“Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões”

Qual é o palmeirense que não conhece a história desta foto, que não sabe o nome de pelo menos um herói daquela partida?

Qual é o palmeirense que não sabe o que significa “Arrancada Heroica”, que é como foi chamado o episódio, a final do Campeonato Paulista de 1942 que entrou para a história? “Arrancada Heroica”, que acabou sendo a resposta que o Palestra/Palmeiras deu à toda a situação, tão difícil, vivida naquela época – tentaram fazer o Palmeiras ser visto como se fosse um inimigo da pátria

Sim, todos conhecemos… Mas haveremos de nos lembrar pra todo o sempre, porque a grandiosa história do Palmeiras, que nossos pais nos transmitiram, e que transmitimos aos nossos filhos, continuará a ser passada aos filhos dos nossos filhos, aos filhos que eles tiverem e assim por diante…

Foi por isso,  por causa da Segunda Guerra Mundial e da perfídia de alguns, e para que o clube não fosse perseguido, que o Palestra Italia, ao final do campeonato de 1942, do qual era líder, mudou de nome. Ele já tinha passado a ser Palestra de São Paulo (fez 18 partidas – 17 V e 1 E), e depois se tornou Sociedade Esportiva Palmeiras, o nosso amado Palmeiras, Verdão, Alviverde Imponente, o meu “Parmera”.

A mudança de nome se deu também, porque o São Paulo – clube rival, que viraria inimigo a partir disso – se aproveitando do fator “inimigo da pátria”, inventado para o Palestra por alguns, tentou lhe tomar o patrimônio, tentou nos tomar o nosso estádio. Sim, por causa da guerra, e da estupidez de se achar que a cidadania italiana fazia qualquer cidadão tornar-se inimigo do Brasil  – o Brasil era inimigo da Itália na guerra -, era considerado lícito  se aproveitar disso para tomar os bens dos italianos que aqui viviam. Fizeram essa crueldade com muitas pessoas, com muitos italianos trabalhadores…

E em relação às instituições ligadas a outros países que não cumprissem a determinação governamental de mudar seus respectivos nomes, elas poderiam ter os bens confiscados e, na sequência, leiloados pelo governo. E o São Paulo, pressionando as autoridades, bem que tentou se aproveitar do momento para tomar o patrimônio do Palestra.

E o Palmeiras, que não só mostrou ao país que não era inimigo nenhum, que era um clube brasileiríssimo fundado por italianos, que defendeu seu patrimônio com a raça e a fibra da sua gente, foi também defender o título que estava em jogo no campeonato, cuja liderança o Palestra lhe deixava por herança.

Na véspera do clássico, o clima de hostilidade entre São Paulo e Palmeiras, visto por alguns como “inimigo da pátria”, foi alimentado. “Criaram uma situação deplorável, como se no dia 20 houvesse um choque de honra entre duas famílias” (jornal A Gazeta, na semana da final).

Temendo um confronto entre tricolores e palestrinos, que já era dado quase como certo, a polícia impediu que os torcedores entrassem no estádio com bengalas (muito usadas pelos homens elegantes da época) e guardas-chuvas. Até mesmo laranjas e outras frutas foram proibidas, para que não fossem arremessadas ao campo.

Daí a importância gigante dessa partida disputada com o São Paulo.

 

20 de Setembro de 1942…

O clima era bastante tenso e temia-se que o time do Palmeiras fosse apedrejado tão logo entrasse em campo, naquele estádio de quase 70 mil pessoas.

Só que Palmeiras foi aplaudido de pé quando entrou em campo carregando a bandeira do Brasil (ideia de Adalberto Campos, um capitão do exército ligado ao clube). O Palmeiras, com a alma do Palestra, desfazia o clima extremamente hostil e impunha mais uma derrota ao seu adversário, agora dentro das quatro linhas… E quando o Palmeiras já vencia por 3 x 1, e teve uma penalidade marcada a seu favor, o São Paulo aproveitou e fugiu da partida…

O clube, que não conseguira tomar do Palmeiras o seu estádio, que o vira ser aplaudido por todos, ia vê-lo também  conquistar o campeonato, e com uma goleada… Acho que foi demais pra eles, e o São Paulo desistiu de jogar. O Palmeiras ganhou o campeonato e o São Paulos ganhou uma suspensão de 30 dias da FPF.

Claro, que da mesma forma como tentaram nos pintar de “inimigos da pátria”, alguns tentariam macular a nossa conquista depois, mas, assim como ocorreu em todas as conquistas do Palmeiras até hoje, essa também era legítima e irrefutável.

 

A história guarda os fatos, os nomes, os gols (65 marcados e 19 tomados), as jogadas, os dribles,  as lágrimas de alegria, os abraços, os sorrisos, os aplausos… tem ela todas as memórias…

Nós guardamos no sangue, que corre em nossas veias, a fibra, a força de nossos antepassados e o orgulho de ser Palestra/Palmeiras…

O céu guarda os nossos heróis…

 

Muitas glórias ao Palmeiras! E que o espírito de 42 nos acompanhe por todo o sempre.

 

 

palmeiras-bicampeão94

“Eu plantei Palmeiras no coração…”

Do mesmo jeitinho de agora – menos descarado talvez -, com narradores  valorizando mais o adversário – “Jair Pereira é sempre um técnico vencedor”, “Viola está há dois meses sem marcar gols, quem sabe ele não tenha guardado para hoje”, “o Palmeiras tem a vantagem, mas não se pode esquecer que do outro lado tem o Corinthians, tem a fiel, com toda a sua mística -; com os comentários da transmissão ignorando as muitas faltas sobre Rivaldo – que estraçalhava em campo e apanhava sem dó -, mas contando as faltas sofridas por Zé Elias – sim, Galvão Bueno as contava durante o jogo -; com o juiz deixando de marcar uma penalidade escabrosa sobre Roberto Carlos na primeira partida; com o goleiro Ronaldo levando amarelo quando deveria ter levado um vermelho, o mesmo acontecendo com Luisinho; com Branco, que quase quebrou Amaral, e foi expulso apenas e tão somente porque discutiu com Zinho – também expulso -, senão teria levado só amarelo; com Márcio Rezende de Freitas e auxiliares assinalando impedimentos absurdamente inexistentes do ataque do Dream Team palmeirense; com o Palmeiras tentando jogar e o adversário tentando segurar; com a torcida adversária deixando o estádio aos 20 minutos do segundo tempo, na primeira partida…

