“Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões” – Mario Minervino

Arrancada Heroica… 20 de Setembro de 1942…

Dia do Palmeiras  em 2017 (lei 14.060)… Dia de Palmeiras em campo e campeão, pela primeira vez,  em 1942…

Dia em que, há 75 anos, maldosamente pintado como “inimigo da pátria  pelos que queriam se apossar de seu patrimônio e o queriam hostilizado pelos brasileiros, o Palmeiras, com origens italianas e coração brasileiro, e que por causa da perseguição aos italianos durante a Segunda Guerra teve que mudar de nome (o Brasil se alinhara aos EUA na Segunda Guerra contra os países do Eixo, portanto, contra a Itália), entrou em campo com Oberdan, Junqueira, Begliomini, Zezé Procópio, Og Moreira, Del Nero, Cláudio Pinho, Waldemar Fiume, Lima, Villadoniga, Echevarrietta e Del Debbio (técnico), ao lado do capitão do exército Adalberto Mendes, e por ideia dele, carregando uma bandeira do Brasil.

O jogo era contra o São Paulo (o clube que queria tomar o patrimônio do Palmeiras – o estádio, principalmente). Penúltima partida do Campeonato Paulista de 1942… e valendo o título. O título de um campeonato disputado quase todo pelo Palestra, líder da competição (18 jogos,16 vitórias, 2 empates, 61 gols marcados e 15 sofridos),  e que faria a partida decisiva como Palmeiras, o seu novo nome…

O Palmeiras, que como a maioria imaginava, seria vaiado, seria hostilizado pelos anti palmeirenses, anti “inimigos da pátria” que estavam no Pacaembu, que seria muito pressionado – o que facilitaria a vida do adversário –  tão logo entrou em campo, carregando a bandeira do Brasil, e depois de apenas alguns segundos de surpresa por parte do público no estádio, foi muito aplaudido por todos que lá estavam…

E em seu “batismo”, o Palmeiras sairia de campo imponente, honrado, admirado e campeão. Venceria o inimigo – e os seus ardis. Defenderia o seu patrimônio, o seu gol e cada centímetro de campo com o mesmo empenho, com a mesma fibra. E mostraria a todos que era tão brasileiro quanto qualquer um dos outros times brasileiros, mostraria que era digno, honrado… raça, fibra, sangue nas veias e um amor do tamanho do mundo pelo clube era(é) a receita do “ser Palestra/Palmeiras”…

Mas não foi um jogo qualquer, foi difícil, aguerrido (ao São Paulo só a vitória interessava),  representava muito mais do que uma conquista de campeonato, e o Palmeiras foi melhor. E porque aquele Palmeiras, que acabava de nascer, era melhor, era maior em campo,  o adversário abandonou a partida no começo da segunda etapa. Sim, o São Paulo saiu/fugiu de campo. Não teve competência e nem coragem para disputar a partida até o fim, não quis que o Palmeiras cobrasse um pênalti quando ele já vencia por 3 x 1 (Cláudio Pinho, Del Nero e Echevarrieta marcaram para o Palmeiras); não teve brio para suportar ser vencido e, quem sabe, goleado… não teve grandeza para ver o Palmeiras ser campeão ali no Pacaembu. Mas isso é história. Está nos livros e todo mundo sabe.

Eu tive o prazer e o privilégio imenso de colocar  no peito a faixa de campeão de 1942 quando estive na casa de Oberdan Cattani, por ocasião de um aniversário dele, há muitos anos. Tive também a oportunidade de “viver” essa história, contada por ele, um dos personagens da Arrancada Heroica – quando entrávamos na década em que iríamos comemorar o centenário do clube…

E foi através do relato de Oberdan que eu conheci e senti o que a história não tinha me contado… Conheci as lembranças que só ele tinha… conheci o período, tão conturbado, que os palmeirenses viveram em 1942, as dúvidas, o receio… senti a mesma e imensa tristeza que eles sentiram quando o Palestra teve que mudar o seu nome … senti o nó na garganta e as lágrimas dos jogadores que choraram por causa disso… a insônia dos que não dormiram na véspera desse acontecimento… senti o amor que eles tinham pelo Palestra, e que os fizera aceitar até mesmo a mudança de nome que não queriam… senti a raiva, a revolta que eles sentiram pela injustiça que faziam com eles, cidadãos brasileiros, e faziam com o seu clube, os fazendo parecer inimigos da pátria, apenas para lhes tomarem o patrimônio, para tomar o Palestra Italia… senti a apreensão e também a coragem que eles sentiram antes de entrar em campo naquele dia 20 de Setembro de 1942, fiquei também com o coração suspenso aguardando as vaias, que nunca vieram…

