadjuvantes trouxeram um futebol melhor do que o esperado, os jogos foram ainda mais disputados. E os que mais brilharam foram os goleiros. Mesmo sem muitos gols o torcedor se maravilhou e surpreendeu com a Argélia,  com a Nigéria, com a Costa Rica (que atrapalhou a vida da Itália);  encantado, viu a Colômbia jogar um futebol lindo e alegre;  viu um México com futebol de gente grande;  viu o Chile fazer bonito, despachar a Espanha e dar um trabalhão na fase seguinte para a temida, e pentacampeã mundial, seleção brasileira – com chance até de matar o jogo no finalzinho da prorrogação; viu a Espanha levar uma surra da Holanda; viu Portugal, do melhor do mundo, dar adeus à Copa na primeira fase, enquanto os Estados Unidos ficavam com uma das vagas no grupo…

Mas algumas arbitragens, horrorosas, acabaram decidindo alguns jogos e até mesmo a posição no grupo em que algumas seleções se classificaram, o Brasil em primeiro no grupo A, por exemplo. Uma Copa do Mundo no Brasil e com cara de campeonato Brasileiro. Faltas violentas sem punição; outras, menos violentas que resultaram em expulsão; pênaltis legítimos não marcados, e outros, inexistentes, assinalados; gols legítimos anulados (só o México, teve dois numa mesma partida). Uma absurda falta de critério.

E assim vimos, numa mesma partida, um italiano ser rigorosamente expulso, e um uruguaio, que mordeu seu adversário, continuar em campo; vimos um nigeriano ter a pena quebrada, em dois lugares, e o francês que o agrediu não ser expulso… Vimos o Brasil, como o time mais faltoso na fase de “mata-mata”… vimos o Neymar levar uma joelhada desleal nas costas (igual às que Valdivia, no Palmeiras, já levou do Alex Silva, do Jorge Wagner, do Sandro Goiano, e que a imprensa no Brasil achou normal), sofrer uma fratura, ter que se despedir da sua primeira Copa do Mundo, no seu país, e o seu agressor continuar em campo (vimos também o Neymar dar uma cotovelada num croata e continuar no jogo)…

E quanto mais as disputas se acirravam, mais iludidos ficavam os torcedores. A imprensa, promovendo a Copa e a seleção a qualquer custo, obscurecendo as notícias negativas e iluminando qualquer coisa positiva, fazia de conta que não via as deficiências e o fraco futebol que o Brasil apresentava, e, parecendo subestimar o poderio de outras seleções promovia um “oba-oba” contínuo, vendendo confiança e otimismo. Jogadores brasileiros iam sendo alçados à condição de heróis… heróis que, implicitamente, conquistariam o tão sonhado “équiça”…

Brasil na semifinal… #ÉTois! Notícias sobre  Neymar fora da Copa pipocavam a cada cinco minutos nas TVs e rádios, gerando uma comoção, proposital e exagerada, para que o povo abraçasse a seleção, para que a audiência dos programas todos da TV – que só falavam do Neymar – tivesse seus índices elevados. Ninguém mais queria saber do dinheiro público indecentemente gasto pelo governo para fazer essa Copa, e nem questionava a vergonhosa doação do Itaquerão, cheio de goteiras, diga-se de passagem.

Esqueceram também da Alemanha… que teve um único dia de folga, que estava trabalhando sério, há anos, para chegar à uma final e tentar ser campeã do mundo. Alemanha, que construiu o seu CT no Brasil, e que não veio aqui para brincar. E enquanto a Alemanha fazia uso de um estudo acadêmico para enfrentar o Brasil, e treinava forte e sério para o confronto, no lado brasileiro se fazia treinos regenerativos e de precaução…  Felipão  mandou chamar Edílson e Vampeta para motivar o time. Falar o quê disso?

E a tragédia, que estava anunciada desde o princípio… mascarada com uma vitória diante de Camarões (que perdeu de todo mundo), com a vaga diante do Chile (que jogou mais que a seleção brasileira), e com a vaga diante da Colômbia (o jogo mais faltoso da Copa, cujo maior número de faltas foi do Brasil) tomou forma da maneira mais cruel: OBA-OBA 1 x 7 FUTEBOL, em plena semifinal (4 gols alemães aconteceram em 6 minutos!!) fora o baile tático. Nunca antes na história deste país uma seleção brasileira  tinha sido tão humilhada…