Com Rivaldo – o maestro do título – , Evair, Edmundo e Zinho levando a torcida e os adversários à loucura, com dribles e passes maravilhosos, com gols inesquecíveis – nas duas partidas finais, foram três de Rivaldo e um de Edmundo -, com um Palmeiras que nos fazia sonhar…

Com Cleber, Antonio Carlos, Roberto Carlos, Claudio, Sampaio e Flavio Conceição, Amaral, Wagner… esbanjando talento e fibra de campeão…

Com um Velloso perfeito…

Com o Palmeiras ganhando mais um título na raça,  no talento e no esforço de seus jogadores, como  sempre aconteceu em todas as suas conquistas…

Com a Família de Sangue Esmeralda morrendo de felicidade e orgulho pela conquista do bi-campeonato brasileiro, o quarto na versão moderna, pós 1971, o oitavo título do Palmeiras na maior competição nacional.

PARABÉNS, PALMEIRAS! Não foi por acaso que você se tornou o maior campeão nacional, e que até hoje não foi superado.

 

https://www.youtube.com/watch?v=nVZSzPqSJNE

Depois que fiz a postagem com a “capivara” dos nossos anti-éticos, deselegantes e desmemoriados vizinhos, para rebater os comentários ridículos do seu presidente, apareceu um monte de torcedores deles aqui. É óbvio que seus comentários não serão aprovados, uma vez que esse espaço é de uma palmeirense, destinado a torcedores palmeirenses. E de maneira alguma vou permitir que o blog vire um local de bate-boca entre torcedores de times rivais.

Alguns torcedores adversários listaram um monte de bobagens, como se fosse o Palmeiras quem estivesse se vangloriando por ter trapaceado um rival, e tivesse chamado um outro clube de ‘clube pequeno’ (essa falta de ética e de classe “queimou o filme” do presidente vizinho e falastrão, e, consequentemente, do seu clube também. Parece que nem o patrocinador gostou). Helloooo, leonores, quem fez isso foi o “desmemoriado” e “ético” presidente do “Dona Wilma F.C”.

Selecionei duas coisas para trazer a você, leitor…

“… o Palmeiras era um time racista nos primeiros anos após a sua fundação, e não aceitava jogadores negros”

Parece que houve um tempo que era assim mesmo, mas isso não era algo que acontecia exclusivamente com o Palmeiras, a sociedade brasileira era racista, esse era um problema da época (infelizmente, existe racismo no país até hoje). Dizem que o Fluminense, por exemplo, naquele tempo, ganhou o apelido de “pó de arroz” porque o jogador Carlos Alberto, mulato, tentando disfarçar a cor da pele, passava o cosmético no rosto antes de entrar em campo. Um horror isso, não é?

Graças a Deus, o Palmeiras consertaria logo as coisas. Og Moreira, em 1942, foi o primeiro negro a jogar pelo clube. Foi ele, aliás, que sofreu o pênalti que fez o São Paulo fugir do jogo, na final do Campeonato Paulista, momento espetacular da nossa história, que ficou marcado como “Arrancada Heroica”. Liminha, o autor do gol que  deu o título ao Palmeiras no primeiro Torneio Mundial de Clubes Campeões, em 1951, também era negro. Na galeria de imortais do Verdão estão craques maravilhosos, de futebol inesquecível, como Djalma Santos, Luís Pereira, Edu Bala, Nei, Jorge Mendonça, César Sampaio, Cleber, Djalminha… e o maior de todos, o Divino Ademir da Guia, filho de Domingos da Guia.

E atribuir a condição de racista à uma instituição cujos membros sofreram na pele a discriminação, apenas mostra que o jogo baixo não é privilégio da direção do tal clube vizinho, mas do pensamento comum de quem se identifica com ele.

Ou vamos fazer que não sabemos que os  italianos também sofreram com o preconceito, com a xenofobia? Especialmente, na época da guerra, quando qualquer italiano residente e trabalhador no Brasil, passou a ser “inimigo da pátria”, a ser perseguido, a ter os seus bens confiscados. O Palestra Italia também foi perseguido pelos quatrocentões da época, apenas por ser o “time de italianinhos”, “time de colônia”…

E foi por isso mesmo, para tentar se aproveitar da perseguição que havia aos italianos, e do confisco que faziam dos bens desses imigrantes, que os nossos atuais vizinhos tentaram tomar o estádio do Palestra Italia (as pessoas que lideravam o movimento para que o Palestra perdesse seu patrimônio eram todas ligadas a eles. E vale lembrar, o patrimônio do Palmeiras foi adquirido com recursos da sua gente e não com favores de governos). E isso tudo é história, é real, não é a torcedora palmeirense que inventa, por mais que os torcedores leonores queiram ‘berrar’ o contrário (e não foi só com o Palestra… Tietê em 35, Juventude da Mooca em 38, Associação Alemã de Esportes em 40 e em 42 a tentativa sobre o Palestra. Esse é o perfil deles).

E ainda hoje, o racismo, o preconceito, não são problemas resolvidos na sociedade brasileira, tampouco estão resolvidos no resto do mundo. Apesar de hoje, graças a Deus, essas demonstrações de preconceito serem consideradas atraso e ignorância, serem combatidas, ainda temos acompanhado várias situações de racismo e preconceito, principalmente no futebol. Entre as mais recentes, podemos citar a banana jogada em Daniel Alves e  a declaração do presidente “classudo” e “sensato” do SP (olha ele aí, de novo), que disse querer contratar o jogador Kaká porque ele tem todos os dentes na boca, porque ele é bonito (se precisa ser bonito, o que o goleiro faz lá há tanto tempo?) e sabe falar bem (ele quer um jogador ou um marido?)… a parte técnica do atleta parece nem ser levada em consideração… seria engraçado se não fosse uma baita demonstração de preconceito, não é mesmo?