Enquanto os olhos de Oberdan, ora tristes, pesarosos, ora inundados de júbilo e orgulho – algumas vezes, furiosos também – brilhavam revendo imagens que só ele podia ver, enquanto em sua cabeça rodava o filme que só ele poderia assistir, enquanto ele me contava sobre aquele período de 1942 (as lembranças vivas, frescas, em sua memória)… eu imaginava… e era tocada pela energia do “contador de história”, era tocada pela aura da Arrancada Heroica… Me sentia arrebatada pela mesma bravura com que o Palestra foi defendido pelos seus, pela energia dos que encontraram as saídas (a mudança de nome duas vezes) para não ter que entregar o que era seu… senti a força e a coragem com que eles foram para aquele jogo, senti como foi importante o apoio do Capitão Adalberto Mendes…

E ele me contou dos aplausos, do tempo que as pessoas levaram os aplaudindo… me contou dos seus corações , surpreendidos, que se encheram alegria, da troca de olhares entre os atletas do Palmeiras…  os olhos do ídolo, protagonistas da nossa conversa, me davam a medida exata das emoções que ele experimentava, outra vez, ao lembrar…

E ele, naquele seu jeito franco, simples, verdadeiro, me contou alguns lances da partida, e eu, ‘assistia ao filme’ com ele … e, imaginando, ouvindo, prestando atenção às expressões de um dos heróis da Arrancada Heroica, podia quase sentir a energia com que tocavam a bola, com que driblavam e desarmavam naquela jogo… imaginava as defesas de Oberdan (ele fez uma grande partida)… e podia ‘ver’ os primeiros gols da história do Palmeiras que acabara de nascer, a comemoração… pude ‘ver’ o adversário se apequenando, discutindo e fugindo do jogo… pude me encher de orgulho com o Palmeiras, campeão pela primeira vez… senti a emoção dessa conquista tão especial…

Sim, o Palestra, de tantas conquistas e glórias, morreu líder e renasceu Palmeiras… renasceu campeão.

Foi mais do que um jogo, foi mais do que história, foi mais que superar o adversário e a tramóia que ele preparara ao Palmeiras… foi alma, raça, fibra, muita luta e sangue nas veias dessa gente que se veste de verde com um ‘P’ no coração…

E  aquele time de “italianinhos”, para o qual alguns quiseram negar o direito de ser Brasil, conquistou o respeito de todos, conquistou uma legião de corações brasileiros e de todas as nacionalidades, corações apaixonados,  conquistou uma infinidade de amor, de títulos, glórias, e se tornou o maior campeão do Brasil!

PARABÉNS, PALMEIRAS!! Que o amor, o respeito e o espírito de luta da sua gente sejam sempre as suas maiores riquezas. E que todas as pedras em seu caminho sejam, assim, transformadas em novas e maravilhosas páginas da sua história!

 

 

 

 

 

“Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões”

Qual é o palmeirense que não conhece a história desta foto, que não sabe o nome de pelo menos um herói daquela partida?

Qual é o palmeirense que não sabe o que significa “Arrancada Heroica”, que é como foi chamado o episódio, a final do Campeonato Paulista de 1942 que entrou para a história? “Arrancada Heroica”, que acabou sendo a resposta que o Palestra/Palmeiras deu à toda a situação, tão difícil, vivida naquela época – tentaram fazer o Palmeiras ser visto como se fosse um inimigo da pátria

Sim, todos conhecemos… Mas haveremos de nos lembrar pra todo o sempre, porque a grandiosa história do Palmeiras, que nossos pais nos transmitiram, e que transmitimos aos nossos filhos, continuará a ser passada aos filhos dos nossos filhos, aos filhos que eles tiverem e assim por diante…

Foi por isso,  por causa da Segunda Guerra Mundial e da perfídia de alguns, e para que o clube não fosse perseguido, que o Palestra Italia, ao final do campeonato de 1942, do qual era líder, mudou de nome. Ele já tinha passado a ser Palestra de São Paulo (fez 18 partidas – 17 V e 1 E), e depois se tornou Sociedade Esportiva Palmeiras, o nosso amado Palmeiras, Verdão, Alviverde Imponente, o meu “Parmera”.

