Certa vez, ouvi alguém dizer que torcedores que escrevem sobre os jogos dos seus times, deveriam esperar o dia seguinte para fazê-lo. Depois de uma noite de sono, as coisas sempre parecem um pouco diferentes.

Achei interessante, pertinente, e passei a por isso em prática, para testar, e gostei. Muitas  coisas que, no calor de um fim de jogo, nos parecem importantes, imensas, no dia seguinte, depois de refletirmos melhor sobre elas, passam a ter peso totalmente diferente e diminuem um bocado de tamanho. E quantas bobagens deixam de ser ditas… Por outro lado, a emoção arrebatadora de um resultado maravilhoso, pode acabar perdendo um pouco da sua força no dia seguinte… Mas existem coisas que queremos dizer que não mudam de um dia para o outro,  a gente pode dormir e acordar e ela continua lá “conversando com a gente”, o tempo todo… Como essa postagem anda fazendo comigo há uns dias…

Torcedores são passionais, é verdade, os do Palmeiras, então… não são  chamados de bipolares, cornetas, hardys… à toa.

Não sei bem o que acontece atualmente, o que vem acontecendo nos últimos anos… uma parte da nossa torcida, acometida de não sei qual doença – talvez a da ingratidão -, vem se transformando em algoz do próprio time… e dos jogadores dos quais ela espera maravilhas em campo…

Nada nunca está bom… Tem sempre um “se”. Até mesmo quando vence bem e se classifica, sempre tem quem reclame de alguma coisa. E esses algozes do próprio time exigem um padrão de 100% de excelência dos profissionais, o tempo todo… senão não servem. 100% de excelência, que nenhum desses “exigidores” têm em seus trabalhos, em seus estudos, em seus relacionamentos, em área nenhuma de suas vidas… o tempo todo; nem eles nem os jogadores, nem eu e nem ninguém… seres humanos não são máquinas infalíveis, e eles podem ter a profissão que tiverem que a coisa não muda. Todos temos momentos maravilhosos, em que tudo dá muito certo, e outros tantos em que, por mais que queiramos que seja diferente, a coisa não vai bem. Bem que a gente gostaria, mas ninguém ganha todas, ninguém acerta em todas… Todos cometemos erros às vezes, (muitas vezes) e eles nos servem de aprendizado.

Somos torcedores, porque estamos, ou deveríamos estar, sempre torcendo, pelo nosso time, incondicionalmente, porque o apoiamos em qualquer situação, faça chuva, faça sol, entra ano, sai ano, na série A, na B, na X, na Y, na Libertadores, no Paulistão, no Desafio ao Galo, no amistoso, com time  ruim, com time bom,  com time péssimo, com time maravilhoso… não importa. Claro que todos nós preferimos que sejam só times maravilhosos, só vitórias, sem falhas, sem sofrimento, sem frustração… Ver o time perder é de lascar, na hora a gente fica furioso mesmo, mas, nem por isso vamos ‘apoiar’ o time crucificando e pressionando os que vestem a nossa camisa, impondo condições para isso, desrespeitando quem veio, ainda que por um tempo pequeno, fazer parte da nossa família… Não é nosso papel, não é sadio isso… não é também um problema do futebol, eu acho, é um problema pessoal, de não sabermos lidar com uma frustração… na vida.

Nossa história é rica de momentos maravilhosos desenhados pelos pés e pelas mãos de nossos ídolos… mas corremos o risco de não apresentarmos novos ídolos  para os nossos filhos….

Eu conheci, aprendi a admirar e amar Oberdan, que “segurava a bola com uma mão só e jogava sem luvas” , pelos olhos e palavras do meu pai… aprendi que o Divino era de outro mundo, que “não corria,  porque não precisava, e jogava com elegância”, que Dudu era seu companheiro inseparável, importantíssimo pra ele, que Waldemar Fiume “puta que pariu, jogava demais”, porque meu pai me mostrou isso…

E o que vamos deixar para os que vierem depois de nós? Um vazio? O que vamos contar a eles? Quem sobrará dessa “matança” diária que fazemos?

Nada é suficiente, nada basta… Tudo  é líquído, nada mais dura… nem mesmo o amor e o respeito pelos que nos dão títulos e muita emoção… ídolos não são descartáveis.

Foi doloroso, uma heresia,  chamarem São Marcos de “frangueiro”, um dia, em pleno Palestra… logo ele, que já nos tinha dado tanto. E não só em resultados, em defesas… Não. Ele nos deu tanto em alegria, em respeito e amor ao time, ao compartilhar a sua luz interior conosco, e em todas as vezes que se quebrou (e ainda se quebraria) defendendo a nossa camisa… e o magoamos (eu não) porque não soubemos lidar com um revés…

Não gostei de ver torcedores menosprezarem Alex, lhe dar um apelido que o ridicularizava e diminuía seu talento – anos depois, quanta gente não entendeu porque ele não quis vir encerrar a sua carreira aqui…

Meu coração sempre doeu com o que faziam com Valdivia, que resgatou nosso orgulho, nosso futebol, que tirou as teias de aranha da nossa Sala de troféus, que fez nossos adversários voltarem a nos temer, num período tão difícil pra nós, tão estéril, em que tivemos que torcer por tantos jogadores sem brilho e sem talento…

Não consigo compreender os horrores que alguns (ainda) falam de Gabriel Jesus… acho absurdo ver como alguns ainda esperam que ele não se dê bem lá fora (sim, acredite, essa maravilha de menino não é unanimidade na nossa torcida)…como se um dia ele tivesse assinado algum contrato em que tivesse se obrigado conosco a ser 100% perfeito, a nunca errar. Nosso menino Jesus, que mesmo sendo tão novinho, mesmo sendo o cara caçado em campo, teve a grandeza de um homem experiente para nos ajudar a conquistar dois títulos… menino que ajudou o Brasil a ganhar a inédita medalha de ouro na Olimpíada… que honrou e respeitou a nossa camisa… e se despediu da gente em lágrimas…