Mas o absurdo “hors concours”, o suprasumo da falta de informação e da ignorância – uma vez que esse assunto já foi esclarecido e desmentido diversas vezes -, foi esse:

“… o Palmeiras se originou do Corinthians…”

Como diria o Chaves: “Que burro, dá nota zero pra ele(s)!”

O Corinthians foi fundado em 1910, por operários da região do Bom Retiro – principalmente da “São Paulo Railway” -, que praticavam o futebol em clubes da várzea dessa região. O objetivo era fundar um clube para continuar atuando na várzea (até porque era sabido por todos que a Liga da elite tinha enorme preconceito contra equipes populares da várzea).

O referencial dessas pessoas não era a etnia, mas sim a classe social e a região; eram todos operários, e de uma mesma região. E entre eles haviam espanhóis, portugueses, italianos, e até ingleses.

Na fundação do Palmeiras, os objetivos eram totalmente diferentes e mais arrojados. Em 1914, já haviam vários clubes italianos na cidade (25% da população era vinculada a esses imigrantes), mas eram todos varzeanos, clubes de operários que praticavam o futebol pelos campos disponíveis da cidade. Nas ligas da elite paulistana desfilavam apenas equipes representantes dos ingleses [Mackenzie], escoceses [Scottish Wanderers], alemães [Germânia] e da burguesia da cidade [como Paulistano e São Bento].

Depois da visita ao país de duas equipes italianas, que encheram a colônia de orgulho ao enfrentarem as poderosas equipes da elite paulista,  surgiu a vontade de se criar uma equipe que pudesse representar toda a colônia na cidade de São Paulo e jogasse na Liga da elite; um clube que pudesse reunir os vários atletas de origem italiana, espalhados por vários clubes da cidade, montando uma equipe única, competitiva, capaz de brigar por títulos contra as grandes equipes da elite.

Como você pode notar, a forma como os dois clubes foram criados e os seus objetivos na fundação eram totalmente diferentes. Vejamos agora, quem foram os seus fundadores e pioneiros.

Na reunião de fundação do Corinthians, em 1910, estiveram presentes:

Ambrósio, Joaquim
Bataglia, Miguel
Bataglia, Salvador
Campbell, Jorge
Correia, Anselmo
Desiderio, Afonso
Lopomo, Salvador
Lotito, Emilio
Magnani, Alexandre
Nunes, Antonio Alves
Pereira, Antônio
Perrone, Rafael
Silva, Carlos
Silva, João da
Teixeira, Alfredo
Valente, Felipe

Na reunião de fundação do Palmeiras, em 26/08/1914, eram esses os participantes:

Cervo, Luigi [Secretário-Geral]
Marzo, Luigi Emmanuelle [Vice-Presidente]
Ragognetti, Vicente [Diretor Esportivo]
Simone, Ezequiel [1º Presidente]
Aulicino, Antonio [vice-secretário]
Cileno, Francesco Vicenzo [inspetor de sala]
Giangrande, Oreste [revisor de contas]
Giannetti, Guido [revisor de contas]
Morelli, Francesco [2º mestre de sala]
Nipote, Francisco De Vivo [tesoureiro]
Rebucci, Armando [revisor de contas]
Silva, Alvaro F. da [1º mestre de sala]
Azevedo, Alfonso de
Betti, Delfo
Bucciarelli, Amadeo
Camargo, Francesco
Ciello, Michele A.
Del Ciello, Clementino
Ferré, Fábio
Gallo, Eugenio
Gallucci, Antonio
Giannetti, Giorgio
Giannetti, Giulio
Izzo, Adolfo
Izzo, Alfredo
Izzo, Luigi
Lamacchia, Giovanni
Lilla, Onofrio
Maninni, Battista
Médici, Luigi
Migliori, Alfredo
Mosca, Alfonso
Nigro, Giuseppe
Pareto, Leonardo
Prince, Giuseppe
Rizzo, Vicenzo
Rosario, Luigi M. F.
Romano Filho, Gennaro
Romano, Oreste
Rossi, Giovanni
Russo, Ercole
Tavollaro, Michele
Vaccari, Aughusto

E, agora, para concluirmos o assunto, aqui vai um passatempo do Blog da Clorofila…

Procure na lista de fundadores do Palmeiras (em verde), os “dissidentes do Corinthians”, da lista em preto, que ‘teriam fundado o Palmeiras’, e ligue os nomes. Quem encontrar nomes iguais nas duas listas vai ganhar um autógrafo do Valdivia.

Encontrou?

Não? 

Leia com calma…

Presta atenção…

Procura mais um pouquinho…

Nada ainda?

Oh, oh… Não tem, né?

Touché!!!  😉 

‘Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões.” – Mario Minervino 

20 de Setembro de 2013, 71 anos  da Arrancada Histórica…

71 anos distante daquele 1942, em que os palestrinos tiveram que arrancar do fundo da alma as forças para defender o clube que amavam…

71 anos passados desde aquele Setembro, quando o nome Palestra Italia teve que deixar de existir, para que seu estádio não fosse tomado pelo São Paulo (eles, que não tinham estádio, com a desculpa da guerra, dos italianos “inimigos” do Brasil, e com a ajuda da imprensa, que pintou o Palmeiras de inimigo da pátria – você conhece a versão moderna disso -,  queriam nos tomar o Palestra, é mole?)…

71 anos que se seguiram àquela semana em que Oberdan e seus companheiros, concentrados em uma chácara à espera do grande jogo de 20 de Setembro, choraram ao serem informados que o nome Palestra Itália não mais existia… imagino a dor que calou no peito dos palmeirenses todos da época – de alguma maneira, posso senti-la hoje.