A mudança de nome se deu também, porque o São Paulo – clube rival, que viraria inimigo a partir disso – se aproveitando do fator “inimigo da pátria”, inventado para o Palestra por alguns, tentou lhe tomar o patrimônio, tentou nos tomar o nosso estádio. Sim, por causa da guerra, e da estupidez de se achar que a cidadania italiana fazia qualquer cidadão tornar-se inimigo do Brasil  – o Brasil era inimigo da Itália na guerra -, era considerado lícito  se aproveitar disso para tomar os bens dos italianos que aqui viviam. Fizeram essa crueldade com muitas pessoas, com muitos italianos trabalhadores…

E em relação às instituições ligadas a outros países que não cumprissem a determinação governamental de mudar seus respectivos nomes, elas poderiam ter os bens confiscados e, na sequência, leiloados pelo governo. E o São Paulo, pressionando as autoridades, bem que tentou se aproveitar do momento para tomar o patrimônio do Palestra.

E o Palmeiras, que não só mostrou ao país que não era inimigo nenhum, que era um clube brasileiríssimo fundado por italianos, que defendeu seu patrimônio com a raça e a fibra da sua gente, foi também defender o título que estava em jogo no campeonato, cuja liderança o Palestra lhe deixava por herança.

Na véspera do clássico, o clima de hostilidade entre São Paulo e Palmeiras, visto por alguns como “inimigo da pátria”, foi alimentado. “Criaram uma situação deplorável, como se no dia 20 houvesse um choque de honra entre duas famílias” (jornal A Gazeta, na semana da final).

Temendo um confronto entre tricolores e palestrinos, que já era dado quase como certo, a polícia impediu que os torcedores entrassem no estádio com bengalas (muito usadas pelos homens elegantes da época) e guardas-chuvas. Até mesmo laranjas e outras frutas foram proibidas, para que não fossem arremessadas ao campo.

Daí a importância gigante dessa partida disputada com o São Paulo.

 

20 de Setembro de 1942…

O clima era bastante tenso e temia-se que o time do Palmeiras fosse apedrejado tão logo entrasse em campo, naquele estádio de quase 70 mil pessoas.

Só que Palmeiras foi aplaudido de pé quando entrou em campo carregando a bandeira do Brasil (ideia de Adalberto Campos, um capitão do exército ligado ao clube). O Palmeiras, com a alma do Palestra, desfazia o clima extremamente hostil e impunha mais uma derrota ao seu adversário, agora dentro das quatro linhas… E quando o Palmeiras já vencia por 3 x 1, e teve uma penalidade marcada a seu favor, o São Paulo aproveitou e fugiu da partida…

O clube, que não conseguira tomar do Palmeiras o seu estádio, que o vira ser aplaudido por todos, ia vê-lo também  conquistar o campeonato, e com uma goleada… Acho que foi demais pra eles, e o São Paulo desistiu de jogar. O Palmeiras ganhou o campeonato e o São Paulos ganhou uma suspensão de 30 dias da FPF.

Claro, que da mesma forma como tentaram nos pintar de “inimigos da pátria”, alguns tentariam macular a nossa conquista depois, mas, assim como ocorreu em todas as conquistas do Palmeiras até hoje, essa também era legítima e irrefutável.

 

A história guarda os fatos, os nomes, os gols (65 marcados e 19 tomados), as jogadas, os dribles,  as lágrimas de alegria, os abraços, os sorrisos, os aplausos… tem ela todas as memórias…

Nós guardamos no sangue, que corre em nossas veias, a fibra, a força de nossos antepassados e o orgulho de ser Palestra/Palmeiras…

O céu guarda os nossos heróis…

 

Muitas glórias ao Palmeiras! E que o espírito de 42 nos acompanhe por todo o sempre.

 

 

