Esse texto foi originalmente escrito em 2013, e repaginado em 2020.

“Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões” – Mario Minervino

20 de Setembro de 2020… 78 anos de um momento histórico… a Arrancada Heroica.

78 anos distante daquele Setembro, quando o nome Palestra Italia teve que deixar de existir para que seu estádio não fosse tomado, não fosse apropriado pelo São Paulo  – eles, que não tinham estádio, com a desculpa da guerra, dos italianos “inimigos” do Brasil, e com a ajuda da imprensa, que fez de tudo para pintar o Palmeiras como inimigo da pátria (você conhece bem a versão moderna desse tipo de jornalismo) queriam nos tomar o Palestra. É mole?

78 anos que se seguiram àquela semana em que Oberdan me seus companheiros, concentrados em uma chácara à espera do grande jogo de de 20 de Setembro de 1942, choraram ao serem informados que o nome Palestra Italia não mais existia… imagino a dor que calou no peito dos palmeirenses todos da época  (a vi estampada nos olhos de Oberdan, mais de 40 anos depois, quando ele me falou a respeito) e, de alguma maneira, posso senti-la hoje.

78 anos daquela promessa de vingança, feita por Oberdan e seus companheiros, do juramento de vencer o grande perseguidor do Palestra, na final  do campeonato que se daria na semana seguinte (faltavam dois jogos, mas, pela campanha feita, se o Palmeiras vencesse o São Paulo,  já seria campeão antes mesmo de enfrentar o Corinthians na última rodada)… e eles juraram honrar o Palestra, que morria, e a Sociedade Esportiva Palmeiras, que acabava de nascer…

Aqueles homens todos, que lutaram pela honra do Palestra, que salvaram nosso estádio de ser tomado pelo São Paulo; os que cercaram o Palestra com barris de gasolina para defendê-lo (imagine a cena, imagine o tamanho do amor): os que temeram, os que perderam o sono, os que choraram, que se revoltaram e jamais pensaram em desistir, em se entregar (isso ficou marcado em nosso DNA); os que entraram em campo pelo Palmeiras, pela primeira vez, carregando a bandeira do Brasil, e que foram aplaudidos, durante minutos, pelos mesmos que o esperavam para hostilizá-lo; os que amavam o Palestra e passariam a amar o Palmeiras… todos aqueles palmeirenses de então, não podiam imaginar que, passados 78 anos, o dia 20 de Setembro fosse, oficialmente, o Dia do Palmeiras (Lei nº 14.060 do calendário Oficial do Município de São Paulo)…

Não podiam imaginar que aquela família se tornaria nação e tivesse tantos filhos espalhados por todo o país e pelo mundo… E que esses filhos sentissem tanto orgulho do que eles fizeram, da sua luta… que os lembrassem com alegria e respeito, que lhes fossem tão gratos… que esses filhos comemorassem tanto o dia em que o Palmeiras nasceu campeão, quando o nosso patrimônio foi salvo, quando Oberdan e Cia, liderados pelo Capitão Adalberto, conquistaram o respeito de todos, quando fizeram o São Paulo fugir de campo (sim, eles correram), com medo de apanhar de mais do que 3 x 0… quando o Brasil conheceu a imponência de um gigante, e a honra e a força de sua gente.

O tempo passou, amigo, e nós estamos aqui, hoje, fazendo jus à nossa herança de um Palmeiras digno, honrado, imponente e gigante, com uma “tonelada” de títulos, legítimos, conquistados apenas com o seu suor e esforço dentro de campo… que encara os seus inimigos – e eles são tantos agora – de frente e não se vale de trambiques e armações, que prefere não fazer parte da “Tchurma”… estamos aqui para fazer jus à nossa essência de defender o Palmeiras com a mesma bravura e o mesmo amor dos nossos antepassados.

A história se repetiu, e foi com muita luta (imagina se seria diferente) que o Palmeiras, e todos nós, mais de 70 anos depois, defendemos o direito de transformar a nossa casa no Allianz Parque, a versão moderna e maravilhosa do antigo Palestra Italia, o estádio mais bonito e moderno do país, que não tem um único centímetro de concreto sequer que tenha sido comprado com dinheiro público. Tentaram nos atrapalhar, nos impedir, de todas as maneiras… mas nós vencemos, mais uma vez, e o Allianz Parque virou realidade, virou a nova casa dos palmeirenses… e, como não poderia deixar de ser, novos títulos, legítimos, limpinhos, foram conquistados… a Copa do Brasil 2015, os Brasileiros de 2016 e 2018, o Campeonato Paulista de 2020…

Assim é o Palmeiras! Assim somos nós, palmeirenses, palestrinos… está em nossa essência lutar e honrar nosso clube, a nossa casa, a nossa família; fazer as coisas da maneira certa e amar o Palmeiras acima de tudo… reverenciar a nossa história e os que a escreveram até aqui, deixando o caminho limpo para os que vierem depois de nós.

E é a nossa história, linda, com capítulos emocionantes, que nos faz permanecer altivos, nos faz levantar ainda mais a cabeça, olhar o céu e enxergar o sol, até mesmo quando os tempos ficam difíceis e as nuvens escuras teimam em aparecer… é a nossa história – e ter história é para poucos e bons – que nos faz cantar ainda mais alto, bater no peito e dizer: “Aqui é Palmeiras, p#rra!

Eu tenho muito orgulho da história desse gigante! Orgulho imenso de ter o sangue esmeralda correndo em minhas veias, de tê-lo herdado do meu pai…

Não sou eterna, mas o meu amor pelo Palmeiras é!

AUGURI, PALESTRA/PALMEIRAS!

 

Lá se vão 27 anos… Mas qual palmeirense  vai esquecer daquele 12 de Junho de 1993?

Num dia como hoje, não tenho como não lembrar das noites em que fiquei sem dormir – era impossível dormir direito – esperando a final do Campeonato Paulista… nem do frio na barriga, e daquele aperto (gostoso) no coração, companheiros constante daqueles dias…

Evair, Edmundo, Zinho… povoando nossos pensamentos todos os dias. Do pé de algum deles ia sair gol certamente. E quanta engenharia cerebral imaginando as situações que a gente queria que acontecessem,  tentando antever como seriam as jogadas, como seriam os gols – claro que isso não acontecia só comigo… E quanto mais a gente pensava, mais ansioso ficava… Medo, mesmo, só do improvável. Eu tinha certeza, absoluta, que o Palmeiras seria campeão. E, por isso, era ainda mais difícil esperar…

Os dois ingressos, tesouros inestimáveis, comprados graças à ajuda de Oberdan Cattani, aniversariante do dia, estavam em meu criado mudo junto à imagem da Madre Paulina e de um santinho do Papa João XXIII… 

Hoje, as imagens daquele dia, as sensações daquele dia, do jogo, o perfume daquela noite, as cores, os sons… atravessam o tempo espontaneamente… a gaveta das memórias escancara… 

