“Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras” – Mario Minervino
Hoje, 20 de Setembro, é Dia do Palmeiras (Lei Nº 14.060 do Calendário Oficial do Município de São Paulo)… dia em que comemoramos a ARRANCADA HEROICA.
Há 76 anos, durante a guerra, e por causa dela, o Palestra Itália, por suas origens italianas, foi maldosamente “pintado” por alguns jornais como um inimigo da nação… e, por isso, corria o risco de perder o seu patrimônio, e de ver a sua “casa” tomada por aproveitadores (o São Paulo queria ficar com o Parque Antártica)…
Há 76 anos, o Palestra Italia, pra defender a sua honra e o seu patrimônio, se tornava Palmeiras…
Há 76 anos, no Pacaembu lotado, na final do Campeonato Paulista de 1942, no primeiro jogo da história do Palmeiras que acabara de nascer, o “time dos italianinhos”, carregando a bandeira do Brasil, e sob uma chuva de aplausos de todo o público presente ao estádio, passava a ser o “time dos brasileiros”… e era definitivamente “adotado” no coração do Brasil…
A coragem, a fibra e a grandeza da gente palestrina sobrepujaram e humilharam o inimigo em campo (ele fugiu do jogo) e fizeram o Palmeiras campeão…
Bravíssimo, Palestra/Palmeiras!! Tanti auguri #orgulhoimenso
“Para onde quer que fores, vai todo, leva junto teu coração” – Confúcio
O coração dos brasileiros se apertava, e era bem grande a empolgação. Junho conduziria os brasileiros ao torneio mundial, a mais um torneio mundial no Brasil… Muitos já sentiam aquele friozinho na barriga quando pensavam na competição. Meu pai, que iria, claro, assistir aos jogos do Verdão no Pacaembu, certamente, já pensava na possibilidade de assistir à final caso o Palmeiras chegasse até ela (mesmo sem nunca ter perguntado isso a ele – e agora não posso mais fazê-lo -, tenho certeza que ele acreditava piamente que o Palmeiras estaria na final). Muito provavelmente, naquele início de Junho, ele e os amigos que foram ao RJ também, já faziam planos para uma possível viagem – outro dia mesmo, minha mãe, com quem eu falava sobre essa postagem, me contou sobre as pessoas que foram ao Rio de Janeiro com ele na ocasião.
A hora estava chegando… A “Copa Rio”, verdadeiro Campeonato Mundial de campeões logo começaria…
E, por decisão da Associação Uruguaia de Futebol, o Nacional confirmava presença no torneio…
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E porque o Nacional participaria do Mundial de Clubes, o campeonato uruguaio também seria paralisado durante a disputa (mas que “torneiozinho sem expressão”… Paralisaria até o campeonato do Uruguai, o país que acabara de ser campeão do mundo), e haviam negociações em andamento para a realização, em Montevidéu, e durante o torneio aqui no Brasil, de uma série de partidas entre clubes orientais (clubes uruguaios) e brasileiros. O Corinthians já havia aceitado a proposta para se exibir em Montevidéu no que seria o seu primeiro amistoso fora do país (seria um amistoso de “fax”?), e Bangu, América e outros clubes nacionais estudavam o assunto. Um representante da CBF seguiria para a capital uruguaia para acertar em definitivo essas negociações.
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Antes mesmo que a tabela ficasse realmente pronta, já noticiavam… O Vasco, no dia 30 de Junho, enfrentaria o Sporting, de Portugal, na abertura do Torneio Mundial de Campeões, pela chave do Rio de Janeiro. Na chave de São Paulo, o Palmeiras, no mesmo dia, enfrentaria um time italiano. Pensava-se que seria o Milan, no entanto, o campeonato italiano só terminaria na segunda quinzena de Junho – o Milan já tinha acertado anteriormente que disputaria a Copa Latina, que seria na Itália naquele ano – e, antes disso, Barassi, que também era presidente da Federação Italiana, acabaria preferindo, convidando e se acertando com o Juventus, o campeão de 50, com vários jogadores da seleção italiana, e que já tinha conquistado oito campeonatos italianos contra três do Milan (o Milan conquistaria o seu quarto título em 51).
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E, então, depois de alguns dias, Barassi finalmente definiria todos os participantes do primeiro mundial de clubes. Além de Palmeiras e Vasco, seis campeões estrangeiros participariam da disputa. Eram eles:
Nacional (URU) – Campeão uruguaio de 1950 (batera o Peñarol, a base da seleção que conquistara a Copa no Brasil), e possuía 9 conquistas no campeonato do Uruguai. Sporting (POR) – Campeão português de 1951, dez vezes campeão nacional (na última década, tinha sido campeão em 41/44/47/48/49/50), sendo o representante designado pela federação portuguesa. Juventus (ITA) – Campeão italiano da temporada 49/50, com 8 conquistas no campeonato nacional, e que tinha em seu elenco 7 jogadores da Azzurra e um da seleção sueca, e fora designado pelo próprio Barassi, presidente da Federação Italiana, para representar o futebol de seu país no torneio. Olympique Nice (FRA) – Campeão francês da temporada 50/51, o melhor clube da França, onde jogava o popular Ieso Amalfi, o brasileiro que era o astro número 1 do futebol francês naquela temporada. Estrela Vermelha (IUG) – ele não era o campeão iugoslavo de 50 – acabaria se tornando o campeão de 51 -, mas era o Tricampeão da Copa da Iugoslávia (48/49/50), além de ser a base da seleção que estivera no Brasil na Copa de 50, e fora designado pela própria Federação de Belgrado como o representante melhor qualificado do futebol iugoslavo. Austria Wien (AUS) –Bicampeão austríaco (48/49 e 49/50), quatro vezes campeão da Áustria, tinha em sua equipe 10 jogadores que integravam a seleção austríaca – o Rapid Viena era o campeão de 50/51, mas, por problemas ocasionados em outras competições, a CBF o vetara e Barassi nem sequer o convidara – Diário da Noite, 06/51.
E com essas equipes já acertadas para o torneio, a imprensa alertava: “Nada de otimismo exagerado para o Mundial de Campeões”. Mesmo com muitos triunfos internacionais dos clubes brasileiros diante de clubes estrangeiros, mesmo com o futebol brasileiro atravessando um período áureo, não se podia achar que estava tudo azul… e que o título de campeão mundial de clubes já estava no papo.
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E tudo ia se acertando, se encaixando… as providências todas iam sendo tomadas… E formavam-se as comissões para o Torneio Mundial dos Campeões.
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A Comissão de Imprensa também seria formada e, para isso, estariam reunidos na sede da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) os cronistas credenciados.
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O Ministro das Relações Exteriores do Brasil telegrafaria para todos os embaixadores brasileiros em países cujos campeões participariam do Torneio Mundial, para que facilitassem no que fosse necessário as citadas delegações.
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Os gastos com a Copa Rio, segundo informava a CBD, atingiam cerca de 12 milhões de cruzeiros. Os dirigentes esperavam lucros com o torneio, mas havia os que profetizavam (eles existem em qualquer época) que o torneio daria prejuízo – se ele seria um torneio rentável parecia ser uma das coisas que a Fifa queria observar nesse primeiro mundial.
Enquanto o país todo acompanhava e aguardava o torneio, Rio e São Paulo fervilhavam de ansiedade, aguardando a chegada das delegações. Palmeirenses, vascaínos e os demais torcedores brasileiros não viam a hora de ver a bola rolando no mundial de clubes. Os jogadores de Palmeiras e Vasco não viam a hora de entrar em campo.
A CBD e a FIFA, repetindo a decisão da Copa do Mundo, oficializaram a bola para a Copa Rio… A SUPERBALL, a mesma bola utilizada na Copa do Mundo, seria a bola oficial no 1º Torneio Mundial de Campeões (Ainnn, mas não era mundial). E, para atender ao regulamento, Maurício Fucks foi pesar e medir as “Superballs” e colocar a sua assinatura em cada uma delas.
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…………… Havia gente da imprensa que procurava desmerecer o Mundial de Clubes, desmerecer as equipes estrangeiras que iam participar do torneio… Havia um jornal, ou melhor, havia um cronista, que não assinava o que escrevia (devia ser avô de algum desses “jornaleiros” atuais), que tentava confundir o fato de o Torneio Mundial de Clubes Campeões também ser chamado pelo nome do seu troféu, “Copa Rio”, como se o segundo anulasse o primeiro (da mesma forma que, levianamente – ou por ignorância – fazem alguns agora, quase 70 anos depois), havia quem achasse que não deveria mais ser considerado um torneio mundial. E Mario Filho – o idealizador do torneio -, em sua coluna no jornal, esclareceria os fatos e o ‘certo cronista’…
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“O campeonato do mundo de futebol é Taça Jules Rimet. O campeonato mundial de clubes é “Taça Rio”. Só que o campeonato mundial de Futebol já foi “Coupe du Monde”, e o campeonato mundial de clubes nunca deixou de ser “Copa Rio”. “COPA RIO” É O NOME DA TAÇA. Sempre se chamou o mundial de clubes de “Copa Rio” e “Copa Rio” de mundial de clubes” , Mário Filho. – Duas notas sobre o mundial de clubes ou “Copa Rio”, Jornal dos Sports, 16 de Junho de 1951.
…………. Mas são “juquinhas” da vida que, quase 70 anos depois, juram que sabem mais sobre o torneio do que o jornalista que o idealizou e que apresentou a ideia do torneio aos dirigentes da FIFA, juram que sabem mais do que as notícias contaram sobre o torneio na época em que ele aconteceu.
Não havia no mundo um torneio entre clubes que fosse mais importante do que a “Copa Rio”. Em importância no cenário futebolístico só a Copa do Mundo era maior do que o mundial de clubes que estava sendo organizado no Brasil. E Mario Filho contava em sua coluna, que tinha encontrado um aliado em Ottorino Barassi, que o dirigente via o estádio com os mesmos olhos dele, Mario Filho. E quando ele falara com Barassi sobre o mundial de clubes, antes de dizer “sim” ou “não”, Barassi lhe perguntara quanto ele achava que renderia o campeonato do mundo. E quando Mario Filho respondeu que renderia uns 40 milhões, Barassi, então, lhe apertara a mão. ………
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Sim, a Copa do Mundo de seleções era o torneio de maior expressão no planeta. E, por isso mesmo, alguns membros da Fifa temeram que esta nova competição de relevo mundial, por levar o nome de mundial também, prejudicasse o sucesso das futuras Copas do Mundo (Taça Jules Rimet), lhes tirasse algum brilho – a Copa do Mundo era, e tinha que continuar sendo, a maior e mais importante competição do planeta -, mas fora o próprio presidente da FIFA, Jules Rimet (o Jornal dos Sports publicaria isso depois), quem afirmara que não havia motivo para tantos receios.