Qual é o seu super herói favorito? Aquele que voa e usa uma capa? Quem sabe seja  o que usa uma máscara de morcego…  ou então aquele que se torna verde e invencível…Talvez seu herói seja alguém muito próximo a você, alguém que luta contra as dificuldades da vida e supera os obstáculos encontrados no caminho, com bravura e dignidade…
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Não importa… Seja qual for o seu herói, tenho certeza que você o escolheu pelo exemplo; pela bravura, coragem e amor; porque ele luta por aquilo que acredita; porque  quando ele veste a ‘roupa que o transforma’, quer dar o melhor de si, quer honrar a confiança que muitos depositam nele, quer trazer alívio e alegria para alguns corações… e você o reconhece pelo seu uniforme. E por falar em bravura, coragem, amor e uniforme…
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Era uma vez,  num  longínquo 1951…
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Onze heróis… Na verdade, não eram apenas onze, era um grupo de heróis, daqueles raros e eternos… Vestiram a maglia lendária e foram à luta, contra “monstros” tidos e havidos como invencíveis… Esses heróis venceram o “inimigo” e resgataram o orgulho e a alegria de um país inteiro! Escreveram seus nomes no livro de glórias do futebol e no coração do Brasil. Heróis que serão lembrados prá todo o sempre e que vestiam o manto sagrado verde, com um grande P no coração…
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E esse manto sagrado está de volta! Num evento maravilhoso, Palmeiras e Adidas resgataram a lendária e mítica camisa do Palmeiras campeão Mundial, na Copa Rio de 1951. O uniforme dos gigantes de 51 (Oberdan, Fábio Crippa, Valdemar Fiume, Salvador, Rodrigues,José Sarno, Juvenal, Dema, Túlio, Aquiles, Lima, Richard, Luiz Villa, Ponce de Leon, Liminha, Rodrigues, Canhotinho e o técnico Ventura Cambon) agora será vestido pelo Palmeiras de Felipão, Marcos, Valdivia, Kleber, Pierre, Thiago Heleno, Deola…
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A nova camisa, com a tecnologia dos dias atuais, que faz com que ela seja uma das mais modernas do mundo, será quase uma réplica do outrora vitorioso manto alviverde. Com o emblema do clube com “P” de Palestra e a bandeira do Brasil com a frase “sabe engrandecer a Pátria”.
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Foi muito bom ter estado no lançamento. Maravilhoso ter encontrado lá fora a lenda viva do Palmeiras, Oberdan Cattani. É sempre uma grande emoção poder conversar com ele, segurar as mãos que tantas alegrias deu aos nossos antepassados, tantas alegrias deu ao meu pai, defendendo o gol do Verdão…
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Revivi um dia de sonho, que virou realidade em 1993, ao encontrar Evair, o “9” de todos os “9”. Quantas imagens me vieram à mente no instante em que vi o nosso “Matador”… Ele não percebeu, mas que emoção eu senti quando tirei uma foto com ele. Até mesmo Galeano, que eu vi lá no cantinho do ginásio, me fez lembrar outro dia de felicidade explícita.
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Quando a apresentação começou e foi exibido o vídeo de lançamento da nova camisa, e vi a imagem de Oberdan Cattani, já não pude conter as lágrimas. Mas eu não era a única. O amor ao Palmeiras brilhava nos olhos de todos ali.
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E vieram as tão aguardadas camisas! Uma mais bonita que a outra. Linha feminina, infantil, passeio…  Show de bola! A qualidade do material esportivo da Adidas é indiscutível, a campanha vai de encontro aos mais belos sentimentos guardados no coração do torcedor e, por isso mesmo, todo mundo aguardava pelos uniformes oficiais. E eles apareceram! Lindos! Kleber, Marcos Assunção, Pierre, W. Paulista e Deola vestiam o uniforme principal. O de número 2, nos foi mostrado por Bruno, Patrick Vieira, Vinícius e Diego Xavier (os “pratas da casa”).
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E enquanto eu olhava aqueles jogadores que nos parecem tão familiares,  que aprendemos a querer tão bem,  e de quem esperamos tanto, eu pensava…
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“Hoje, nossos heróis são outros (e quantos mais vestiram nosso manto até chegarmos aqui), mas o amor à camisa há de ser o mesmo, a dedicação dentro de campo (e fora dele também) há de ser a mesma. Defender e honrar a camisa do primeiro campeão mundial de clubes, do Campeão do Século, deverá ser o compromisso de todos.  E que todos compreendam e valorizem a grandeza desse clube.”
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É chegado o tempo de ser escrita mais uma página de glórias da Sociedade Esportiva Palmeiras. E, no evento de ontem, o chamado foi feito, o recado foi dado, e o exemplo vivo do sentimento do Palmeiras campeão Mundial de 51 se fez presente.
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Ao final da apresentação, no momento em que estavam no palco os jogadores do Palmeiras 2011 e os ‘pratas da casa’ que serão os heróis do futuro,  nosso Gladiador saiu de cena por uns instantes, para voltar trazendo pela mão, uma página viva da nossa história. Às vésperas de completar 92 anos, Oberdan Cattani, campeão do mundial de 51, último remanescente do Palestra Itália, vestindo a camisa oficial de goleiros da SEP, numa merecidíssima homenagem, subiu ao palco.
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Eu não esperava por isso e acho que a maioria ali também não. Fomos pegos de surpresa! A emoção de Oberdan foi tocante. Enquanto o aplaudíamos, a maneira como ele, altivo, estufou o peito em honra àquela camisa, derrubou todas as barreiras com as quais muitos de nós tentava segurar as lágrimas. Só mesmo o Palmeiras, e a sua maravilhosa história, para nos proporcionar momentos como esse. Só mesmo o Palmeiras e os seus incontáveis e inesquecíveis “super heróis”… Não se conta a história das glórias do futebol brasileiro e Mundial sem se falar do Palestra, sem falar da Sociedade Esportiva Palmeiras…
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Enxuguei as lágrimas e saí dali desejando que os tempos de glória voltem com a mítica camisa. Na alma eu guardava aquela imagem de Oberdan, Kleber, Vinícius… Passado, presente e futuro do time do meu coração…
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AVANTI PALESTRA! SCOPPIA CHE LA VITTORIA È NOSTRA!!