A noite insone… o coração aflito… o dia nascendo… O caminhão da Parmalat, para o qual buzinávamos, felizes da vida, na  Marginal, e que nos buzinava de volta… A chegada no estádio duas horas antes do jogo, a imagem dos torcedores chegando, enchendo o Morumbi cada vez mais… As risadas, as conversas, os olhos elétricos, faiscantes… A torcida palestrina cantando como nunca, sorrindo como nunca, se abraçando e se desejando sorte… como sempre

O Viola, diziam no rádio, vomitando no vestiário antes de entrar em campo – tinha provocado o timaço do Palmeiras na primeira partida, e sabia que com o Palmeiras mordido vinha chumbo grosso no segundo jogo…

Mais de cem mil torcedores no estádio… Dia dos Namorados, o melhor dia para estarmos com o nosso verde amor… O time do Palmeiras, de meias brancas, entrando em campo… Meu Deus! Que lindo! Impossível expressar o que senti…  E  do jeito que a gente gostava, indo pra cima, jogando muito – Edmundo quase marcando no primeiro minuto… 

A intuição forte, aguçada pela imagem, tão nítida,  quase como uma visão, que me acompanhava por duas semanas… Evair correndo pra galera, braços abertos e comemorando diante de mim. Evair de joelhos no gramado…

Era tudo muito arrebatador! Era mágico… Nos primeiros dez minutos, de uma final histórica, o Palmeiras tinha chutado oito vezes ao gol do rival, que chutara uma vez no gol de Sérgio… 

O Palmeiras enlouquecendo a gente na bancada com o seu futebol, e mo gol que não vinha… A ansiedade pelo primeiro gol que, sabíamos todos, seria a senha para o título… A espera, que durou um século de 37 minutos… o toque de Evair para Zinho, o chute cruzado e a bola indo morrer lá no canto direito do goleiro… O grito que ganhou os ares – e me fez perder completamente a voz, de tanto repetir, bem alto pra Ele escutar, “Obrigada, meu Deus”… A felicidade em um nível que eu nunca tinha sentido na vida…

O gosto delicioso das lágrimas (quantas lágrimas), dos gritos, dos abraços… as minhas conversas com Deus… as mãos trêmulas, o coração batendo fora do peito… os rivais parecendo tão pequeninos, perdendo a cabeça e descendo a botina… a expulsão, injusta, inventada, de Tonhão…  a nossa zaga espetacular… o abismo entre o futebol do Palmeiras, que sobrava na partida, e o futebol do adversário… 

A torcida que cantava sem parar…  um quase gol de Edmundo…  Mazinho tocando e o Matador Evair marcando o segundo gol… a minha visão de tantos dias se materializando diante de mim enquanto ele corria enlouquecido no campo (mas sem se ajoelhar)… o coração que não cabia mais no peito… a jogada de Evair para marcar o terceiro, a bola, caprichosa, resolvendo que pararia na trave, e  Edílson (que saiu do coração da torcida por vontade própria) pegando o rebote e guardando na rede, para fazer 3 x 0… o relógio passeando devagarinho, devagarinho quando queríamos que ele corresse para podermos gritar o que se apertava em nossa garganta… a tremedeira no meu corpo todo… a dificuldade pra respirar… muitos torcedores ajoelhados, olhando para o céu… Homens e mulheres chorando juntos…

O jogo que ia para a prorrogação (mesmo com o Palmeiras tendo 9 pontos a mais que o rival no campeonato)… mais trinta minutos de ansiedade… a hora do tudo ou nada… aquela energia absurda que percorria as nossas veias e incendiava o Morumbi… 

A expectativa  maravilhosa e inexplicável de um sonho, sonhado por tanto tempo, que está prestes a se realizar… o Morumbi transformado numa grande nave a nos levar por “planetas” desconhecidos… a sensação – nova para boa parte da torcida – de aproximação com o que é divino,  sagrado… a pele arrepiada… aquele pensamento, estonteantemente feliz, de: Meu Deus, é verdade mesmo? O não ter mais controle nenhum sobre as suas emoções e se deixar “viajar” no sabor daquele calor que invadia nosso peito… e lágrimas, muitas lágrimas… de nervoso, de alegria… só existia o mundo ali, no gramado, nas arquibancadas e numeradas…

O grito preso na garganta, por tanto tempo, querendo sair de todo jeito… a alma louca pra se sentir leve, “lavada”… a espera judiando de todos os nossos sentidos… o corpo formigando… o coração batendo tão forte que chegava a doer o peito… Não tínhamos nenhuma dúvida… éramos as crianças correndo até a arvore de Natal para encontrar a tão sonhada “bicicleta”…

Os 9 minutos mais demorados da vida… o Animal, perigosíssimo, partindo pra dentro da área e sendo derrubado… o pênalti marcado… a felicidade de quem sabia que com Evair era só esperar a cobrança e comemorar… 

Os olhos grudados no campo… o coração sem bater… a respiração suspensa… O mundo parado naquele momento entre o chute, a bola tocar as redes e o grito sair de nossas gargantas… O “Matador” nos dando a vida… e correndo, de braços abertos, se ajoelhando (só nesse momento entendi que a minha visão de semanas estava completa)… 

A alma lavada,  sons, cor, calor, o mundo brilhando em verde e branco… Luxemburgo descendo para os vestiários antes do jogo acabar (ele já sabia, todos nós sabíamos, até os gambás sabiam)…

Palmeirenses pulando, se ajoelhando, gritando, se abraçando, agradecendo… todos chorando de felicidade… O apito final…  grito, delicioso, ensurdecedor, com que tanto sonháramos: É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!

A minha maior alegria palestrina… Obrigada, Evair, Edmundo, Zinho, Mazinho, Cesar Sampaio, Sérgio, Antonio Carlos, Tonhão, Roberto Carlos, Amaral, Daniel Frasson, Jean Carlo, Alexandre Rosa, Luxa! 

Obrigada, Palmeiras!

 

 

27 de Abril de 1920… início do século XX… e o Palestra Italia, recém fundado, já comprava a sua casa… a nossa casa, palco de tantas conquistas, de tantas verdes alegrias, onde nós, nossos pais, nossos avós, e tantos outros palestrinos vivemos momentos absurdamente felizes e inesquecíveis…

Sem dinheiro público, sem terreno doado por político… 

Ainda no final do final do séc. XIX, a Cia Antárctica Paulista criava o Parque Antárctica – uma área de lazer de 300 mil m², com restaurantes, parque infantil, bosque, lago e… campo de futebol. E a Antárctica começou a alugar o campo para os clubes de futebol. 

