“Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência” – Santo Agostinho

Eu já não tinha gostado muito quando li que o Palmeiras ia com time todo reserva para o jogo contra o CSA. Misto, ok, mas todo reserva? Num campeonato de pontos corridos, uma vitória diante de um time mais fraco vale os mesmos 3 pontos que uma vitória diante de um time forte.

Felipão não tem que fazer as coisas como eu e os demais torcedores achamos que elas devem ser feitas, sei bem disso, no entanto, não concordo, e não acho bom levar um time todo reserva para o jogo, sem ter ao menos uns três “ases” na manga (no banco), caso seja necessário. E, na quarta, fez falta não termos uns trunfos para colocar em campo e sairmos de lá com 3 pontos.

Jogo sem transmissão da TV, e o jeito foi voltarmos à antiga prática de acompanhar o jogo no rádio. Fico com a emoção do rádio se é para estar ao lado do Palmeiras nessa queda de braço com a Goebbels. Sem contar que pagar PPV para, num lance importante, um pênalti legítimo não marcado para o meu time, por exemplo, ouvir o narrador dizer apenas: ‘Seeeegue o jogo’, não é legal). A Transamérica enviou profissionais para o estádio Rei Pelé, em Maceió, e fez uma ótima transmissão – segundo os seus profissionais, a audiência da rádio, que já era muito boa, teve um aumento de 400%. A TV Palmeiras Play e a Web Rádio Verdão narraram o jogo também e tiveram grande audiência.

Mas, no jogo, o Palmeiras deixou a desejar. Abriu o placar logo aos 8′, com um senhor gol de Raphael Veiga. Hyoran fez uma bela jogada, cruzou na medida (na marca do pênalti) para Raphael Veiga pegar de primeira (a bola nem caiu no chão) e marcar um golaço. E a parmerada, “assistindo” no rádio, fechava os olhos e “via” o lindo gol de Veiga…

E até uns  20, 25 minutos, o Verdão deu pinta de que ia pra cima, ia buscar o segundo, ia sair com. Mesmo sem poder assistir, pelo que ouvíamos no rádio, o Palmeiras tentava deixar o adversário acuado, pressionava a saída de bola… parecia querer liquidar a partida… E teve chances pra isso.

Com Hyoran, que recebeu de Moisés e bateu colocado, mas o goleiro Jordi fez grande defesa; teve chance no lançamento lindo de Lucas Lima para Deyverson, que dominou e tocou pro lateral Victor Luís, que não conseguiu ficar com a bola;  teve chance quando Moisés cobrou lateral lá na área e o jogador do CSA, tentando tirar de cabeça quase marcou contra; Deyverson também teve uma quase chance quando sobrou uma bola na área, ele pegou mal nela e o goleiro fez a defesa…

Não aproveitamos as (poucas) chances e nem criamos outras…

Não sei se faltou inspiração, se usaram a estratégia errada (de estar ganhando e, por isso mesmo, “sentar no resultado” esperando o segundo gol cair do céu)… mas, depois da metade do primeiro tempo, a coisa começou a perder força… Muitas trocas de passes da defesa pro meio, poucos passes no ataque… parecia que o Palmeiras “cozinhava” o jogo. E, sabemos muito  bem, o time, mesmo reserva, pode mais do que isso.

O CSA, que chegou à série A depois de três acessos consecutivos (estava na série D em 2016), por mais que seja considerado pela maioria como o mais fraco dos participantes do Brasileiro 2019, não é bobo. Se o Palmeiras não o assustava – como deveria assustar -, se o futebol do Palmeiras não fluía, como deveria fluir, era óbvio que o CSA não desistiria… jogava em casa, era o franco atirador diante do campeão brasileiro.

Era grande o número de palmeirenses no estádio. Precisaram até abrir um espaço, fechado para a torcida no início do jogo, para ser ocupado pelos palestrinos.

Na segunda etapa, a pegada não estava como a gente queria, mas algumas poucas chances aconteciam… Mayke cruzou uma bola pra Deyverson, ele tentou de cabeça, mas o goleiro fez uma grande defesa;  Deyverson cruzou para Hyoran, ele tentou de bicicleta e quase fez um golaço, mas o goleiro fez a defesa,  Lucas Lima lançou Hyoran na esquerda, ele fez uma jogada individual, chutou no meio do gol e o goleiro defendeu… Era pouco, esperávamos bem mais…

Acho que, assim como os torcedores palmeirenses, o time pensou que acharia o segundo gol, para matar a partida, a qualquer momento… mas 1 x 0 é um placar perigoso. Quando um time tem vantagem no placar e  não “morde” o adversário, não o desestabiliza, não o deixa preocupado, nervoso… qualquer bobeada que esse time dê, pode ser um prejuízo para quem imagina que a partida já está resolvida…

E foi o que aconteceu… O Palmeiras acabara de colocar Carlos Eduardo em lugar de Veiga, que sentira dores, quando, aos 17′, o CSA cobrou um escanteio e mandou a bola lá na área, o Palmeiras (Victor Luís, no caso) bobeou na marcação, falhou, o meia Matheus Sávio (CSA) tentou chutar pro gol, a bola explodiu em Deyverson e voltou para o adversário. Ele dominou e guardou. Jaílson nada pôde fazer…

Espantosamente, e graças a uma vacilada da defesa, o Palmeiras sofrera o empate. E aí tinha que correr atrás do prejuízo… e no banco só tinha os reservas dos reservas. Mas tinha um reserva que todos gostaríamos de ver jogar: Arthur Cabral.

Felipão, não sei porque, nunca dá chances a ele. Arthur, na última vez que jogou, saiu do banco, jogou bem, fez um gol, impediu que o Palmeiras fosse derrotado pelo Novorizontino, e não tem chances agora.  E na quarta-feira, mesmo com o time todo reserva diante do CSA, mesmo com Deyverson inofensivo em campo há algumas partidas,  Arthur Cabral continiou invisível para o técnico…

Com o gol, o CSA ficou mais desenvolto, começou a ir ao ataque… pelo alto. Do lado do Palmeiras, nada dava certo. Ora Carlos Eduardo tentava encobrir o goleiro, quando poderia cruzar… ora Deyverson tentava puxar contra-ataque, mas atrasava para Thiago Santos… ora Hyoran (que depois cederia lugar para Felipe Pires) era lançado na entrada da área, mas acabava desarmado… ora Jordi, o goleiro do CSA, aparecia pra dar um chutão… Triste.

Quase 35′, e o CSA fechado na defesa… Lucas Lima cobrou falta, com perigo, assustou o goleiro e a torcida da casa, mas foi só tiro de meta. E a gente, no ‘radinho’, só imaginando como e onde teria passado a bola… só passando nervoso com aqueles lances que nem foram perigosos mesmo, mas no rádio parecem que foram perigosíssimos…

Felipão sacou Moisés e chamou o estreante Matheus Fernandes… Em campo, as poucas chances que tínhamos acabavam desperdiçadas… O Palmeiras ia pro ataque, mas a forte marcação do CSA o continha (e cadê o Scarpa e o Dudu no banco, serem chamados e resolverem a coisa, Felipão?).

Para nosso desgosto, aos 46′, Lucas Lima cruza para Deyverson, mas o centroavante não alcança a bola e ela sai pela linha de fundo… que pecado! Poderia ter sido a virada…

Aos 48′, o árbitro apitou o final. E deixamos dois pontos em Maceió.

‘Ah, mas para jogo fora de casa é  um resultado normal’, dirão alguns… É sim, eu sei, mas com todo o respeito ao time de Alagoas, contra o CSA não é normal não o empate…

Ficamos todos aborrecidos, e não foi pra menos… de bobeira, por causa dessa ideia de ir com time todo reserva, porque vacilamos na defesa, e em algumas finalizações, acabamos trazendo só um pontinho na bagagem. Tomara não nos façam falta lá na frente… Ano retrasado, com Cuca, fizemos a mesma bobagem na segunda rodada, e perdemos para a Chape. Os pontos nos fizeram falta depois. Ano passado, porém, demos uma vacilada parecida, mas, depois disso, deu tudo muito certo e fomos campeões.

O campeonato está só começando… a caminhada é longa,  booora fazer dar  tudo certo de novo, Verdão, e vamos buscar o hendeca!

Domingo de Palmeiras x Fortaleza… Jogo da festa de abertura do Brasileirão 2019…

Uma data duplamente histórica…  Sem acordo com a Rede Globo para transmissão dos jogos do Palmeiras no PPV e na TV aberta – o clube não aceita receber menos do que os clubes para os quais a rgt paga as maiores cotas de TV, e está certíssimo nisso -, a transmissão seria no canal TNT.

E a audiência do canal acabaria sendo um sucesso com o Palmeiras, como constataríamos depois. 4,79 pontos, quase o dobro da audiência que obteve o SporTV no mesmo horário. Pra você ter uma ideia, para que possamos avaliar, foi maior do que a audiência – histórica para a Fox – da exclusiva partida entre Flamengo x San Jose (BOL) pela Libertadores 2019, que rendeu 4,33 pontos ao canal. Maior do que o recorde de audiência batido pelo SporTV na primeira fase da Copa do Mundo da Rússia, na partida entre Brasil x Sérvia. Na ocasião, o SporTV comemorou o maior número já registrado pela emissora em jogos de Copas… 4,36 pontos.  O recorde da emissora, até agora, pertence ao jogo Juventus x Ajax, pelas quartas de final da Liga dos Campeões 2019.