Meu coração  se revoltou com o que fizeram recentemente com Vítor Hugo, que não apelidamos de “Mito” à toa… que nos ajudou a conquistar dois títulos nacionais, a ser a defesa menos vazada do Palmeiras campeão Brasileiro em 2016, um dos caras mais gente boa do elenco, e que foi muito desrespeitado em seu perfil do Instagram por algumas falhas que cometeu em campo no início deste ano, e pelos mesmos que iam lá escrever “monstro”, “craque” todos os dias antes disso… falhas, que não têm 1% do peso de todas as suas defesas, desarmes, gols e cambalhotas… E Vitor Hugo, negociado com um clube europeu, merecia uma despedida cheia de carinho da nossa parte…

E fazem o mesmo com Dudu, o craque desse Palmeiras renascido (que já tinha sido esculhambado por perder um pênalti no início de 2015), que alguns vivem dizendo “não ser tudo isso”… fazem o mesmo com Zé, com Mina, o melhor zagueiro deste país, que segundo esses mesmos, “esqueceu como se joga futebol”…

Fico triste quando vejo que o atacante contratado por um  clube rival tem 16 jogos, 9 gols, e 3 eliminações neste ano, a do outro clube tem 30 jogos e  9 gols (alguns impedidos, de pênalti inventado), e Borja tem 17 jogos e 6 gols e alguns já dão o veredito definitivo:  “Ainn, o Borja não deu certo”… e isso vem da parte dos que faltaram ‘vender a  mãe’ para convencer o Palmeiras a trazer o jogador que, segundo esses mesmos, era o melhor atacante de todos e, com ele, seria só entregar as taças…  #admiração descartável.

Não consigo entender esse tipo de coisa…

Mas,  o que não dá para entender mesmo é a falta de consideração e carinho com Prass… porque ele falhou em alguns gols que tomou nos dois últimos jogos (quando ninguém – nem o técnico – foi bem)… e qual bom goleiro nosso e do mundo todo nunca falhou? Prass é um profissional sério, dedicado, que honra e respeita a nossa camisa e a nossa torcida demais… e merece ser respeitado de volta. Mesmo pelos mais desesperados que acham que ele deve ir para o banco. Nós podemos lamentar essas falhas, e torcer pra ele voltar logo ao normal, mas desfazer do Prass, atacá-lo? Magoar o Prass? Por causa de 2 ou 3 falhas? NUNCA!

Prass falhou, é verdade. E quantas vezes ele já nos salvou? E quantas vezes ele fez o que nos parecia impossível? Quantas vezes as suas mãos, salvadoras, ou mesmo seus pés,  nos tiraram aquele frio da espinha de lances nos quais, mortos de desgosto, já “víamos” a bola dentro do gol? Quantas vezes ele nos fez gritar enlouquecidos de alegria? Quantas vezes eles  nos fez chorar de emoção?

Defendeu o nosso gol por 15 rodadas do Brasileirão 2016, e só saiu do time porque foi servir a seleção e lá se machucou… e deixou o time na liderança do campeonato pro Jailsão fazer o resto. Ganhamos a Copa do Brasil , em 2015, porque o Prass jogou pra c#$@lho, porque fez muitas defesaças e porque pegou vários pênaltis  – não fossem essas defesas, nem os muitos gols dos nossos craques teriam adiantado -, ganhamos porque ele teve frieza e competência para fazer aquela última e inesquecível cobrança de pênalti…

Ele virou parte do nosso dia a dia…. “Bom dia, Prass você”… “Agora são três PRASS nove”… “Em nome do Prass, do Filho e do Espírito Santo”…

E não foi à toa que ganhou o canto que nós jamais imaginamos que um outro goleiro fosse merecer… PQP, É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL, FERNANDO PRASS!!

Prass é ídolo, p#rra! Vai ser lembrado e reverenciado pelos que virão depois de nós.  Merece todo o nosso amor, respeito e consideração … PRASS sempre! <3

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Na sexta feira (21), no Museu do Futebol, no Pacaembu, foi realizado um talk-show com o ex-goleiro Marcos e o escritor Nicholas Vital, para jornalistas e convidados. A ação fez parte do lançamento do livro “Libertadores – paixão que nos une”. Patrocinado pela Bridgestone, este é o primeiro livro, em português, que retrata a história completa do mais importante torneio de futebol interclubes das Américas – a Copa Bridgestone Libertadores.

O livro,  publicado também em espanhol, mostra de uma forma bem abrangente, a história do campeonato, os grandes craques, infográficos, dados detalhados de tudo o que o apaixonado por futebol gostaria de saber sobre a competição, além de várias imagens inéditas, depoimentos marcantes de jogadores, técnicos, dirigentes e jornalistas, que revelam os bastidores, mitos e curiosidades da Copa Bridgestone Libertadores, desconhecidos pelos torcedores.

O melhor, mais famoso e querido goleiro deste país, o nosso São Marcos, ao lado de Nicholas Vital, o escritor do livro,  foi a estrela da noite, que contou com a presença de grande número de jornalistas e convidados.

Certamente não havia só palmeirenses ali, mas você não imagina o frisson que a presença de Marcos causou.  Era visível o quanto as pessoas que estavam ali o admiravam. Senti um orgulho tão grande, sem contar aquela sensação de “posse”,  que nós, palmeirenses, sentimos em relação ao Santo. Algo do tipo: “ele é nosso!”.

Antes que ele subisse ao palco, foram mostrados trechos do filme “Santo Marcos 12”. Cada vez que revejo as defesas do Marcão, uma atrás da outra, de uma vez, sinto de novo o impacto que elas tiveram em mim na ocasião em que aconteceram, fico sem fôlego e, mesmo tendo visto, ao vivo, e comemorado cada uma delas, custo a acreditar que elas  aconteceram. Tive que brigar com o meu sangue verde para não chorar ali. Marcão tira a gente do normal, mexe com todas as nossas melhores emoções.

Marcos e o escritor, sentados no palco, respondiam as perguntas dos jornalistas, dos convidados, e é claro, que a maioria delas eram dirigidas ao ídolo do Palmeiras e do Brasil, o goleiro pentacampeão do mundo, o goleiro que, na Libertadores de 1999 (nas duas seguintes também), conquistou o Brasil e ganhou morada definitiva nos corações palmeirenses.