Em 1917, o Palestra Italia passou a ser arrendatário também. O seu primeiro jogo no Parque Antárctica foi diante do Internacional-SP, em partida válida pelo campeonato regional.  E o Palestra venceu por 5 x 1. Caetano Izzo marcou o primeiro gol palestrino no estádio que viria a ser a nossa casa. Naquele mesmo ano, no primeiro derby, veja só, amigo leitor, o Palmeiras venceu por 3 x 0… com três gols de Caetano Izzo (abençoado seja ele. Será que era bisavô do Obina?).

Foram 22 partidas, 14 vitórias, 4 empates, 4 derrotas, 56 gols marcados e 29 sofridos até aquele Abril de 1920… E, então,  contando apenas com reforços e recursos da sua comunidade, o Palestra comprou o Parque Antarctica por 500 contos de reis (era muito dinheiro na época). Um projeto audacioso, um passo muito grande,  um sonho que até as mais tradicionais e aristocratas equipes da época ainda não sonhavam (até hoje, em pleno 2020, ainda existem clubes que não conseguiram ter seu estádio). E foi pela iniciativa ousada, pela grande quantia dispendida que a compra do terreno ficou conhecida como “A Loucura do Século”. Nosso Palestra/Palmeiras vanguardista desde sempre.

O Palestra deu uma entrada de 250 contos de réis, acrescida de mais 32 contos referente ao imposto de transmissão. Restaram duas parcelas de 125 contos. A primeira foi paga, mas, devido a uma crise financeira, o Palestra teve dificuldades para pagar a segunda, e, assim, para honrar a dívida e pagar a última parcela direitinho, acabou se vendo obrigado a vender uma parte do terreno para as indústrias do Conde Matarazzo.

Menos de um mês depois,  o Palestra Italia estreou, como proprietário, diante do Mackenzie-SP e venceu por 7 x 0 (era danado esse Palestra, hein?). 

E veio o título Paulista de 1920, o Paulista de 26… o “Extra” de 26… o Paulista de 1927,  o de 32…  No início dos anos 30, o Palestra reformou a sua casa. As pranchetas de madeira deram lugar às arquibancadas de cimento, que ficavam de frente uma para a outra, com o campo entre elas.

E teve goleada verde, outra vez, no primeiro jogo com o estádio reformado… Era 1933, e o Palestra Italia venceu o Bangu por 6 x 1. 

Os anos foram passando, a torcida ia aumentando cada vez mais, e o Palestra (por causa da guerra, ele mudaria de nome e se tornaria Sociedade Esportiva Palmeiras, em 1942) ia conquistando títulos, ia se tornando cada vez maior… Foi campeão do Torneio Rio-São Paulo 1933,  conquistou os Campeonatos Paulistas de 1933/34/36/38(Extra)/1940/42/44/47/50/59, a Taça Cidade de São Paulo 1950/51, o Torneio Rio-São Paulo 1951 e o Primeiro Torneio Mundial de Clubes, em 1951… 

Conquistou o Campeonato Brasileiro 1960… e nova reforma aconteceria em nossa casa. Foi construída uma meia-lua de arquibancada, em forma de ferradura, o campo de futebol foi elevado aproximadamente 3 metros em relação ao nível do solo, formando uma espécie de fosso ao seu redor… e a nossa casa, elegante, passaria a ser chamada de “Jardim Suspenso”… Nosso Palestra Italia cada vez mais lindo.

E vieram as Academias do Palmeiras, e novos craques, novos títulos… muitos títulos… Torneio Rio-São Paulo 1965/93/2000, Campeonatos Paulistas 1963/66/72/74/76/93/94/96/2008,  Campeonatos Brasileiros 1967 (Taça Brasil), o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 67  (Campeonato Brasileiro em novo formato criado pela CBD)69/72/73/93/94, a Copa do Brasil 1998,  Copa Mercosul 1998, Copa Libertadores 1999, Copa dos Campeões 2000… o Palmeiras foi considerado o “Campeão do Século”…

A Família Palmeiras cada vez maior, cada vez mais apaixonada… e quantas alegrias vivemos ali no nosso Palestra Itália, quantas vezes (de perder a conta de quantas foram) descemos as escadas felizes cantando e seguimos em festa pelo fosso… inebriados por uma vitória, por um título… um amor que passava de geração à geração, de pai pra filho, ou que brotava espontaneamente das pessoas com DNA verde e branco… e quanto amor dedicamos à nossa casa… e como nos preocupamos quando mais uma reforma foi anunciada…

Como assim? Vão reformar o Palestra? 

Ficamos sem casa um bom tempo… A última partida válida em competições oficiais aconteceu em 22 de Maio de 2010, quando vencemos o Grêmio por 4 x 2 (como eu chorei naquele dia me despedindo do meu Palestra de tantas alegrias. Choro agora também ao lembrar)…

Ganhamos o Bi da Copa do Brasil em 2012, jogando a primeira final em Barueri… e morrendo de saudade da nossa casa. 

Foram quatro anos de uma saudade enorme, e um pouco antes de 2014 terminar,  finalmente, ela ficou pronta… e que linda! Se tornou Allianz Parque, o mais belo e moderno estádio do país.

Nem precisaria dizer – eu sei que você sabe – que já ganhamos novos títulos lá, não é mesmo?  O Tri da Copa do Brasil, em 2015 – de forma épica, maravilhosa, com Allianz Parque e Rua Turiaçu lotados – e mais dois espetaculares títulos brasileiros, em 2016 e 2018, que fizeram o Palmeiras decacampeão.

Que Deus continue abençoando a nossa casa, nosso Parque Antárctica/Palestra Italia/Allianz Parque, e que Ele permita que ela continue sendo de palco de muitas conquistas do Palmeiras, o Ma10r Campeão do Brasil.

 

 

 

Quem tem história, tem que contá-la, tem que transmiti-la às gerações futuras…

E se tem um clube que tem história, e uma história linda, pra ser contada, esse clube é a Sociedade Esportiva Palmeiras.

1942… A Segunda Guerra Mundial acontecia… o Brasil declarara guerra aos países do Eixo (a Itália era um deles) e, por causa disso, as colônias desses países no Brasil passaram a ser perseguidas…

Palestra Italia, de origens italianas… e italianos (japoneses e alemães também) passaram a ser mal vistos e perseguidos por brasileiros, passaram a ser vítimas do preconceito.

Pra se ter uma ideia, o presidente Getúlio Vargas decretara que os bens de italianos, japoneses e alemães, tanto de pessoas físicas quanto jurídicas (que moravam e trabalhavam no Brasil e nada tinham a ver com o que se fazia na guerra) poderiam ser confiscados para compensar os prejuízos causados ao Brasil pelos países do Eixo – Decreto 4.166, de 11/Março/1942.

E mais, italianos, japoneses e alemães eram proibidos de falar os seus idiomas em público. Cartazes como esse, eram obrigatoriamente colocados em repartições públicas, comércios, clubes… e todo o rigor da lei estava destinado a quem desobedecesse.