Percebeu como esses 4,79 pontos do Palmeiras na TNT foram muito significativos? Quebram aquele papo furado de que o Palmeiras dá menos audiência.

E tinha um extra, também histórico, nessa partida. Pela primeira vez, um clube teria transmissão de um jogo seu em seu próprio canal… sim, a transmissão estava disponível na TV Palmeiras Play para todos os associados do Avanti. O futuro acontecendo no presente…

Chovia um bocado antes do jogo… trânsito caótico (imagina se não?)… um monte de localidades sem energia elétrica…  Primeiro jogo do brasileirão (de 38 rodadas) e, ainda assim, 26.701 pessoas estavam no Allianz. A parmerada não larga o time de jeito nenhum. Embora não chova na arena, os ambulantes faziam a festa vendendo capas de chuva para as muitas pessoas que iam pelas ruas… eu era uma delas. A água não parava de cair do céu…

Antes do jogo, teve a festa de abertura do Brasileirão. O Allianz se iluminou diferente, teve show do palestriníssimo Di Ferrero, que cantou o Hino Nacional também… teve a dupla Ademir da Guia e Dudu apresentando a taça…

E teve um Palmeiras arrasador em campo. Pra combinar com a chuva que caía sem parar, o Palmeiras nos proporcionou uma chuva de gols. Numa partidaça de Zé Rafael – do time todo -, o Verdão goleou o Fortaleza e ainda ficou barata a fatura.

O Palmeiras, que, na quinta-feira, pela Libertadores, já tinha voado na altitude de Arequipa e goleado o Melgar, veio praticamente com o mesmo time e, mesmo com o campo pesado, apresentava a mesma pegada do outro jogo. Não dando bola nenhuma pra chuva, fez valer o seu favoritismo e foi pra cima do Fortaleza (11 jogos de invencibilidade, seis partidas sem levar gol), comandado pelo nosso “estimado” (é verdade esse ‘bilete’) Rogério Ceni.

Sofreu uma baixa, preocupante, logo no início do jogo, aos seis minutos, quando Goulart sentiu dores no joelho (o mesmo joelho que ele já tinha operado antes de vir para o Verdão) e foi substituído por Zé Rafael – e o Zé acabaria sendo o nome do jogo.

O Palmeiras balançou as redes logo depois da substituição. Bruno Henrique chutou forte pro gol, o goleiro deu rebote e Dudu guardou. O árbitro marcou impedimento no lance, o VAR revisou, e a anulação foi mantida.

O Palmeiras tinha uma postura bastante ofensiva e, aos 16′, Diogo Barbosa cruzou rasteiro, Zé Rafael dominou e já bateu, seco, no canto esquerdo do goleiro. E saiu feito louco comemorando o seu primeiro gol com a camisa do Verdão.

A torcida, feliz da vida, cantava alto… O adversário, parecendo (mais) nervoso depois do gol sofrido, mesmo com quatro atacantes, não oferecia perigo ao Verdão. E o Palmeiras ia pra cima…

A sorte do Fortaleza era Felipe Alves, o seu goleiro (não fosse ele, teria sido uma sacola de gols). Defendeu um chute de primeira de Dudu;  deu  sorte no lance em que Scarpa recebeu na área, cortou a marcação, cruzou pra trás e Zé Rafael chegou rasgando, mas, por uns centímetros, passou da bola; saiu do jeito que podia para tirar uma bola que chegaria em Scarpa, lançado por trás da zaga. E isso no primeiro tempo… O juiz também ajudou o Leão. Dudu  recebeu a falta, mas levantou e continuou correndo em direção ao gol, o árbitro, parou o jogo para marcar a falta, vê se pode…  Beneficiou o infrator e prejudicou quem sofreu a falta… Imagina se isso aconteceria se fosse o adversário levando vantagem e disparando em direção ao gol?

No segundo tempo, antes de o relógio marcar um minuto de jogo, o goleiro adversário já teve que trabalhar e espalmar uma cabeçada forte de Deyverson .  No instante seguinte, Deyverson pega uma sobra, cruza pra área e o zagueiro adversário, tentando tirar, por pouco não faz contra…

O Palmeiras já mostrava que repetiria o primeiro tempo e iria pra cima do Fortaleza. A postura do Palmeiras em campo, os volantes que não deixavam passar nada, e o trio Dudu, Scarpa e Zé Rafael, que faziam o jogo do Palmeiras fluir bastante, faziam a diferença entre os times saltar aos olhos de todos. O Palmeiras era muito superior, pressionava a defesa adversária e o goleiro do Fortaleza trabalhava bastante.

Dudu passou “facinho” na marcação e cruzou rasteiro. A bola correu toda a pequena área e não apareceu ninguém… que pecado. Dudu avançou na direita, Carlinhos veio na marcação, Dudu parou, passou por ele e foi derrubado… o árbitro marcou a falta mas não deu o segundo amarelo pra ele…

Tava na cara que o segundo do Palmeiras logo iria sair… e saiu mesmo. Aos 13′, Bruno Henrique recebeu na direita, inverteu pro Zé Rafael, e ele cruzou rasteiro, com a bola pedindo: “Me chuta”, para o Marcos Rocha guardar.  Ah, Verdão, seu lindo!

A coisa estava tão palestrinamente boa, que o Allianz comemorou até o cartão amarelo que o “muy estimado” (é verdade esse bilete) Rogério Ceni levou.

Dudu recebeu a bola na direita, cortou para o meio e encheu o pé… ia fazer um golaço, daqueles, digno de Rogério Ceni levar no Allianz, mas Felipe Alves, pulou, se esticou todo e conseguiu espalmar…  Mas que goleiro “mizerávi”.

O Weverton estava sossegadão na partida,  mas estava ligado… Falha do Palmeiras, Osvaldo, na área, ali pertinho do nosso goleiro, chutou (pensei até que tomaríamos o gol), Weverton defendeu; no rebote, curtinho, com a Osvaldo chutou de novo, Wevertão da Massa defendeu outra vez. Aplausos para o nosso goleiro!

Scarpa foi lançado na área o jogador adversário se enroscou com ele (eu achei que Scarpa tinha sido derrubado), o juiz conversou com o VAR sobre o lance e só marcou lateral para o Palmeiras. Marcos Rocha cobrou lá pra área, Duduzinho desviou na primeira trave e quem apareceu na segunda, pra guardar o terceiro do Palmeiras? Ele mesmo, o nome do jogo… Zé Rafael! Dois gols e uma assistência… como fizera Scarpa na outra partida. Nem parecia que a maioria dos nossos jogadores em campo tinha atuado na altitude de Arequipa, três dias antes.

Felipão sacou Scarpa e colocou Lucas Lima, minutos depois depois chamou Hyoran pro lugar de Dudu. O Palmeiras continuou buscando… O relógio marcava 45’… a torcida queria porque queria mais um (por que será? rsrs)…  Marcos Rocha avançou na linha de fundo,  Hyoran não conseguiu acertar o tempo da bola e ela sobrou para Bruno Henrique chutar colocado no canto do goleiro. Fatura liquidada… Palmeiras 4 x 0 Fortaleza…  e ficou barato, muito barato.

E encharcados pela chuva… de gols, de bom futebol e de audiência… os palmeirenses foram pra casa… felizes da vida.

Agora é em Alagoas (de time reserva :/), e vamos ficar no radinho… sem problemas!

#EstamosFechadosComOVerdão

Era dia de jogo do Verdão… valendo vaga na semifinal do campeonato paulista… Faltavam algumas poucas horas para o início da partida e eu tinha que correr para o banho, senão, chegaria em cima da hora no Pacaembu. Subi as escadas correndo e… caí na escada. 

Não foi uma simples queda, foi “a” queda. Arrebentei meu joelho de encontro ao degrau (bem mais tarde eu perceberia que machucara pulso, braço também) e fiquei ali, sentindo uma dor absurda, achando que teria que ir direto para o hospital… e me lamentando que tivesse sido justo na hora que eu me preparava para ir ao jogo… “E agora? Como vou conseguir ir ao Pacaembu?”, pensava eu.

Me trouxeram uma bolsa de gelo…  a dor era intensa e eu mal me aguentava com ela (e olha que tenho boa tolerância à dor). Havia um corte também e, mesmo com o gelo, o sangue escorria. Esperei uns bons minutos e consegui sair dali. Fui para o banho e só pensava no jogo… “e agora, como fazer pra ir? Não vou conseguir chegar lá. Tinha que ser justo no Pacaembu?”… 

Uma hora depois, vestindo uma legging (era mais confortável para um joelho inchado, que mal podia dobrar), de camisa do Parmera, com o joelho cheio de pomada, de Dorflex tomado, lá estava eu a caminho do Paca… para buscar meu remedinho favorito, o que me cura de qualquer coisa.