71 anos  daquela promessa de vingança, feita por Oberdan e seus companheiros, do juramento de vencer o grande perseguidor do Palestra, na final do campeonato que se daria na semana seguinte… juraram honrar o Palestra, que morria, e a Sociedade Esportiva Palmeiras, que acabava de nascer…

Aqueles homens todos, que lutaram pela honra do Palestra, que salvaram o nosso estádio de ser tomado pelo São Paulo; os que cercaram o Palestra com barris de gasolina para defendê-lo (imagine a cena); os que temeram, os que perderam o sono, os que choraram, que se revoltaram e jamais pensaram em desistir, em se entregar (isso ficou marcado em nosso DNA); os que entraram em campo pelo Palmeiras, pela primeira vez, carregando a bandeira do Brasil, e foram aplaudidos, durante minutos, pelos mesmos que os esperavam para hostilizá-los; os que amavam o Palestra e passariam a amar o Palmeiras… todos aqueles palmeirenses de então, não podiam imaginar que, passados 71 anos, o dia 20 de Setembro, passasse a ser, oficialmente, o Dia Do Palmeiras; que aquela família se tornaria Nação e  tivesse tantos filhos espalhados por todo o país e pelo mundo… E que esses filhos sentissem tanto orgulho do que eles fizeram, da sua luta… que os lembrassem com alegria e respeito, que lhe fossem tão gratos… que esses filhos comemorassem tanto o dia em que o Palmeiras nasceu campeão, quando o nosso patrimônio foi salvo, quando Oberdan e Cia conquistaram o respeito de todos, quando fizeram o São Paulo fugir de campo (sim, eles correram), com medo de apanhar de mais do que 3 x 0; quando o Brasil conheceu a imponência de um gigante e a força da sua gente.

O tempo passou, amigo, e nós estamos aqui, hoje, fazendo jus à nossa herança de um Palmeiras digno, honrado, imponente e gigante, com uma “tonelada” de títulos, legítimos, conquistados apenas com o seu suor e esforço dentro de campo… que  encara os seus inimigos (e eles são tantos agora) de frente e não se vale de trambiques e armações, que prefere não fazer parte da “tchurma”; estamos aqui,  para fazer jus à nossa essência de defender o Palmeiras com a mesma bravura e o mesmo amor dos nossos antepassados.

A história se repetiu, e foi com muita luta (imagina se seria diferente), que o Palmeiras e todos nós, setenta e um anos depois,  defendemos o direito de transformar a nossa casa no Allianz Parque, a versão moderna e maravilhosa do antigo Palestra Itália, o estádio mais bonito e moderno do país, que não tem um único centímetro de concreto sequer, que tenha sido comprado com dinheiro público. Tentaram nos atrapalhar, nos impedir, de todas as maneiras… mas nós vencemos, mais uma vez, e o Allianz Parque está de pé, quase pronto para que possamos assistir em nossa casa as novas conquistas que virão.

Assim somos nós, palmeirenses, palestrinos, está em nossa essência  lutar e honrar o nosso clube, a nossa casa, a nossa família; fazer as coisas da maneira certa e amar o Palmeiras acima de tudo; reverenciar a nossa história e os que a escreveram até aqui, deixando o caminho limpo para os que vierem depois de nós. E é a nossa história, linda, com capítulos emocionantes, que nos faz permanecer altivos, nos faz levantar ainda mais a cabeça, olhar o céu e enxergar o sol, mesmo quando os tempos ficam difícieis e as nuvens escuras teimam em aparecer; é a nossa história (e ter história é para poucos e bons) que nos faz cantar ainda mais alto, bater no peito e dizer: Aqui é Palmeiras, p%#@rra!

Eu tenho muito orgulho da história desse gigante! Orgulho imenso de ter o sangue esmeralda correndo em minhas veias…

Não sou eterna, mas o meu amor pelo Palmeiras é!! 

AUGURI, PALESTRA/PALMEIRAS!!

homenagem-arrancada-heroica

 

Deus certamente deve ter um lugar especial para pessoas tão especiais…

Único brasileiro a integrar a seleção da FIFA que enfrentou a Inglaterra em um amistoso no estádio de Wembley…
Na final da Copa do Mundo de 1958, entrou no lugar do titular De Sordi, contundido e, em apenas noventa minutos, foi eleito o melhor jogador da posição no Mundial…
Ídolo no Palmeiras (498 jogos), fazia parte do time, do único time, que parava o Santos de Pelé. Conquistou o Campeonato Paulista em 1959 (em cima do Santos), 1963 e 1966; e os títulos da Taça Brasil de 1960 e 1967 ; o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967, reconhecidos posteriormente como Campeonatos Brasileiros pela CBF . Além disso, venceu o Torneio Rio-São Paulo em 1965…
Fez parte daquele Palmeiras/Seleção Brasileira que goleou o Uruguai no Mineirão, em 1965…
Nunca foi expulso de campo…

Um dos maiores ídolos da história do Palmeiras…
O maior lateral da história… um dos melhores jogadores de todos os tempos…

Eu não o vi jogar, mas sei que suas cobranças de laterais iam direto pra área, como se fossem cruzamentos; que ele não temia os atacantes, pelo contrário, os encarava e saía jogando com a bola dominada; que ele ajudou o Palmeiras a parar o Santos de Pelé; sei também que ele não dava chutão; sei que ele motivava a equipe, porque sempre acreditava na vitória, fossem quais fossem os obstáculos…  em qualquer matéria que se leia sobre ele, vamos encontrar a informação de que ele era imbatível em jogadas no ombro a ombro e em divididas…

Sei que ele se emocionou com a homenagem que o Palmeiras fez a ele, há poucos dias, na partida diante do Oeste, quando o time entrou em campo com os dizeres #forzadjalmasantos estampados na camisa… e ele, emocionado, respondeu: “Saibam que, de certa forma, o Palmeiras nunca deixará de ser a minha casa”.

Sei o que li, sei o que meu pai me contou, sei o que a minha herança genética palestrina gravou em meu DNA…

Sei também que a Família de Sangue Esmeralda está muito triste hoje, e junto com o futebol chora a perda de seu grande craque.

Que Deus o abençoe, mestre Djalma Santos. Ídolos não morrem, eles se eternizam em seus grandes feitos e apenas mudam de estádio…

Os palestrinos te agradecem pelos 10 anos em que você dignificou a camisa do Palmeiras; pelo futebol maravilhoso, que você praticou vestindo as nossas cores; pelo orgulho que nos fez e faz sentir; e pelas páginas lindas da história da Sociedade Esportiva Palmeiras que você ajudou a escrever.

Descanse em Paz, campeão. E muito obrigada.