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Nem as criancinhas, pobrezinhas, escapavam… No sul do país, as crianças de origem alemã, por exemplo (a maioria delas nascidas no Brasil), eram proibidas de se expressar em alemão, sob pena de serem colocadas de castigo.

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Tempos difíceis, de perseguição,  xenofobia, de ódio insuflado… imagina a vida dos imigrantes aqui? Imagina se no futebol, onde já existe/existia grande rivalidade normalmente, a loucura da guerra não encontraria solo fértil?

Palestra Italia perseguido, caluniado (algumas coisas não mudaram, não é mesmo?) sofrendo todo o tipo de preconceito… E, em meio à perseguição que a guerra ocasionava, havia o “extra” de alguns que queriam se aproveitar da situação. Era o que queriam fazer com o Palestra, e com o seu estádio. Sim, queriam se apropriar do seu patrimônio.

O campeonato Paulista de 1942 estava em curso, em meio à gigantesca tensão que a guerra ocasionava… O Palestra era líder, mas, em Março de 1942, temendo as consequências da perseguição sofrida, resolveu alterar o seu nome para Palestra de São Paulo (muitas outras instituições fizeram o mesmo, como, por exemplo, o Palestra Italia de Minas Gerais, que virou Cruzeiro), seu escudo, naquela ocasião, perdeu a cor vermelha e passou basicamente a ser verde e amarelo.

O Palestra de São Paulo disputou seis partidas com essa denominação, venceu as seis, mas as autoridades que o perseguiam, alguns jornais que também o perseguiam (ainda existe isso nos dias de hoje, não é mesmo?) não se deram por satisfeitos.

Embora a palavra “Palestra” seja de origem grega, as autoridades do governo alegando que ela fazia alusão à Itália, determinaram que o nome do clube fosse novamente alterado.

Uma questão era observada atentamente pelos dirigentes palestrinos… Na troca de nome, o clube já havia cumprido com as suas obrigações perante a lei. E mesmo assim o obrigavam a mudar de nome mais uma vez. Isso deixava claro que havia realmente uma perseguição ao clube.

Imagina a situação? Faltavam duas partidas para o final do campeonato e bastava uma vitória ao Palmeiras para que ele fosse o campeão (seria o seu nono título paulista). No entanto, o clube corria um sério risco de perder seu patrimônio, e até mesmo, de ser fechado.

Graças a Deus nossos dirigentes eram iluminados… sabiam que poderiam perder seu patrimônio, seu estádio, para outros clubes; sabiam que havia um clube, o São Paulo, que estava de olho no Parque Antarctica, e poderia se aproveitar dessa hostilidade e perseguição ao clube de origens italianas,  – alguns jornais tentavam contaminar os brasileiros pintando o Palestra como traidor da pátria. Os dirigentes, sagazes, imbuídos da necessidade de defender e proteger o clube, perceberam que algo mais precisava ser feito…

Graças a Deus também, que o Capitão Adalberto Mendes fora designado pelo Exército para servir em São Paulo e, nas coincidências da vida e do “acaso” (a ajuda sempre vem de algum lugar) acabou conhecendo e se identificando com o Palestra, criando laços de amizade com dirigentes, e acabou sendo nomeado 2º vice-presidente por Ítalo Adami, o presidente palestrino na época. O Capitão Adalberto poderia vir a ser também a figura patriota que amenizaria a hostilidade da qual o Palestra era vítima.

Uma importante reunião aconteceria em 14 de Setembro de 1942 (ela não deve ter sido nada fácil)… e nela, Mario Minervino, que era da diretoria, diria as palavras que não cansamos de orgulhosamente repetir até hoje… “Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões”.  E assim nascia a Sociedade Esportiva Palmeiras…

Décadas depois, Oberdan Cattani me contaria o que foi pra eles, jogadores, essa mudança. Diria que o time estava concentrado na chácara de um diretor quando eles receberam a notícia da mudança de nome… Diria que ele e os companheiros ficaram muito tristes… Me contaria que ele e alguns jogadores choraram, que não conseguiram nem dormir direito à noite… diria também que todos sabiam que era o São Paulo por trás daquela situação. Que o clube rival tinha um diretor que era do Exército… Já estávamos na primeira década do novo século, depois de tantos anos passados, e os olhos de Oberdan, ao falar do assunto, mostravam ainda a profunda tristeza que ele sentira… Foi impossível não sentir o mesmo também.

Por isso, imaginei com que  espírito e motivação foram eles para o jogo decisivo…

O Palestra vinha de 18 partidas, com 16 vitórias, 8 empates, 61 gols marcados e apenas 15 sofridos… e agora, como Palmeiras, teria o adversário/inimigo pela frente…  Boa parte da imprensa caprichava na “arte” de macular a imagem do Palmeiras na semana que antecedia o jogo, lhe “presenteando” com os piores adjetivos possíveis na tentativa de jogar a opinião pública contra ele (por outros motivos e intenções, boa parte dela continua agindo do mesmo jeito nos dias atuais). A pressão era muito grande em cima dos palestrinos/palmeirenses.

Mas não se faz o aço sem fogo, não é mesmo?

Milhares de pessoas lotavam o Pacaembu… A torcida palestrina, que já era uma das maiores da capital, era muito numerosa no estádio; no entanto, era grande o número de antipalmeirenses  também…

O cenário estava pronto para que o Palmeiras entrasse em campo intimidado… Certamente ele seria muito vaiado e teria que entrar cabisbaixo, ferido na alma, no orgulho… Um cenário muito favorável ao seu adversário. Havia muita tensão antes do jogo, antes da entrada do Palmeiras em campo.

Mas era o Palmeiras… e ele nascia pra superar as adversidades que encontrasse em seu caminho…  nascia pra mostrar que era brasileiro sim senhor… nascia, sim, pra ser campeão…

O Capitão Adalberto teve a ideia de o time entrar com a bandeira do Brasil; ele entraria, fardado, com o time também (Oberdan me diria, anos depois, que eles gostaram muito da ideia porque a bandeira significava que eles lutariam pelo Brasil se fosse preciso, e era assim que se sentiam)…

E, então, o Palmeiras entrou em campo… “Após alguns segundos de surpresa por parte de todos, fomos muito aplaudidos e nenhum ato hostil nos foi desferido” –  Capitão Adalberto em depoimento a Luiz Granieri em 1982.

Sim, ao contrário do que imaginara muita gente – seu adversário, inclusive –  o Palmeiras nascia aplaudido, altivo… brasileiro, respeitado. E tinha pela frente a missão de vencer o jogo cuja vitória simbolizava toda a luta que o Palestra teve que enfrentar pra defender seu patrimônio, para defender o direito de existir como clube de futebol.