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Era um mundial de clubes desde que fora idealizado, concebido – as notícias dos jornais, de vários jornais diferentes, nos contam essa história. O primeiro mundial de clubes a ser realizado. E era no Brasil… E o Brasil, que ainda não conquistara nenhum título mundial, e ansiava por uma conquista assim, aguardava e contava as horas para o início do torneio…
“Pronto. Está tudo feito. Agora é esperar que esses poucos, pouquíssimos dias se escoem. Cada meia-noite passada, sendo um dia a menos. E então começará a romaria diária ao aeroporto do Galeão. Será a chegada dos concorrentes ao torneio mundial dos campeões. Candidatos à primeira posse da Copa Rio. Uruguaios, italianos, franceses, iugoslavos, austríacos, portugueses. Sim, também os portugueses. Para alegria de quantias que ansiavam por uma reaproximação que já estava tardando. Iremos, pois, uma porção de vezes ao aeroporto para receber os nossos hóspedes. Seis clubes estrangeiros. Meia dúzia que, com nossos Vasco e Palmeiras, totalizarão oito concorrentes ao primeiro Torneio Mundial de Clubes Campeões. Tal como havia sido previsto. Pensara-se inicialmente em oito, mesmo antes da Copa do Mundo de cincoenta. E oito são os que virão.
Não foi sopa, porém, para trazer ao Rio esses oito concorrentes. Que o diga Ottorino Barassi, o operoso dirigente da Federação Italiana e da FIFA. O Herbert Moses do futebol internacional pela faculdade de onipresença. Teve de andar de Herodes para Pilatos a fim de não fracassar. Parecia até o combinado São Paulo-Bangu, hoje aqui, amanhã ali. E como Barassi é homem que não está acostumado a fracassar, teve de meter os peitos. Afinal, conseguindo resolver tudo a contento. E ninguém poderá negar o mérito que esse italiano teve para um certame praticamente já vitorioso. Porque o mais difícil está feito. Agora é esperar o momento do início da festa”, escreveu Everardo Lopes para o Jornal dos Sports, em 16 de Junho de 1951).
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Sim, seria uma festa, disso todos tinham certeza… os brasileiros estavam inteiros nisso, de coração… mas será que dessa vez o anfitrião ficaria com o título? Será que dessa vez a Copa ficaria no Brasil?
“A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória…” – Cícero ………
1951 chegara… a Europa, ainda cheia de escombros, ia se refazendo dos estragos da guerra, mas continuava sofrendo pelo horror vivido, sofria com a falta de dinheiro… Em outro ponto do planeta, norte-coreanos e chineses, em guerra com a Coréia do Sul, capturavam Seul… A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) preparava a sua segunda temporada de F1, que, na época, era disputada só no continente europeu e em apenas oito corridas (um campeonato com 21 corridas, como aconteceria décadas depois, era impensável naquele tempo em que as viagens eram mais complicadas e sair da Europa era muito difícil)…. Na Argentina, aconteceriam os primeiros Jogos Pan-americanos… e em terras brasilis o primeiro Mundial de Clubes era organizado.
E nesse início de Janeiro, o Mundial de Clubes era o assunto do universo futebol… No Jornal dos Sports, a coluna de Pierre Rimet informava que o presidente da FIFA afirmara que “A Copa Rio”, Torneio Mundial dos Clubes Campeões, deveria bisar o triunfo do Campeonato Mundial de 1950″. As expectativas eram muitas…
Na primeira semana do ano, a notícia era sobre a chegada, nos próximos dias, de Ottorino Barassi – o dirigente da Fifa e presidente da Federação Italiana – que mantinha estreita ligação com a CBD e vinha ao Brasil para ultimar providências para a realização do 1º Torneio Mundial de Clubes Campeões (Jornal do Brasil – 06/01/51)
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No Brasil, enquanto aguardavam Barassi, os homens do Conselho Técnico da CBD se reuniam para tratar do palpitante assunto do momento: o Campeonato Mundial de Clubes Campeões. O Conselho Técnico de Futebol da CBD , sob o comando de Castelo Branco, organizava o regulamento da competição. (Correio da Manhã – 09/01/51)
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E o mundial de clubes, em sua inédita edição – o seu primeiro formato na história – já fazia tanto sucesso, antes mesmo de estar totalmente organizado, que “os dirigentes ingleses, impulsionados à modernidade por Sir Stanley Rouss e Mr. Arthur Drewry, queriam/se decidiam a organizar, em 52, um Torneio Mundial de Clubes Campeões mais ou menos idêntico ao torneio idealizado por Mario Filho”, que se realizaria no Rio de Janeiro naquele ano.
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Até o comércio pegava carona na grande badalação que era o Torneio Mundial dos Campeões… e fazia ofertas com “Preço Campeão”…
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Em 30 de janeiro, vindo de Roma, Ottorino Barassi, presidente da Federação Italiana de Calcio e vice-presidente da FIFA, chegava ao Brasil para tratar com a CBD dos assuntos do torneio mundial – (Jornal dos Sports, 30/01/51).
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Fevereiro mal iniciara e a CBD já se reunira outra vez, e exclusivamente por causa do Campeonato Mundial de Clubes Campeões. E ficou decidido que no torneio seriam dois grupos de quatro times cada um. Vasco e Palmeiras seriam os cabeças de chave do grupo do Rio de Janeiro e de São Paulo respectivamente (com jogos no Rio e em São Paulo, a recém inaugurada Via Dutra, que ligava os dois estados, facilitaria a vida de muitos torcedores). Faltava Ottorino Barassi definir os demais participantes.
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Barassi, que tinha ido à Argentina, chegava ao Brasil mais uma vez e, no mesmo dia, esteve na CBD conversando com os dirigentes e com os jornalistas credenciados. E, embora por aqui se especulasse muito sobre os países que participariam do mundial de clubes, durante a conversa, Barassi e CBD combinaram que, dentro de alguns dias, eles se reuniriam mais uma vez para acertarem quais países, por intermédio de seus clubes campeões, seriam convidados a participar do torneio.
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O CND (Novo Conselho Nacional de Desportos) estudava até a possibilidade de reatar relações com a AFA, a Associação de Futebol da Argentina, estudava aceitar o apaziguamento insinuado pelo chanceler argentino Jesus Paz, e convidar o Racing para o torneio – as relações haviam sido cortadas depois que os argentinos, sem maiores explicações, se recusaram a participar da Copa do Mundo no Brasil (Jornal da Noite, edição 050591) – na verdade, segundo o que diziam alguns, a explicação existia sim, e a recusa da Argentina em participar se dera pelo fato de a Copa ser no Brasil, e a Argentina querer sediar a Copa.
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Barassi ‘quebrava a cabeça’ para fechar a parte dos europeus que viriam para o mundial – como era o primeiro torneio no gênero, o primeiro mundial de clubes, e não havia um critério determinado, os participantes tinham que ser convidados, não havia outro jeito, e como a Europa ainda vivia muitas dificuldades pós guerra, ficava mais difícil ainda. O dirigente adiantava que Uruguai, Itália, Inglaterra, Portugal e Espanha estavam entre os países que seriam convidados, e ele acreditava que todos aceitariam (como constataríamos depois, Uruguai, Itália e Portugal aceitariam sim o convite do dirigente da Fifa). Barassi achava que, muito provavelmente, a outra vaga acabaria sendo da Suíça.
Em Portugal, uma notícia equivocada (falsa) dizia que o mundial não mais se realizaria e que teria sido Jules Rimet a afirmar isso, mas a CBD desmentia e garantia que a realização do mundial estava firme – Jules Rimet também desmentiria e esclareceria o assunto depois.
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A organização do mundial – programado desde Julho de 1950, e cuja ideia existia desde Março desse mesmo ano e contava com a concordância de todos os presidentes de clubes brasileiros -, ia encorpando…
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Era uma novidade a cada dia… Dois árbitros ingleses – um deles, que estivera apitando na Copa do Mundo – estariam entre os árbitros do Mundial dos Campeões, e Barassi, por telefone, adiantava que um time da Áustria deveria participar do torneio. Barassi também informava que Mr. Stanley Rouss viajaria para o Brasil em sua companhia para integrar a comissão organizadora do torneio.
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O frisson pelo mundial prestes a acontecer era cada vez maior no Brasil. Os dias se tornavam ansiosos, inquietos… E como os participantes europeus ainda não estavam definidos, as especulações, como não poderia deixar de ser, eram muitas… mas já se podia quase afirmar que Itália, Iugoslávia, Portugal e Uruguai mandariam os seus representantes – o futebol italiano e o uruguaio eram bicampeões do mundo. Em relação à Espanha, a derrota para o selecionado brasileiro na Copa, por 6 x 1, e a grande significação da Copa Rio – era uma “outra Copa do Mundo” – deixava inseguros os seus representantes quanto a disputar o Mundial de Clubes. Atletico de Madrid, campeão espanhol, e o Barcelona, campeão da Copa Generalíssimo Franco, achavam impossível vencer no Brasil. E depois de a Portuguesa ter vencido o campeão espanhol em Madrid, o futebol espanhol acabou convencido da absoluta superioridade do futebol brasileiro. Além disso, achavam que o Mundial de Clubes serviria apenas para que o Brasil reeditasse a goleada imposta à Espanha na Copa. No “Diário da Noite” a notícia contava que o campeão espanhol fugira do Torneio Mundial de Campeões.
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Era quase confirmada a ausência da Inglaterra (por problemas financeiros o Tottenham acabaria declinando do convite) e, em seu lugar, diziam, deveria participar a França. A Áustria, cujo campeão, o Austria Wien, derrotara o campeão inglês, também queria participar. A participação da Iugoslávia, Portugal e Itália estavam asseguradas.