“Em janeiro de 1951, o periódico brasileiro, “O Globo Sportivo”,  noticiava em destaque que o presidente da FIFA, Senhor Jules Rimet, concedera apoio incondicional ao torneio a ser realizado no Rio de Janeiro. Para tanto, nomeava oficialmente o engenheiro Ottorino Barassi, secretário geral da entidade, para o Comitê Organizador do Campeonato Mundial de Clubes Campeões (prestou atenção, leitor, no nome do comitê?). A importante matéria vinha assinada pelo jornalista francês Albert Laurence – integrante do L ‘Equipe e do France Football, ambos da França.”  Trecho retirado do site Palestrinos.

A Fifa, querendo aproveitar o sucesso da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, organizou um mundial de clubes em 1951, também no Brasil.  Eram oito times, divididos em duas chaves de quatro: Vasco da Gama/Brasil, Áustria Viena/ Áustria, Nacional/Uruguai e Sporting/Portugal, PALMEIRAS/Brasil, Juventus/ Itália, Estrela Vermelha/Iugoslávia e Olympique/França.

A importância dele era tanta, que o campeonato paulista foi paralisado; no Uruguai, o Torneio Competência também parou. Afinal, o Uruguai tinha acabado de ganhar uma Copa do Mundo no ano anterior, e a ganhara do Brasil, em pleno Maracanã. Não podia deixar que lhe carimbassem a faixa de campeão do mundo. O Brasil, por sua vez, estava “mordido”, e o povo brasileiro, traumatizado, sonhava com a possibilidade de ver resgatado o orgulho de uma nação inteira.

O torneio prometia ser um sucesso! O Vasco, considerado uma máquina de jogar futebol, era um dos favoritos, sem contar os ‘bichos-papões’, Estrela Vermelha da Iugoslávia, e Juventus da Itália.

E boa parte do mundo parou pra acompanhar essa disputa…

E viu um certo time, muito conhecido nosso, da camisa verde-esmeralda mais linda do mundo, imponente como ele só, desclassificar a “máquina de jogar futebol”, ultrapassar os adversários todos e chegar à final, contra o único time que o vencera na competição, o temível Juventus da Itália – que goleara o Palmeiras por 4 x 0, na fase classificatória. Duas partidas entre eles decidiriam o campeão mundial de clubes.

Que tarefa para o Palmeiras… Que tarefa para Fábio Crippa, Oberdan Cattani, Juvenal, Richard, Aquiles, Lima, Rodrigues, Canhotinho, Liminha, Salvador, Dema, Luiz Villa, José Sarno, Túlio, Jair da Rosa Pinto, Ponce de Leon, Waldemar Fiume e o técnico Ventura Cambon…  Quanta responsabilidade!

Com as ameaças do Juventus de deixar o torneio, caso a segunda partida não fosse realizada no RJ, a CBD (a CBF daquele tempo) resolveu fazer a vontade dos italianos. Palmeiras sendo desfavorecido desde sempre…

O Verdão, disposto a se desforrar do resultado da fase classificatória, se agigantou, e, num jogo épico, venceu o Juventus por 1 x 0, levando a vantagem do empate para o segundo jogo. Os italianos acreditavam que ganhariam a segunda partida e também a prorrogação.

E, na final, o Maracanã ficou pequeno pra tanta torcida! 100.093 pessoas foram assistir à partida, enquanto o resto do Brasil a acompanhava no rádio.

E o futebol ficou pequeno para tanto Palmeiras… O PALMEIRAS ERA O BRASIL! O Brasil, que queria gritar “é campeão”, que queria esquecer a dor e a tristeza da Copa do Mundo do ano anterior.

E o gigante Palmeiras, destemido, guerreiro, numa apresentação soberba, empatou com o Juventus em 2 x 2 [Praest (Juv), Rodrigues (Pal), Boniperti (Juv) e Liminha (Pal)], e fez o Brasil explodir de alegria. A festa, que atravessou a noite e o dia seguinte, contagiou os brasileiros de Norte a Sul do país. Não tinha ninguém torcendo contra naquele dia. Cada torcedor brasileiro era “palmeirense desde criancinha”; cada torcedor deste país morreu de alegria nos gols de Rodrigues e Liminha; todos os brasileiros ‘defenderam’ embaixo das traves de Fábio Crippa.  Nunca se tinha comemorado tanto um título. Nunca se tinha desejado tanto um campeonato… Nunca se festejaria tanto a volta pra casa de um campeão mundial.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=SrZBxTIE6Q0[/youtube]

E numa noite muito fria, o Palmeiras, que aquecera o coração de um país inteiro, chegava em São Paulo, e foi acompanhado da Estação Roosevelt até o Parque Antártica por um milhão de pessoas. Sim, um milhão de pessoas! Nenhum clube de futebol jamais havia proporcionado uma apoteose dessa, e, até hoje, não houve quem conseguisse uma conquista com tanta magnitude e importância.

E 22 de Julho de 1951, em todos os jornais, em todas as rádios, em todas as bocas, em todo Brasil, ficou marcado como o dia em que o mundo conheceu o seu primeiro campeão mundial de clubes…

 

Hoje em dia, há quem coloque em dúvida ter sido esse campeonato um mundial de clubes. A Fifa o reconheceu em 2007 (e se o reconheceu é porque sabia que era um mundial, senão, não o teria feito jamais), a CBF comunicou ao Palmeiras a oficialização e nunca saberemos por quais motivos a Fifa voltou atrás. Nunca saberemos quem os convenceu a mudar de ideia e com quais argumentos.

CampeãoMundial-DocumentoFifa

Não foi o Palmeiras quem se auto-intitulou “campeão mundial interclubes”, esse era o torneio do qual ele participou, e, porque não poderia ser diferente, o Brasil e o mundo o aclamaram assim.