E como era Marcos o entrevistado, era óbvio que as respostas seriam agradáveis divertidas, e fariam a platéia rir várias vezes. Naquele seu jeitão simples, bonachão, de quem não precisa fazer pose para ser notado,  para ser tão grande como é, Marcos respondia a todos com tranquilidade e simpatia, até mesmo a um antipático jornalista, que fez a indelicadeza de lhe perguntar sobre o jogo contra o Manchester (eu achei a pergunta indelicada, desnecessária e fora do assunto “Libertadores”, a pauta da noite).

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E no Museu do Futebol, o ídolo, que foi e ainda é o melhor goleiro do país, lembrava as marcantes vitórias sobre o Corinthians na campanha de 1999:

“Os dois times já tinham algumas participações na Libertadores, mas nunca haviam conquistado o título. Esse tipo de partida é legal para quem torce, mas péssimo para os jogadores, porque a pressão da imprensa e da torcida é imensa. Tivemos a felicidade de vencer, mas a pressão foi absurda, maior até do que na final”, disse Marcos.

No ano seguinte, o Palmeiras voltaria a eliminar o Corinthians nos pênaltis, desta vez na semifinal da Copa Libertadores. “Isso mostra que os times naquela época eram muito parecidos”, recordou Marcos, responsável por defender a cobrança de Marcelinho Carioca (qual palmeirense se esquece desse momento?) .

Em 2001, o Palmeiras estaria mais uma vez na final, não fosse a calamitosa arbitragem (assalto) de Ubaldo Aquino na primeira partida – na segunda partida,  o Boca ficaria com a vaga nos pênaltis. Marcos lembrou a pressão que era, naquele tempo, jogar em La Bombonera:

“A Bombonera é um estádio de muita pressão. A torcida fica em cima e você não consegue se comunicar. Além disso, o Boca catimba muito. É um time especializado em te deixar nervoso, e muitas vezes o árbitro acaba deixando isso acontecer”.

Perguntado sobre como foi sair do banco e substituir Velloso durante a competição, a resposta veio sincera e divertida:

“Na época, foi terrível. O Velloso era experiente e estava bem na competição, enquanto eu tinha poucas partidas como titular do Palmeiras. Foi uma semana de muita oração, mas no final deu certo. Antes de um jogo como esse, você torce até para se machucar nos treinamentos durante a semana”, disse Marcos, arrancando risos da platéia.

Poderíamos ter ficado um tempão ali, ouvindo o Marcos responder às perguntas, contar suas histórias. Mas ele e o escritor ainda teriam muito o que fazer. Do lado de fora do auditório, numa continuação do coquetel do início da noite, haveria uma sessão de autógrafos e fotos com o ídolo e com o autor do livro. E a fila era grande, assim como era grande a alegria dos que ganhavam autógrafos e tiravam fotos com o maior goleiro do Brasil que, para mim, é muito mais do que isso, é o santo da minha devoção.

Marcos-autógrafos

E os que as conseguiam fotos, orgulhosos, mostravam as imagens para os que ainda estavam na fila. Não preciso nem falar que eu também entrei na fila, né?

Agora, vou ler o livro que ganhei. Vou ler as histórias dos campeonatos da América e reviver uma Libertadores que me fez tão feliz. Vou guardar com carinho o autógrafo e a foto do mais maravilhoso goleiro que vi jogar, cujas mãos escreveram a história de uma Libertadores que trago escrita na alma.

Até a próxima postagem, amigo leitor. E vamos torcer pelo Verdão na partida diante do Botafogo!

Hoje, eu acordei de ressaca… Ressaca de emoção.

Ainda estou tocada por tudo o que vivenciei na noite de ontem…

Cheguei no Pacaembu quando ainda faltavam umas duas horas para a partida começar. As pessoas não paravam de chegar; as camisas com o número 12 às costas se multiplicavam, os sorrisos nos rostos das pessoas eram maiores do que nos dias normais, a quantidade de crianças também. Os nossos corações se preparavam para um encontro… e que encontro!

Amigos de perto, amigos de longe, amigos  que ainda não conhecíamos pessoalmente… tinha vindo todo mundo! Abraços, beijos, muita conversa, muitas recordações e uma quantidade imensa de orgulho estavam em todas as rodas. E no escuro da noite, o palco da última apresentação do melhor goleiro do Brasil, o melhor que eu já vi na minha vida, se acendia em verde…

Foto: O Pacaembu está verde!

Quem achou que depois do Brasileiro essa festa perderia brilho, perderia vibração, se enganou redondamente. Vendo aquela multidão que continuava a chegar, eu me perguntava: Que gente é essa, que se supera e se transforma a cada revés? Que se deixa levar só pelo amor? O nó na minha garganta era constante. O melhor mesmo era só falar “abobrinhas” e nem pensar muito sobre o que aconteceria lá dentro do estádio.

E ele estava lindo quando entrei. Lotado! Os quase 40 mil pagantes foram recorde de público do Pacaembu no ano. Tinha que ser o Marcos! E a gente na maior ansiedade esperando o Palmeiras entrar em campo. E quando ele entrou, o estádio explodiu e foi impossível não se emocionar. Quanta saudade daquele Palmeiras… O telão mostrava Marcos, que ainda não entrara, e que estava vindo com o filhinho recém-nascido nos braços.  O mosaico da Mancha reproduzia o gesto que Marcão eternizou.

“PUTA QUE PARIU, É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL, MARCOS!”, gritavam os 40 mil, quando Marcos Roberto Silveira Reis, o nosso São Marcos, subiu ao gramado. Os milhares de flashes dos que queriam capturar todos os momentos da última partida do Santo, deixavam o Pacaembu mágico! As lágrimas que derramávamos sem pudor algum, também.