Passei por algumas dolorosas complicações no caminho, andei um pedação, mas cheguei bem ao Pacaembu. Depois do empate em Novo Horizonte, da mutreta do VAR, que marcou um pênalti contra o Palmeiras (Defendeeeeu, Praaaas!) e não quis nem saber do gol ilegal do novorizontino, tínhamos que ganhar aqui, e bem.

A torcida do Palmeiras cantava forte quando o jogo começou. E os parmeras foram pra cima… No primeiro minuto de jogo, o jogador do Novorizontino, deixou a mão (braço, cotovelo) na cara do Dudu, e ficou por isso mesmo… nem o VAR viu…

E o jogo foi um atropelamento! O Novorizontino nem conseguiu anotar a placa. Duduzinho bateu o escanteio lá no segundo pau e, no meio daquele monte de gente na área, “o bagulho ficou louco, Felipe Melo, Pitbull, cachorro louco”, esperto, subiu sozinho e, com uma cabeçada fulminante, meteu pro fundo das redes. Que gol lindo! O Pacaembu vibrou no gol do Pitbull e na comemoração, do time todo, ali com ele! Cinco minutos de jogo e o Palmeiras já estava com um pé na semi.

Minutos depois, Scarpa chutou cruzado, lá na frente e, por muito pouco, Goulart não alcançou a bola… Uhhhhh! O Palmeiras estava on fire, Duduzinho bateu outro escanteio, Deyverson deu uma casquinha e Goulart apareceu sozinho para guardar o segundo do jogo, o quarto gol dele no Verdão. 

E que beleza esse Palmeiras de Dudu, Scarpa, Goulart, Bruno Henrique, Felipe Melo (tá jogando muito)… E eu que imaginei que se os chineses tinham deixado Goulart sair, ele não deveria estar tão bem, me enganei redondamente. Que grande contratação! 

Só dava Palmeiras no jogo. Time focado, concentrado. Mas quem perde por 2 x 0 tem que tentar ir pra frente, e o Novorizontino até tentou, mas sem grandes problemas para Prass, a não ser em uma cabeçada, depois de um cruzamento, que levou perigo, e terminou com uma linda defesa de Fernando Prass.

O Palmeiras continuava levando perigo… chute forte de Bruno Henrique, que quase engana o goleiro, por pouco não foi nosso terceiro gol… Os adversários batiam bem, e o árbitro economizava cartões, economizava marcações de faltas… Felipão e Turra reclamavam, com razão. 

Na segunda etapa, no primeiro minuto, no primeiro ataque, Scarpa invadiu a área e foi desarmado. Os parmeras reclamaram o toque de mão… o árbitro nada marcou. Não sei se foi porque o pessoal lá do VAR deveria estar com remorso (ou vergonha) do que fizeram ao Palmeiras no primeiro jogo, ou porque, como o Palmeiras já estava ganhando por 2 x 0 mesmo, mandando na partida, não ia adiantar mesmo tentar atrapalhá-lo, mas, no minuto seguinte, o árbitro do VAR avisou ao juiz do toque de mão de Everton Sena. O juiz foi verificar no monitor e assinalou a penalidade. Scarpa foi para a cobrança e, com goleiro de um lado, bola do outro… ele guardou o terceiro. A menos que caísse um asteroide ali, ou que arranjassem uns três pênaltis para o time adversário, a fatura já estava liquidada. Mas faltava (eu queria) um gol do Duduzinho…

Era só festa na torcida… Deyverson tocou para Scarpa na área, ele devolveu para Deyverson, que adiantou a bola e foi derrubado. Pênalti! O lance foi confirmado no VAR.  E adivinha quem cobrou? Ele mesmo! Duduzinho. De novo, com goleiro de um lado (o lado oposto dessa vez) e bola do outro, o Palmeiras balançava a rede do Novorizontino. E o Baixinho correu abraçar Felipão! A goleada verde estava desenhada, pintada, e emoldurada!

O Palmeiras continuava ofensivo. A torcida cantava alto, feliz… Felipão sacou o Pitbull e colocou Thiago Santos. Aplausos para Thiago, que entrava, e muitos aplausos (muitos mesmo) para Felipe Melo. Muito justo, ele  tinha sido o dono da zona central do campo.  O Palmeiras em cima… Scarpa cruzou e Goulart mandou a bola raspando a trave…  Felipão colocou Arthur em lugar de Deyverson… A torcida gritava “Olé”… O Palmeiras fazia uma grande partida, e continuava no ataque… Scarpa mandou uma bomba, de fora da área e o goleiro precisou fazer uma grande defesa… Felipão coloca Lucas Lima no lugar de Ricardo Goulart…

O relógio ia chegando nos 30’… Bruno Henrique recebeu na área, ajeitou para Scarpa, que deu uma tiradinha e chutou forte, seco, no canto do goleiro e marcou seu segundo gol na partida (o quarto dele no ano), o quinto do Palmeiras. Achei lindo o gol dele.

https://www.youtube.com/watch?v=XYuJJd-4zTA

A torcida cantava forte… 27 mil pessoas felizes… 27 mil pessoas que viam o seu time chegar à semifinal do Paulistão com a melhor campanha, e também liderando seu grupo na Libertadores, com 100% de aproveitamento… e o jogo terminou assim. Com todo o respeito ao adversário, mas sabíamos que o Palmeiras venceria. Só não sabíamos que ele repetiria a goleada do confronto do ano passado.

A noite era só de alegrias… O Palmeiras, que matara a pau no jogo, fazia a nossa terça-feira ser maravilhosa e íamos para casa tranquilos, felizes.

Talvez você tenha se perguntado aí: Mas e o joelho? E eu respondo: Joelho?  Qual joelho?  Uma goleada é um santo remédio, meu amigo!😉

 

O futebol brasileiro parece ter sempre umas histórias mal contadas…

Convocações da seleção… rebaixamento da Lusa… interferência externa… casos do futebol brasileiro onde todos sabem as respostas, enquanto alguns – os que o organizam (e também aqueles que deveriam buscar a informação correta para levar aos torcedores), por exemplo –   fingem não saber…

A Lusa, há alguns anos, vendeu a vaga na série A. Essa foi a conclusão a que chegaram as investigações. Mas vendeu pra quem? Quem comprou? Que clube se favoreceu com isso? Quem foi punido – além da torcida da Portuguesa ao ver seu time cair num buraco sem fundo depois disso? Dos que poderiam investigar, apurar – a imprensa, inclusive – ninguém quis saber, ninguém quis ir a fundo na história… e nunca mais se falou nisso. Se fosse o contrário, um time grande (um dos queridinhos habituais) sendo prejudicado por uma armação de um time pequeno, certamente as investigações teriam chegado até à “arcada dentária”  dos responsáveis.

Interferência externa… é proibida no futebol (no Brasil, é proibida ou permitida – no estilo Bird Box – dependendo de quem se beneficiará/prejudicará com ela)… Ainda que não admitam, já vimos acontecer, algumas vezes, e impunemente… Num Palmeiras x Inter, por exemplo, faz um tempinho, quando um certo delegado Baluta, que viu a imagem do lance com uma repórter de campo, avisou à arbitragem que o gol de Barcos tinha sido feito com a mão, mas não avisou que, antes, durante, e depois desse gol, ele sofria pênalti do jogador colorado… Vimos, mais recentemente, há um ano, num Pal x Cor, na final do Paulistão 2018, aquele horror de mutreta,  de “telefone sem fio”, passando a orientação que deveria chegar ao árbitro, a tramoia filmada e fotografada, com a participação de um monte de gente (tutor, delegado, quinto árbitro…), até mesmo de pessoas da Federação Paulista de Futebol, para, depois de oito minutos, anular a marcação de um pênalti, claro, legítimo, em Dudu (Pal), que o árbitro marcara com toda a convicção (ele já tinha deixado de marcar um pênalti de Ralf em Borja, e um toque de mão de Henrique, na área).

Interferência externa, proibida pela Fifa… Federação e TJD fecharam os olhos às provas todas e nada aconteceu (o árbitro acabou saindo de cena e indo para o futebol paraibano, da federação mergulhada em denúncias de manipulação de resultados)…  Se fosse o contrário, teria sido um escândalo; a imprensa, que vive no mundo de Pollyana (só) quando lhe convém,  teria feito um escarcéu, as providências, punições, teriam sido tomadas quase que imediatamente pelos ‘responsáveis’ e ‘cuidadores’ do futebol, e seríamos lembrados inúmeras vezes que a proibição é determinação da FIFA – como fizeram agora, quando anularam o resultado do jogo Aparecidense x Ponte, pela fase de grupos da Copa do Brasil, por causa de comprovada interferência externa (e a Ponte tinha muito menos provas e evidências do que tinha o Palmeiras na final do Paulistão).