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Junho, mês em que o mundial teria início – a partida de abertura seria no dia 30 -, estava quase chegando… e aconteceria mais uma conversa da diretoria da CBD com o Presidente da República, Sr. Getúlio Vargas, que nesse ano de 1951, estava em seu segundo mandato como o 17º presidente do Brasil – dessa vez eleito pelo voto direto.
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O Nacional, do Uruguai – país cuja seleção atravessara a faca no coração dos brasileiros na Copa do Mundo -, pediu à CBF o regulamento e alguns esclarecimentos sobre ele, a fim de poder confirmar a sua inscrição. E era muito grande a expectativa e a alegria, dos brasileiros pela participação do time campeão uruguaio de 50 no Torneio Mundial de Clubes Campeões… era grande a vontade de enfrentar os uruguaios mais uma vez.
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Durante os primeiros meses desse novo ano em que o mundial era organizado, o Brasil ganharia 32 medalhas no primeiro Pan-americano (5 de ouro, 15 de prata e 12 de bronze), ficando em 5º lugar… o “Trio de Ouro” faria sucesso com a música “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues… Juan Manuel Fangio, no Grande Prêmio da Suíça, em Maio, conquistaria o seu primeiro campeonato na Fórmula 1… O Palmeiras, que se sagrara campeão da Taça Cidade de São Paulo 1950, campeão Paulista de 1950 – o campeonato terminara em Janeiro de 51 -, conquistaria ainda o Torneio Rio-São Paulo de 1951 – com alguns resultados muito expressivos, como a goleada de 7 x 1 no Flamengo (a maior goleada , até hoje, no confronto entre os dois clubes), 4 x 1 na Portuguesa, 4 x 2 no Bangu, 3 x 0 no São Paulo, 4 x 1 no Vasco (o outro participante brasileiro do mundial e favorito ao título para muita gente) e as duas vitórias decisivas sobre o Corinthians por 3 x 2 e 3 x 1 – conquistaria também a Taça Cidade de São Paulo 1951 onde derrotou o São Paulo por 3 x 2 e goleou o time do Santos por 6 x 2. Com quatro títulos disputados e conquistados, o Palmeiras ia agora em busca da sua quinta coroa… o titulo do Torneio Mundial de Clubes Campeões.
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O campeonato paulista de 51, que teria início em 02 de junho, por determinação da CBD seria paralisado para que o Torneio Mundial de Clubes Campeões fosse disputado…
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Os meses passavam rapidamente, os dias corriam apressados, tagarelas, ansiosos… os torcedores brasileiros sonhavam com o mundial… um rapaz de vinte anos, que no futuro viria a ser o meu pai, e me daria por herança o verde dos meus olhos e o sangue verde que corre em minhas veias, sonhava com o Palmeiras conquistando esse grandioso torneio… sonhava com dribles, com gols de Jair da Rosa Pinto, com defesas do seu grande ídolo, Oberdan Cattani (“ele pegava a bola com uma mão só”, me contaria ele anos depois), sonhava com a faixa de campeão mundial em peitos palestrinos… sonhavam também os jogadores do Palmeiras, os do Vasco… sonhavam os palmeirenses, os vascaínos… sonhavam todos os brasileiros… já era chegada a hora de preparar a alma pra ser feliz…
Falar em ‘fáquis’ é o consolo dos incompetentes – Victor Hugo
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Fogão de lenha, fogão a gás, fogão elétrico… fogão Telefone fixo, telefone sem fio, celular… telefone Zezinho, Zezão, Seu Zé, Vô Zé… José Taça Jules Rimet, Copa do Mundo da FIFA… Copa do Mundo Taça Brasil,Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Robertão, Taça de Prata, Campeonato Nacional de Clubes, Copa Brasil, Taça de Ouro, Copa União, Campeonato Brasileiro, Copa João Havelange, Campeonato Brasileiro Série A… campeonato brasileiro
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Eu sei que o Palmeiras deve provocar artrose em muitos cotovelos, sei que deve ser difícil querer ultrapassá-lo em algumas coisas – fazer um monte de trapaças pra isso, comprar títulos, ser basicamente sustentado por cotas de emissoras de TV, por dinheiro público, pelo apito, ter o lobby de toda a imprensa – e não conseguir…
Também sei que deve ser desconfortável para alguns admitirem que houve um período áureo no futebol brasileiro – período de craques maravilhosos, de lendas como Ademir da Guia, Djalma Santos, Julinho Botelho, César, Valdir de Morais, Dudu, César Maluco, Leão, Eurico, Gerson, Tostão, Garrincha, Gilmar, Nilton Santos, Manga, Coutinho, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, De Sordi, Rivellino, Dorval, Pepe, Pelé… – e que seus times nada conquistaram nos campeonatos disputados nesse período; alguns, não conseguiram nem mesmo um campeonato estadual que os classificasse à disputa maior – e ser campeão paulista nesse período, por exemplo, não era pra qualquer um. Pra esses, é mais fácil acreditar que não havia futebol nessa época, que não havia campeonatos em que se confrontavam os grandes times e craques do país (em quatro copas disputadas nesse período – 12 anos – em que o futebol “não existia”, o Brasil, graças aos craques maravilhosos que brilharam nos campeonatos que “não existiram”, ganhou três delas)… para esses, é mais fácil querer apagar as conquistas de outros clubes.
O Palmeiras foi considerado o Campeão do Século XX por conta de tudo o que fez/conquistou/representou para o futebol brasileiro nesse século (e até que se chegue em 2100, e apareça o “campeão do século XXI”, o Palmeirascontinuará a ser o único clube brasileiro a ostentar esse título), é eneacampeão brasileiro, é o maior campeão nacional (13 conquistas); é o clube com a história mais bonita…
O Palmeiras foi o primeiro campeão mundial de clubes – parou, emocionou, arrebatou e encheu de orgulho um país inteiro com essa conquista. Um milhão de pessoas foram às ruas para festejá-lo. Criaram até uma cachaça – bem famosa hoje em dia – em homenagem à essa conquista…
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O Verdão foi o primeiro, dentre todos os times do futebol brasileiro, a ter um treinador de goleiros; é o clube que teve o maior número de craques e ídolos; teve duas “Academias” (times maravilhosos e, por isso, chamados assim); foi o clube que, do goleiro ao ponta esquerda, e incluindo o técnico, representou a seleção brasileira, com muita categoria, vencendo a temida seleção uruguaia por 3 x 0 na inauguração do Mineirão…
O Palmeiras atual tem a melhor arena multiuso do país, uma das melhores do mundo – sem dinheiro público -, e muito bem localizada em São Paulo; é um clube que se reestruturou nos últimos 4 anos, tem as suas receitas bastante equilibradas, sem ser sustentado/ser dependente de apenas uma delas, de cotas de TV, ou do dinheiro público de bancos estatais, como acontece com alguns; é o clube que conseguiu um ótimo contrato de patrocínio máster; os naming rights de sua arena foram vendidos rapidamente e sem dificuldade alguma por centenas de milhões, e para uma grande empresa estrangeira; o clube paga salários em dia (tem clube por aí que deve até as marmitas); tem uma Academia de Futebol maravilhosa, tem um Centro de Excelência de primeiro mundo – nenhum outro clube no país possui um igual… e tem uma torcida linda, apaixonadíssima por ele, que enche o Allianz Parque e faz com que o Avanti seja um dos melhores programas de Sócio-Torcedor do país… que faz com que a receita com bilheteria seja maior até mesmo do que o alto investimento do patrocínio máster…
É até compreensível – mas não é honesto – que tentem diminuí-lo. No entanto, torcedores rivais – os da imprensa, inclusive – parecem se sentir melhor agindo assim.
E inventam qualquer coisa, noticiam qualquer coisa… mentiras e mais mentiras na tentativa de diminuir o gigante verde, na tentativa de desmerecer as suas conquistas. Mentiras, que não convencem nem mesmo aos mentirosos que as propagam. E, se aproveitando dos muitos nomes que o campeonato brasileiro já teve ao longo de sua história, e como se antes de 1971 (1990 para alguns) só disputássemos torneios estaduais no país, surgiu o “Ainnn, os títulos nacionais do Palmeiras são títulos de fáquis”…
Mas que fax ‘mizeravi’ de bom esse, não? rsrsrs.
As taças de quatro campeonatos do Palmeiras (e inúmeras outras, de outros clubes campeões), as medalhas e faixas de campeão, as centenas de partidas que foram disputadas, as vitórias sobre os times rivais (que também participaram de alguns desses campeonatos, mas não tiveram competência para conquistá-los)… as rendas, o público das partidas, as notícias dos jornais da época, as fotos… os craques todos, Ademir da Guia, César, Djalma Santos, Julinho Botelho, Valdir de Moraes, a Primeira Academia, Pelé, Gerson, Jairzinho, Garrincha, Tostão, Félix, Rivellino, Carlos Alberto Torres, Cafuringa, Raul, Dirceu Lopes… os seus dribles, as jogadas maravilhosas, as grandes defesas, os gols inesquecíveis, as comemorações, os gritos e aplausos das torcidas, as suas lágrimas de alegria… tudo isso veio no fax – até mesmo o milésimo gol de Pelé… veja só! Passou tudo pelo fax. E, por sorte, ninguém se machucou, os troféus não se quebraram… Como diria Duduzinho: Ah, Grazadeus…
E apesar da farta documentação disponível, alguns “jornaleiros” atuais – que há algum tempo nem pensavam em questionar essas conquistas, muito pelo contrário -, ainda teimam em negar as evidências, os fatos, as fotos, os troféus, os relatos, as imagens… teimam em negar o que a história do futebol brasileiro escreveu, colocando em dúvida ou tentando desmentir o que brilhantes jornalistas esportivos, alguns deles, lendas do jornalismo, escreveram na época dessas competições. Negam/ignoram Nelson Rodrigues, João Saldanha, Ney Bianchi (o único a ganhar três vezes o Prêmio Esso de Informação Esportiva), Armando Nogueira, Thomaz Mazzoni, Mauro Pinheiro… Os caça cliques de hoje, no seu jeitinho tão “goebbels” de ser, se esmeram em tentar apagar parte da história do futebol, parte da história de clubes e de ídolos inesquecíveis… Querem apagar até mesmo o trabalho de jornalistas notáveis, nos quais deveriam se espelhar pois teriam muito o que aprender…
E esquecem até mesmo o que noticiavam há não tanto tempo assim…
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Vamos dar uma voltinha na história do futebol brasileiro…
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Campeonato Brasileiro de 1960 – a Taça Brasil
Desde 1952, a Fifa havia autorizado a CBD a criar a Taça Brasil. Enrola aqui, espera ali, o tempo foi passando, foi passando… e a competição nacional ainda não havia sido criada (o calendário trienal – até 58 – já estava aprovado e não podia sofrer alterações por causa da Copa do Mundo de 1958). Mas a Conmebol, sem querer, acabou apressando os brasileiros… em 1959, ela criou a Taça Libertadores da América (que já teve seu nome mudado e continua sendo a mesma competição, tá?). E se o Brasil não tivesse um campeonato nacional, não teria como mandar um representante para a competição da Conmebol (precisa desenhar?). E, então, em 1959 mesmo, a Taça Brasil – o campeonato nacional, que daria ao Brasil o representante único para a Libertadores – foi criada. O Bahia foi o campeão nesse ano, foi o primeiro campeão brasileiro. Você sabia disso?