E os corações palestrinos enlouqueciam diante de tantos ídolos do Palmeiras em campo. AU, AU, AU EDMUNDO É ANIMAL!! O Pacaembu ensurdecia! Que emoção eu senti ao ouvir isso e vê-lo responder lá em campo! EÔ EÔ EVAIR É UM TERROR!! A saudade explodia na arquibancada! Meu coração, em pedaços, se espalhava pelo gramado. Esses pedaços de coração vestiam camisas do Palmeiras e, alguns, as da seleção. Olhava no campo e ali estavam Marcos, Edmundo, Evair, Cleber (o nosso Clebão), César Sampaio, Alex, Paulo Nunes, Tonhão, Amaral, Asprilla, Oséas, Junior, Euller, Sérgio… Ademir da Guia!!! Meeeeu Deeeeus! Era bom demais pra ser verdade! Do lado da seleção, mais um monte de ídolos palestrinos: Cafu, Rivaldo, Antonio Carlos, Roberto Carlos, Velloso, Djalminha (você não, Edílson!)… no comando da equipe, César Maluco e Leivinha, Dudu estava no banco. Só o Palmeiras consegue montar dois times e uma comissão técnica de craques, de ídolos!! E ainda deixar alguns no banco. E Felipão comandava a seleção.

Quando o Palmeiras se perfilou para o hino nacional, eu fui sugada por uma máquina do tempo invisível e meu coração passou a bater num outro tempo, numa outra época. Ouvir o hino do Palmeiras no estádio, logo após ter ouvido o do Brasil, foi surreal. Olhar aquela fileira de craques em campo era algo de outro mundo.

A partida era uma festa! Nossa alma estava em festa! Marcos estava no gol em frente às arquibancadas, e  isso era delicioso. Eu me sentia como se nunca tivesse deixado de ver o Marcão ali, como se nunca tivesse deixado de ver aqueles craques todos jogarem. Era tudo tão familiar, que parecia ter sido na semana passada a última vez que eu os vira em campo.

Edmundo jogava fácil, naquele seu jeito Animal de ser… Clebão, impressionante,  parecia o mesmo de sempre… Paulo Nunes e Amaral também estavam jogando direitinho.  Rivaldo queria marcar gol no Santo de qualquer jeito;  levantou na área, tentou por cobertura do meio de campo (senta lá Rivaldo), bateu falta… mas Marcos estava Marcos, como sempre, e pegou tudo.

A árbitra, que entrou acenando para a torcida, como se fosse uma miss num concurso, teve a cara de pau de garfar o Palmeiras num jogo amistoso, de festa. Fez que não viu o pênalti de Cafu em Paulo Nunes.  Mas não teve o que fazer quando o Animal (contrata ele Tirone!) foi derrubado na área… PÊNALTI!!! Todo mundo pensou a mesma coisa. O Pacaembu era um grito só: Marcos, Marcos, Marcos… os amigos no campo também. Ele hesitava,  não queria ir. Diria mais tarde que achou que a torcida estava com saudade de ver o Evair bater pênalti. hahaha E então, os jogadores vieram buscá-lo. Evair o chamava de longe, Edmundo o empurrava… E nós enlouquecíamos na bancada com a possibilidade de ver o nosso amado Santo fazer um gol, justo no dia em que se despedia do futebol.

Quatro insistentes minutos depois, lá estava o Marcão na área, com o Ronaldo, brincalhão, dizendo em seu ouvido que ele ia errar… Os torcedores, de olhos grudados no campo, não conseguiam conter a ansiedade. Até as crianças estavam nervosas. NÓS ÍAMOS VER UM GOL DO MARCOS! O Dida que ousasse pegar, que eu matava ele! A respiração estava suspensa e o grito já estava na garganta, pronto! Roberto Carlos já comemorava, antes mesmo da cobrança.

E então, a juíza apitou, e o Santo cobrou com a maior categoria! Dida escolheu o canto e Marcão mandou no meio e no alto.

GOOOOOOOOOOL DO PALMEIRAS! GOOOOOOOOOOOOOOL DE MARCOS!! O Pacaembu veio abaixo! Os torcedores se olhavam incrédulos! Todo mundo se abraçava! Marcão pegando tudo e nos dando um gol de presente! Eu não sabia se estava chorando pela alegria de ter visto um gol do Santo ou por imaginar a felicidade dele, enquanto ele corria comemorando. Seus amigos em campo também estavam tão felizes quanto a gente e fizeram ele sumir num abraço gigante. E nós agradecíamos a São Marcos por mais uma graça recebida. Que festa linda! Digna da carreira e da pessoa de Marcos. Digna da Nação Alviverde que chorava de emoção.

Mas tinha mais! Edílson, Rivaldo, Ronaldo… todo mundo tentando, e o Marcão pegando tudo. A galera delirava! Edmundo fez jogada individual e bateu, Dida mandou pra escanteio, Cleber, na zaga, tirava todas (ele ainda cabe no nosso time, viu?)! Tudo como nos velhos tempos. E a máquina do tempo misturou 93 com 99 e nos presenteou com uma outra maravilha: Evair fez uma linda jogada, tocou pro Alex, que passou pra Edmundo; o Animal driblou o Cafu e achou Paulo Nunes na cara de Dida. E ele só teve o trabalho de mandar na rede! Coisa linda!! O coração, velho de guerra, se esparramava no peito, feliz…

No segundo tempo, Rivaldo continuava tentando, mas o Marcão nem aí, se esticava todo e mandava pra fora. E a gente matava a saudade do nosso baita goleiro e de todos os nossos craques. Euller, que continua o mesmo, invadiu a área e quase que Oséas marcou… Que coisa boa a gente poder ver tudo isso. E aí, o Marcão foi jogar de centroavante, e o Sérgio entrou em seu lugar.

Edílson, que cometeu o sacrilégio de tentar dar uma caneta no Divino Ademir da Guia (uma atitude vergonhosa e desrespeitosa como essa tinha que partir dele), sem respeito algum à grandeza de um jogador do quilate de Ademir, chamado de DIVINO, sem respeito algum aos bons anos a mais que ele tem,  diminuiu o placar. Euller quase fez o terceiro, mas Velloso, no lugar de Dida, fez uma baita defesa. Era parmera pra todo lado! E parmerada da mais alta qualidade! Aos 24′, Luizão empatou a partida.