Seleção brasileira… da CBF afundada em escândalos de corrupção… da CBF, que enviava parte das rendas de amistosos para a conta de Sandro Rosell,  presidente do Barcelona na época (antes disso, ele foi representante da Nike -patrocinadora da seleção – no Brasil)… Por que será que a maioria dos brasileiros não curte mais a seleção? Por que será que num país onde se gosta tanto de futebol tem gente que torce contra a seleção brasileira? Por que será que boa parte dos brasileiros  chamam a seleção de “balcão de negócios”, de “selenike”, de “caça níqueis”? Por que tem ex-presidente da CBF preso pelo FBI por corrupção? Por que tem outro ex-presidente da CBF que não sai do país por medo de também ser preso pelo FBI?  Por que nem todos os técnicos são escolhidos por mérito (por bons trabalhos desempenhados comandando clubes de futebol)? Por que algumas convocações de jogadores são tão mandrakes? Por que não é sempre levada em conta a meritocracia, a boa fase, o momento, o bom futebol desempenhado pelo atleta na hora de se fazer uma convocação? O que faz com que um técnico convoque alguns jogadores sem levar em conta o mérito, a bola que o atleta joga? Que outro(s) motivo(s) seria(m) esse(s)?

Eu não faço nenhuma questão de que isso aconteça, não faço, mesmo, nenhuma questão de ver jogadores do Palmeiras na seleção  – os jogadores querem, sim,  e muito, fazer parte da seleção, têm por objetivo defender o seu país -,  mas acho que há algo de muito estranho, para falar o mínimo, com uma seleção de um país, e com o seu técnico, quando um atleta, que joga muita bola, o craque do maior campeonato desse mesmo país, e campeão desse mesmo torneio pelo seu clube, nunca é convocado, nunca tem chances na seleção, nem mesmo para atuar em jogos amistosos… Não é mesmo?

Pois é, pelo Palmeiras, ele fez 237 jogos, 56 gols e 54 assistências, joga pra caramba, é driblador, perigoso, é um dos jogadores mais caçados do país (e olha que os árbitros nem marcam a maioria das faltas que ele recebe), já ganhou três vezes o prêmio Bola de Prata (2016, 2017 e 2018),  ganhou a Bola de Ouro/2018,  Melhor jogador do Brasileirão/2018, Seleção do Campeonato Brasileiro 2016 e 2018, Troféu Mesa Redonda/2018, foi campeão da Copa do Brasil 2015, campeão Brasileiro em 2016 e 2018, vice-campeão em 2017, ganhou título e prêmios há dois meses  e, ainda assim, ele nunca tem espaço na seleção… ainda assim, Tite “não enxerga” Dudu, do Palmeiras… Por que será, não?

Será que há algo de podre no “reino da Dinamarca”?

“No pique”…
“Bomba no Palmeiras… biribinha no Sao… crise no Cor”… 
“Interrogação”…
“Palmeiras 1234″…
“Parem as máquinas”…

O jornalismo esportivo ficou mais pobre hoje… o futebol ficou mais triste… o Palmeiras perdeu um grande torcedor, um grande representante na imprensa esportiva,  e todas as máquinas, que paravam sob o seu comando,  estão em atividade agora, se lamentando por termos perdido Roberto Avallone. Assim, de maneira inesperada, na madrugada, o coração do grande jornalista, e grande palmeirense, resolveu descansar…
Por muito tempo, Avallone foi a fonte onde eu bebia as informações sobre o Palmeiras. O amigo palestrino na TV…  que falava sobre o Palmeiras, sobre os bastidores do Palmeiras, que nos contava tudo que queríamos saber sobre nosso clube de coração (para os torcedores dos outros clubes também), com senso de humor, com um estilo só seu, com uma memória prodigiosa, com jornalismo, na acepção da palavra, com bordões inesquecíveis, com um carisma que era só dele…

O tempo passou “correndinho” e o levou… e nosso coração – palestrino como o dele – agora está triste, de luto… e já  sentindo a sua falta.

Descanse em paz, Roberto Avallone. Que Deus o receba, e que Ele conforte os seus familiares.

Você foi “O” cara  (EXCLAMAÇÃO)!

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“Os homens que não se rendem às verdades mais evidentes, não são homens, são pedras” – Voltaire

Ganhar ou perder um jogo, um campeonato, faz parte da disputa. O que não faz parte mesmo é a sacanagem, a mutreta, a armação, o “direcionar um título” para um determinado “colo”… e nada como o tempo, e um novo acontecimento,  para dar novas luzes à uma sujeira que está fazendo aniversário, não é mesmo?

Você lembra da final do Paulistão 2018, certo? Lembra da primeira final, lá no Esmolão. Lembra que o Palmeiras vencia por 1 x 0, quando num ataque palmeirense, Willian e Borja sairiam na cara do Cássio, e  a arbitragem inventou um impedimento e parou a jogada, impedindo o Palmeiras de, muito provavelmente, fazer 2 x 0.

Lembra – claro que lembra – que na segunda partida, no Allianz,  um pênalti de Ralf em Borja foi ignorado pela arbitragem, que um toque de mão de Henrique, na área, também foi ignorado, e que a marcação de um pênalti, muito pênalti, em Dudu, que o árbitro marcou com toda a convicção, foi desmarcada depois de 8 minutos de paralisação, de muita reclamação por parte dos jogadores adversários, de muita conversa suspeita – de gente que nem poderia estar no campo conversando com quem quer que fosse -,  e de muita interferência externa (com uso de celular também), até mesmo por pessoas da Federação Paulista, não é mesmo?

O Palmeiras  tinha muitas provas de que ocorrera muita interferência externa para convencer/induzir o árbitro a desmarcar o pênalti – o árbitro tinha certeza do pênalti quando o marcou e afirmou isso até mesmo no tribunal depois (tinha certeza e mudou mansamente de ideia?).  E o que aconteceu? Nada. Vilanizaram o Palmeiras, a vítima da armação (ele ficou meses reclamando da interferência externa – proibida pela FIFA), ironizaram as suas reclamações; a Federação Paulista e o TJD ignoraram as suas muitas e inquestionáveis provas (a imprensinha os ajudou nisso como pôde)…  o presidente do tribunal disse que “aqui ninguém vai ganhar no grito”… a imprensinha dizia que era “chororô”, que “não dava para saber o que eles conversavam”… enfim, foi uma maracutaia tamanho gigante…  e muito escandalosa, sem que fosse tomada providência alguma por parte dos responsáveis pelo futebol. (https://blogdaclorofila.sopalmeiras.com/2018/04/paulistao-2018-o-mecanismo/)

E não é que, agora, quase um ano depois da final do Paulistão, no jogo entre Aparecidense e Ponte Preta, pela primeira fase da Copa do Brasil, um gol da Ponte Preta (que perdia por 1 x 0) foi anulado graças à interferência externa (a questão não é se o gol foi legal ou não, e sim como foi feita a anulação do mesmo). Um delegado foi conversar com o quarto árbitro, as imagens mostraram isso, a Ponte reclamou, recorreu, nenhum representante da Justiça Desportiva disse que “ela queria ganhar no grito”, a imprensinha não chamou a reclamação do clube de “chororô”, nenhum jornalista  disse que “não seria possível saber o que o delegado conversava com a pessoa da arbitragem”… “era direito da Ponte”, diziam todos, e, em questão de dez dias, fizeram o que tinha que ser feito num caso como esse, aconteceu um julgamento no STJD e o jogo entre Ponte e Aparecidense foi anulado.

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Agora, ficou claro, ficou desenhado que a mutreta na final do Paulistão era mesmo uma armação e de interesse da Federação Paulista de Futebol e do TJD (se, mesmo sendo proibida a interferência externa, eles não tomaram providência alguma a esse respeito, e fizeram exatamente o contrário do que deveriam ter feito, devem ter gostado do que aconteceu)… não é?

O Palmeiras tinha muito mais provas da interferência externa, tinha as imagens das câmeras do Allianz, contratou até a Kroll para ajudá-lo a provar. Mas, pela reação e (falta de) atitude da Federação Paulista de Futebol e do TJD, pelo jeito q ficaram tão bravinhos com o Palmeiras por ele “ousar” se indignar e se posicionar publicamente contra a tramoia que sofreu, por terem ignorado as provas que ele apresentou e terem feito-as parecerem menos substanciais do que realmente eram, por terem ignorado as contradições todas, as mentiras ditas (as imagens mostravam a verdade), pelo julgamento mandrake que o Tribunal de Justiça (?) Desportiva levou a cabo, ficou claro que o resultado fabricado ali, na final do Paulistão 2018, era de interesse deles todos.

E, agora, enquanto a imprensinha comemora a correta e justa anulação do jogo Aparecidense x Ponte, enquanto ela valoriza o “antes tarde do que nunca” de se fazer valer as regras, de se respeitar a proibição da FIFA à interferência externa, é preciso que nos perguntemos: Por que SÓ AGORA resolveram fazer justiça, ou seja, cumprir as regras? Por que insistiram tanto (até mesmo a imprensa insistiu) em ignorar as provas todas em outra ocasião muito mais importante – uma final de campeonato?

O tempo acabou  revelando o que já sabíamos, e o que alguns tanto quiseram esconder, afinal, o “antes tarde do que nunca” do tribunal só veio mostrar que o Palmeiras sempre esteve certo, que ele foi sacaneado na final do Paulistão 2018, que ignorarem as provas todas do Palmeiras fez parte de daquela picaretagem (filmada e fotografada)… o “antes tarde do que nunca” veio nos dar a certeza que federação e tribunal fecharam os olhos à determinação da Fifa porque quiseram. Afinal, a Justiça Desportiva não pode agir/julgar de maneira seletiva e fazer com que a proibição da FIFA seja respeitada só quando ela, a justiça, bem entender… a interferência externa é proibida em todos os campeonatos e não só na Copa do Brasil.