Oberdan, inspiradíssimo (imagina se não?),  e usando o azul no uniforme pela primeira vez (a partir dali os uniformes dos goleiros palmeirenses seriam azuis), fazia boas defesas e colocava por terra algumas tentativas iniciais do adversário. E, aos 20 minutos, o ponta Claudio Pinho abriu o placar no Pacaembu, marcando o primeiro gol da Sociedade Esportiva Palmeiras.

…………………………

Poucos minutos depois, aos 23′, Waldemar de Brito empatou o jogo. Aos 43′, Del Nero fez o segundo para o Palmeiras. A partida era nervosa, muito disputada… havia muito mais do que um campeonato em jogo…

Jogo nervoso, equilibrado… Para os adversários só a vitória interessava…  eles bem que tentaram, mas o time do Palmeiras, que parecia estar mais bem preparado, ter mais disposição, força em campo (por que será, né?) defendia tudo.

Aos 14 minutos, Echevarrieta ampliou a vantagem do Palmeiras… 3 x 1.  Três minutos depois, Og Moreira invadiu a área e sofreu uma entrada violenta do zagueiro são-paulino, Virgílio. O árbitro marcou o pênalti.

Os adversários, que não queriam perder o jogo de jeito nenhum, ficaram revoltados e não deixavam o Palmeiras cobrar a penalidade. E, então, aos 21 minutos, os são-paulinos abandonaram a partida. Sim, meu amigo,  muito provavelmente para não ter que ver o Palmeiras se sagrar campeão ali no Pacaembu, o São Paulo correu do jogo… Ter visto o Palmeiras ser aplaudido ao entrar em campo – quando esperavam que ele fosse humilhado -, já deve ter sido demais pra eles.

O árbitro aguardou o término do tempo regulamentar e apitou o final da partida… Palmeiras Campeão Paulista de 1942.

Não foi só mais um título, não é mesmo? Contra tudo (de ruim que quiseram lhe imputar), contra todos (os que quiseram lhe prejudicar), o Palmeiras escreveu uma página linda de sua história… a da Arrancada Heroica…

É por isso que 20 de Setembro está no calendário oficial do Município de São Paulo como o DIA DO PALMEIRAS (lei nº 14060)… e nós o comemoramos como o dia em que o Palestra morreu líder e o Palmeiras nasceu campeão!

Auguri, Palestra…Parabéns, Palmeiras!! 

Em um outro texto que estou escrevendo sobre o Palmeiras, para o Palmeiras (e palmeirenses), mas que não é sobre o aniversário, eu me refiro a alguns Agostos…

E não é que 105 Agostos se passaram desde 1914, Palmeiras?

105 “Agostos”… 105 anos de luta, de fibra, de dias bons, dias ruins, dias fáceis, cheios de “sol”, dias difíceis, de pouca “luz”… dias em que a guerra e suas consequências o perseguiram… dia de volta por cima… dias em que você se reinventou magistralmente… dias épicos, de glórias – eles têm sido tantos nesse caminho de “Agostos”… dias de lágrimas de alegria, de sorrisos escandalosos, dias absurdamente felizes, e, principalmente, dias de muito amor…. 105 “Agostos” que te transformaram no Ma10R do Brasil…

Que orgulho eu sinto por ser palmeirense, por ter nascido com um coração palestrino, com sangue verde, quente, correndo nas veias…

Eu sei que nós, torcedores, estamos sempre te pedindo algo… cobrando, falando em obrigação… mas quero que você saiba, Palmeiras, eu não tenho nada a te pedir, nada a cobrar. Você já me deu tudo. Você me dá tudo. Eu só preciso que você exista, que seja como sempre tem sido ao longo desses “Agostos” todos, escrevendo a sua história de maneira limpa, honrada,  como sempre foi, como sempre é… o que nos enche de orgulho.

O aniversário é seu, mas, como sempre,  sou eu/somos nós que ganhamos os presentes…

As minhas maiores e mais arrebatadoras alegrias tiveram as suas cores, o seu calor… Através de você, por causa de você, a minha vida foi colorida de maneira diferente, foi perfumada com os amigos queridos, com alegrias inenarráveis,  daquelas que a gente pensa que o coração vai explodir… alegrias protagonizadas por seres de outro mundo, fazendo coisas de outro mundo, seres que vi e que não vi jogar… Divino, São Marcos, Dudu, Leivinha, Heitor, Imparato, Djalma Santos, César, Evair, Bianco, Edu Bala,  Luís Pereira, Edmundo, Junqueira, Júlio Botelho, Nei, Og Moreira, Jair Rosa Pinto, Liminha, Waldemar Fiume, Jorge Mendonça, Mazinho, Alex, Jorginho Putinatti, Arce, Antonio Carlos, Valdivia, Clebão, Leão, Valdir de Moraes, Rivaldo, Fernando Prass, Duduzinho (impossível listar todos aqui)…

Tendo você como elo de ligação eu pude privar da amizade da lenda Oberdan Cattani, amizade de mais de 20 anos. Através dele eu  tive o privilégio de conhecer Fabio Crippa, Waldemar Fiume, Servílio, Dudu, Turcão (ele me contou, entre risos, a “história da geladeira”), pude ouvir as lindas e divertidas histórias que o goleiro “que pegava a bola com uma mão só” tinha pra contar sobre você…

Você, Palmeiras, me deu aquele tórrido “verão” de Junho de 93, que  aqueceu e incendiou a minha alma e a minha vida…  me trouxe as delícias todas que experimentei em 93, 94, 96, 98… lapidou a minha espiritualidade em 99 (só eu sei)… fez eu me sentir uma “criança ganhando a bicicleta tão esperada” em 2008… me fez sentir a benção daquela chuva mágica e redentora, que descia prateada e muito fria do céu de Barueri, em 2012… entorpeceu meu coração e todos os meus sentidos no arrebatamento do épico 2015… me encheu de orgulho em 2016… fez meu coração bater do lado de fora do peito na maravilha de 2018…

Me deu a história linda de 1951, quando foi ao Rio de Janeiro e trouxe pra casa, numa festa de um milhão de pessoas nas ruas, o  maior título que um clube poderia desejar conquistar… quando deu ao Brasil a maior alegria que um clube poderia dar…

Você também me deu a história de garra, fibra e muita luta de 1942, a história daquela gente palestrina, honrada, digna, que fez a diferença, dentro e fora de campo, para que você pudesse enfrentar e superar as adversidades e o preconceito, para se tornar maior, mais brasileiro, mais respeitado e vencedor ainda…

