Nenhum torcedor, por mais crítico ou reclamão que seja, esperava pelo que aconteceu ontem. O Palmeiras de Luxemburgo tomou um baile do time chileno, em pleno Palestra Itália…
Cheguei mais cedo ao estádio, em tempo de ver o time desembarcando. Desceu Della Monica, depois Belluzzo, seguidos pelos jogadores. Outros ares e outros tempos no Palmeiras. Pena que não permitam que os torcedores sequer vejam seus ídolos. Blindagem totalmente desnecessária. O Palestra estava quase vazio e os torcedores vinham chegando… do trabalho, de suas casas, correndo, ansiosos e esperançosos. E quanta camisa verde, quanta gente diferente que fala uma com a outra e ri, brinca, na intimidade de quem pertence a uma mesma família.
Palestra lotado, a torcida em festa recebe seus craques, só o time chileno é que demora demais a subir pro campo. O jogo teve início e o Palmeiras já foi prá cima sufocando o Colo Colo. A velocidade de Willians parecia ser a arma do Verdão. Primeiros minutos, Edmilson é agarrado na área, mas o juiz fez que não viu a infração. Alguns minutos depois, Willians é derrubado quando ia sair na cara do goleiro, sozinho. O juiz, que chegou a pegar o vermelho no bolso, apenas deu amarelo. Trio argentino, era de se esperar… Nem o penalti claro em K9 (bem na minha frente) ele marcou… e quantas faltas pro Palmeiras deixou de ver, também.
Mas o Palmeiras não estava bem. E foi perdendo o ímpeto inicial rapidamente, por conta de suas falhas. Graças às escolhas de Luxemburgo (que me fez lembrar do Leão), entramos em campo, num jogo de Copa Libertadores, sem laterais. Capixaba pode muito bem ser trocado por um cone, sem prejuízo ao time. Não apóia, não marca e cruza péssimamente. Marcão, no lugar de Armero, também não deu nada certo. Pobre Pierre… sozinho lá no meio segurando as pontas. O Colo Colo ficava só na marcação, fazendo cera, dando mostras que viera buscar o empate. E se não tínhamos
marcação, tava na cara que o caminho até a defesa era uma baba. Danilo e Maurício são jogadores comuns (Gustavo era muito melhor), Edmílson é bom, inteligente, mas não tem mais pique para ficar correndo atrás de atacante. Quem tinha que fazer isso eram os outros e deixar o Edmílson na sobra.
Se do meio prá trás, as coisas estavam horrorosas, lá na frente não era diferente. Diego, não fazia nada e o pobre do K9, marcadíssimo, nem via a cor da bola. Xavi também estava num dia bem ruim. Bruno já tinha feito dois ‘milagres’; as coisas não iam bem A gente, na arquibancada, não conseguia acreditar no que via. E nos perguntávamos: “cadê aquele time veloz, perigoso, inteligente?” E aos 44′, Lucas Barrios marcou para o time do Chile. Tava anunciada a trágédia… Mas o torcedor sempre acredita, né? E eu acreditava. E todos os outros milhões de palmeirenses, acreditavam, também. Luxa vai mudar, não é possível que ele esteja contente com Capixaba e Diego. Mas eu torcia para que ‘baixasse’ um Arce no nosso lateral e um Edmundo, no camisa sete.
Veio o segundo tempo e, para quem queria o Capixaba e Diego fora, sobrou a frustração. Maurício deu lugar à Jumar, e Marcão à Jefferson. Que lambança! Jefferson é muito ruim e Jumar não jogou nada. Não sei que análise Luxemburgo fez do time do Colo Colo para preparar o Palmeiras. Aos 4′, Melendez (que já tinha amarelo) foi expulso por falta em Willians. A Nação exultou! Agora a gente ia prá cima. Eu chorava de nervoso. Mas aos 9′ o Colo Colo ampliou. O Palmeiras não reagia, não cruzava bolas da linha de fundo e só tentava bolas alçadas de longe. Que grande equívoco. Apenas Pierre lutava com ‘unhas-e-dentes”, e mesmo diante do futebol ruim do time, a torcida reconheceu o gigante em campo, que foi ovacionado. De arrepiar!
Com dois “no lombo”, Luxa finalmente resolveu tirar ‘Capicone’ e chamou Lenny. Coitado do garoto, já entrava com a pressão de ter que consertar a desgraça. Sete minutos depois, no único cruzamento certo, K9 descontou de cabeça. O Palestra explodiu! A gente acreditava na virada. Podia-se sentir no ar a energia que a torcida desprendia. Eu não conseguia parar de chorar. A única forma de aliviar o coração tão apertado. Ainda agora enquanto escrevo, as lágrimas molham meu rosto. Eu torci, cantei, chorei, rezei, fiz promessas… mas só recebi a dor de ver nossas bolas na trave, passando perto, e mais uma do Colo Colo, na rede. Estava liquidada a fatura. Que saudade eu senti do Felipão… Mas se serve como consolo, em 99 perdemos duas partidas, também e nos classificamos em segundo, no grupo. Sabemos que é muuuuito difícil, mas não é impossível. A nós, só resta torcer, que é o que fazemos melhor. E vamos tentar aprender e ‘lucrar’ com a noite de ontem ,quando o Expresso das Perdizes atropelou seu próprio torcedor…
“… Mas é preciso ter força,
É preciso ter raça,
É preciso ter gana sempre…”
(Milton Nascimento/Fernando Brant)