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Foi uma aula de vida…
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E, sinceramente, eu não esperava por isso quando fui até o Mackenzie assistir à uma Palestra de Luiz Felipe Scolari, o nosso Felipão. Acredito que os alunos do Curso de Administração também não…
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Quando cheguei o auditório estava repleto, o mezanino também. Enquanto eu me dirigia para as primeiras fileiras, destinadas aos amigos da Pró-Palmeiras e aos convidados palestrinos, percebia que muitos dos alunos estavam vestidos com o manto. Ia ser um momento e tanto quando Felipão adentrasse o recinto. E foi exatamente o que aconteceu. Depois da apresentação dos componentes da mesa, onde estava o nosso amigo pró-palmeirense, o conselheiro do Palmeiras e professor da universidade Mackenzie, Wilson Nakamura, foi a vez de anunciarem Felipão.
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A plateia vibrou muito e não parava de aplaudir aquela pessoa tão simpática, um tanto quanto acanhada e de expressão tão simples que entrara no palco. Cantamos todos o Hino Nacional, o reverendo falou sobre Davi, leu o salmo 23, as pessoas da mesa foram apresentadas, falaram aos alunos e depois foi a vez do palestrante tão aguardado. Quantos aplausos!!
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E foi aí que Felipão deu um show! De autenticidade, integridade, valores, caráter, qualidades de uma pessoa simples que soube lutar para achar o seu espaço e se tornar vencedora.
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E a primeira coisa que nos disse, depois dos cumprimentos, me emocionou um bocado…Ele nos disse que, naquele dia, ele teria que estar em casa, rezando com a família, por um problema de um outro familiar. E que seria ele quem iniciaria as orações, caso estivesse em casa. E sabem com que salmo? Exatamente o 23 que acabara de ser lido pelo reverendo. E sabem em que horário? Às 20h30. Exatamente no horário em que a oração acabara de ser feita. E Felipão disse que aquilo tudo deveria ter um propósito, deveria ser um sinal, e que não seria obra do acaso. Nesse momento, bastante emocionada, percebi que havia um outro Felipão, no técnico que comanda o meu time.
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E ele falou sobre a sua vida. Sobre a infância do menino pobre do interior gaúcho, que conseguiu ter seu primeiro par de chuteiras, junto com um amigo.  Sim, eles dividiam o par de chuteiras! Um, calçava o pé direito e o outro, o esquerdo. E ele nos mostrou a foto que comprovava a história. Todo mundo riu, mas deve ter sido difícil para aquele menino ter começado, não é mesmo? Quantos impedimentos ele deve ter tido, quantos motivos para desistir… Mas ele perseverou.
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E virou jogador! E enquanto nos contava a sua vida, nos maravilhava com a sua simplicidade, com casos muito divertidos, ele também falava da amizade, da necessidade de se administrar as situações, engolindo alguns sapos se fosse preciso, para se alcançar os objetivos. Era como se estivéssemos assistindo ao filme de sua vida porque, enquanto ele ia falando, imagens desses momentos eram mostradas em um telão ao fundo do palco.
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E a narrativa se tornava cada vez mais deliciosa e algumas vezes extremamente divertida. E fomos acompanhando a sua carreira de técnico desde o começo. Os medos, as inseguranças, a vontade de buscar um lugar ao sol, a maneira como ele se preparava, se municiava de conhecimentos relacionados à carreira que tanto queria seguir. A amizade com Murtosa, que lhe ajudou no início da carreira de técnico, quando todas as portas pareciam fechadas. E nos falou do primeiro contrato que fez com os árabes, dos primeiros sucessos, do título conquistado com o Criciúma, da passagem pelo Grêmio, da sua ida para o Palmeiras.
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O anfiteatro quase veio abaixo quando o telão mostrou Felipão, em 99, segurando  a nossa Taça da Libertadores. E morremos de rir quando ele nos falou sobre Arce, que levava broncas e só dizia: Sim, senhor. E numa certa ocasião, por uma jogada errada, Felipão espinafrou o lateral. E ele só dizia: Sim, senhor. No dia seguinte, um tímido Arce o procurou para dizer: Sabe professor, aquela jogada? Sim, sei! Pois é, não era eu ali! –  Não foi tu?  E tu levou todas aquelas broncas e só disse “sim, senhor”? – É que eu não queria ser traíra… Esse era o Arce, um dos melhores atletas com quem Felipão trabalhou.
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E foi nos contando da seleção brasileira e dos caminhos que percorreu para chegar até ali, das dificuldades em manter o grupo fechado com ele e de como lidou com os momentos difíceis. As imagens do Brasil pentacampeão apareciam no telão. A plateia delirava… Quantos momentos fantásticos, inesquecíveis!
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Chelsea, Uzbequistão… até a volta ao Palmeiras. E não cansávamos de aplaudi-lo de festejar aquela pessoa tão querida.
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Mas foi ao final da Palestra, quando já se despedia, que ele disse o que mais me marcou ali: “Eu sonho em fazer o Palmeiras voltar a ser Palmeiras”. Foi aplaudido de pé!!! Merecidamente!
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Ao sair dali, minha admiração e respeito por Felipão eram infinitamente maiores do que quando eu entrei… Desequilibrado esse homem? De jeito nenhum! Lúcido, inteligente, ponderado, bem intencionado, íntegro. Queria que um dia o Palmeiras pudesse ter um dirigente como ele… queria que um certo dirigente do Palmeiras pudesse ter assistido àquela palestra…
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Placa que a Pró-Palmeiras entregou a Luís Felipe Scolari
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Os amigos da Pró