E quem disse que não comemoraríamos a despedida do Santo no dia certo? Depois de uma contagem regressiva no telão, exatamente à meia noite, as luzes se apagaram, o telão nos avisou que era dia 12/12/2012, e Marcos foi para o meio do campo discursar e agradecer.

Confesso, esse momento foi difícil.  Ele agradeceu a Deus, aos seus pais, à sua família, aos seus treinadores e aos jogadores que estavam ali… e nos agradeceu também. Pediu para que a gente não se esqueça dele… como se isso fosse possível. Uns choravam disfarçadamente, outros choravam descaradamente. As lágrimas estavam nos olhos e nas faces da maioria das pessoas. Depois de um ano tão triste, tinha que ser o Santo para nos fazer chorar de emoção e alegria.

Marcos foi dar a sua última volta olímpica diante da Que Canta e Vibra junto com os filhos, num carrinho. E aí, meu coração se partiu de vez. Nem eu imaginei que fosse doer tanto vê-lo acenando em despedida e, como dizem por aí, chorei largada, copiosamente…  Um momento tão lindo e tão doído…

Mas, em meio àquela festa inesquecível, observando o Pacaembu lotado, observando aquela torcida linda, emocionada e tão orgulhosa, sentindo a energia tão intensa que havia no Pacaembu, eu tive certeza absoluta  que pode acontecer o que for ao Palmeiras, ele não perderá a sua grandeza jamais!

E na madrugada de 12/12/2012, a Nação, orgulhosa, foi dormir de olhos molhados e coração feliz…

E, hoje, me lembrando do pedido de Marcos para não nos esquecermos dele, eu o respondo: Isso só vai acontecer Marcão, no dia em que nos esquecermos de respirar.

PUTA QUE PARIU, É O MAIOR GOLEIRO DO BRASIL, MARCOS!

“Eu tenho tanto pra te falar
Mas com palavras não sei dizer
como é grande o meu amor por você…”

Certa vez, alguém me disse que há beleza na tristeza… Deve ser por isso que hoje, o Pacaembu, em Noite Santa, vai ver uma festa linda… feita por milhões de devotos (sim, de alguma maneira, vamos todos ao Pacaembu) que estarão cantando, aplaudindo, sorrindo, mas com o coração em pedaços.

Vamos nos despedir de Marcos… nosso goleiro, nosso amigo, nosso careca, nosso “parente”, nosso contador de causos, nosso ídolo, nosso santo tão amado… e desta vez é pra valer. Que difícil Marcão! Sei que você vai se emocionar, e nós também vamos, muito. Depois desses meses todos de saudade, como num passe de mágica, você vai estar lá no gol  do Palmeiras outra vez. Vamos estar juntos, de novo! Como se nunca tivéssemos deixado de estar. E isso será uma festa para os nossos sentidos! Será música para o nosso coração! Mal podemos esperar para encontrar você de novo,  para te “abraçar”.

Hoje, vamos nos embriagar da alegria de ter você de volta;  da felicidade de podermos olhar a sua mítica figura de braços abertos em direção ao céu, de vê-lo vestindo o uniforme mais lindo do mundo; vamos beber da alegria da tua presença, do prazer de vê-lo jogar; ébrios, emocionados e egoístas, vamos ter você só pra nós… vamos olhá-lo em companhia de Evair, César Sampaio, Euller, Paulo Nunes, Oséas, Asprilla… e nos deixar transportar para 1999… ainda que seja só por 90, minutos…

Hoje, vamos comemorar o privilégio de sermos Palmeiras e termos você, Marcão. Hoje, vamos agradecer a Deus por todas as dádivas que juntos recebemos. Vamos agradecer à vida que o fez fugir da Marginal sem nº e escolher o Palmeiras para ser a sua casa,  enquanto, sem saber, você escolhia o caminho da canonização.

Deus o escolheu para ser Marcos, e você nos escolheu…

Como podemos lhe agradecer? Obrigado parece tão pouco…

Quando eu me lembro de suas defesas maravilhosas, eu quero algo mais que obrigado…

Quando eu me lembro dos seus milagres… a palavra obrigado é pequena demais para tudo o que quero expressar…

Quando eu penso em todas as suas dores, em todo o seu sacrifício… eu sei que obrigado é quase nada…

Quando eu me lembro de todas as vezes que você nos fez gargalhar com os seus causos, as suas declarações, até a minha tristeza dá risada… e  ‘obrigado’ continua a não servir…

Quando eu me lembro de você ter recusado um clube europeu, para ajudar o Palmeiras num momento difícil, eu tenho certeza que não existe uma palavra que expresse o nosso agradecimento.

Todos sempre se lembram da Libertadores, do pênalti do Marcelinho que você defendeu… Eu me lembro daquele cafezinho; me lembro de você ir lá na área tentar nos defender de um resultado adverso, me lembro do Paulistão 2008; me lembro de você ser defendido no tribunal pelo jogador que o juiz alegou que você agredira;  me lembro das suas declarações contundentes, fruto do seu amor pelo Palmeiras; me lembro da segundona, que fizemos mais badalada e mais assistida do que a série A; me lembro de tantas coisas… Me lembro da foto que um amigo e eu tiramos ao seu lado, e você, santamente, nos colocou chifrinhos; me lembro de você ter escolhido a camisa 12 quando todos o queriam com a 1; me lembro de estar de joelhos no chão da cozinha, diante do rádio, tremendo, chorando e agradecendo a Deus e a você, depois daquelas suas defesas diante do Sport… me lembro das suas lágrimas no final do campeonato deste ano… me lembro daquelas dezenas de crianças à sua volta, a cada vez que você entrava em campo… eu me lembro de tudo, de todos esses 20 anos que, graças a Deus, eu pude viver e acompanhar. Obrigado é mesmo muito pouco, Marcos.

Como explicar o que você significa e o tamanho desse amor que sentimos?

Também não somos capazes de explicar esse misto de alegria e tristeza,  de orgulho e saudade… Estamos sonhando com esse encontro de hoje, estamos  contando as horas pra ele chegar, mesmo sabendo que nosso coração vai doer um bocado. E e só pra  te dizer, mais uma vez,  Marcos, como é grande o nosso amor por você.