E então, o torcedor, que foi catequizado pela mídia para acreditar no hexa, acordou, na marra, e viu que seu “espelhinho” tão valioso era vidro e mais nada, e teve que encarar a realidade da sua fraca e mal preparada seleção… as notícias sobre Neymar sumiram, ninguém estava mais preocupado com ele,  ou rezando por ele… a imprensinha, que vendia confiança, ficou sem saber o que dizer e começou a caça às bruxas…

A Globo, que vendia a ideia de um Brasil campeão, praticamente já abandonou a cobertura da seleção que ainda disputará o terceiro lugar com a Holanda…  na sua coletiva à imprensa, a comissão técnica do Brasil esbanjou arrogância, soberba e falta de humildade, e, enquanto Felipão ‘provava’ que fez tudo certo (Oi?)  Parreira tinha a cara de pau de aparecer com uma carta de uma tal “Dona Lúcia”, que praticamente inocentava os responsáveis por um trabalho tão mal feito e mal planejado e culpava um “acidente” pela vergonhosa desclassificação da seleção brasileira… Patético!! E pensar que há milhões de “Donas Lúcias” espalhadas pelo país; pessoas ingênuas,  que acreditam em qualquer coisa, menos no que está escancarado diante delas…

Ninguém aprendeu nada… Ninguém percebeu como é que a Alemanha se preparou, se planejou, de maneira séria, e virou essa potência futebolística, que hoje vê o Brasil pelo retrovisor… e que dá de 70 x 0 no Brasil em Saúde, Educação e Desenvolvimento também.

E ninguém se deu conta que, além da falta de tática,  humilhação maior que os 7 x 1 foi a Alemanha ter sentido dó, ter ficado constrangida com a fragilidade da seleção, e ter ‘tirado o pé’… para não enfiar uma dúzia de gols no Brasil…

E, sem aprender, vamos continuar trocando de técnicos – deveríamos primeiro trocar os dirigentes -, esquecendo de cuidar dos clubes, das divisões de base, dos campeonatos,  da distribuição de dinheiro (aqui, as cotas de TV que favorecem dois ou três times, com números de audiência inventados, é indecente), da formação de jogadores (onde estão os bons meias deste país? O melhor é o Valdivia, mas ele é chileno) e técnicos (os nossos, moram na filosofia dos anos 70)…

E vamos continuar sem Saúde e Educação, achando que o futebol é a coisa mais importante para o Brasil. Que ser patriota é pintar a cara de verde e amarelo de 4 em 4 anos e cantar: “Ah, eu sou brasileiroooo, com muito orgulho… (e abandonar o estádio e a seleção, ainda no primeiro tempo); achando que os responsáveis por um país tão atrasado, pelo futebol, que hoje é capenga, são vítimas, que tudo de ruim que nos acontece é apenas um acidente.

E, sentadinhos no sofá, veremos a final entre a Argentina e a Alemanha, crentes que, na próxima, se nenhum acidente nos acontecer,  o “équiça” será nosso. Não é mesmo, Dona Lúcia?

“Há estrelas que não se apagam; apenas saem de nosso campo de visão. Mas continuam ali, eternas, no firmamento.”

– Você precisava ver um goleiro que tinha no meu tempo, filha. Nossa Senhora! Era bom pra caramba. Não usava luvas e pegava a bola com uma mão só. Nunca vi outro igual. Jogou no Palestra Italia e no Palmeiras.

– Quem era ele, pai?

– Oberdan Cattani.

Foi assim que Oberdan Cattani passou a fazer parte do meu mundo palestrino e do meu imaginário. Um goleiro que pegava a bola com uma mão só deveria ser um gigante… A julgar pela cara do meu pai, e do olhar dele viajando em suas memórias, me contando sobre os títulos conquistados com Oberdan, eu podia imaginar as defesas que ele havia feito e as emoções que fizera o meu pai sentir.

Muito tempo depois, quis a vida, assim como quem não quer nada,  me conceder o privilégio e a honra de conhecer Oberdan Cattani, um dos maiores jogadores da história da Sociedade Esportiva Palmeiras, que fez parte da “Arrancada Heroica”, de 1942, que fez parte do time campeão da Copa Rio, o Mundial de Clubes, em 1951.

Tinha me tornado amiga de uma de suas filhas, a Mônica, que ao saber do meu amor pelo Palmeiras me disse que o pai havia sido jogador do Verdão. Mas ela acrescentou que eu não o conhecia, porque ele tinha jogado há muito tempo.

Num instantinho, o meu cérebro fez a ligação com o sobrenome da minha amiga…

-Você é filha do Oberdan Cattani?

– Você conhece meu pai?

– Mas é claro que conheço! Um dos maiores jogadores que o Palmeiras já teve!