‘Santos. Bahia. Decisão hoje à noite da Taça Brasil. Será conhecida no Maracanã a equipe campeã brasileira entre clubes’(Capa de A Gazeta Esportiva de 29 de março de 1959).
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“O futebol do Norte do país voltou a brilhar. Depois da atuação da Seleção de Pernambuco no Campeonato Brasileiro, ficando em segundo lugar, foi a vez do E. C. Bahia vencer a Taça Brasil, o primeiro campeonato brasileiro de clubes” (A Gazeta Esportiva, 30 de março de 1959)
“Bahia, primeiro campeão do Brasil de todos os tempos, um título único e inédito de uma importância sem igual. Uma odisséia fantástica do Esporte Clube Bahia, quase desacreditado depois da derrota em Salvador, vitorioso e inconstante no Rio de Janeiro, no templo do futebol, o Maracanã, contra o maior time do mundo” (O Globo, matéria assinada por Ricardo Serran, 1º de abril de 1960)
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A Taça Brasil foi a primeira competição nacional de clubes de futebol do Brasil a dar ao seu vencedor o título de campeão brasileiro, e, como se pode observar pelas notícias, isso não apareceu depois não, já na época de sua disputa era assim, o vencedor da Taça Brasil era considerado o campeão brasileiro (ela foi criada no ano em que surgiu a ponte-aérea – não existiam voos como os que temos agora. Viajar pelo extenso território brasileiro, fazer um torneio em outros moldes, era bem mais complicado).
IMPRENSA – A testemunha mais importante, que registrou todos os acontecimentos, do jeitinho que eles aconteceram (no entanto, atualmente, os que entendem por jornalismo “caçar cliques e polêmicas nas mídias sociais”, “se indispor com torcedores”, “fazer estatísticas inúteis”, “distorcer notícias”, “abusar de meias verdades”, querem desdizer o que foi dito, querem desfazer o que foi feito).
‘Taça Brasil na fase decisiva. Santos x Grêmio hoje na Vila. Chega, afinal, à sua fase de maior interesse, a Taça Brasil, destinada a apontar o campeão nacional interclubes. E o Santos, na qualidade de campeão paulista de 1958, terá a responsabilidade de enfrentar o Grêmio portoalegrense, que é tricampeão do Rio Grande do Sul’(A Gazeta Esportiva, chamada de capa, 17 de novembro de 1959).
Bahia, depois de vencer o Vasco, terá de enfrentar amanhã o Santos. Em plena luta pelo Campeonato Paulista, do qual é líder absoluto, o Santos, amanhã, será obrigado a se empenhar em um compromisso diferente, este valendo pelo título de campeão do Brasil. Para esta noite, com início às 21 horas, está marcada a partida entre o Santos F. C. e o E. C. Bahia, iniciando a série final relativa à Taça Brasil. Trata-se de um choque dos mais sugestivos, desde que reunirá dois esquadrões em situação de singular prestígio’(A Gazeta Esportiva, título de página, 8 de novembro de 1959).
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‘Santos vence e é campeão. Em partida válida pela Taça Brasil, e na qual sete jogadores foram expulsos de campo, o Santos derrotou o Vasco da Gama por 1 a 0, ontem à noite, no Maracanã, sagrando-se pentacampeão brasileiro’(O Estado de S. Paulo, 9 de dezembro de 1965).
‘Carnaval chega em Belo Horizonte com o Cruzeiro. Chegada do Cruzeiro foi festa até de manhã. Cidade em festa. Do alto dos edifícios a população mineira jogava confetes, serpentinas, papéis picados, jornais rasgados, além de agitar freneticamente os lenços brancos do sucesso. Gritos de `Viva o Cruzeiro´ ecoavam do alto dos prédios repletos de pessoas e totalmente acesos. Até nas repartições públicas, embora não tenha havido expediente, viam-se pessoas jogando papel picado. O povo comemorou com grande carnaval a chegada do campeão do Brasil, tributando-lhe a maior homenagem e toda a sua vida. Pode-se garantir que nenhum clube mineiro teve tão elevado acolhida como o Cruzeiro, ontem à noite, ao chegar de São Paulo, às 19h45m, em um Viscount, da Vasp. Foram precisos mais de 100 policiais para impedir a aproximação do público do avião’(Jornal dos Sports, matéria de página inteira, 8 de dezembro de 1966).
‘… Neco – Um marcador implacável. Agüentou a carga física de Amauri no primeiro tempo e a vivacidade dispersiva de Dorval no segundo, saindo sempre do lance para jogar. É uma peça sóbria e eficiente do campeão brasileiro de clubes’(Jornal dos Sports, 8 de dezembro de 1966).
Ainnn, mas não era campeão brasileiro… buááááá
E o campeonato nacional seguia moldes semelhantes aos da Taça da Europa, que só permitia a participação de campeões nacionais dos países europeus e do campeão de sua última edição. Era disputada pelo sistema eliminatório, com confrontos diretos de ida e volta que classificavam a equipe com melhor saldo de gols. O diferencial da Taça Brasil foi ter os campeões dos estados e um terceiro jogo, em caso de igualdade, após as partidas de ida e volta.
No ano seguinte, em 1960, foi jogada a segunda edição desse torneio com a participação de dezessete campeões estaduais do ano anterior que se enfrentaram em sistema eliminatório de ida e volta (o qualifying era ser campeão estadual, e ser campeão paulista naquela época, por exemplo, não era fácil não – se o seu time não foi campeão estadual nesse ano, é por esse motivo que ele não participou, e não porque o torneio não existiu, ou não valia).
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Os times de SP e RJ, por serem mais fortes e terem o maior número de craques, entravam nas semifinais do campeonato – assim como acontece atualmente no mundial da Fifa com o campeão da América e o campeão da Europa. O Palmeiras teve uma tarefa bastante difícil para conseguir participar da Taça Brasil. Disputou 41 jogos no campeonato paulista – 3 deles na dificílima final contra o Santos, de Pelé. Foi o campeão paulista, e, depois, sagrou-se campeão da Taça Brasil, enfrentando o Fluminense em uma das semifinais, ganhando o primeiro jogo e empatando no jogo da volta. Na final, escalado com Valdir, Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar, Jorge, Zequinha, Chinesinho, Julinho Botelho, Romeiro, Humberto e Cruz, comandados por Osvaldo Brandão (saiu do fax o grande Brandão também), o Palmeiras enfrentou o Fortaleza e o venceu nos dois jogos – 3 x 1 na casa do adversário e 8 x 2 no Pacaembu – SEM APITO – faturando seu primeiro Campeonato Brasileiro da história. ……….
Ainnn, mas não tinha campeonato nacional nessa época… Ainnn, não era campeão brasileiro quem conquistava a Taça Brasil…
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Não era por acaso que a bandeira do Brasil era a primeira a ser carregada na volta olímpica…
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Palmeiras com muito orgulho Campeão do Brasil. A Taça Brasil de clubes campeões do Estado, disputada desde 1959, elegeu a Sociedade Esportiva Palmeiras, pela segunda vez, o quadro campeão brasileiro de futebol, título conquistado ontem diante do Náutico(texto de um poster publicado por A Gazeta Esportiva, 30 de dezembro de 1967).
E tá pensando o quê? Mesmo naquela época o fax chegava longe…
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O fax ‘mizerávi’, como você pode ver, levou o “Palmeiras Campeão Brasileiro” até para a França…
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Por essa, nem o Juquinha esperava… rsrsrs O ‘Jumento-Falante’ também não. Mas esse mal sabe ler mesmo…
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1967 – Mas como pode ser campeão brasileiro duas vezes no mesmo ano?
Do mesmo jeito que se pode ter dois campeões mundiais de clubes no ano 2000… do mesmo jeito que, por vários anos, tivemos dois campeões paulistas no mesmo ano, dois campeões cariocas no mesmo ano… do mesmo jeito que, durante um bom tempo (e até 2013), foram dois campeões argentinos no mesmo ano (torneio Apertura e Torneio Clausura)…
Assim como a Fifa, por exemplo, teve dois campeonatos mundiais, de formatos diferentes, no ano 2000 – o campeonato intercontinental de clubes, que já existia e era disputado todos os anos entre o campeão da América e o campeão da Europa, e o outro, criado em 2000 (a pedido da Hicks Muse e da Traffic, e sem jamais ter tido uma segunda edição), a CBD, com a criação do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967, teve dois campeonatos nacionais, de formatos diferentes, disputados no mesmo ano, e por dois anos seguidos: a Taça Brasil e o Robertão – o novo torneio.
Assim como a Fifa aproveitou algumas coisas daquele mundial de 2000 (mesmo reconhecendo que o torneio fora um erro – o campeão da América de 99 não participou da disputa, o campeão da Ásia de 99 também não, havia dois times do mesmo país, teve clube convidado, sem ter nenhuma conquista sul-americana, o campeão jogou todo o torneio em seu próprio país) e corrigiu o formato do campeonato que era disputado todos os anos, o melhorou, para o que viria a ser o formato do atual Mundial de Clubes da FIFA -, em 1967, a CBD, de João Havelange, criou um novo formato de disputa do Campeonato Brasileiro, o ‘Torneio Roberto Gomes Pedrosa’.