Estamos muito, mas muito mais felizes e orgulhosos do que tristes. Felizes porque você existe, porque defendeu, honrou e amou a nossa camisa; orgulhosos porque nenhum outro time teve esse gostinho. Felizes porque você  é do Palmeiras;  orgulhosos porque um goleiro do Palmeiras foi pra seleção, fechou o gol e voltou campeão… Felizes e orgulhosos porque o nosso caipira de Oriente, o nosso careca tomador de cafés e contador de causos, botou o bicho papão, Oliver Khan, no chinelo! E foi o melhor goleiro da Copa! Sim, você foi o melhor de todos. O mundo o aclamou! Sempre nos sentiremos felizes e orgulhosos ao lembrar de você, Marcão. Você nos ensinou que o amor e a história dinheiro nenhum pode comprar. Essa é uma bela parte do seu legado a todos nós.

Tenho certeza absoluta que o mundo nunca mais verá um outro Marcos!

Saiba que hoje, nós vamos esquecer todo o resto que nos afligiu neste ano e vamos sonhar! Sonhar que você está de volta; sonhar que vamos conquistar muitos outros campeonatos juntos; sonhar que não carregamos no peito essa saudade tão doída… Sonhar que o tempo vai parar nessa noite de 11/12/2012… e que esse sorriso lindo vai estar nas entrevistas de pós jogo por muito tempo.

Hoje, São Marcos, nós vamos sonhar, mas de olhos bem abertos, para não perdermos nada, para podermos “fotografar” todos os momentos, e registrarmos cada gesto seu, com os olhos da alma, e te levar conosco pra sempre. Para contarmos aos palmeirenses que virão, o que fazia em campo aquele goleiro, aquele homem, aquele anjo,  querido e respeitado por torcedores e jogadores de todos os times; o goleiro que se tornou uma lenda, um santo; vamos contar os teu feitos, os teus milagres, os teus causos (até o do Opala) e eles irão atravessar gerações.

Foi bom demais, Marcão! Fomos felizes até não poder mais e amamos você imensamente por isso. Você foi o grande presente que recebemos de Deus.  E agradecemos a Ele por termos estado na bancada, tomando sol, tomando chuva, durante esses 20 anos, vendo essa página linda da nossa história ser escrita, palavra por palavra, defesa por defesa, milagre por milagre…

Hoje, a nossa alegria, o nosso respeito, o nosso orgulho e o nosso imenso amor estarão no Pacaembu para te aplaudir! Do lado de fora nos esperará  a saudade… Saudade que vamos sentir enquanto vivermos, saudade que a camisa 12  e o futebol sentirão pra sempre…

E como obrigado é muito pouco, nós, os seus devotos, lhe entregamos o nosso coração e o nosso amor. Fica com eles, São Marcos,  porque eles são seus!

PUTA QUE PARIU, É O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL  (E DO MUNDO), MARCOS!!

 

Embaixador do programa de relacionamento Clube Amigo Suvinil, “São Marcos” se despede oficialmente dos campos na próxima terça-feira (11).

A Suvinil será uma das patrocinadoras do jogo de despedida do Santo, que acontece na próxima terça-feira (11), no estádio do Pacaembu. Na ocasião, “São Marcos”, ao lado de grandes craques da história do Palmeiras e da seleção brasileira 2002 (Arce, Alex, Djalminha, Paulo Nunes, Ronaldo, Cafu, Roberto Carlos…), aposentará a camisa 12 de goleiro, que eternizou em mais de 500 jogos disputados pelo Palmeiras e nos 12 títulos conquistados com o time.

A Suvinil, apoiadora do evento, que realizou ações de incentivo com balconistas, donos de lojas e integrantes do Clube Amigo para a distribuição de alguns ingressos desse jogo histórico, tem uma surpresa: irá presentear dois sortudos com um par de ingressos para o jogo. Isso mesmo! A Suvinil vai levar dois torcedores ao jogo mais importante do ano! Ao jogo que marca a despedida do maior, melhor e mais querido goleiro do Brasil!! E você pode ser um deles!

Para participar do concurso cultural e concorrer aos ingressos, basta seguir o perfil da Suvinil no Twitter (@suvinil_tintas) e enviar, do dia 07 ao dia 09 de dezembro, uma frase de até 140 caracteres homenageando o ídolo com a hashtag #valeusaomarcos. Os dois ganhadores serão anunciados nos perfis do Facebook e Twitter da marca no dia 10 de dezembro de 2012, às 14h00.

Boa sorte, amigo! Nos encontraremos no dia 11/12/202, lá no Pacaembu!

O ídolo Marcos lançou na última terça-feira (07) seu primeiro livro oficial, com o título “Nunca Fui Santo”, em parceria com o jornalista Mauro Beting. Porém, devido ao grande número de torcedores no evento, alguns exemplares comprados na própria loja não foram autografados pelo ex-goleiro.

Por causa disso, os palmeirenses que não tiveram a oportunidade de ter o livro assinado receberão outra chance. Mas vale lembrar que essa nova oportunidade é prioritária para os torcedores que compraram a obra durante a festa de lançamento, que aconteceu no dia 07 de agosto, na livraria Saraiva Mega Store, no shopping Eldorado.

A nova sessão de autógrafos, ainda a ser agendada, será exclusiva para estas pessoas que ficaram sem o autógrafo do Santo. O primeiro passo para participar é enviar um email pararelacionamento@universodoslivros.com.br com o número ou cópia da nota fiscal de compra no dia 07/08/2012 (na livraria Saraiva Mega Store, do shopping Eldorado), além do nome completo e o RG. Não serão aceitas notas fiscais de compras em outros locais e em outra data.

Bienal dos Livros

No dia 17 de agosto (sexta-feira), das 13h às 15h, na Bienal dos Livros, os alviverdes poderão adquirir o livro “Nunca Fui Santo” e ainda garantir o autógrafo do jornalista Mauro Beting. Por questão de segurança dos torcedores, o ídolo Marcos não estará presente no evento. Porém, no local, haverá 1.000 livros à venda com o autógrafo do ídolo Marcos. No mesmo dia, a editora Universo dos Livros vai sortear três camisas oficiais assinadas pelo Marcos.