Nada como um julgamento atrás do outro…

 

O Palmeiras jogou na segunda-feira contra o Bragantino, pelo Paulistão – o campeonato mequetrefe da Federação Paulista de Futebol.

Jogou um bolão, colocou a bola no chão, e venceu bem. Dudu, Moisés e Scarpa arrasaram em campo. Prass esteve muito bem também. Aos 8′, Dudu fez 1 x 0. Jogada linda com Felipe Pires, Scarpa e ele, o baixola, mandando pra rede. Aos 29′, Borja invadiu a área, sofreu pênalti, Scarpa cobrou e  fez 2 x 0, resultado final.

Teria sido tudo tranquilo se não fosse a licença/alvará/permissão que o árbitro Vinícius Furlan  deu para a violência do Bragantino. Já tinha acontecido na partida diante do Oeste (contra o Botafogo também). Um chute no estômago de Dracena, uma cotovelada em Deyverson, na área, e uma outra cotovelada em Victor Luís (não tenho essa imagem) ficaram escandalosamente impunes… Lembra?

E como as botinadas nos parmeras parecem estar liberadas, aconteceu de novo, claro. O Bragantino, na última rodada, não se fez de rogado e desceu a botina sem dó nos palmeirenses. Com o consentimento da arbitragem. Um absurdo. O árbitro, fez vistas grossas para um monte de coisas, até mesmo para uma entrada criminosa de Júnior Goiano em Scarpa. Uma tesoura, por trás, digna de um cartão vermelho (e de uma punição do tribunal), que vai deixar o atleta palmeirense sem jogar por 3 semanas, e que o árbitro Vinícius Furlan nem sequer achou que merecia amarelo (o tribunal também fez de conta que nem ficou sabendo). Cego, sabemos que o árbitro não é (aliás, nenhum árbitro é cego)… também não desconhece as regras, senão, não estaria ali (os árbitros não chegam à primeira divisão sem serem preparados pra isso) … e, se não são cegos, se conhecem bem as regras, por qual motivo um árbitro deixaria de assinalar uma entrada criminosa dessa? Por qual motivo não puniria o agressor? Me engana que eu gosto, viu Federação Paulista?

………………

Não tem desculpa para deixar uma falta dessa impune, não é mesmo? Ainda mais porque sabemos – temos certeza – que se fosse um jogador do Palmeiras a cometê-la – Felipe Melo, por exemplo -,  teria sido expulso na mesma hora, saído de camburão do estádio e, no dia seguinte, sendo detonadíssimo pela imprensa esportiva, e em todos os programas de TV,  seria denunciado pelo tribunal, o julgamento já seria marcado, a provável pena pra ele já seria noticiada na TV… e o Delegado Olim apareceria dizendo que lá ninguém ganha no grito, aquelas coisas todas que conhecemos tão bem (a mesma “dinâmica” do que aconteceu –  merecidamente – com Deyverson, que cuspiu em um adversário, mas que não aconteceu com Henrique e com Clayson, que cuspiram em Borja e Felipe Melo)…

E agora, a coisa se repete… agressão em atletas do Palmeiras continua sendo coisa permitida pelas arbitragens nesse campeonato paulista… e a imprensa esportiva, dependendo da cor da camisa (de quem agride e de quem é agredido), atua como aliada. Uma agressão de um Felipe Melo é um escândalo, mas a de um Everton, de um Fagner, de um Júnior Goiano, ainda que violentas, desleais, não têm o mesmo peso, não ganham o mesmo destaque, os seus autores não são execrados, as suas reputações, como profissionais, não são destruídas… Fosse a imprensa realmente imparcial, isenta, ética, e desse o mesmo relevo para agressões, quaisquer que fossem elas, sem levar em conta a cor das camisas dos envolvidos, certamente as arbitragens não se sentiriam tão à vontade para brincar de “Bird Box” e fazer de conta que não enxergam o que acontece na  cara de árbitros e auxiliares, porque as notícias todas apontariam seus ‘erros’ e favorecimentos depois.

Dudu também apanhou na partida. Aliás,  uns segundinhos antes da tesoura em Scarpa, Dudu levou um tranco.  Ele avançava nas proximidades da área, foi parado na falta (o árbitro, muito perto do lance, acaba escondendo o tranco que Dudu levou), a bola sobrou para Scarpa e o Júnior Goiano entrou meteu uma tesoura desleal e criminosa nele… por trás.  Duas faltas seguidas, uma delas, escabrosa… e o árbitro ali pertinho… de enfeite.

Eu sei que num jogo entre um time mais técnico, talentoso, com jogadores mais habilidosos, dribladores, leves, e um time com jogadores com menos recursos técnicos, o que tem menos recursos vai querer parar o mais habilidoso na falta (às vezes, jogadores dos elencos melhores, mais categorizados, tecnicamente falando, também pegam duro os jogadores dos elencos tecnicamente inferiores, mas não com a mesma frequência). Isso é do futebol. No entanto, a regra não permite que seja assim. Por isso é que temos árbitros e auxiliares atuando nas partidas, para coibir a violência, para que sejam assinaladas as infrações e para que sejam punidos os infratores, como manda a regra.  Pra não virar um salve-se quem puder em campo. Mas não é isso o que temos visto acontecer…

Nenhum time, seja ele grande ou pequeno, pode ter aval da arbitragem para quebrar jogadores adversários; da mesma forma que que nenhum time pode estar fadado a apanhar com o consentimento do juiz.  Nenhum jogador, seja ele mais, ou menos valioso – em relação ao valor do seu passe e ao seu talento -, pode receber entradas passíveis de lhe quebrar uma perna, arrebentar ligamentos do joelho, do tornozelo, pode ser impedido de exercer a sua profissão por alguma lesão ocasionada por um adversário, sem que o agressor seja punido. Não punir coisas assim é o mesmo que dizer: “Pode bater à vontade, que tá liberado”. E é o que está acontecendo no campeonato mequetrefe da Federação Paulista. É por isso que o Botafogo bate, aí vem o Oeste dá chute, cotovelada, depois vem o Bragantino e arrebenta o Scarpa, dá uma entrada feia em Borja… Já que não acontece nada mesmo, a impunidade, para alguns, vai “fazendo escola” (e quem  será que dá a “licença” para que os árbitros possam agir assim?).

E enquanto a imprensa esportiva discute a camisa falseta do Bolsonaro, quem, além dos palmeirenses,  está discutindo a punição cabível para o jogador do Bragantino, que deu uma tesoura criminosa no Scarpa e o tirou dos próximos jogos do Palmeiras? Quem está pedindo que as arbitragens coíbam essa violência gratuita de que o Palmeiras tem sido vítima em alguns jogos?

Ninguém! Nem o tribunal… nem a FPF… e muito menos a imprensa esportiva (e todos fariam exatamente o contrário se o agressor fosse palmeirense) . E é exatamente isso que faz com que a gente pense que há algo de podre no reino do futebol paulista (e brasileiro), né?

As pessoas mais próximas a mim sabem que não curto muito o Deyverson. Não gosto nem um pouco dessa mania dele de querer agradar na marra, de “jogar pra torcida” o tempo todo, de fazer tudo de caso pensado, tentando causar, e muito menos das simulações absurdas que ele faz.

Achei horroroso, no derby, ele ter cuspido em Richard (será que ele pensou que a torcida ia gostar?). Isso não é atitude de homem. Sem contar que, além do desrespeito absurdo ao outro jogador (e a ele mesmo), é um desrespeito com o Palmeiras, o clube que ele representa, é desrespeito com os muitos torcedores palmeirenses que ele conquistou. Deyverson, profissionalmente falando, nunca teve uma oportunidade como essa que está tendo agora, e parece que não percebe que a está jogando fora.

Ele se desculpou e alega que foi por ter sido pisado que reagiu daquela forma. Ele foi pisado mesmo, mas por Henrique. E isso não dava direito a Deyverson de cuspir em quem quer que fosse (imagina se Valdivia, por exemplo, tivesse cuspido em todo mundo que o pisou, deu cotovelada, soco, botinada? Teria morrido de desidratação. O mesmo se daria com Dudu). Em todo caso, se desculpar era algo que Deyverson teria que fazer mesmo.

No entanto, apesar de ter abominado o que ele fez (era preferível ele ter dado uma porrada na cara do sujeito, se estava tão ‘bravo e incontrolado’), não acho que o Palmeiras deveria mandá-lo embora. Acho que ele deveria ser exemplarmente punido com uma boa multa e um belo gancho (mesmo que o tribunal não o faça) por vários jogos. Talvez, agora que desagradou todo mundo,  até os que vivem aplaudindo as suas bobagens – antes desse episódio, havia sempre quem o aplaudia e  o apoiava nas vezes em que pisava na bola – , agora, que o filme dele queimou de verdade, ele acabe aprendendo de uma vez por todas a agir como um homem… adulto. Mas não sei se é isso que o Palmeiras fará. A probabilidade é que ele acabe sendo negociado. Em todo caso, o clube sabe o que é melhor a ser feito.