Cinco minutos depois, minha amiga me colocava ao telefone com a lenda do gol do Verdão. Eu nem sabia o que dizer, mas aquele vozeirão do outro lado da linha era tão simpático, transmitia tanta bondade e humildade que a conversa fluiu normalmente. Eu, ao telefone com Oberdan Cattani, “A Muralha Verde”, quem haveria de imaginar? Meu pai mal acreditou quando contei pra ele.

Semanas depois, eu estaria diante de Oberdan, em sua festa de aniversário. Ele já tinha mais de setenta anos, mas continuava muito grande, de porte ereto, altivo, imponente… como o Palmeiras. Que emoção eu senti ao conhecê-lo e abraçá-lo.

Não me fiz de rogada e fui logo medir a minha mão com a dele. Deus do céu! Ela era imensa! Ele, de uma simplicidade adorável, se divertia com o meu assombro e a minha empolgação, e ríamos os dois.

Naquele mesmo dia, Oberdan me mostraria o seu “museu”, o seu quarto no andar de cima da casa, onde a história do Palmeiras transbordava em faixas de campeão, medalhas, troféus, jornais, revistas, flâmulas, bandeiras, chaveiros, desenhos, cartões de prata, quadros, camisas, e tudo mais que se pudesse imaginar. Quantos tesouros! Quantas homenagens e honrarias ele recebera ao longo da carreira e da vida. E ele ia me contando a história do Palmeiras, apenas relembrando as suas memórias de jogador… Eu me deliciava com aquelas preciosidades todas, com aquelas histórias. Oberdan fazia a ponte entre o Palestra Italia/Palmeiras que não vivi com o Palmeiras de agora… .

Poder tocar aquelas faixas, de títulos conquistados pelo Palmeiras quando eu ainda nem tinha nascido, era algo surreal, era como entrar numa máquina do tempo… Minha sensibilidade quase me transportava para aquele tempo que não conheci, quase me permitia ver as imagens de jogos que não assisti… As faixas não pareciam guardadas há tanto tempo, pelo contrário, pareciam novas!

E ele me deixava tocá-las, beijá-las, colocá-las, com aquela bondade que tinha na voz, no jeito de chamar a gente de “filha”. Tirei uma foto com a faixa do Palmeiras campeão de 42… meu pai era menino nesse tempo, deve ter ficado tão feliz com aquela conquista do Verdão…  a ‘menina’, feliz, agora era eu; Oberdan se divertia com isso.  E a “menina” entendia que não seria possível contar a história do Palmeiras sem falar de Oberdan Cattani, tampouco se poderia falar sobre Oberdan Cattani sem falar sobre o Palmeiras. As histórias dos dois se misturavam.

E assim, nossa amizade nasceu… Amizade que me permitiu conseguir comprar ingressos para a final de 1993, e viver uma das maiores alegrias da minha vida – no dia do aniversário de Oberdan. Mesmo tendo chegado cedinho ao Palestra, e ficado horas na fila das bilheterias, fui informada que os ingressos haviam acabado, tão logo a fila começara a andar – ela tinha andado apenas alguns metros desde o momento que as bilheterias abriram. Não fosse Oberdan, mesmo eu tendo assistido a todos os jogos do campeonato, não teria visto o título do Paulistão 93… E passei na casa dele depois do jogo, para agradecer o favor, lhe desejar feliz aniversário e comemorar a conquista (e logo fui para a Paulista).

E através dele pude conhecer Valdemar Fiume, Servílio, Fabio Crippa, Dudu, Turcão… e todas as vezes que nos encontrávamos nas festas de aniversário de Oberdan, nos divertíamos com a famosa “história da geladeira” (uma loja havia oferecido uma geladeira para quem conseguisse fazer um gol em Oberdan, e Turcão marcara contra. A brincadeira é que, dizem – Oberdan dizia rindo -,  ele fez de propósito…)

E assim,  eu pude conhecer o pai e avô amoroso, o amigo (suas amizades eram de longa data) por trás daquela lenda, pude conhecer a pessoa íntegra, simples, divertida, e conheci o torcedor, apaixonadíssimo pelo Palmeiras. E assim, eu conheci também muitas histórias… como a de um certo jogo contra um certo maior inimigo…

“… o atacante deles (ele me disse o nome do jogador, mas eu não me lembro) veio pra cima de mim e meteu as travas da chuteira na minha perna. Me rasgou a coxa. Continuei no jogo e pensei, na próxima, eu pego esse f… d… p…. 
Ah, quando ele veio pra cima, eu também fui… quebrei quatro costelas dele…”. E era só risada, da ouvinte e do narrador…

Conheci o homem vaidoso, de cabelo e bigode impecáveis, sempre elegante em suas festas, que mesmo com “uma dorzinha no joelho” se levantava para cumprimentar cada um de seus convidados.