Pois é, amigos… Viram a foto? Foi-se o nosso Palestra… Nossa casa, tão querida, onde fomos tão felizes…

Podem quebrar tudo, podem tirar até a última pedrinha, mas a energia que ali deixamos, dali jamais sairá… Tenho certeza que até os pedreiros da obra são capazes de ouvir os sons da Que Canta e Vibra, em seus momentos de maior felicidade; são capazes de ouvir os gritos de gol, os nomes dos craques que a Nação gritou ao longo de quase um século; são capazes de ouvir os sons daquela noite de 12 de Junho de 1993, quando o Palmeiras abriu as portas do Palestra Itália para que, saídos do Morumbi, e antes de irmos à Paulista, fossemos gritar “É CAMPEÃO”, dentro da nossa casa…  O estádio, com poucas luzes acesas, ficou lotado!  Milhares de pessoas felizes (até mesmo no campo), que choravam de alegria e não se cansavam de gritar que o Palmeiras era campeão. Os palestrinos, num momento de felicidade extrema, foram correndo prá casa… Uma das coisas mais lindas que eu vi na vida! Não existiam os celulares e suas câmeras, não existiam as máquinas fotográficas digitais, mas foi tudo devidamente registrado com os olhos e salvos na alma e no coração. Nossa força, alegria, todas as lágrimas de felicidade que derramos, todo o amor que dedicamos ao Palmeiras, ali permanecerão, eternamente. Está tudo lá e lá vai ficar… PALESTRA ITÁLIA, ETERNO EM NOSSOS CORAÇÕES!

E a tristeza e a dor de ver o Palestra ser derrubado se mistura à alegria de esperar pela nossa nova casa. Ela vem aí! E vai ser linda, como o Palmeiras merece, como a sua torcida merece. E há de trazer com ela novos e felizes tempos… Há de trazer de volta as glórias que farão do Palmeiras o Campeão de mais um século…

E é hora de o torcedor (sempre ele) entrar em cena, mais uma vez. Se o Palestra Itália tem que ir embora, para dar lugar à nova Arena, que a gente se despeça dele da única maneira que sabemos… com amor. O Palmeiras nunca precisou tanto de amor como agora, em que vive tempos tão difíceis…

Vamos lá torcedor! No domingo (16/01), às 14:00 hs, a torcida palestrina vai dar um grande e amoroso ‘abraço simbólico’ no Palestra! Junte-se a nós! Que este abraço traga ao Palmeiras as boas energias que ele tanto necessita. Somos o maior patrimônio que a Sociedade Esportiva Palmeiras possui. Nós sonhamos com tempos melhores, e porque sonhamos juntos, é que eles irão acontecer…

VENHA ABRAÇAR O PALESTRA! TRAGA O SEU AMOR AO PALMEIRAS! E vamos estender o nosso amor às pessoas que sofrem com o flagelo das enchentes.  Se possível, leve 1 kg de alimento não perecível, ou uma peça de roupa, que serão doados em nome do Palmeiras aos desabrigados.