O Palmeiras é o 1º Campeão Mundial Interclubes e sabemos muito bem disso, assim como a Fifa também sabe. Se ela vai reconhecer ou não, pra nós isso pouco importa. O que importa mesmo é o que ficou na história do futebol brasileiro e mundial, o que essa história conta do grandioso feito do Palmeiras; importa tudo o que foi escrito sobre o Palmeiras e sua conquista; importa toda a alegria de um país que resgatou o seu orgulho; importa o troféu que dorme no Palestra; importa o que ficou no coração de cada brasileiro…

As notícias atravessaram o tempo, e são, hoje, as testemunhas do Palmeiras Campeão Mundial. E ninguém pode desmenti-las, nem mesmo a Fifa.

CampeãoMundial-Faixa

CampeãoMundial-Jornal

CampeãoMundial-Jornal2

CampeãoMundial-Rádio

CampeãoMundial-Jornal1

FELIZ 22 DE JULHO, AMIGO PALESTRINO!!

ORGULHE-SE, VOCÊ É TORCEDOR DO PALMEIRAS, O PRIMEIRO CAMPEÃO MUNDIAL INTERCLUBES!

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=ZFBX5B_oEsY[/youtube]

Informações e imagens: www.palmeiras.com.br  e  www.palestrinos.com.br

Pelos olhos e relatos de meu pai eu ‘vi’ Oberdan jogar… e ele se tornou meu ídolo desde então.

No sábado passado, meu ídolo comemorou 94 anos, e eu tive o privilégio e a honra de poder comemorar com ele e de lhe dar um abraço e um beijo.

Na entrada do salão, o verde-e-branco já se fazia presente, e eu encontrei o aniversariante na sua mesa repleta de amigos, como sempre… Altivo, elegante, bem disposto, atencioso, lá estava Oberdan Cattani, a lenda do Palmeiras… O único remanescente do Palestra Italia…

FestaOberdan-Mesa

A minha palestrina cabeça pira diante dessa constatação. Oberdan faz a ponte com um tempo que eu não vivi, com um Palestra que eu não vi jogar. É como se ele tivesse saído de uma máquina do tempo, ou eu tivesse feito uma viagem até aqueles dias.

Pra mim, é mágico poder segurar aquelas mãos imensas, que fizeram defesas tão importantes, que ajudaram o Palmeiras a conquistar títulos, inclusive um mundial, num tempo em que eu ainda não tinha nascido. Quando estou com ele, nunca deixo de me lembrar que esse senhor, de 94 anos, vestia a camisa do meu time e entrava em campo para fazer valer aquele trecho do nosso hino, “defesa que ninguém passa”. E ele fez isso tão bem… Quem o viu em campo diz que ele foi o mais fantástico de todos, e que pegava a bola com uma mão só, num tempo em que os goleiros não usavam luvas, e que as faltas no goleiro eram permitidas… Num tempo em que se jogava por prazer e por amor… Num tempo em que o atacante do grande rival lhe rasgava a coxa com as travas da chuteira, e ele, que continuava jogando mesmo assim, lhe quebrava algumas costelas no lance seguinte…

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Ele se lembra de tudo, e nos coloca diante do Palestra Italia do qual só ouvimos falar, e é como se estivéssemos vendo acontecer a história do Palmeiras que apreendemos dos livros. Ele defendeu o Palestra que morreu líder e o Palmeiras que nasceu campeão, ajudou o Palmeiras a conquistar o primeiro mundial de clubes e resgatar o orgulho de um país inteiro. Viu o Palmeiras ser aclamado pelo mundo por esse feito. A história da vida de Oberdan, de verdade, se confunde com a história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Não dá para contar a história de um sem falar do outro.

Lembro do meu pai me falando dele (ele sempre fala); lembro de como a sua expressão, depois de tanto tempo, ainda parecia maravilhada com as lembranças, com o filme que passava lá em sua cabeça. Oberdan, o ídolo que passou de pai pra filha, que era conhecido como o “goleiro de mãos gigantes”, “muralha verde”, “fortaleza voadora”, e até mesmo “Clark Gable”, devido sua semelhança com o ator americano…

Que foi fazer um teste no Palmeiras, lá no distante ano de 1940, com o exigente técnico Caetano de Domênico, que costumava, durante os testes, jogar a bola com as mãos em direção à meta e, caso o goleiro não a pegasse, perdia a vez para o próximo da fila. Oberdan não só pegou a bola jogada pelo técnico, como o fez com apenas uma das mãos e na maior tranquilidade, para surpresa de Caetano de Domênico. E assim ele foi aprovado para o quadro de aspirantes. E sem salário algum.

O tempo passou e ele completou 94 anos. Com bolo e vela de bola de futebol; com distintivo do Palmeiras e goleiro embaixo da trave, enfeitando a mesa; com champanhe, alegria… com a família e os amigos, com os votos de felicidades de milhões de novos e jovens fãs palestrinos, e com Palmeiras… no coração, no sangue e no hino que tocou depois do “Parabéns a você”.

Auguri, Oberdan Cattani. Tante grazie!

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“Éramos moços… E o moço que não sonha nasceu velho.” Vicenzo Ragognetti

Vicenzo Ragognetti, Luigi Cervo, Luigi Emanuele Marzo, e Ezequiel Simone sonharam o Palestra Italia… Um menino de treze anos, um outro com quase 18,  um homem maduro, admirador do futebol, e um outro, intelectual, idealizaram e fundaram o nosso amado Palesta Itália, lutaram para que ele não sucumbisse à falta de fundos, costumeiramente enviados pela colônia italiana e que com a Primeira Guerra Mundial passaram a ser enviados à Cruz Vermelha e à Pró Pátria. E lá se vão quase 98 anos… Quem diria que ele ficaria tão grande? Quem diria que ele seria o Campeão do Século?

Esta foi a nossa primeira taça… A taça Savoia!

Conquistada em 24 de Janeiro de 1915 – 5 meses depois da fundação do clube – numa partida que teve como resultado Palestra Italia 2 x 0 Savoia. O jogo foi idealizado por Luigi Cervo, para que o Palmeiras não tivesse que morrer com apenas alguns meses de fundação. Os gols foram marcados por Bianco (1º gol da história) e Alegretti. Assistindo à partida, com olhos cheios de lágrimas, estava Cervo. Feliz, emocionado, ele tinha a certeza que, daquele momento em diante, nada e nem ninguém poderia acabar com o clube; que o Palestra pensaria grande porque seria grande…

Em 27 de Abril de 1920 (apenas seis anos após a sua fundação), depois de três anos como inquilinos, o então presidente Menotti Falchi assinava a escritura de compra do terreno do Parque Antartica. O Palestra Italia tinha a sua casa!