– Mas o senhor tá bonito hoje, hein?

– Você acha, filha? Muito obrigado. – ele me dizia sorrindo.

Conheci o ídolo, atencioso com os fãs, que ajudava muita gente jovem a fazer os seus TCCs, contando, com riqueza de detalhes, a história do Palestra Italia que passou a se chamar Palmeiras; e ele, um dos personagens principais dessa parte de nossa história, se lembrava de tudo.

Fosse pelo ídolo, fosse pela pessoa dele (a pessoa e o torcedor que ele foi o fez ser mais ídolo ainda), não tinha como não amar Oberdan Cattani… não tinha como não achar que ele era um “parente”…

Mas o tempo, ah, esse malvado, tão apressado quando a gente não quer, foi passando rápido… e meu ídolo foi ficando quase centenário. Por isso, todas as vezes em que eu tinha o privilégio de estar diante de Oberdan, principalmente, em suas festas de aniversário, ciente da maravilha de estar diante de alguém que fez parte do Palestra Italia (o seu último representante), e ajudou o Palmeiras a nascer campeão, que conquistou o nosso Mundial,  que fazia a ponte entre o passado e o presente do Palmeiras, eu fazia questão de beijar as suas bochechas, de segurar as suas mãos e dizer pra ele o quanto nós, palestrinos, o amávamos; mandava os recados dos torcedores, os votos de feliz aniversário… e ele sempre dizia: “Obrigado, filha. Fala pra eles que eu agradeço.”

Uma insuficiência respiratória o levou de nós na sexta-feira (20), e ainda não consigo acreditar que tivemos que nos despedir dele… Oberdan ‘dormiu’ numa cama de hospital – uma toalha do Palmeiras, por cima do cobertor, cobria o seu peito – para acordar no Olimpo Palestrino, onde estão Turcão, Echevarrieta, Fabio Crippa, Junqueira, Servílio, Valdemar Fiume…

As despedidas aconteceram no Palmeiras, o lugar que ele mais amava… uma bandeira do Palmeiras e outra do Brasil cobriam o seu caixão…

Eu queria tanto que ele tivesse tido mais tempo… queria tanto que ele pudesse ter recebido o busto em sua homenagem na sua festa de aniversário, marcada para o dia 19… que pudesse ter sido homenageado na festa do centenário do Palmeiras… queria ter podido ligar mais uma vez e ter ouvido aquele vozeirão me dizendo: “Alôôôô!”, queria ter podido lhe dar mais um abraço… mas a vida tinha outros planos…

Acho que Valdemar Fiume, Junqueira, Turcão e o narrador Fiori Gigliotti… estavam com saudade do amigo e precisando de um goleiro… Fabio Crippa devia estar pendurado por cartão…

Ídolos são pra sempre, “seo” Oberdan. Você viverá em nossos corações e em nossas lembranças. Jamais se poderá falar do Palmeiras e do futebol brasileiro sem que você seja lembrado. Sua passagem por aqui foi sensacional.

Você agora é eterno, é a nossa ponte para o sempre.

Obrigada por tanto.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=aIG7c8NyJHw[/youtube]

Há uns dias, surgiram rumores de que o Palmeiras estaria negociando a volta do lateral Cicinho.

Muitos torcedores – eu, inclusive – ficaram contentes. Seria uma boa termos a volta do lateral.

No dia seguinte ao início dos rumores (há uns 4 ou 5 dias atrás), surgiu uma matéria com a informação de  que é difícil a negociação, uma vez que Cicinho prioriza ficar na Europa, e que uma volta ao Palmeiras só acontecerá caso ele não encontre nenhum clube que o queira por lá (a leitura é: Palmeiras é a últimas das opções e, como “salvação da pátria”, só no caso do jogador ficar desempregado).

Cicinho-Globo1

 

Então, quer dizer que o Cicinho acha que não é hora de voltar, e a sua prioridade é a de se manter na Europa? Pôxa…

Mas SERÁ que é assim mesmo?????

Vamos fazer uma visitinha à conta do Cicinho no Instagram…

Instagram-Cicinho1

 

Não é preciso acrescentar mais nada, não é mesmo?

A única coisa que se faz necessária é descobrirmos qual(is) o(s) motivo(s) desse ranço todo com o Palmeiras e a quem ele interessa.

Vamos continuar de olho, uma hora a gente descobre…

Saudações clorofiláticas!