E, para terminar, e aproveitando o gancho,  é preciso que fique claro…  Cuspir no rosto de alguém não pode ser deplorável só de vez em quando. Num outro derby, Henrique (o mesmo que chutou Deyverson no último jogo) cuspiu em Borja (não acertou, mas a atitude foi a mesma), Clayson cuspiu em Felipe Melo (no túnel, lá em Itaquera)…  e nada aconteceu. Um ator da Globo cuspiu em uma mulher num restaurante, um deputado cuspiu em outro deputado… e nada aconteceu também. Cuspir no rosto de outra pessoa é deplorável, é baixo em qualquer situação, e deve ser sempre uma atitude condenável,  por todos, sem que se ‘passe pano’ para ninguém.

A lição sempre chega… E Deyverson vai aprender isso agora.

 

Há um bom tempo, eu venho dizendo que, depois da final do Paulista 2018, não estou nem aí mais com o Paulistão (se o Palmeiras ganhar o campeonato, ok; se não ganhar, ok também) e não sinto mais aquela rivalidade de antes em relação ao ‘Lava Jato’. Senti tanto nojo aquele dia, e nos dias que se seguiram, por perceber, e depois confirmar, a imensa tramóia que ocorreu, que, para mim, o rival perdeu aquela condição de “o” rival. Se valer daquela sujeira toda para ganhar um Campeonato Paulista foi de uma indignidade imensa. Depois disso, acabou a tensão pré derby, acabou o desgosto imenso em caso de derrota, acabou o “comer os cantinhos dos dedos”, o “nem dormir direito na véspera”, o “melhorar, ou estragar, o meu ano” dependendo do resultado… perdeu a graça mesmo. Sei que a maioria dos palmeirenses não se sente assim, mas, pra mim, ele era rival quando podia respeitá-lo, temê-lo na bola e não por causa do apito (em 2018, foi só a pá de cal, porque a coisa já vinha de longe).

A derrota desse sábado, que nada teve a ver com o apito – o árbitro, milagrosamente, foi bem – me chateou sim, claro, mas como chatearia se o Palmeiras tivesse perdido para o Bragantino, o Red Bull, o São Caetano, que não são rivais do Palmeiras…  me chateou pela derrota e não pelo adversário.

Em campo,  o time adversário foi inofensivo, inoperante… e achou um gol (legal) numa bola parada (lance em que alguns jogadores palmeirenses estavam bem mal posicionados).  O Palmeiras, por sua vez, foi inofensivo e inoperante… e não achou nada. Não conseguiu transformar em gols as suas muitas idas ao ataque, nem a posse de bola bem maior.

Jogo ruim, chato de assistir. Sem grandes emoções… O ‘Lava Jato’ se mantinha dentro da sua estratégia de se defender e jogar por uma bola (Cássio já fazia cera no começo do primeiro tempo. Alguns jogadores corintianos seriam amarelados durante o jogo por esse mesmo motivo)… o Palmeiras, não sei porque, burocrático, fazendo sempre a mesma coisa, jogando só na bola levantada na área (tem elenco para bem mais do que isso)…

Segundo li, o adversário finalizou 8 vezes (5 na direção do gol). O Palmeiras, com muito mais posse de bola (66%), finalizou 28 vezes (19 delas não foram na direção do gol), e uma única exigiu uma defesa de Cássio; o Palmeiras cobrou 15 escanteios, o adversário 1. Perder para um time que fez tão pouco na partida é pior ainda. A torcida palestrina reclama das muitas cabeçadas a gol que deram em nada. Mas não basta conseguir tocar a cabeça na bola para que se tenha uma grande chance de gol, boa parte dos cruzamentos tinham que ter sido mais precisos também.

Lucas Lima começou a partida muito bem, mas depois sumiu em campo. Era nítido que faltava criatividade para ele, para o Palmeiras (saudades do Mago). Quando um time toca a bola e o outro só se defende, ainda que não queira isso o que só se defende está chamando o adversário pra cima, e o Palmeiras não foi… não da maneira que deveria ter ido. Todas as jogadas iam pro Dudu, o tempo todo. Nossos laterais não estiveram bem. Borja não conseguiu finalizar a contento… Deyverson entrou depois e também não fez nada em campo, a não ser cuspir em Richard – depois de ter sido chutado por Henrique – e ser expulso aos 42′. (Ok que o árbitro deveria ter expulsado também também o Henrique que chutou Deyverson depois de pará-lo com falta, mas nada justifica cuspir no rosto de uma outra pessoa.  Deyverson queimou o próprio filme). Carlos Eduardo também não conseguiu fazer boa partida. Parecia querer tanto acertar que acabava dando tudo errado. Mas era o primeiro clássico dele e esse pode ter sido o motivo do desacerto. Felipe Pires entrou no lugar dele depois e foi melhorzinho. Scarpa entrou no lugar de Bruno Henrique e achei que ele foi bem.

Mas enfim, foi uma tarde azeda, de uma partida azeda do Palmeiras… o time pecou bastante na criatividade, na finalização, Felipão não conseguiu acertar/mudar o que não estava funcionando… e o adversário, com duas linhas de 4  só se defendia… O placar ficou mesmo no 0 x 1.

Nós cansamos de pedir para a diretoria do Palmeiras não disputar o Paulista, colocar a molecada, o sub-17, o massagista, o roupeiro…  e agora vamos mesmo ficar possessos porque Felipão talvez esteja só usando o Paulistão para observar algumas coisas, para acertar o time? Porque resolveu testar, ou “batizar”, alguns jogadores no derby?

Sei que muitos palestrinos ficaram ainda mais bravos porque era um derby, outros, como eu,não veem mais o adversário como o grande rival, no entanto, todos queremos ver o Palmeiras vencendo e, principalmente, jogando mais do que isso. Mas viremos a página e sigamos em frente…  é só o começo da longa caminhada de 2019.

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VII – BUSCANDO VAGA NUM SONHO

“Nada de grandioso se realizou no mundo sem paixão” – Georg Wilhelm Friedrich Hegel

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Após a última rodada da primeira fase, quando os confrontos das semifinais ficaram definidos, e os dois times brasileiros teriam que se enfrentar, muita gente passou a apostar as suas fichas todas no Vasco da Gama. Afinal, além de ter a base da seleção brasileira em seu plantel, ele vinha de três vitórias, duas por goleada, e o Palmeiras tinha sido derrotado pelos italianos. Uma goleada que ninguém esperava, e que custara até a posição do goleiro Oberdan Cattani – ele acabou “pagando o pato” e sendo sacado do time para a entrada de Fabio Crippa.

A derrota do Palmeiras  – sem três de seus jogadores titulares – para o Juventus (ITA) tinha sido um acidente de percurso, e boa parte dos torcedores brasileiros sabia disso – os palmeirenses, principalmente -, fora do Brasil, os que acompanhavam as notícias do Mundial de Clubes Campeões também conheciam a força do futebol do Palmeiras, no entanto, aqueles que passaram a achar que ficara fácil para o Vasco, que achavam que o Palmeiras iria se abater com a derrota, iriam se conscientizar mais à frente – dali a uns dias – de quanto estavam enganados.

Os dois maiores times do país, naquele início de década, iriam se enfrentar… e valendo uma vaga na final do primeiro Torneio Mundial de Clubes. Os brasileiros, que depois do mundial de seleções de 50, ficaram tão murchinhos em relação a futebol, começavam a soltar as amarras de seus corações…  sem que eles mesmos notassem, estavam eufóricos agora… entusiasmadíssimos  com a “nova Copa do Mundo”. Era esse mesmo o clima…

E seria um “prélio grandioso, envolvendo dois quadros categorizados, credenciados pelos títulos que ostentam. O Vasco, bi-campeão carioca e invicto na Copa Rio. O Palmeiras, Campeão Paulista. Herói do torneio Rio-São Paulo e agora com uma derrota no certame em que se acha empenhado” – Jornal dos Sports, 11/07/51  – a notícia não disse, mas o Palmeiras era também o bi-campeão da Taça Cidade de São Paulo. A disputa mexia com a paixão de todo um país… com a paixão de todos os torcedores do país… mexia com corações ainda machucados pelo que acontecera na Copa do Mundo…
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Seriam dois jogos entre as equipes, no que chamamos hoje em dia de “mata-mata”. O primeiro, no dia 11/07, às 21h00; o segundo, nos dias 14 e 15/07, às 15h00. Áustria e Juventus jogariam as suas partidas no Pacaembu para decidir uma das vagas à final – a segunda partida entre os dois seria no sábado (14/07). No entanto, as partidas semifinais que mais interessavam aos brasileiros seriam disputadas no Rio de Janeiro entre Vasco e Palmeiras, que jogariam a segunda partida no domingo (15/07). O Palmeiras até que tentara levar uma das partidas para São Paulo, mas não conseguira.