O primeiro título, de um campeonato oficial, veio no mesmo ano.  No campo da Floresta, em 19 de Dezembro de 1920; ao vencer o Paulistano por 2 x 1, o Palestra Italia conquistava o Campeonato Paulista.

Nascido para ser um gigante o Palestra começava a cumprir o seu destino…

E conquistou os CAMPEONATOS PAULISTAS de 1926 (INVICTO), 1927/32 (INVICTO) 1933/34/36/40… E os dois CAMPEONATOS PAULISTAS EXTRAS de 1926 (INVICTO também) e 1938… e as conquistas do TORNEIO INÍCIO DO CAMPEONATO PAULISTA em 1927/30/35/39… a TAÇA DE CAMPEÕES RIO-SÃO PAULO em 1926/33… o TORNEIO RIO-SÃO PAULO em 1933… Foi CAMPEÃO BRASILEIRO em 1918 (com quatro aninhos de vida), 1926, 1933 e TÍTULOS INTERNACIONAIS em 1922/23/29 (dois torneios conquistados) e 1931…

O menino Palestra se cobria de glórias no Brasil e se fazia conhecer além das nossas fronteiras… A sua torcida, originariamente italiana, começava a ganhar a simpatia de outras etnias, e já vivia o orgulho de ser palestrina! Mas a vida queria o Palestra ainda maior; a vida tinha sonhos mais caros para ele realizar… mas seria à custa de muita luta!

E tivemos que lutar muito mesmo, para nos mantermos vivos, para manter a nossa casa… Graças à ignorância da sociedade da época e ao oportunismo de alguns, o Palestra Italia quase perdeu o seu patrimônio quando teve início a Segunda Guerra Mundial. A Itália tornou-se inimiga do Brasil, que apoiava as Forças aliadas. Quem tem descendência italiana sabe, por ter ouvido contar, o que foi aquela época; quem não tem a descendência, pode bem imaginar como foram perseguidos os italianos (e o Palestra Italia) de então e tudo o que fosse relacionado ao país inimigo.

O governo de Getúlio Vargas ameaçava tomar o patrimônio dos clubes que não mudassem de nome. Aproveitando a ocasião, o São Paulo Futebol Clube, uma equipe sem recursos, sem estádio, esperava que o Palestra fechasse as suas portas para ficar com todo o seu patrimônio, para ficar com o Parque Antárctica, a nossa casa… O Palestra já tinha mudado o seu nome para Palestra de São Paulo, mas não adiantara, as autoridades continuavam exigindo a mudança. O time era líder invicto do campeonato e os seus dirigentes não sabiam o que fazer… Mas, mal sabiam todos, que um palestrino nunca se entrega, nunca foge da luta, e que o Palestra, que naquele momento, precisava de paz para conquistar mais um título, iria escrever uma das páginas mais lindas da sua história! E ele não morreria como queriam muitos, ele ressurgiria Imponente, brasileiro e campeão!

E então, a partir de 14 de setembro de 1942, o Palestra de São Paulo, antigo Palestra Italia, retirando o vermelho do uniforme, passaria a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras. Era o nosso Palmeiras que nascia!! E a primeira disputa desse Palmeiras que surgia, seria a disputa do título do Campeonato Paulista com  o São Paulo, o mesmo que tentara lhe tomar o patrimônio.

E, da mesma forma que o Palmeiras seguia o seu destino de ser grande, o seu adversário seguia o seu, de ser mesquinho e tentar fora de campo, encontrar recursos que o ajudem lá dentro… a diretoria são-paulina criou um clima de hostilidade antes da partida; diziam que os paulistas deveriam encarar os jogadores do Palmeiras como inimigos da Pátria. Vejam só!

Mas eu disse que o Palmeiras já nascia brasileiro, não disse? E foi Adalberto Mendes, um brasileiro, sergipano, apaixonado pelo clube, quem teve a ideia de o time entrar em campo com a bandeira do Brasil. A foto é histórica e maravilhosa:

Oberdan Cattani, Zezé Procópio, Og Moreira, Junqueira,  Begliomini, Del Nero, Cláudio, Waldemar Fiúme,  Viladôniga, Lima e Echevarrieta entraram em campo com um grande “P” no coração e carregando a bandeira do Brasil. A torcida, que tinha sido preparada para ver inimigos entrarem em campo, se calou por um momento e depois, maravilhada com aquela cena, os aplaudiu efusivamente. O Palmeiras nascia sob os aplausos e o respeito de todos e com o orgulho imenso da gente palestrina.

E vencíamos a partida por 3 x 1 (fora o baile) quando nossos adversários, com raiva, porque não nos tomaram o estádio; sucumbindo diante da grandeza com que o Palestra ressurgira Palmeiras e não querendo nos deixar cobrar o pênalti que selaria uma goleada maior, saíram de campo antes do final da partida. E foi naquela tarde gloriosa, que aqueles homens de verde terminaram de escrever mais um capítulo da nossa história tão linda; foi naquela tarde de orgulho, que Palestra e Palmeiras conquistaram um título juntos; naquela tarde de 20 de setembro de 1942, O PALESTRA ITALIA MORREU LÍDER E O PALMEIRAS NASCEU CAMPEÃO!!

E o Palmeiras, Palestra que era no coração, na essência e na alma, não podia seguir outro caminho que não fosse o de glórias, de muitas conquistas!

E a sua Sala de Troféus ia abrindo espaço para muitos canecos… O texto seria quilométrico se eu fosse citar todos aqui.