E, da mesma forma que a Fifa reconhece dois campeonatos e dois campeões mundiais de clubes em 2000 (se, por exemplo, o time do Parque São Jorge tivesse conseguido passar pelo Palmeiras na semifinal da Libertadores de 2000, e tivesse conquistado o torneio, teria tido chances de conquistar dois mundiais no mesmo ano), a CBF reconhece como campeão brasileiro o vencedor do Torneio Roberto Gomes Pedrosa-1967 e o vencedor da Taça Brasil-1967 (a nona e a décima edição, respectivamente, do campeonato brasileiro). O Palmeiras, por acaso, por bom futebol e, diga-se de passagem, sem apito, venceu os dois.
Por duas temporadas, Taça Brasil e Robertão dividiram o calendário – a primeira foi extinta depois de 1968. Além de o Robertão se mostrar mais interessante em seu formato, de chamar mais a atenção das torcidas e, consequentemente, atrair mais público, gerar mais rendas, a Taça Brasil de 68, após um impasse entre dois clubes participantes, foi terminar… em outubro de 1969. Por causa desse atraso, e porque o campeonato, devido à sua demora, não indicaria os representantes à Libertadores de 1969, Palmeiras e Santos acabariam abandonando a competição daquele ano.
‘A Taça Brasil foi extinta em 1968 porque o ampliado Roberto Gomes Pedrosa – o Robertão – jogado a partir de 1967, no início com 15 clubes, passou a concentrar as atenções das torcidas e a ocupar o calendário esportivo. No Campeonato Brasileiro – assim considerado a partir de 1967, com o Robertão, ou Taça de Prata – , estamos valorizando, além do título de campeão, os vice-campeonatos, coerentes com a posição de que deixar de ganhar um título não deve ser encarado necessariamente como uma tragédia’(exclusivo. O 1º Ranking do Futebol Brasileiro. Ranking do Cinqüentenário. Matéria de capa, de 10 páginas, publicada na edição 658 da revista Placar, em 31 de dezembro de 1982 – por que será que a Revista Placar teve ‘amnésia’ anos depois quando fez um outro ranking, não?).
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Campeonato Brasileiro de 1967 – Torneio Roberto Gomes Pedrosa
O Campeonato Brasileiro de Futebol de 1967, originalmente denominado Torneio Roberto Gomes Pedrosa (o mesmo nome – e só o nome – de um campeonato que já existia anteriormente e era disputado entre paulistas e cariocas), também conhecido por Robertão (passou a ser chamado Robertão quando o caráter da disputa passou a ser nacional), foi a nona edição do Campeonato Brasileiro e o primeiro Torneio Roberto Gomes Pedrosa a apontar um campeão brasileiro.
Esta edição contou com a participação de quinze clubes representando cinco Estados. Na fórmula da Taça Brasil, onde só os campeões dos estados podiam participar, muitos clubes de SP e do RJ ficavam de fora. Em São Paulo, por exemplo, durante o período em que a Taça Brasil fazia campeão brasileiro o seu vencedor, só deu Santos e Palmeiras como campeões paulistas. O Robertão, em seu formato, permitia a inclusão de outros clubes. E, assim, o estado de São Paulo foi representado por cinco equipes (Palmeiras, Portuguesa, Santos, São Paulo e Corinthians), o Rio de Janeiro (Guanabara) também foi representado por cinco equipes (Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama), o Rio Grande do Sul por duas (Grêmio e Internacional), assim como Minas Gerais (Atlético Mineiro e Cruzeiro) e o Paraná com uma (Ferroviário).
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Os quinze participantes eram divididos em dois grupos (um com 7 equipes e outro com 8) e todos jogavam contra todos, em turno único. Depois, os dois mais bem colocados de cada grupo classificavam-se para a disputa de um quadrangular final.
Classificação – 1ª Fase ..
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Foram finalistas dois clubes paulistas (Palmeiras e Corinthians) e dois gaúchos (Grêmio e Internacional). O Palmeiras liderou o seu grupo obtendo sete vitórias, cinco empates e duas derrotas. Chegou às semifinais com o melhor ataque da competição na primeira fase — 31 gols em catorze jogos.
Cada um dos quatro classificados jogou nas semifinais contra os outros três, em dois turnos, com inversão de mando de campo. Saldo de gols, goal average e sorteio eram os critérios de desempate. O clube com maior número de pontos nesta fase foi declarado campeão.
O Palmeiras conseguiu duas vitórias e três empates (Pal 2 x 1 Int / Cor 2 x 2 Pal / Gre 1 x 1 Pal / Pal 0 x 0 Int / Pal 1 x 0 Cor)…
E no dia 8 de Junho, de 1967, na última rodada da fase final, o Palmeiras enfrentou o Grêmio, no Pacaembu, precisando apenas de um empate para ser campeão – o Internacional, que vencera o Corinthians na véspera, por 3 x 0, precisava de uma vitória do Grêmio para ficar com o título. E o Palmeiras venceu o Grêmio por 2 x 1 com dois gols (nos 30 primeiros minutos de jogo) de César Maluco (o gol do Grêmio foi de Ari Ercílio), conquistando o bicampeonato brasileiro. César Maluco (Pal) e Ademar (Fla), foram os artilheiros da competição com 15 gols cada.
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Reparou na classificação final? Percebeu como os times de um monte de gente, que diz que esses campeonatos são de fax, que diz que eles não eram competições nacionais, participou do torneio? Alguns times não terem tido competência para conquistá-los deve ser a causa da “amnésia” atual dos seus torcedores, jornaleiros ou não… Ah, fax “mizeravi”.
O Robertão/1967 foi o segundo campeonato brasileiro conquistado pelo Palmeiras (sim, ele já ganhava títulos nacionais enquanto outros clubes, com mais tempo de fundação, ainda estavam engatinhando no futebol).
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João Havelange, ex-presidente da CBD, que criou a Taça Brasil, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e o Campeonato Nacional de Clubes (1971), declarou que “as competições representavam a sequência uma da outra” e que “a Taça Brasil e o Robertão foram criados para definir o campeão brasileiro”, e disse também que “o Campeonato Nacional de Clubes – que veio depois, em 1971 – representou o prosseguimento destas competições” (Blog do Odir Cunha). Também, segundo Odir Cunha (jornalista, historiador e escritor), o surgimento do Campeonato Nacional de Clubes, em 1971, não invalidou os títulos brasileiros anteriores. Tanto é, que por muitos anos, a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa foram computados nos rankings de clubes que se fazia. João Havelange também declarou, em 2010, ser favorável à unificação dos títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa ao Campeonato Brasileiro. Em um evento oficial do Santos, ele afirmou que “se os títulos existiram é porque as competições foram oficiais e, se foram oficiais, devem ser respeitadas”.
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Campeonato Brasileiro de 1967 – Taça Brasil
Foi a décima edição do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1967 (e tem time por aí que, nessa época, ainda não tinha conseguido ganhar unzinho sequer). Foi vencido pelo Palmeiras, que conquistava na oportunidade o seu terceiro título de campeão brasileiro.
Esta edição contou com a participação de vinte e um clubes que se enfrentaram em sistema eliminatório de ida e volta, os mata-matas. Devido ao fato de o Cruzeiro ter se classificado para a disputa desta edição por ser o campeão brasileiro de 66 e, como a equipe também conquistou o Campeonato Mineiro do mesmo ano, o Atlético Mineiro, vice-campeão mineiro, acabou ficando, então, com a vaga destinada ao clube campeão do Estado de Minas Gerais.
Como a força do futebol brasileiro era bem mais concentrada em alguns estados (mais do que é hoje). Algumas equipes, consideradas mais fortes, entraram diretamente nas fases mais importantes da competição, como foi o caso do Cruzeiro, que entrou diretamente na semifinal, por ter sido o campeão de 1966. O mesmo aconteceu com o Palmeiras, pois era o campeão paulista de 1966. O Grêmio, campeão gaúcho de 1966 , o Botafogo, campeão da Taça Guanabara de 1967, o Atlético-MG, e o vice-campeão Náutico foram se incorporando nas fases mais decisivas do certame.
Mas a coisa não foi fácil para o Palmeiras. Teve que enfrentar o Grêmio, que era pentacampeão gaúcho e tinha um time muito forte. O Palmeiras foi derrotado por 1 x 2 no sul. No jogo da volta, César Maluco e a parmerada toda incendiaram o Palmeiras na vitória por 3 x 1. No jogo de desempate, nova vitória do Palmeiras, por 2 x 1.
O Palmeiras sagrou-se campeão após vencer duas, das três partidas finais contra o Náutico. Venceu a primeira, em Recife, por 3 x 1, perdeu a segunda, em São Paulo, por 1 x 2, e, na partida de desempate (em caso de igualdade, tinha que jogar uma terceira partida sim), no Maracanã-RJ, o Palmeiras de Perez; Geraldo Scalera, Baldochi, Minuca e Ferrari; Zéquinha, Dudu, César e Ademir da Guia (ele não tinha jogado a partida em São Paulo); Tupãzinho e Lula, comandados por Mario Travaglini, (esse também saiu do fax) com arbitragem de Armando Marques (mais um que apareceu via fax) e com gols de César e Ademir da Guia (os reis do fax), o Palmeiras derrotou o Náutico por 2 x 0.
O Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969, que desde 68 já era também chamado de Taça de Prata, manteve o número de 17 participantes do ano anterior. São Paulo e Rio de Janeiro eram representados por cinco equipes cada, Minas Gerais e Rio Grande do Sul por duas, Paraná, Bahia e Pernambuco com uma equipe cada. O torneio crescia… Os representantes da Bahia e de Pernambuco haviam sido incluídos em 1968, pela CBD, e o torneio passava a ser disputado por representantes de 7 estados. Com a extinção da Taça Brasil, ele passava a ser o único torneio a ter um campeão brasileiro e a mandar dois representantes (campeão e vice) à Libertadores no ano seguinte – por protesto da CBD, descontente com as mudanças das regras por parte da Conmebol, o Brasil não participaria da Libertadores de 1970.