No entanto, para Juventus e Austria foi permitida a mudança de local de jogo na segunda partida entre eles. A notícia do jornal carioca dizia: “Juventus e Austria telegrafaram ao presidente Mario Pollo pleiteando realizarem, nesta capital, no sábado,  o seu segundo encontro semifinal pela “Copa Rio”. A Comissão Diretora reuniu-se para tratar do assunto e após entendimentos pelo telefone com a Federação Paulista e com os dirigentes dos dois clubes interessados ficou assentado que Austria e Juventus jogarão hoje, em São Paulo, como estava determinado pela tabela. No sábado, porém, os dois clubes virão jogar aqui, no Maracanã, à tarde, encerrando a luta semi-final do Torneio dos Campeões”

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Esses dois jogos entre Palmeiras e Vasco se tornariam a maior de todas as disputas entre Rio e São Paulo (o Rio-São Paulo era, na época, o maior torneio do país)… um dos dois times estaria na final do Mundial dos Campeões. Um dos dois times iria tentar buscar para o Brasil o que ele ainda não tinha conseguido conquistar, e que lhe escapara no trágico 16 de Julho do ano anterior… um título de campeão mundial. Que responsabilidade…

A Copa Rio, contrariando os pessimistas de plantão (sempre tem uns desses, em qualquer época), já era um sucesso, técnico e financeiro. E as rendas, como se fossem as rendas de uma Copa Jules Rimet, já não deixavam nenhuma possibilidade de prejuízo. Os torcedores já tinham se dado conta de que estavam diante de grandes equipes do futebol mundial. O Juventus, reabilitando a Azzurra, tornava-se a grande atração dessa fase da Copa, era o que dizia a publicação do Jornal dos Sports de 11/07/51- Êxito da “Copa Rio”- Vitória do football brasileiro.

E, na coluna de Vasco Rocha, no jornal “O Globo Sportivo”, edição 00649 (1),  de Julho de 1951 – onde um dos diretores era Roberto Marinho (ele ficaria bastante conhecido, anos depois, por ser o fundador e proprietário da Rede Globo) – falava-se também que os objetivos do “Torneio Mundial de clubes campeões” haviam sido alcançados, que  a primeira fase do torneio oferecera ao público espetáculos com muita semelhança daqueles de que foram pródigas as partidas da Copa do Mundo”.

 

E o Palmeiras chegava ao Rio de Janeiro para a semifinal, e chegava meio desacreditado aos olhos de muitos que davam como (quase)  certa a vitória do Vasco e também a sua classificação à final. No entanto, nem todo mundo achava que o Palmeiras já era “carta fora do baralho”.  Mario Julio Rodrigues, em sua coluna no Jornal dos Sports, avisava:

“Ontem chegou o Palmeiras. Aos olhos de muita gente com cara de concorrente desclassificado. Com cara de concorrente sem maiores pretensões. O Vasco, porém, que se precavenha, que entre em campo com a mesma energia com que tem entrado em todos os matches desta copa sensacional. O Palmeiras pode ter tido uma tarde negra, mas nem por isso deixa de se constituir em uma ameaça. Em uma grande ameaça, por sinal. Não foi por perder estrepitosamente para o Juventus que o Palmeiras deixou de ser uma grande equipe. Como não foi por ser goleado pelo Juventus que o Palmeiras deixou de ser o campeão paulista. O campeão paulista ou o campeão do Rio-São Paulo. Todos os magníficos “cracks” que lhe deram estas extraordinárias conquistas aí estão. E em plena forma. Nomes como Oberdan, Juvenal, Valdemar Fiume, Luiz Villa, Lima, Liminha e do fabuloso Jair dispensam qualquer comentário. O Palmeiras está na terra. E está na terra mais perigoso do que nunca. Porque nada como uma grande vitória para apagar uma grande derrota”.  – RODRIGUES, Mario Julio –  Êxito da “Copa Rio” –  Uma vitória do futebol brasileiro – Jornal dos Sports, 11/07/51.

Em sua coluna, publicada no Jornal dos Sports do mesmo dia 11/07, Vargas Neto também fazia um alerta e, entre outras coisas, avisava: “Cuidado com o Palmeiras, que ele anda mal intencionado. (…) Se alguém duvidar do que eu digo, que vá ao Maracanã e veja como vai jogar o Palmeiras contra o Vasco.” 

Sábias e proféticas palavras… Sabiam das coisas os dois. Não se pode subestimar nunca a força da camisa esmeraldina, a força dos que a vestem (ainda mais, quando seu elenco está recheado de craques, como era o caso no torneio mundial dos campeões)… não se pode subestimar aqueles que levam a paixão a campo… nós, palmeirenses, sabemos disso desde sempre, e, naquela época, os profissionais da imprensa já sabiam também.

Mas era semifinal do Mundial de Clubes Campeões… e não se falava em outra coisa no universo futebol. Aqui no Brasil a ansiedade era muita, e na Europa também. Fosse qual fosse o resultado nesses jogos, uma coisa era certa: um time brasileiro e um europeu decidiriam o primeiro Torneio Mundial de Clubes Campeões, e um deles conquistaria o cobiçadíssimo troféu, a “Copa Rio”. E quais seriam esses finalistas? Vasco ou Palmeiras? Áustria ou Juventus?

Os torcedores brasileiros estavam eufóricos, arriscavam palpites… Palmeiras e Vasco se mantinham confiantes, mas cada qual respeitando o adversário…

A imprensa foi ouvir os vascaínos a respeito do grande jogo. “O ambiente cruzmaltino, relatava o jornal, era magnífico. Os jogadores estavam bem dispostos e compenetrados da responsabilidade da missão”. Para o técnico Oto Glória, por exemplo, o Palmeiras em circunstância alguma deixou de ser aquele rival combativo e respeitável de sempre”.  Oto Glória reconhecia que o Vasco atravessava um período favorável, mas ele sabia, e dizia, que para superar o campeão paulista seria necessário prosseguir na luta, com a mesma elevação de sempre. O Vasco não poderia vacilar porque, um tropeço, naquela altura do campeonato, atrapalharia a brilhante campanha do time carioca. Danilo, Jorge, Barbosa, Augusto, Dejair, Maneca e todos os demais vascaínos concordavam com ele. Todos reconheciam as qualidades técnicas excepcionais do Palmeiras e sabiam que não poderiam economizar energias. Os vascaínos queriam a vitória e a manutenção da invencibilidade na competição.
……………

No lado palmeirense, a disposição era a mesma e todos estavam confiantes, e dispostos a darem o máximo de si mesmos… além do talento, ficava claro que a paixão, a fibra palestrina, também entraria em campo. Liminha dizia: “O Vasco é um grande adversário, mas não há de faltar espírito de luta para a vitória”. Juvenal concordava, e acrescentava: “O Vasco é sempre o Vasco. Em qualquer circunstância é um grande adversário, vamos porém dar o máximo para uma completa reabilitação”. Rodrigues, confiante, afirmava : “Com boa vontade tudo há de chegar favorável às cores do Palmeiras”… Luiz Villa, o magnífico “pivot” argentino do time de Parque Antártica, era mais discreto em seu comentário e afirmava: “o footbal é no campo e não se ganha com conversas”.

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O Vasco queria manter a invencibilidade, o Palmeiras queria a reabilitação… e as duas equipes, igualmente, queriam, muito,  a vaga na final do mundial… por isso, estavam todos empenhados em buscar a vitória…

Juventus e Austria também queriam muito a outra vaga na final… Mas o Juventus – que treinava no Parque Antártica – tinha uma baixa na equipe. Seu meia-esquerda, John Hansen, sofrera uma distensão no jogo contra o Palmeiras e estava afastado dos jogos do Torneio Mundial dos Campeões.

No dia 11 de Julho, às 21h00, e para a alegria dos muitos italianos que viviam em São Paulo, Juventus e Áustria se enfrentaram no Pacaembu pela primeira partida da semifinal. Segundo o Jornal dos Sports de 12/07/51, pág.1, […] “o público que compareceu ao Pacaembu teve a oportunidade de assistir a um espetáculo de excepcional brilhantismo no que diz respeito ao desempenho técnico dos quadros, durante o primeiro tempo e boa parte do período final”. […] “Se, por um lado, o Áustria tinha as suas linhas perfeitamente articuladas, com o excepcional e extraordinário centro médio Orcwick mandando o jogo, distribuindo e defendendo de forma precisa e eficiente, por outro, o Juventus mais vivo, mais rápido nas ações, mais decidido e disposto a proporcionar luta ao adversário”.

Por isso, o primeiro tempo foi mais ou menos equilibrado. O Áustria tinha melhor desempenho técnico, mas o Juventus se defendia muito bem e se utilizava de perigosos contra ataques. No primeiro tempo, aos 30′, após o lançamento de Aurednick, Koeller, com um chute forte, no canto esquerdo, abriu o placar para os austríacos; Muccinelli, com um chute indefensável, empatou aos 37′, mas Stojaspal colocou o Austria na frente outra vez aos 39′. Na segunda etapa, o Juventus voltou mais acertado e Praest empatou o jogo aos 4′. Aos 31′, Boniperti em boa jogada com Praest virou para o Juventus. No finalzinho, aos 44′, após falta cometida por Manente, o juiz marcou o pênalti para o Austria. E, então, aconteceu o que ninguém esperava…

Os jogadores italianos ficaram revoltados com a marcação e partiram pra cima do juiz brasileiro (o goleiro Viola chegou a dar um empurrão nele). E aí a confusão se instalou. Foi um custo para que os italianos deixassem o pênalti ser batido por Stojaspal. E depois da cobrança, bem sucedida, e do empate do Áustria no finalzinho de jogo, os italianos ficaram revoltados outra vez e cercaram o árbitro que por pouco não foi agredido (os austríacos se mantiveram afastados). Mas, então, aconteceu coisa pior…  Viola e Muccinelli agrediram um sub-delegado de polícia e foram levados para a Polícia Central onde ficaram detidos. Depois de algumas horas na Polícia Central,  das explicações dadas, e de muita tensão – o Juventus ameaçava até abandonar a “Copa Rio” (Jornal dos Sports, 12/07/51) -, eles acabariam sendo liberados. O empate do Áustria, que tirava a vitória, e a vantagem dos italianos na segunda partida, dificultando o caminho até a tão cobiçada vaga na final do mundial,  havia tirado os italianos do sério.