E muito mais do que títulos – e você conquistou tantos -,  você me deu um mundo em verde e branco… me deu as arquibancadas do Palestra, a Rua Turiaçu lotada, a Que Canta e Vibra… o Allianz Parque… me deu muita diversão, muitas risadas, muitos momentos com a respiração suspensa que explodiram em gritos de gol… me dá a esperança, a expectativa de todos os dias… me deu os olhos brilhantes do amigo que veio lá do Amapá só pra te ver… a emoção de ver o torcedor na bancada, com filho no colo, e chorando de felicidade na hora do gol tão desejado, como se a criança fosse ele… a ansiedade e expectativa do torcedor cego, que certa vez acompanhei da estação de metrô até o Canindé (ele estava indo sozinho ao jogo)… me deu o momento mágico de sentir – em nossa casa, depois de um drible animal de Edmundo – , o primeiro chute dentro da minha barriga de grávida… me dá o ponto de contato com a realidade, no mundo fantasioso em que minha mãe se encontra agora (de você ela não esquece)… me dá o nome com o qual muitas pessoas me chamam quando me veem na rua: Fala aí, Palmeiras… me deu momentos que nem nos meus melhores sonhos poderiam ser tão fantásticos quanto foram na realidade… me ensinou que é muito mais do que futebol sim…

E é como se eu tivesse estado ao seu lado em cada passo desses seus 105 “Agostos”. Meu pai, o pai dele, o pai do pai dele… o meu sangue conhece a história toda…

E como diz a frase do ano: “Maior do que a sua história, Palmeiras, só o seu futuro”… e o amor e respeito que sinto (sentimos) por você.

Tanti Auguri, Palmeiras, seu lindo! Que seus “Agostos” sejam sempre assim,  cheios de glória, honra, orgulho, luz… e amor! Obrigada por tanto!
#Palmeiras105Anos #OMa10rCampeãoDoBrasil #OMaiorAmorDoMundo

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“Eeeeeem 74, nós ganhamos o Paulistão… foi em cima dos gambás… “ 🎶

Num 22 de Dezembro… há 44 anos… #AFreguesiaVemDeLonge

Decisão do Paulistão 1974… O Palmeiras tinha conquistado os campeonatos Brasileiros de 72 e 73 (cheio de craques, com um time chamado de Academia, os títulos eram rotina na vida do Verdão), já o adversário, perdera espaço entre os grandes, estava sem ganhar títulos desde 1954 (é por isso que, hoje em dia, seus torcedores chamam de “títulos de fax” as conquistas – de campeonatos brasileiros, principalmente – de outros clubes nas décadas em que eles ficaram na seca. Pra eles, nesse período, era como se o futebol não existisse. Todo mundo brincava, menos eles).

Sendo assim, a pressão pra vencer era toda do nosso adversário. Mas com o empate por 1 x 1 no primeiro jogo, muita gente achou que a fila ia acabar… A torcida deles lotou o Morumbi, a festa estava preparada… Imagina qual era a postura da imprensa na época? Veja o que disse Leivinha na ocasião:

Nós percebíamos que a imprensa preferia e gostaria de ver o Corinthians campeão. E naquele momento o Palmeiras estava acostumado a ser campeão, e o Corinthians, não. Mas tudo mudou para esse jogo e éramos considerados carta fora do baralho. A festa estava toda pronta para eles, mas as pessoas esqueceram que do outro lado estava o Palmeiras .

Todo mundo dizia que o Corinthians ia ser o campeão. Para nós, a expectativa era normal porque o Palmeiras era campeão quase todo ano. E naquele dia tinha mais de cem mil pessoas no Morumbi (120 mil) e a grande maioria era de torcedores corintianos. Acho que a cada mil torcedores, cem eram palmeirenses. Eles imaginavam que a vitória já estava garantida para eles – diz Jair Gonçalves.

E não foi só a mídia e a torcida adversária em maior número que queriam fazer o Palmeiras perder o título… Teve até ameaça para Leivinha, antes do jogo. Ele recebeu uma carta de alguém que se dizia corintiano e que afirmava que se ele fizesse gol, a pessoa ia matá-lo e ia matar a família dele também.  Ele levou a carta para a diretoria do Palmeiras que disponibilizou dois seguranças para acompanhá-lo de casa para o clube, do clube para casa, por um tempo. Até o presidente do Palmeiras, Paschoal Giuliano, teve um problema em sua casa quando alguém colocou fogo em seu quintal.

‘Tranquilinho’ aquele derby , não é?  E nesse climão, o Palmeiras foi pro jogo buscar a vitória, e abriu o placar com Ronaldo, depois de Jair Gonçalves levantar na área e Leivinha ajeitar pra Ronaldo (Jair e Ronaldo não costumavam ser titulares), calando a grande torcida adversária presente no Morumbi. Depois disso, como contara Leão, o adversário ficou mais preocupado em não tomar o segundo do que ir pra cima do Verdão.

Eles tinham um bom time também. Nós fizemos 1 a 0 e achei que o Corinthians viria para cima do Palmeiras. Mas isso não aconteceu. Eles tinham tanto respeito e tanta preocupação com o nosso ataque, que era bom, que eles ficaram na deles, tentando jogar de igual para igual, mas para não tomar o segundo gol .

E não teve jeito. De nada adiantou a imprensa fazer lobby para o adversário,  a  torcida deles ser maior no estádio… de nada adiantaram as ameaças a Leivinha… de nada adiantou o árbitro, Dulcídio Vanderlei Boschilia, anular um gol legítimo do Verdão (seria o segundo do Palmeiras e o segundo de Ronaldo)… O Palmeiras venceu por 1 x 0 e a festa foi verde no Morumbi.

Pra se ter uma ideia da importância daquela conquista, depois do jogo, por precaução, Leivinha (que já tinha recebido ameaças) e Ronaldo, o autor do gol, seriam colocados pelo pessoal do Palmeiras em um carro todo fechado. Dois policiais iriam dirigindo, com metralhadoras no chão, para que eles saíssem escondidos do Morumbi. Seriam levados para as suas casas com a orientação para sair só no dia seguinte.

O Palmeiras, com a sua maravilhosa Academia, ganhava mais um título, e o adversário, que já estava na fila há vinte anos, ia ficar mais um…

E a torcida esmeraldina cantava: “Zum zum zum… é 21! Zum zum zum… é 21!

(Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2014/08/memorias-do-centenario-o-chute-que-calou-mais-de-100-mil-corintianos.html)


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Foi num 05 de Novembro… um domingo… de um distante 1933…

Nascimento, Carnera e Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu Pellicciari, Lara e Imparato, sob  o comando de Humberto Cabelli… escreveram um capítulo glorioso da história do Palestra Italia…

Jogo válido pelo Campeonato Paulista-1933 e também pelo segundo turno do Torneio Rio-São Paulo – uma semana antes de o Palmeiras conquistar as duas competições enfrentando o São Paulo da Floresta…

No Parque Antarctica (no terreno onde hoje existe o Allianz Parque)…  com quatro gols de Romeu Pellicciari, um gol de Gabardo e três de Imparato, o Palmeiras venceu o Corinthians por 8 x 0…  uma vitória sensacional… a maior goleada aplicada no rival… goleada que, até hoje, 85 anos depois, ainda não foi superada.