O sistema de disputa foi mantido no brasileiro de 69. Na primeira fase, todas as equipes se enfrentaram em turno único. Os dois primeiros colocados de cada chave prosseguiram para a segunda fase e se enfrentaram em turno único também. O time que somou o maior número de pontos na segunda fase foi o campeão.
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O Palmeiras liderou seu grupo com nove vitórias, um empate e seis derrotas. Corinthians e Cruzeiro (grupo A), Palmeiras e Botafogo (grupo B) foram para o quadrangular final. …………………..
Na última rodada, em 07/12/1969, no Estádio do Morumbi, o Palmeiras enfrentaria o Botafogo precisando vencê-lo e torcendo para uma vitória do Cruzeiro sobre o Corinthians. E a vitória esmeraldina precisaria ser por uma diferença maior de gols do que a que fosse conseguida pelo Cruzeiro.
O Palmeiras entrou em campo com Leão; Eurico, Baldocchi, Nélson e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Cardoso (Serginho), Jaime, César Maluco e Pio (Copeu), comandados por Rubens Minelli; o Botafogo veio a campo com Cao; Luís Carlos, Chiquinho, Moisés (Ademir) e Valtencir; Leônidas e Afonsinho; Jairzinho, Humberto, Ferretti e Torino (Zequinha). comandados por Zagallo.
Com dois gols de Ademir da Guia, o Divino (11′ e 44′) e César (27′), o Palmeiras já vencia o Botafogo por 3 x 0 ainda no primeiro tempo. O time carioca descontou na segunda etapa e o jogo terminou 3 x 1 para o Verdão. Com a vitória do Cruzeiro sobre o Corinthians, por 2 x 1, o Palmeiras ficou em primeiro no quadrangular decisivo e foi o campeão.
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Foi o quarto título brasileiro do Palmeiras, o tetracampeonato.
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(Foi nesse campeonato que Tostão, num jogo contra o Corinthians, e depois de ser atingido por uma bolada no rosto, teve um descolamento de retina. O problema foi tão sério, que ameaçou a carreira do craque do Cruzeiro e da Seleção Brasileira, e só depois de um ano, e de uma cirurgia nos Estados Unidos, ele voltou a campo – informações e acontecimentos todos via “fáquis”).
Então, né? Palmeiras tetracampeão em 1969… o seu time poderia ter sido campeão nessa época também, assim como foi o Bahia, o Cruzeiro, o Santos (cinco vezes), mas o seu time não conseguiu ganhar nenhum… e a culpa não é do ‘fax’, e nem dos que foram campeões, é da bola que seu time jogava, ou deixava de jogar…
Odir Cunha, “desenha” direitinho para os que têm os cotovelos mais comprometidos pela “artrose”…
Está na história, os torneios foram oficiais, foram criados pela CBD com a finalidade de apontar o campeão brasileiro, a CBF sabe disso, reconhece isso – e nem poderia ser diferente.
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Não se pode apagar o que a história escreveu só porque alguns não conseguiram escrever nada…
O Palmeiras é o maior campeão do Brasil… e isso é fato. Aceitem alguns ou não.
Só passou pelo “fáquis” o que realmente aconteceu, por isso não passou nada de alguns times, a não ser as suas pálidas tentativas de conquistas nesse período áureo do futebol brasileiro…
Quando o fax é bom, é história o que ele transmite… e sem apito! 😉
“Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões” – Mario Minervino
Arrancada Heroica… 20 de Setembro de 1942…
Dia do Palmeiras em 2017 (lei 14.060)… Dia de Palmeiras em campo e campeão, pela primeira vez, em 1942…
Dia em que, há 75 anos, maldosamente pintado como “inimigo da pátria pelos que queriam se apossar de seu patrimônio e o queriam hostilizado pelos brasileiros, o Palmeiras, com origens italianas e coração brasileiro, e que por causa da perseguição aos italianos durante a Segunda Guerra teve que mudar de nome (o Brasil se alinhara aos EUA na Segunda Guerra contra os países do Eixo, portanto, contra a Itália), entrou em campo com Oberdan, Junqueira, Begliomini, Zezé Procópio, Og Moreira, Del Nero, Cláudio Pinho, Waldemar Fiume, Lima, Villadoniga, Echevarrietta e Del Debbio (técnico), ao lado do capitão do exército Adalberto Mendes, e por ideia dele, carregando uma bandeira do Brasil.
O jogo era contra o São Paulo (o clube que queria tomar o patrimônio do Palmeiras – o estádio, principalmente). Penúltima partida do Campeonato Paulista de 1942… e valendo o título. O título de um campeonato disputado quase todo pelo Palestra, líder da competição (18 jogos,16 vitórias, 2 empates, 61 gols marcados e 15 sofridos), e que faria a partida decisiva como Palmeiras, o seu novo nome…
O Palmeiras, que como a maioria imaginava, seria vaiado, seria hostilizado pelos anti palmeirenses, anti “inimigos da pátria” que estavam no Pacaembu, que seria muito pressionado – o que facilitaria a vida do adversário – tão logo entrou em campo, carregando a bandeira do Brasil, e depois de apenas alguns segundos de surpresa por parte do público no estádio, foi muito aplaudido por todos que lá estavam…
E em seu “batismo”, o Palmeiras sairia de campo imponente, honrado, admirado e campeão. Venceria o inimigo – e os seus ardis. Defenderia o seu patrimônio, o seu gol e cada centímetro de campo com o mesmo empenho, com a mesma fibra. E mostraria a todos que era tão brasileiro quanto qualquer um dos outros times brasileiros, mostraria que era digno, honrado… raça, fibra, sangue nas veias e um amor do tamanho do mundo pelo clube era(é) a receita do “ser Palestra/Palmeiras”…
Mas não foi um jogo qualquer, foi difícil, aguerrido (ao São Paulo só a vitória interessava), representava muito mais do que uma conquista de campeonato, e o Palmeiras foi melhor. E porque aquele Palmeiras, que acabava de nascer, era melhor, era maior em campo, o adversário abandonou a partida no começo da segunda etapa. Sim, o São Paulo saiu/fugiu de campo. Não teve competência e nem coragem para disputar a partida até o fim, não quis que o Palmeiras cobrasse um pênalti quando ele já vencia por 3 x 1 (Cláudio Pinho, Del Nero e Echevarrieta marcaram para o Palmeiras); não teve brio para suportar ser vencido e, quem sabe, goleado… não teve grandeza para ver o Palmeiras ser campeão ali no Pacaembu. Mas isso é história. Está nos livros e todo mundo sabe.
Eu tive o prazer e o privilégio imenso de colocar no peito a faixa de campeão de 1942 quando estive na casa de Oberdan Cattani, por ocasião de um aniversário dele, há muitos anos. Tive também a oportunidade de “viver” essa história, contada por ele, um dos personagens da Arrancada Heroica – quando entrávamos na década em que iríamos comemorar o centenário do clube…
E foi através do relato de Oberdan que eu conheci e senti o que a história não tinha me contado… Conheci as lembranças que só ele tinha… conheci o período, tão conturbado, que os palmeirenses viveram em 1942, as dúvidas, o receio… senti a mesma e imensa tristeza que eles sentiram quando o Palestra teve que mudar o seu nome … senti o nó na garganta e as lágrimas dos jogadores que choraram por causa disso… a insônia dos que não dormiram na véspera desse acontecimento… senti o amor que eles tinham pelo Palestra, e que os fizera aceitar até mesmo a mudança de nome que não queriam… senti a raiva, a revolta que eles sentiram pela injustiça que faziam com eles, cidadãos brasileiros, e faziam com o seu clube, os fazendo parecer inimigos da pátria, apenas para lhes tomarem o patrimônio, para tomar o Palestra Italia… senti a apreensão e também a coragem que eles sentiram antes de entrar em campo naquele dia 20 de Setembro de 1942, fiquei também com o coração suspenso aguardando as vaias, que nunca vieram…
Enquanto os olhos de Oberdan, ora tristes, pesarosos, ora inundados de júbilo e orgulho – algumas vezes, furiosos também – brilhavam revendo imagens que só ele podia ver, enquanto em sua cabeça rodava o filme que só ele poderia assistir, enquanto ele me contava sobre aquele período de 1942 (as lembranças vivas, frescas, em sua memória)… eu imaginava… e era tocada pela energia do “contador de história”, era tocada pela aura da Arrancada Heroica… Me sentia arrebatada pela mesma bravura com que o Palestra foi defendido pelos seus, pela energia dos que encontraram as saídas (a mudança de nome duas vezes) para não ter que entregar o que era seu… senti a força e a coragem com que eles foram para aquele jogo, senti como foi importante o apoio do Capitão Adalberto Mendes…
E ele me contou dos aplausos, do tempo que as pessoas levaram os aplaudindo… me contou dos seus corações , surpreendidos, que se encheram alegria, da troca de olhares entre os atletas do Palmeiras… os olhos do ídolo, protagonistas da nossa conversa, me davam a medida exata das emoções que ele experimentava, outra vez, ao lembrar…
E ele, naquele seu jeito franco, simples, verdadeiro, me contou alguns lances da partida, e eu, ‘assistia ao filme’ com ele … e, imaginando, ouvindo, prestando atenção às expressões de um dos heróis da Arrancada Heroica, podia quase sentir a energia com que tocavam a bola, com que driblavam e desarmavam naquela jogo… imaginava as defesas de Oberdan (ele fez uma grande partida)… e podia ‘ver’ os primeiros gols da história do Palmeiras que acabara de nascer, a comemoração… pude ‘ver’ o adversário se apequenando, discutindo e fugindo do jogo… pude me encher de orgulho com o Palmeiras, campeão pela primeira vez… senti a emoção dessa conquista tão especial…
Sim, o Palestra, de tantas conquistas e glórias, morreu líder e renasceu Palmeiras… renasceu campeão.