Agência Palmeiras
Thiago Kimori

Confira o vídeo especial feito pelo Marcos:

06 de Junho de 2000… Há exatos 12 anos, um santo foi, definitivamente, canonizado.

Eu poderia falar da alegria… do coração que quase explodiu dentro do peito…

Eu poderia falar da dissimulação, que foi vista sem a máscara e perdeu a pose…

Também poderia falar que, quando vimos quem seria o último a cobrar o pênalti, todos nós já antevíamos o que ia acontecer…

Poderia dizer que estávamos mais unidos do que nunca naqueles breves instantes…

Poderia lhes contar que, nos segundos que antecederam a cobrança, a TV mostrou Marcos no gol e eu, quase morrendo de aflição, notei que a imagem de seu escapulário aparecia pela gola da camisa…

Poderia escrever aqui que, naquele momento, a certeza de que ele ia pegar, corria pelo meu rosto…

Poderia lembrar que todas as nossas rezas deram certo naquela noite… e que quase morremos de felicidade, que lavamos a alma… que a nossa aflição e apreensão deram lugar ao riso, aos gritos de alegria e às lágrimas…

Mas não é preciso que eu diga nada. Nem mesmo que aquela emoção permanece comigo e que ainda choro ao lembrar…

Esse filme jamais sairá da nossa memória…

Que Deus o abençoe sempre, São Marcos! Amamos você imensamente!

 

Na noite de segunda-feira (28), Marcos, o nosso eterno goleiro, e Aldo Rebelo, Ministro do Esporte, foram homenageados pelo Conselho Deliberativo da Sociedade Esportiva Palmeiras, em homenagem realizada no ginásio da Academia de Futebol.

Homenagem merecidíssima!

Marcos, que recebeu menção honrosa e uma placa comemorativa pelos serviços prestados, é um dos maiores ídolos palmeirenses de todos os tempos, senão o maior. Amado pelos palestrinos, admirado e respeitado pelos rivais, além dos “milagres” praticados embaixo das traves palmeirenses, o nosso Santo, pela sua maneira simples de ser, pela humilde e carisma, expôs o nome do Palmeiras de maneira muito positiva, durante os 20 anos em que honrou a nossa camisa e encantou a Nação Alviverde.

Já o ministro, e palestrino fanático, Aldo Rebelo, que leva o nome do Palmeiras pelo Brasil afora, recebeu uma placa e foi agraciado como um autêntico representante do Palmeiras na política brasileira.

Os dois merecem aplausos!

Confira o vídeo da homenagem:

Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer como é grande o meu amor por você… (Roberto Carlos)

Marcos-reza

Dizem que o sol nasce no Oriente… hoje ele se pôs em Oriente…

Eu sabia que iria ser triste quando esse dia chegasse, mas não imaginei que seria tanto…

Hoje, 04 de Janeiro de 2012, Marcos, que nós chamamos Santo, goleiro fantástico, de carreira e vida coerentes, limpas, de um amor imenso pelo Palmeiras, nosso ídolo, anunciou que não mais jogará. Uma estrela de quinta grandeza, totalmente desprovida de vaidade, e que até mesmo na hora de encerrar a carreira o fez de forma simples, sem holofotes, sem programas de TV, no jeitão São Marcos de ser. Simplesmente chegou para César Sampaio e disse:

“pô, Sampaio, f… vou ter que parar”.

A gente palestrina, que anda tão carente, ao receber a notícia inesperada, se sentiu com um buraco no peito. Jogando ou não, estando bem ou não, Marcos é uma referência para o torcedor. É pra ele, e com ele, que direcionamos o nosso amor, o nosso orgulho, quando nos sentimos muito feridos. Na hora em que parece que não temos nada e precisamos contar as nossas bençãos para continuar acreditando, para o nosso coração palestrino continuar batendo, é dele que nos lembramos, é na sua grandeza que vamos buscar consolo, alento.

Não sei você, meu amigo, mas quando eu soube, senti uma tristeza imensa, daquelas que doem tão fundo, fininho, aquele tipo de dor que não sai do lugar, que fica ali doendo, roendo o coração o tempo todo. Não perdemos um jogo, nem um campeonato, perdemos um ídolo, ou melhor, perdemos  o “estar perto” desse ídolo, absurdamente amado. E a única maneira de aliviar esta dor no peito é deixar que as lágrimas sigam seu curso…

E, chorando, eu assisti a um filme… sem roteiro e em desordem…

CT do Palmeiras, 1993. Eu tinha ficado sabendo por um parente do goleiro Sérgio, que ele teria dito que o terceiro reserva do Palmeiras é que era bom e que quando entrasse no time, não sairia mais. E lá fui eu chamar o terceiro goleiro para pedir um autógrafo. Vai que ele viesse a ser tudo que tinham me dito… Olhei bem para aquele cara cabeludo (pasmem, Marcos era cabeludo!) e pensei: Será?? Simples, com um sotaque meio caipira, ele me sorriu, um tanto quanto sem jeito e, parecendo não entender porque eu lhe pedia um autógrafo, assinou a minha agenda.

Palestra Itália, 2007. Último jogo do campeonato brasileiro. Marcos estava fora da partida. Eu entrava pelos portões da Avenida Matarazzo quando percebi uma aglomeração entre as pessoas que chegavam. Olhei bem e vi que Marcos, entrando por ali também, estava no meio de um monte de torcedores. Fui até lá. Ele, atencioso, com uma paciência de monge, atendia a todos, tirava fotos, dava beijos, abraços, sorrisos… mal podia caminhar. Levei minha filha até ele, que a abraçou e beijou com carinho (claro que eu aproveitei e o beijei também). Tanto tempo tinha passado, desde que eu estivera com ele pela primeira vez, tantas coisas Marcos conquistara em sua carreira, tinha virado ídolo, tinha nos dado tantas alegrias, conquistado títulos importantes, mas em seus olhos, em seu sorriso, naquele seu jeito meio tímido, eu vi o mesmo garoto desconhecido que me dera um autógrafo em 93. Ele era a mesma pessoa, sem pose, sem máscara…

Minha filha se mantinha calada enquanto nos dirigíamos à bancada. Ainda não é fanática por futebol, e, por isso mesmo, me surpreendi quando notei que ela tremia, profundamente tocada pela impressão que Marcos lhe causara. Quando ela olhou para mim, bastante pálida, chorando me disse: Mãe, eu não acredito que vi o Marcos! E ele me abraçou, me beijou! Então, chorando também, eu lhe disse, guarda esse beijo e esse abraço pra sempre, porque você esteve com São Marcos, o melhor goleiro do mundo.