O ano está chegando ao fim…  Amanhã já é  Natal…

As ruas, cheias de luzes e enfeites, estão repletas de pessoas apressadas, carregando pacotes, sacolas, presentes. O que busca toda essa gente?

Todos os anos eu fico me perguntando se Natal é isso mesmo. Comprar roupas e sapatos novos, aparelhos eletrônicos de última geração, mobília nova, carro novo, muita comida… Eu sei, isso faz parte.  É compreensível… afinal, é como nos preparamos para celebrar a data. Mas Natal não é isso! Natal é amor!É estar perto de quem se ama e poder dizer isso. Natal é fraternidade! De que adianta distribuirmos presentes, se não formos capazes de dar algo de nós mesmos? Se não formos capazes de compartilhar, de ouvir, de estender a mão ao semelhante; se não formos capazes de deixar o orgulho e o egoísmo de lado… Se não formos capazes de abraçar alguém, de verdade, com o coração…

O espírito mais iluminado que já pisou neste planeta veio aqui só para nos ensinar isso. E, 2010 anos depois, ainda apresentamos tanta dificuldade em aprender. Parece que o homem, cada vez mais se distancia da evolução que aqui veio buscar e, mesmo, em meio à uma multidão, se sente cada vez mais sozinho.

E, nessa desesperada busca daquilo tudo que, ilusoriamente, imaginamos necessitar (mas não necessitamos de verdade), não conseguimos encontrar paz…

Na nossa Família Palestrina não é diferente. Um dia estamos em paz com a vida e, no outro, ao menor motivo, uma guerra “nuclear” tem início. Ano após ano, o torcedor palestrino não consegue a paz tão sonhada. Neste 2010 tivemos tudo isso e mais um pouco…

Um primeiro semestre muito ruim, trocas de técnicos, de jogadores, atitudes tomadas impensadamente pelos nossos dirigentes, brigas, revolta, e uma perspectiva macabra de que o descenso no brasileirão, seria o que nos esperaria no restante do ano. O torcedor se revoltava, brigava, perdia as esperanças, a paz cada vez mais longe…  Difícil… Triste…

Mas eis que o “Papai Noel” resolveu passar no Palestra antes da hora. Nem o mais otimista de todos os palestrinos poderia imaginar o que aconteceria durante a Copa do Mundo. Num espaço de pouco mais de um mês, Kleber Felipão e Valdivia se apresentavam, milagrosamente, à torcida. Foi como se de repente cada um de nós tivesse adentrado as portas do paraíso, olhamos para o céu e ele não era mais negro. O mundo se tornara verde e branco, outra vez! Quase enlouquecemos de tanta felicidade… E todos dissemos: “Agora eu não peço mais nada.” “Agora não precisamos de mais nada”.  Como nos enganamos..

Nada deu certo… Um planejamento descuidado, a falta de jogadores, a falta de coragem de alguns, a ganância e mesquinhez de outros, atos impensados, contusões, declarações desastrosas tiraram o pino da “granada… e tudo explodiu!

E assim chegamos ao Natal de 2010… Totalmente desorientados e com o teto caindo sobre nossas cabeças. Torcida dividida, brigando. Os homens do Palmeiras, divididos, à beira de se engalfinharem pelo poder…brigas, xingamentos, discórdia, decepção, raiva…

Mas amanhã é Natal! Paz, Amor, Boa Vontade e Fraternidade não são as palavras que mais ouvimos nesta época? Não são as que mais usamos? E porque não podemos colocá-las em prática?

Por que os homens do Palmeiras não podem deixar os interesses de lado e agir, única e tão somente, com amor e dedicação ao clube?

Por que, você Palaia, ao invés de querer ficar na história palestrina, como um retrato numa parede, não prefere ser o homem que, por amor ao Palmeiras, ajudou a conduzir Paulo Nobre à presidência? Não seria muito mais dignificante? Você entraria para a história pelas portas que poucos conseguirão ultrapassar. E mesmo daqui a cem anos, ainda seria lembrado com amor, com carinho.

Por que os homens que brigam pelo poder, no Palestra, não não se desfazem do orgulho, da ganância, em prol do Palmeiras? Será que é tão difícil assim agirem como homens de bem? Sem ter como objetivo apenas o poder? Claro que não! Basta apenas um pouco de boa vontade.