Salve, Palestra Italia/Palmeiras!! 👏👏👏👏👏👏👏👏

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“Eeeeeem 33, nós jogamos o Paulistão… foi em cima dos gambás… foi uma surra… 8 x 0 pro Verdão” 🎶

O recém-eleito Presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro, que é palmeirense, teve seu nome escolhido por seu pai em homenagem a Jair Rosa Pinto, ex-jogador do Palmeiras… que foi eleito, e premiado, como o melhor jogador do Torneio Mundial de Clubes Campeões, “Copa Rio” -1951. 😉

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“Ousadia tem genialidade, poder e magia” – Johann Goethe
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Semifinal da Libertadores… jogo contra o Boca, na Argentina… Parada dura… ainda mais depois de termos ido jogar lá, na Fase de Grupos, e, atacando o jogo inteiro, enfiado 2 x 0 nos hermanos (um placar que, em Libertadores, só o Independiente tinha conseguido fazer em La Bombonera, em 1967).

Confesso que não gostei quando vi a escalação do nosso time sem um meia. E já imaginei que Felipão não estava muito focado em atacar e, muito provavelmente, jogaria  pelo empate – sair de lá com um empate não seria nada ruim, mas jogar pelo empate nem sempre dá certo.

No entanto, a princípio, era uma boa tática se defender, não tomar gol, não deixar o Boca se impor em seus domínios… e na maior parte do tempo, o Palmeiras foi impecável em seus propósitos. No entanto, ainda que o adversário não fosse um time tão qualificado, ele ainda era o Boca, copeiro, e jogava em sua casa.  Por isso mesmo, porque ele não era tão qualificado, não era um time difícil de ser batido, e porque ele é “macaco velho” em Libertadores, não podíamos passar o jogo inteiro só na retranca e no chutão, não é? E passamos. E saímos de lá com uma derrota amarga, doída, saímos de lá com 0 x 2. Penso que tínhamos que ter sido mais ousados, ter atacado, oferecido perigo ao Boca, tínhamos que ter tido em campo alguém pra criar as jogadas – e os nossos meias todos no banco…

Um ataque com Dudu, Borja e Willian deveria ser motivo de preocupação para o adversário, mas, com os jogadores do Boca fazendo de tudo para impedir que os palmeirenses conseguissem trocar dois passes, impedindo – com muitas faltas também – com marcação cerrada que nossos atacantes pudessem fazer o que sabiam – Dudu, e não só ele, tinha sempre vários jogadores à sua volta -, era evidente que teríamos dificuldade, e ficou evidente também, pelos muitos chutões que o Palmeiras deu, que faltou alguém ali para auxiliar os atacantes, para achar espaços,  faltou Felipão ter reajustado a forma do time jogar.

………………..Resultado de imagem para Boca Juniors 2 x 0 Palmeiras

Mas é justo que se diga que o Palmeiras estava bem, que conseguiu controlar o jogo quase todo, conseguiu controlar os nervos (os argentinos catimbavam como nunca) e conseguiu impedir, por mais de 80 minutos, que o Boca levasse perigo ao nosso gol – na zaga, Gustavo Gomez foi muito bem. O Palmeiras, apesar de não criar quase nada,  de pecar pela falta de ousadia, não deixou mesmo que o Boca jogasse durante todo o primeiro tempo e em boa parte do segundo. Jogando sério e fazendo o velho “bola pro mato, que o jogo é de campeonato”, desarmava/destruía as tentativas argentinas – Felipe Melo fez uma grande partida, comandou as ações no meio de campo, por outro lado, Moisés estava numa noite bem ruim e só Felipão não percebia. Era nítida a falta de um meia no time, a falta de Lucas Lima… Só que Felipão, quando fez a primeira substituição, no segundo tempo, ao invés de colocar o Lucas Lima (o futebol do Palmeiras gritava por ele),  trocou Borja por Deyverson… que mal pegou na bola.

E quando parecia que íamos conseguir sair de lá com um empate… a coisa desandou. Aos 38′ do segundo tempo, logo depois de Weverton ter feito uma defesa milagrosa e mandado a bola pra fora, Benedetto, que tinha entrado no jogo aos 31′, aproveitou a cobrança de escanteio e a falha na nossa marcação e abriu o placar.

Moisés  marcava Benedetto, e não foi na jogada, não subiu, não disputou a bola com ele. Felipe Melo, que marcava um outro jogador, antevendo que a bola passaria, até tentou ir cabecear com o atacante adversário, mas já não dava, o “Maledetto”, com todo o espaço do mundo, subiu sozinho, na cara do Weverton e mandou pro gol. Mérito do argentino, mas também muita desatenção do Palmeiras…

………………..Resultado de imagem para Boca Juniors 2 x 0 Palmeiras

Em desvantagem no placar, Felipão tirou Bruno Henrique e colocou Thiago Santos (não entendi a substituição. Ele queria segurar o 0 x 1?)… e o Lucas Lima, que já deveria ter entrado jogando desde o primeiro minuto (na fase de grupos ele tinha “deitado” lá na Argentina), continuava no banco… Ah, Felipão…

E para nosso infortúnio, a bruxa estava mesmo solta… Aos 42′, o maledetto do Benedetto (que estava há um ano sem marcar) recebeu um passe, deu um drible no Luan (que deveria ter parado ele na botinada se fosse preciso) e, com um chute colocado, de fora da área, daqueles que o cara só acerta em ano bissexto, com Lua cheia e o Sol em Leão, fez o segundo do Boca. E o Felipão, só então, aos 48′, resolveu sacar Moisés, que deveria ter sido substituído ainda no primeiro tempo, e colocar Lucas Lima no jogo. Mas aí adiantaria em quê?

Até os 83′ de jogo estava tudo tão certo com/para o Palmeiras… e, de repente, em quatro minutos, caiu a casa de uma vez… 83 minutos de uma defesa impecável… Mas o que vale mesmo é bola na rede. E eles, infelizmente, colocaram duas na nossa e não colocamos nenhuma na deles. Pagamos pela falta de ousadia (do nosso técnico) de não irmos para cima de um adversário que poderia sim ter sido batido. Quem não “agride” o adversário, quem não o ataca, acaba sendo sendo atacado por ele.

Ficamos bem chateados, ficamos frustrados com o preocupante resultado… mas esse jogo já acabou, essa página já virou… e a sensação de derrota também.  Semana que vem tem mais noventa minutos, tem o “segundo tempo” dessa semifinal que estamos perdendo por 2 x 0. As possibilidades estão todas abertas ainda…

É difícil? Sim, é.  Mas não é impossível. Sabemos muito bem que os argentinos são catimbeiros, e imagina no próximo jogo? Já vão vir caindo e simulando faltas e agressões ainda no avião. Mas o Palmeiras tem  time para reverter isso, tem técnico… e tem uma torcida maravilhosa.