CAMPEONATO PAULISTA de 1942/44/47/50, 1959 (supercampeão), 1963/66, 1972 (invicto), 1974/76/93/94/96/2008… TORNEIO INÍCIO DO CAMPEONATO PAULISTA em 1942, 1946, 1969… TAÇA CIDADE DE SÃO PAULO em 1945/46/50/51… TAÇA GOVERNADOR DO ESTADO EM 1972… TAÇA DE CAMPEÕES RIO-SÃO PAULO em 1942/44/47… TORNEIO RIO-SÃO PAULO em 1951/65/93/2000… CAMPEÃO BRASILEIRO em 1957 e 1961… SUPER CAMPEÃO DO BRASIL em 1967… CAMPEÃO DAS CINCO COROAS em 1950/51/72/93/94… CAMPEONATO NACIONAL  em 1960/67, 1967(Taça Brasil), 1969/72/73/93/94… COPA DO BRASIL  em 1998… COPA DOS CAMPEÕES em 2000… COPA SULAMERICANA MERCOSUL em 1998… COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA em 1999… MUNDIAL INTER CLUBES – COPA RIO em 1951.

1951… A FIFA, do presidente Jules Rimet, decidira que o primeiro Campeonato Mundial de Clubes seria no Rio de Janeiro. Evento grandioso que contaria com as equipes consideradas as potências do futebol mundial da época. Eram oito times, divididos em duas chaves de quatro: Vasco da Gama/Brasil, Áustria Viena/ Áustria, Nacional/Uruguai e Sporting/Portugal, com sede no RJ; Palmeiras/Brasil, Juventus/Itália (o grande bicho papão), Estrela Vermelha/Iugoslávia e Olympique/França, com sede em SP.

E deu Palmeiras e Juventus na final! Duas partidas. O Palmeiras venceu a primeira por 1 x 0 e poderia empatar na segunda…

22 de Julho de 1951… Num Maracanã com mais de 100 mil pessoas; num Maracanã lotado de brasileiros, ainda “de luto” pela perda da Copa do Mundo, em casa, no ano anterior; num Maracanã enlouquecido com a possibilidade de resgatar o orgulho do futebol brasileiro, de resgatar a auto estima do torcedor brasileiro… nesse Maracanã, de alegria e euforia jamais vista… o PALMEIRAS EMPATOU POR 2 X 2 COM A TEMIDA JUVENTUS DE TURIM E SAGROU-SE CAMPEÃO MUNDIAL DE CLUBES. E teve festa nas ruas do Rio de Janeiro, nas ruas de São Paulo, teve festa no Brasil inteiro… TEVE UM MILHÃO DE PESSOAS RECEBENDO O PALMEIRAS EM SÃO PAULO!! Nunca se viu algo assim! Foi uma apoteose.

Tinha que ser o Palmeiras! Desde a estação Roosevelt até o Parque Antárctica, o povo se aglomerava nas ruas e onde podia – nos muros, sacadas dos edifícios, placas de propaganda – e do jeito que dava para ver passar os heróis do futebol paulista e brasileiro. Caminhões, carros particulares e táxis acompanhavam a passagem do Palmeiras Campeão Mundial.

Era uma noite fria de Julho… e Jair, Canhotinho, Villa, Fábio, Juvenal, Aquiles, Túlio, Lima , Rodrigues, Salvador, Dema, Liminha, Fiúme e todos os componentes da delegação alviverde se sentiam aquecidos pelo carinho das pessoas, pelos aplausos e pelas lágrimas de alegria da impressionante multidão. O Palmeiras transcendia as fronteiras de sua torcida e se tornava o motivo de orgulho de todo um país.

 

E se o Palmeiras nasceu para ser um gigante e encher a torcida de orgulho, tinha que ter sido o seu time – do goleiro ao ponta esquerda – a vestir a gloriosa (sim, ela era gloriosa) camisa da Seleção Brasileira. Olha aí a primeira Academia, o Palmeiras/Seleção Brasileira, em Belo Horizonte, no dia 7 de Setembro de 1965!! Orgulho da Nação Alviverde!

Valdir, Servílio, Julinho, Waldemar, Ademir da Guia, Djalma Dias, Djalma Santos, Rinaldo, Ferrari, Dudu, Tupãzinho

Olha aí o Palmeiras (segunda Academia) que conquistou todos os títulos -Campeão Paulista, Invicto / Campeão Brasileiro / Torneio Laudo Natel / Torneio Mar Del Plata / Taça dos Invictos – disputados em 1972:

Olha só o que nos aconteceu em 1999:

Olha só o que aconteceu com o Palestra Italia/Sociedade Esportiva Palmeiras:

PALMEIRAS, O GIGANTE ALVIVERDE IMPONENTE !!

E com essa história belíssima, muito resumidamente contada por mim, você jura que seu maior orgulho de torcedor palestrino é ter um título que o seu rival não tem?

Informações e imagens retiradas do Site Palestrinos.
http://palestrinos.com.br/index.htm

Comemorar só o Dia dos Namorados em 12 de Junho é para os fracos!

Os palestrinos têm muito mais a comemorar…

12 de Junho é dia de relembrar o espetáculo, o show que o Palmeiras (nosso amor eterno) apresentou para a gambazada na final do Paulistão/1993!

Com um time recheado de craques, com metade do Morumbi lotada de parmeras, com gols inesquecíveis, dribles maravilhosos, com uma apresentação de gala do Matador Evair, com a defesa que ninguém passa (e não passava mesmo!), com a linha atacante de raça e uma dose “animal” de emoção, o título foi merecidamente conquistado pelo Verdão! 4 x 0, fora o baile, ficou barato demais!

Grazie Evair, Edmundo, Zinho, Sampaio, Antonio Carlos, Mazinho, Tonhão, Roberto Carlos, Sérgio, João Luís, Edílson (vou te dar uma colher de chá…), Paulo Sérgio, Daniel, Maurílio, Jean Carlo, Alexandre Rosa, Sorato, Jefferson, Toninho, Marquinhos, Willians, Edinho, Magrão, Naná !!! Nós nunca mais vamos nos esquecer!!

SALVE, PALMEIRAS! SALVE DREAM TEAM!

E 12 de Junho é também o aniversário de um dos maiores goleiros da Sociedade Esportiva Palmeiras, de uma lenda viva do Palestra Italia e do Palmeiras…

OBERDAN CATTANI, PARABÉNS PELOS SEUS 93 ANOS!

MUITA SAÚDE, ALEGRIAS, 

E PARMERA CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL TAMBÉM!!