Foi mais do que um jogo, foi mais do que história, foi mais que superar o adversário e a tramóia que ele preparara ao Palmeiras… foi alma, raça, fibra, muita luta e sangue nas veias dessa gente que se veste de verde com um ‘P’ no coração…
E aquele time de “italianinhos”, para o qual alguns quiseram negar o direito de ser Brasil, conquistou o respeito de todos, conquistou uma legião de corações brasileiros e de todas as nacionalidades, corações apaixonados, conquistou uma infinidade de amor, de títulos, glórias, e se tornou o maior campeão do Brasil!
PARABÉNS, PALMEIRAS!! Que o amor, o respeito e o espírito de luta da sua gente sejam sempre as suas maiores riquezas. E que todas as pedras em seu caminho sejam, assim, transformadas em novas e maravilhosas páginas da sua história!
“Defender a Seleção é uma honra, mas defender a Seleção com seu time do coração… é uma emoção que não se esquece jamais” – Valdir de Moraes …..
O valor de uma conquista não está no “preço da etiqueta”, não está apenas no “troféu levantado”…
O valor está na quantidade de esforço que você fez para consegui-la, para fazer ainda melhor do que o esperado… está no amor e na dedicação empregados… está em tudo o que ela representou, está no tamanho da alegria que ela te fez sentir, que ela fez um número imenso de pessoas sentirem… está também no orgulho de ter sido o primeiro e o único a fazê-lo…
07/09/1965… A maravilhosa Academia “amarelou”, se tornou canarinho… O Palmeiras, se transformou em seleção brasileira… e venceu a seleção uruguaia por 3 x 0.
E essa conquista é só nossa! Auguri, Palmeiras! #OrgulhoImensoDaSuaHistória
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………………………..“O Palmeiras um dia foi Brasil, e isso ninguém mais vai apagar” – Ademir da Guia, o Divino.
31 de Agosto é um dia de comemoração na história do Palmeiras… Das suas três conquistas do Troféu Ramon de Carranza, duas aconteceram num 31 de Agosto – a primeira, em 1969, e a terceira, em 1975. A segunda delas, comemoraremos amanhã, 1 de Setembro.
O Palmeiras participou seis vezes desse torneio, que acontece todos os anos desde 1955, e é chamado de “Taça das taças”. Os clubes participantes são sempre escolhidos pelo anfitrião, o Cadiz FC, uma vez que é na cidade de Cadiz e no Estádio Ramon de Carranza que a disputa acontece.
Em 1969, em sua primeira participação no Ramon de Carranza, o Palmeiras foi o campeão e se tornou o primeiro clube brasileiro a conquistar o torneio. Os participantes foram: Real Madrid, Atletico de Madrid, Estudiantes de La Plata e Palmeiras.
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O torneio aconteceu em dois dias. No primeiro, 30/08/1969, o Palmeiras enfrentou o Atletico de Madrid – Real Madrid e Estudiantes de La Plata fizeram o outro jogo. E ganhar torneio de maneira épica é com a gente mesmo, não é? Então… No tempo normal, o placar ficou no 1 x 1 (Cardoso marcou o gol palmeirense) e a vaga na final foi decidida nos pênaltis.
Chicão, nosso goleiro, defendeu 3 pênaltis e o adversário chutou um pra fora (isso te parece familiar?). Cardoso e César converteram os seus e o Palmeiras foi à final com o Real Madrid.
No dia seguinte, 31 de Agosto de 1969, o Palmeiras de Chicão, Zé Carlos, Eurico, Baldocchi, Dé, Jaime, Minuca, Copéu, Cardoso (César), Ademir, Serginho (Dusú), e comandado por Rubens Minelli, venceu o Real Madrid por 2 x 0 (gols de Zé Carlos e Dé) e se sagrou campeão. Nenhum clube brasileiro havia conquistada um Ramon de Carranza até aquele data.
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E vale ser lembrado aqui… Já que estava na Espanha em excursão, o Palmeiras, alguns dias depois da conquista do Ramon de Carranza, foi à cidade de Barcelona disputar o troféu “Cidade de Barcelona”. E num Camp Nou com 95 mil pessoas, o Palmeiras venceu o Barcelona por 2 x1 e voltou pra casa com mais um troféu na bagagem.
Em 1974 (01/09), o Ramon de Carranza foi disputado por Palmeiras, Santos, Barcelona e Spañol. Santos e Barcelona, de Pelé e Cruyff, eram os favoritos para fazerem a final.
Mas nem Pelé nem Cruyff chegariam à final… Num grande jogo de Ademir da Guia e Dudu, e numa partida impecável do Palmeiras conhecido como “Academia”, Leivinha e Ronaldo balançaram as redes e o Palmeiras venceu o poderoso Barcelona – com Cruyff , Neeskens e tudo -, por 2 x 0, ficando com a vaga para a final . No outro jogo, o Spañol sairia como finalista.
Na final, o Palmeiras de Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo, Zeca, Édson, Ademir da Guia, Ronaldo (Fedato), Leivinha, César, Toninho Vanusa (Edu), e comandado por Oswaldo Brandão, venceu o Spañol por 2 x 1 (gols de Leivinha e Luís Pereira), conquistando o Ramon de Carranza pela segunda vez. Na disputa pelo terceiro lugar, o Santos de Pelé foi goleado (4 x 1) pelo Barcelona de Cruyff, que o Palmeiras havia vencido na véspera. ………
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No ano seguinte, num outro 31 de Agosto, o Palmeiras foi bi campeão do torneio (1974/1975), e conquistou o Ramon de Carranza pela terceira vez (naquele tempo, só se considerava um time bicampeão, tricampeão… quando as conquistas eram consecutivas).
Participaram da edição 1975: Palmeiras, Real Madrid, Real Zaragoza e Dinamo de Moscou.
No dia 30 de Agosto, o Palmeiras enfrentou o Real Zaragoza e venceu por 1 x 0, com gol de Ademir da Guia. Na outra partida, o forte time do Real Madrid, de Breitner, venceu o Dinamo de Moscou por 2 x 1. Mais uma vez, Palmeiras e Real Madrid se encontrariam em uma final…
No dia 31 de Agosto, apesar do favoritismo todo que o Real Madrid levava para a final, o Palmeiras, de Leão, Eurico, Luís Pereira, Arouca, João Carlos, Édson (Didi), Ademir da Guia, Edu, Leivinha, Fedato, Itamar, Ney, comandado por Dino Sani, a Academia venceu o bicho papão europeu por 3 x 1, com gols de Edu (1) e Itamar (2).
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Esse vídeo, feito em 2015, conta um pouco mais sobre essa conquista…
E essa é só uma das muitas e gloriosas páginas que o Palmeiras escreveu no grande livro do futebol…
ESSE CLUBE TEM HISTÓRIA! 💚
Lendo algo sobre a fundação do Palestra Italia vi que, entre os 46 membros que estiveram na reunião de fundação, tinha um Eugenio Gallo.
Meu avô materno era italiano, Antonio Gallo, minha mãe também tinha esse sobrenome antes de se casar com o meu pai… Ainda que não tenha nenhuma relação de parentesco do ‘parmera’ da reunião com a família do meu avô italiano (vai saber), vou me permitir ficar aqui imaginando… será que um pouquinho do sangue que corre em minhas veias hoje esteve naquela reunião??? (isso explicaria tanta coisa… rsrs)
E sabe-lá quantas histórias se desenrolaram desde então… sabe-se lá com quais conexões… E, como não sabemos, podemos imaginar, misturar a história do Palmeiras com a ficção, misturar a história da primeira partida do Palestra Italia, com as minhas fantasias e com as personagens que criei…
Esse, é o primeiro, de uma série de textos que escrevi, e não publiquei, por ocasião do centenário do Palmeiras.
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“Em seu quarto, e com dúvidas sobre calçar ou não luvas, Angiolina, diante do espelho, experimentava o vestido que usaria no dia seguinte. De seda verde, com algumas pregas na saia, ele parecia perfeito.
O ano de 1915 iniciara com muito calor, meio abafado, e a seda seria muito bem-vinda. A signora Manoela, a modista, o fizera maravilhosamente, do jeitinho que Angiolina o imaginara. Parecia até um daqueles vestidos que vinham de Paris. “Será que Luigi a acharia bonita com ele?”, pensava ela.
Luigi, costumeiramente uma pessoa bastante calma, estava tão empolgado quando pedira ao pai de Angiolina permissão para levá-la num passeio, que ela até estranhou o seu jeito, e mal podia acreditar que o pai tivesse concordado. E não só concordado, como havia decidido que, ele, muito interessado no motivo do passeio, também iria, e levaria a sua mãe junto. Um passeio em família com Luigi… ela adorava a ideia.
De trem, iriam para a cidade de Sorocaba, onde o ‘zio’ Guido morava, e depois tomariam o bonde até a Vila Industrial de Votorantim.
Há uns meses atrás, Luigi lhe parecera meio fora de juízo quando cismara em fundar um clube de futebol com mais três amigos – Luigi Emanuele, Vincenzo (ele era fundador de um jornal italiano de São Paulo, o Fanfulla) e Ezechiele – das Indústrias Matarazzo, onde o pai de Angiolina também trabalhava. Um clube de italianos. Que ideia arrojada! Parecia coisa de gente maluca. Mas Luigi e os amigos estavam obcecados pela ideia, e embora muitas pessoas quisessem um clube para recitais, eles estavam decididos, queriam uma agremiação para disputar o campeonato de futebol, e para disputá-lo com as agremiações da elite paulistana. Mas os primeiros problemas quase colocaram fim no clube… um presidente que ficou apenas alguns dias no cargo; seu substituto que foi convocado para a guerra, pela Itália, que lutava contra a Alemanha; a falta de dinheiro nesse início e a quase única opção de se dar fim ao clube… Mas fora Luigi que, contrariando seus modos sempre tranquilos, dera um murro na mesa e sugerira que se marcasse uma partida para o Palestra. Essa seria a solução, segundo ele.
Ele confidenciava tudo à Angiolina, e ela, que tanto gostaria que ele pedisse a sua mão ao seu pai – eram amigos e estavam enamorados há mais de 6 meses -, temeu que ele, ocupado com as demandas desse clube, com os primeiros problemas, acabasse esquecendo da forte amizade que existia entre os dois.