Há milhares de anos atrás, o poder era de Herodes, e quem entrou para a história foi o humilde filho de um carpinteiro…

Que neste Natal, o Palmeiras tenha homens, de verdade, cuidando do seu destino. Homens dignos, que aprendam a se respeitar e a nos respeitar e, acima de tudo a respeitar a Sociedade Esportiva Palmeiras. Chega de trapaças! Chega de golpes! Basta de ações na justiça para embargar obras e contratos que trarão o progresso ao Palmeiras! Basta de inveja , intrigas e traições nas alamedas do Palestra! Basta de discórdia entre dirigentes, técnico, jogadores e torcedores. O palestrino só quer paz neste Natal… Este é o presente que todos queremos ganhar…

Vamos nos unir, aliados que somos no amor imenso que dedicamos ao Palmeiras. E que o presente a ser dado ao clube que tanto amamos, seja um grande e sincero “abraço”. Com alegria, amor e boa-vontade… De todos nós…

FELIZ NATAL, FAMÍLIA PALESTRINA! Que o “espírito natalino” permaneça em nossos corações e em nossas vidas. Que Deus abençoe a cada um de vocês e às suas Famílias. Eu lhes desejo muita Paz e Boa-Vontade neste Natal!

Não sei se é porque fui ao Palestra, comprar ingressos, ou se é o de sempre, mas já entrei no clima do jogo e do título, faz tempo. Uma ansiedade desgraçada toma conta de mim. Quando penso que falta tão pouco para que possamos realizar mais esse sonho, perco até o ritmo da respiração… Uma coisa é a gente acreditar, só porque é torcedor e outra, bem diferente, é acreditar porque sabemos que podemos, que temos, time, técnico (esse trabalha!); que a diretoria fez o que devia para manter o elenco… que o time está unido e focado no título… que a torcida tá junto… Amanhã daremos mais um passo, em busca dele. Bons ventos sopram no Palestra, graças a Deus!

Lá na fila dos ingressos, enquanto esperávamos horas, a gente ia conversando com quem estava do lado. Caramba! Tá todo mundo acreditando, todo mundo sabendo que temos “bala-na-agulha”. Claro que, matematicamente, outros clubes têm chances. Mas e eu aí com a matemática? Meu coração tá me dizendo que o campeão será o Palmeiras e eu acredito nele e na minha intuição. Já provamos que com o time quase completo (porque falta Pierre e Maurício Ramos) o Palmeiras é muito difícil de ser batido. Teve um bambi dizendo por aí que eles têm mais elenco. Pois bem, tirem oito titulares dos postulantes ao título e vejam se eles conseguem ganhar de alguém.

Eu sempre procuro prestar atenção aos sinais… Vocês se deram conta que Vagner Love veio terminar o que Mustafá não permitiu, quando o vendeu? O Palmeiras liderava o Brasileiro e no meio do campeonato o “Treva” vendeu o craque do time. E não é que ele voltou e encontrou a mesma situação que deixou? Posso até estar enganada, mas VAGNER LOVE VOLTOU PARA SER CAMPEÃO BRASILEIRO!! A vida sempre se encarrega de colocar as coisas em seus devidos lugares…

Amanhã o Caldeirão Verde de Palestra Itália vai ferver!! A Que Canta e Vibra vai cantar e torcer como nunca! Os bambis acabaram de perder, no Panetone… coitadinho do Jason! uahuahuahuauah  O Goiás também perdeu. Parece que Papai do Céu tá usando a camisa verde-esmeralda mais linda do mundo. Mas não há acaso, e tampouco sorte. A diferença é que houve planejamento, há trabalho e envolvimento de todos. Não tem ninguém delegando função para jogar poker, não tem ninguém mais menosprezando o próprio time e jogadores. Quando tudo pareceu escuro, de repente se fez claro…Foi tão fácil fazer a mágica acontecer… né Belluzzo?

Ainda temos caminho à nossa frente, mas estamos seguros de que o paraíso é logo ali. O grito, aprisionado em nosso peito, feito pássaro na gaiola, espera só que as (agora frágeis) grades se rompam, e ele possa voar livre pelos ares. Até amanhã, Palmeiras! Temos um encontro marcado lá no Palestra! Juntos, a nossa força é imensa. Então, vamos buscar esse título! Ano que vem tem Libertadores… e  Valdívia!!!

Eu sabia que Belluzzo iria me dar esse presente de aniversário…