E o filme continua… Lembranças de tantas coisas que vivemos, de momentos maravilhosos e inesquecíveis que ele nos deu. Impossível falar de todos eles…

Marcos tomando café durante uma partida de Libertadores! Que outro poderia ter feito isso? Marcos saindo do banco na sua primeira disputa pela América, e entrando para a história do Palmeiras e no coração da gente… Quem é que se esquece de suas defesas, às vezes tão difíceis, que passaram a se chamar milagres? E  nós estávamos todos embaixo das traves com ele, braços abertos, quando Zapata, se apequenando diante daquele monstro das traves, chutou para fora e o Palmeiras se fez campeão da América… Você se lembra do que sentiu naquele momento? Lembra como foi difícil segurar o coração dentro do peito? Então, você entende porque o nome e a imagem de Marcos ficaram impressos em nossos corações pra sempre…

Quem é que se esquece do jogadorzinho farsante e dissimulado que perdeu a pose e a vaga na final da Libertadores, ao ser parado por ele?

Lá vai Marcelinho Carioca para a cobrança…  correu, bateu… DEFENDEU MARCOOOOSSSS!!

E todos nós demos aquele “peixinho” com Marcos. Pudemos sentir a grama no peito enquanto ele, enlouquecido de alegria, deslizava pelo gramado.

Nosso Marcos não é deste mundo. Respeitado por torcedores de todos os times, por jogadores de todos os times e, na mesma medida, temido por esses mesmos torcedores e jogadores, ele virou um mito, virou ídolo de um país inteiro! É respeitado e querido também por aqueles que disputaram a posição com ele.  Nunca haverá outro como Marcos! O melhor goleiro da história da Sociedade Esportiva Palmeiras!

Falar do que ele fez na Copa do Mundo é chover no molhado. Falar que ele encantou o planeta com suas defesas precisas, de tirar o fôlego da gente, falar que ele foi o melhor goleiro da Copa (porque ele foi melhor que Oliver Khan, sim!) nem precisa. Prefiro dizer que foi lindo foi vê-lo comemorando o campeonato mundial, com a alegria de um menino! De um menino que era um pedacinho da gente, um pedacinho do Palmeiras lá no Japão, menino que levou nosso coração com ele…

Mas tem coisas que só aos palestrinos dizem respeito… Eu prefiro me lembrar de quando ele gravou o hino do Palmeiras com Edmundo e Valdivia… Como nos fez bem ver o Marcão lá cantando, sem jeito, se divertindo e nos divertindo também.

Prefiro me lembrar até o final da vida, do goleiro campeão do mundo que recusou uma proposta (verdadeira e não fabricada) do Arsenal para jogar a série B. Não me importa se ele ficou por amor ou qualquer outro motivo que seja. ELE FICOU! E nos ajudou a voltar de cabeça erguida, sem trambique algum, à Série A!

Também não me esquecerei do jogo no Palestra em que dávamos adeus ao campeonato e ele, desesperado, foi lá na área tentar fazer o gol que não conseguíamos marcar. Muitos o criticaram, mas eu senti um orgulho imenso, senti a alma lavada, porque ele fez o que cada um de nós na bancada tinha vontade de fazer.

Prefiro guardar comigo aquela noite em que jogávamos diante do Sport, na Libertadores/09 e Marcos fez uma defesaça impedindo que eles nos tirassem a vaga no último minuto. Depois, nos pênaltis, ele pegou três deles e lavou a nossa alma! Chorando de joelhos na cozinha, onde eu ouvia o jogo no rádio, eu pensei que fosse morrer de tanta alegria.

Prefiro me lembrar da felicidade daquela volta olímpica em 2008, das coisas que ele chorando disse aos companheiros antes de entrarem em campo… “Eu me quebro tudo de novo, mas eu não perco para essa Ponte Preta nem a pau… porque eu sei o que eu sofri pra tá aqui…”

Hoje, o futebol fica mais triste…  Hoje, a camisa 12 vai chorar sozinha… E, tenho certeza, nunca mais desejará ser vestida por ninguém!

Não vamos te dizer adeus, porque você estará sempre conosco. Mas que saudades vamos sentir, Marcão! Do goleiro fantástico, das defesas maravilhosas, dos milagres… sentiremos saudades também da “convivência” com a sua alegria, com o cara bonachão, humilde, com o “parente próximo” que você se tornou pra nós… Mas a gente te entende. Sabemos de todas as suas dores, de todo o sacrifício para entrar em campo. Sabemos que você não merece mais um ano de desgostos.  Você já nos deu muito, cara. Lhe seremos eternamente gratos. Você foi um presente de Deus! Agradecemos a Ele termos visto você jogar. Falaremos de você aos nossos netos, repetiremos os seus divertidos causos, contaremos da sua garra, das suas defesas e do orgulho que você fazia e faz a gente sentir…

Obrigada, Marcos! A Nação de sangue esmeralda te agradece do fundo do coração por você um dia ter vestido a camisa do Palmeiras, por ter fugido daquela espelunca e ter vindo para o Palestra. O nosso amor por você é infinito e não poderemos lhe retribuir toda a dedicação e carinho jamais. Mas saiba que, passe o tempo que passar, nunca iremos ver aquele gol sem você. Porque a cada vez que olharmos aquelas traves, mesmo que vivamos duzentos anos, iremos ver o nosso Santo, de camisa azul, olhos fechados, braços abertos apontando para o céu… essa é a imagem que estará impressa em nossos corações prá sempre…

SEJA MUITO FELIZ MARCOS! AMAMOS VOCÊ E VAMOS MORRER DE SAUDADES!!