E nesse Janeiro abafado, cinco meses depois da sua fundação, o “Palestra”, como Luigi o chamava, faria o seu primeiro jogo contra uma outra agremiação também de origem italiana, o forte Savoia. O Palestra, que fora fundado em 26 de Agosto do ano anterior, não queria fazer feio – queria também entrar para a APEA, a entidade que regia o futebol paulista – e aproveitara esses meses para se preparar e fazer uma boa estreia.
A princípio, Angiolina não tinha muita simpatia por futebol, mas devia ser só porque não entendia nada do assunto, e porque costumavam dizer que isso não era assunto para moças. Porém, Luigi falava tanto sobre isso, explicava tudo pra ela, contava os planos e sonhos que tinha para o Palestra, para o futuro do clube, e porque seus olhos brilhavam tanto quando ele lhe falava do Palestra, porque seu sorriso parecia ainda mais lindo (como se fosse possível o sorriso de Luigi ser ainda mais bonito), que ela não tinha como não sonhar com ele também, não tinha como não ir abrindo as portas do seu coração para o Palestra, e já estava achando tudo adorável. Na verdade, ela já se sentia um pouco ansiosa pela estreia também.
Do nome do clube ela gostava muito, e o repetia em voz alta, enquanto, metida no vestido verde, rodopiava em frente ao espelho, sorrindo e sonhando com a tarde ao lado de Luigi:
– Società Sportiva Palestra Italia… Società Palestra Italia… va bene… Palestra Italia – e, sorrindo para a imagem que via no espelho, imaginando a proximidade com Luigi no dia seguinte, ela rodopiava feliz com o seu lindo vestido verde.
Angiolina viera pequenina para o Brasil, mas se lembrava de muitas coisas da Italia, e ficava bastante feliz que, de alguma forma, seu país natal fosse reverenciado pelos italianos e filhos de italianos que aqui viviam. Para ela, era como se um novo país, mistura de Brasil e Itália, estivesse nascendo com o Palestra, era como se uma poesia nova estivesse sendo escrita (ela adorava ler poesias, romances, adorava escrever também). E se sentia ansiosa para acompanhar a partida. “Como seria um jogo de futebol?”, perguntava ela a si mesma.
A mãe entrara no quarto e ficara admirando a cena. A filha, de longos cabelos castanhos, um pouco dourados, de talhe elegante, rosto de traços delicados, na beleza de seus dezessete anos, rodopiando feliz, apaixonada… Sim, uma mãe sempre sabe tudo, Angiolina estava apaixonada… seus olhos verdes pareciam faróis brilhando… e, pela maneira como Luigi olhava a sua filha, ele logo faria o pedido a Marco.
Na manhã seguinte, depois daquele corre-corre delicioso que costuma anteceder os passeios, e depois de quase três horas de viagem de trem, chegaram à Sorocaba, à cidade do Savoia, o primeiro adversário do Palestra. Durante o trajeto Luigi conversara mais com Marco, o pai de Angiolina, do que com ela, conversara também com os amigos e diretores do clube. Falavam de futebol, claro, dos jogadores que entrariam em campo, das expectativas com o Palestra…
Os jogadores viajaram no mesmo trem, porém em outro vagão, para onde Luigi se dirigira muitas vezes durante a viagem. Angiolina, tagarelando com a mãe sobre vestidos, sapatos e chapéus, ouvira e guardara alguns nomes ditos por Luigi: Police, Bianco, Alegretti…
As mulheres sofriam com o calor e Marco, tão logo desembarcaram, tratou de levá-las à casa do seu irmão, Guido, enquanto Luigi e os outros diretores do Palestra iriam visitar um jornal da cidade, o ‘Cruzeiro do Sul’.
Depois do almoço, do qual Luigi participou também, e onde não faltou a velha e boa pastasciutta, não faltaram o vinho, o pão – feito pela zia Ida -, os queijos e salames, as frutas – as frutas no Brasil eram saborosas e agradavam ao paladar dos italianos -, e um bom licor ao final, seguiram de bonde para a Vila Industrial de Votorantim, onde se realizaria a partida.
Muitas pessoas estavam no local; como não foram cobradas as entradas para o jogo, Luigi, que era o secretário-geral, e o restante da diretoria, não sabiam estimar quantas pessoas estavam na estreia do Palestra, mas tinha bastante gente, muita gente. Angiolina estava linda, de verde, e foi de verde e branco que o Palestra Italia entrou em campo pela primeira vez, camisa verde com punhos e golas brancas. Do lado esquerdo do peito, as letras “P” e “I” apareciam bordadas em branco e sobrepostas uma na outra. Angelina ficou até emocionada, sentiu os olhos marejados e o coração se aquecer dentro do peito… a primeira vez do Palestra em campo…
Pelo Palestra Italia, Luigi lhe contava, iriam jogar: Stillitano; Bonato e Fúlvio; Police, Bianco e Valle; Cavinato, Américo, Alegretti, Amílcar e Ferré.
O Savoia teria: Colbert; Ferreira e Silvestrini; Gigi, Zecchi e Fredich; Imparato, Cardoso, Ferreira II, Imparatinho e Pinho
Luigi e os amigos do Palestra estavam agitados, ansiosos. Fazia um dia lindo… O jogo começou às 14h15, e foi bastante disputado, o Palestra era aguerrido, queria vencer o seu primeiro jogo, e o Savoia, por estar em casa, se portava de forma também aguerrida. E era tão disputada a partida, havia tanta vontade e determinação no campo de jogo, que houve até um princípio de discussão áspera entre os jogadores… O periódico Fanfulla noticiaria depois que houve um “sururu”.
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Angiolina estava adorando tudo aquilo – até mesmo a discussão -, nunca imaginara que futebol fosse tão interessante, não conseguia desgrudar os olhos do campo. Sentira até vontade de falar mais alto para defender os jogadores do Palestra quando houve o entrevero, o sangue lhe esquentara nas veias e ela sentira que lhe coraram até as faces.
O primeiro tempo foi equilibrado, mas no segundo, o Palestra Italia conseguiu se impor diante do adversário e venceu o jogo por 2 x 0.
O primeiro ‘goal’ do Palestra Italia foi de Bianco – o grande nome do jogo – de pena máxima. Um ‘goal’ ia sendo marcado, mas a defesa adversária preferiu salvar como pôde, ou seja, com um toque de mão … cometendo pena máxima. Luigi lhe dissera que isso era proibido, não se podia colocar a mão na bola, a não ser o jogador que ficava lá embaixo das traves.
O segundo ‘goal’ foi de Alegretti, e aconteceu um minuto depois, também de pena máxima. Ferreira, da agremiação de Savoia, na área penal, cometeu uma falta e o árbitro, atento e imparcial, o puniu inexoravelmente.
Angiolina ainda não entendia completamente as regras, mesmo com as explicações do namorado, mas gostava mesmo assim. E achou lindo ver os admiradores do Palestra comemorando os ‘goals’ – Luigi não se aguentava de felicidade -, ver os jogadores cumprimentando um ao outro dentro de campo; achou mais bonito ainda ver o Palestra receber a taça pela vitória, taça que tinha sido oferecida pela agremiação de Savoia , e que era a primeira conquistada pelos de verde escuro – e ela se estranhava, porque ficara bastante emocionada e sentia até vontade de pular de satisfação.….
Luigi, de tão feliz pela vitória, deu um abraço apertado em Angiolina e beijou seus lábios, de leve, na frente de seus pais, que, por sorte, estavam tão felizes também e nem perceberam. Bendito seja o Palestra pra todo sempre, pensara Angiolina, morrendo de felicidade por todas as novas emoções que experimentava naquele dia e, claro, se derretendo pelo contato dos lábios de Luigi. Quando fora que ele ficara tão impetuoso assim, para beijá-la na frente de seus pais, e sem ter feito o pedido da sua mão?
No rosto de Luigi, para o qual Angiolina nunca se cansava de olhar, resplandecia a alegria de um sonho que se realizava… brilhava a certeza de que ninguém poderia mais deter a caminhada do Palestra Italia… O Palestra Italia existia, vencera a primeira partida e conquistara o primeiro troféu… e ele jurava pra si mesmo – para Angiolina também – que o Palestra seria um gigante um dia, seria imponente, e haveria de conquistar muitas taças, campeonatos, sócios e admiradores…
E Angiolina acreditava piamente em Luigi, a energia que ela sentira vendo o Palestra Italia jogar, a alegria e emoção que ele a fizera sentir, o coração que, agora, parecia tão maior e pulsante dentro do seu peito, lhe davam a certeza que, um dia, ele seria mesmo um gigante…
E no fundo do seu coração, ela sabia… uma linda e gloriosa história estava apenas começando…
E é claro que eu comemoro o 12 de Junho… tem muito amor envolvido nisso, envolvido nessa data, nas minhas lembranças, na minha história e no meu coração… 💚💚💚
Obrigada, Evair, Edmundo, Sérgio, Antonio Carlos, Tonhão, Mazinho, Roberto Carlos, César Sampaio, Daniel Frasson, Alexandre Rosa, Jean Carlo, Luxemburgo…
Obrigada, Deus, por me deixar viver a enormidade daquele momento, por me deixar viver aquela felicidade sem tamanho, a maior alegria da minha vida… e, por favor, Deus, mesmo que eu viva cem anos, não permita que algum dia eu me esqueça do que vi, vivi e senti naquele dia…
“Onde amamos, é o nosso lar: lar que nossos pés podem deixar, mas não nossos corações” – Oliver Wendell Holmes
Nosso primeiro jogo em casa foi num 21 de Abril de 1917 (éramos inquilinos e viraríamos proprietários em 1920, com uma entrada de 250 contos de réis e mais duas parcelas de 125 contos – uma para Dezembro de 1921 e a outra para Dezembro de 1922. Quase todo o dinheiro envolvido veio por mãos e corações palestrinos). Na ocasião, pela primeira rodada do Campeonato Paulista, o Palestra Italia venceu o Internacional-SP por 5 x 1 (auspicioso esse placar, não?)
São 100 anos de Parque Antárctica… Palestra Itália… Allianz Parque…
Tanti auguri para a nossa casa linda e tão amada!! Que ela continue lar e abrigo dos parmeras por muitos séculos mais… e que, nela, o Palmeiras obtenha muitas e novas conquistas, para continuar a ser o maior campeão do Brasil.