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ÁUSTRIA (AUS) 3 X 3 JUVENTUS (ITA)
Áustria
: Schweda; Oto Melchior e Josck; Fischer, Orcwick e Schleger; Ernst Melchior, Koeller, Huber, Ernst Stojaspal e Aurednick. Técnico: Heinrich “Wudi” Müller
Juventus: Giovanni Viola; Alberto Bertuccelli e Sergio Manente; Giacomo Mari, Carlo Parola e Piccinini; Ermes Muccinelli, Hansen, Giampiero Boniperti, Pasquale Vivolo e Karl Praest. Técnico: Jesse Carver
Árbitro: Alberto da Gama Malcher (Brasil)
Gols: Koeller (30′,1ºT), Stojaspal (39′,1ºT), Stojaspal (de pênalti, aos 42′, 2ºT) marcaram para o Áustria.
……….Muccinelli (37′,1ºT), Praest (4′,2ºT) e Boniperti (31′, 2ºT) marcaram para o Juventus

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No mesmo horário do jogo do Pacaembu, aconteceria o jogo que os brasileiros tanto esperavam. Palmeiras e Vasco se enfrentariam no Maracanã… os dois melhores times do país naquele ano de 1951… Uma expectativa imensa. O Vasco, a base da seleção, considerado favorito por muita gente, jogando em seus domínios, certamente estava mais tranquilo. O Palmeiras, que vinha de um resultado ruim, quando já estava classificado no grupo (jogara sem três de seus titulares), e passara a ser desacreditado quanto às chances de conquistar a vaga, tinha uma responsabilidade muito grande agora e a pressão estava com ele. Mas quem é Palmeiras sabe… a força da camisa esmeraldina e da gente que se veste com ela é inesgotável. E sem contar que o time do Palmeiras era bom demais –  pelo Rio-São Paulo, um pouco antes do Torneio Mundial começar, o Palmeiras, que acabaria sendo o campeão na ocasião, tinha batido o mesmo Vasco naquele mesmo Maracanã. E tendo ganhado os últimos quatro torneios que disputara, o time da camisa esmeralda, nesse mundial, ia em busca da sua quinta coroa.

E o Alviverde Imponente, tão imponente quanto a ocasião exigiu, cheio de talento e paixão, surpreendeu a todos os que duvidavam dele e bateu o Vasco da Gama… em pleno Maracanã. 2 x 1.  E com o agravante de ter tido duas perdas importantíssimas na partida, de ter precisado substituir Valdemar Fiume, que se lesionara, antes mesmo dos 20′ do primeiro tempo, e de ter ficado sem Aquiles, em boa parte da segunda etapa,  porque, depois de um choque com o goleiro Barbosa, uns minutos depois do gol de empate do Vasco, ele se lesionara gravemente e saíra de campo carregado.

O Vasco teve mais força ofensiva, no entanto, as suas investidas foram desorientadas, a maioria dos seus ataques não levaram real perigo ao gol de Fabio, e o Palmeiras, com ataques mais precisos, seguro na defesa, soube se impor no jogo. “O Palmeiras atacava pouco, porém era absolutamente mais objetivo. Cada ataque tinha a noção exata do perigo.  Isto porque a defesa do Vasco não exibia a segurança habitual”… “Salvador lutador  e incansável, Juvenal, mais clássico. Absolutamente mais consciencioso. Nunca abandonou a área”… “Magnífica a intermediária paulista, cabendo a Luiz Villa os méritos do principal valor”… “O arqueiro Fábio, não fosse o tento de Friaça, teria uma classificação excepcional”… “Dema reafirmou seu valor liquidando Tesourinha”… “dos pés de Jair partiram as jogadas mais perigosas”… “Rodrigues, embora pouco empenhado, deu grande trabalho à defensiva cruzmaltina” (Jornal dos Sports, 12/07/51 pág.6 – PALMEIRAS, 2 X 1).

O Palmeiras abriu o placar no Maracanã aos 24′ do primeiro tempo. Jair passou por Danilo e recebeu a falta de Eli, o próprio Jair cobrou a falta e tocou para Richard, o centroavante invadiu a área e chutou, abrindo o placar para o Palmeiras.  No segundo tempo, aos 40s, ataque do Vasco, posse de bola com Maneca que chutou muito forte, no ângulo. Fabio tentou defender, largou a bola, ela bateu na trave e entrou. Partida empatada. Aos 37′, Jair, de novo cobrando uma falta (os vascaínos fizeram muitas), acionou Liminha. O veloz jogador palmeirense avançou e, com um belo chute, que foi parar no fundo das redes de Barbosa, deu a sensacional vitória ao Palmeiras.

O Palmeiras venceu, estava muito feliz, mas uma sombra de tristeza e preocupação muito grande pairava sobre todos os palmeirenses.  Além de Valdemar Fiume ter saído lesionado no primeiro tempo, uns minutos após o empate do Vasco,  e depois de um choque com o goleiro Barbosa, o Palmeiras ganhara mais um, e muito sério, desfalque.  Aquiles saíra de campo seriamente contundido, e carregado – mais tarde seria confirmado que o jovem jogador do Palmeiras fraturara a tíbia (ele ficaria meses sem jogar). A família palmeirense ficou consternada.

 

 

O Vasco saiu reclamando de um impedimento de Richard no primeiro gol, o Palmeiras saiu reclamando da expulsão de Maneca que foi reconsiderada pelo juiz – ele expulsou o jogador do Vasco e, depois de uma conversa com Augusto, do time carioca, ele reconsiderou e voltou atrás…

O Palmeiras tinha ido ao Rio buscar a vaga e já saíra da primeira partida em vantagem. E tinha feito por merecer. A matéria do (carioca) Jornal dos Sports, do dia 12/07,  diria que o Vasco não esteve bem na partida, […] “produzindo pouco e com o agravante de procurar o jogo pesado nos momentos em que o adversário mostrava-se mais inspirado. Talvez enervados pela marcação severa da retaguarda palmeirense, os cruzmaltinos perderam inteiramente o controle”… “Tesourinha, inteiramente anulado por Dema, Friaça deixando-se dominar por Juvenal”… “Alfredo preocupou-se muito com a violência e deixou de ser o médio sereno e hábil dos outros prélios”…  “O Palmeiras ganhou com mérito. Foi mais quadro. Defendeu-se melhor. E teve a grande habilidade de se aproveitar das falhas do adversário para ganhar com justiça”“o onze do Palmeiras soube impor o seu valor, não se perturbando nunca com o maior volume ofensivo (do Vasco). Foi mais objetivo o conjunto palmeirense e daí a explicação lógica para a sensacional vitória colhida na noite de ontem”.

 

PALMEIRAS 2 X 1 VASCO DA GAMA
Palmeiras
: Fábio; Salvador e Juvenal; Valdemar Fiume, Luiz Villa e Dema; Liminha, Aquiles, Richard, Jair e Rodrigues. Técnico: Ventura Cambon.
Vasco da Gama: Barbosa; Augusto e Clarel; Eli, Danilo e Alfredo; Tesourinha, Ipojucan, Friaça, Maneca e Dejair. Técnico: Oto Glória
Árbitro: Mr. Craig (Inglaterra)
Renda: CR$ 901.520,00
Gols: Richard (24′, 1ºT), Maneca (40s, 2ºT) e Liminha (37′, 2ºT)

O Palmeiras saía na frente na disputa da vaga, ficava mais perto da final do mundial, mas os torcedores vascaínos não se davam por vencidos e continuavam confiando que o Vasco daria o troco ao Palmeiras no segundo jogo e que seria ele, Vasco da Gama, a ficar com a vaga na final…

Meu pai, à essa altura dos acontecimentos, certamente já deveria estar se preparando, com os amigos, para ir ao Rio de Janeiro ver a decisão do Mundial de Clubes… se o sangue que corre em minhas veias não me engana, ele tinha certeza  que o Palmeiras estaria lá…

Faltava uma partida… faltava um empate ao Palmeiras… a vaga na final do primeiro Torneio Mundial de Clubes Campeões estava ali, pertinho, quase ao alcance de verdes mãos… mas não seria fácil. O Vasco, que agora teria que vencer de qualquer maneira – era a sua única chance de classificação,  tinha um timaço também e certamente ia querer descontar o prejuízo. Faltavam só quatro dias para o próximo jogo, mas os corações brasileiros já batiam em ritmo de uma épica final…