Teríamos que não ser torcedores para não acreditarmos em nosso time… teríamos que não ser palmeirenses para não termos a certeza absoluta de que o jogo só termina quando o juiz apita, para não conhecermos, não trazermos marcadas no coração e na alma as muitas situações, quase impossíveis de serem mudadas, que o Palmeiras já reverteu em sua história…

Teríamos que esquecer as apendicites, sequestros,  as expulsões mandrakes, o gol de Valdivia na noite de frio e chuva de Barueri… o gol de Betinho em Curitiba… o gol de Fabiano, as viradas de jogo nos minutos finais, o gol de Mina no apito final, as cobranças de pênaltis que nos impediram de respirar por minutos… os 4 x 0 nos gambás, na final de 93, depois da derrota na primeira partida… o golaço inacreditável de Cleiton Xavier nas redes do Colo Colo… as defesas sensacionais de nossos goleiros, que a gente mesmo achava impossíveis de serem feitas… os 5 X 1 diante do Grêmio… o chute pra fora de Zapatta… Marcos defendendo o pênalti do farsante… aquele gol de Galeano… a mudança de nome do clube para defender seu patrimônio e o campeonato por conquistar… a derrota amarga diante do Juventus(ITA) que nos serviu de impulso para a conquista do primeiro Mundial de clubes…  os gols de Euller nos instantes finais do jogo contra o Vasco…

Teríamos que esquecer a épica Copa do Brasil 2015, ainda tão recente,  e todos os percalços que tivemos nesse torneio, todos os “xiii, agora ferrou” que superamos… teríamos que esquecer o campeonato decidido nos pés (nas mãos também) de nosso goleiro, campeonato conquistado  com um gol de Fernando Prass… e com a voz e a força da Que Canta e Vibra…

Para não acreditarmos, teríamos que esquecer que somos Palmeiras… e isso é impossível… é mais fácil esquecermos de respirar, é mais fácil nosso coração esquecer de bater…

Agora é em nossa casa. Faltam 90 minutos. Que venham os “maledettos”…  A força de vinte milhões de palmeirenses estará com o Palmeiras em campo.

É HORA DE LUTAR, VERDÃO, DE LUTAR MUITO!! E VAMOS BUSCAR ESSA P%RRA!!

 

 

VII – OLHA O MUNDIAL DE CLUBES AÍ, GENTE

A dignidade não consiste em possuir honrarias, mas em merecê-las”- Aristóteles
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O Mundial ia começar… a hora finalmente chegara… a maior disputa entre clubes do mundo, entre campeões de vários países da América do Sul e Europa. Os brasileiros ansiavam por ela, e ansiavam também por ver os craques estrangeiros em campo. E os participantes estavam prontos.

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Na Itália, o Torneio dos Campeões era notícia também… No dia da rodada de abertura do torneio, o jornal “Corriere dello Sport” falava da “grande manifestazione calcistica” del “TORNEIO DEI CAMPIONI”.

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A estreia do Palmeiras, campeão paulista de 1950, campeão do Rio-São Paulo de 1951, seria contra o Olympique Nice (FRA), no Pacaembu, pela rodada de abertura do Torneio Mundial de Clubes Campeões. No Maracanã, jogariam Áustria (AUS) e Nacional (URU). E o jornal falava da “sensacional abertura do Torneio dos Campeões”.

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Era 30 de Junho, um sábado. Maracanã e Pacaembu seriam os palcos por onde desfilariam os artistas da bola do mundial interclubes. Os jogos da primeira rodada seriam às 15h00… e quase 40 mil pessoas (28.700 pagantes – não pagantes sempre eram milhares e, na maioria das vezes, ultrapassavam a casa de dez mil pessoas) foram ao Pacaembu naquela tarde  para assistir Palmeiras (BRA) x Nice (FRA).

O Nice, como o campeão francês era chamado, era apresentado pelo jornalista Tomaz Mazzoni como “[…] um conjunto dos mais harmoniosos, com uma sólida defesa e uma vanguarda bem ajustada, requisitos indispensáveis a uma boa equipe” – MAZZONI, Tomaz. Apresenta-se o Palmeiras na “Copa Rio”. Jornal dos Sports, 30 de junho de 1951, pág. 3.

E, uns dias antes, na chegada do Nice, o presidente da comitiva, Sr. Sattegna, já tinha declarado: “Viemos, acima de tudo, estreitar os laços de amizade que unem brasileiros e franceses. Não temos grandes pretensões. O nosso principal objetivo é competir e fazer aquilo que nos for possível dentro das nossas condições técnicas. Na França, e no mundo inteiro, ninguém tem dúvidas da alta categoria do football brasileiro. E por isso mesmo que, pra mim, o Palmeiras e o Vasco são os favoritos desse desfile de quadros mundiais. […] Não quero dizer que vamos ser facilmente esmagados. Também não há de ser fácil. Mas de qualquer maneira, as nossas possibilidades com Palmeiras e Vasco são reduzidas”. Jornal dos Sports, 26 de Junho, de 1951, p.6 – Desfilam impressões os franceses.

O Nice tinha uma sólida defesa… O presidente da comitiva francesa deixava claro que Palmeiras e Vasco eram por eles considerados favoritos… Deve ter sido por essas duas coisas, e pelo nervosismo também (disputar o primeiro mundial de clubes era uma responsabilidade enorme), que o primeiro tempo ficou no 0 x 0 (para o Palmeiras ainda tinha o adicional de o torneio mundial ser um ano após o “Maracanazzo”). O técnico francês, temendo o bom futebol dos brasileiros, preferiu armar uma retranca daquelas, que o Palmeiras só conseguiu furar na segunda etapa.

E naquela tarde de “Brasil x França”, no Grupo B, chave de São Paulo, tarde de estreia brasileira no Mundial de Clubes, exatamente aos 8 min do segundo tempo, o Palmeiras quebrava o ferrolho francês… Aquiles sofreu pênalti de Firoud, ele mesmo cobrou e colocou o Palmeiras à frente no placar. Três minutinhos depois, aos 11′, o craque Jair da Rosa Pinto fez uma jogada espetacular e tocou para Ponce de Leon completar e aumentar a vantagem do Palmeiras. Os palestrinos faziam o Pacaembu vibrar. E, aos 30′, Richard, dando números finais à partida, marcou o terceiro do Palmeiras. A bola ainda tocou em Gonzales antes de entrar.

Fatura liquidada. Para alegria dos palmeirenses, e dos demais torcedores do país, era a primeira vitória brasileira no Mundial de Clubes Campeões… a primeira vitória do time do Verdão. Très bien, Palmeiras! E o sangue, que um dia correria em minhas veias, já começava a receber as primeiras colorações de uma alegria do tamanho do mundo…

PALMEIRAS 3 x 0 NICE (FRA)
Palmeiras
: Oberdan; Salvador e Juvenal; Waldemar Fiume, Luiz Villa e Dema; Lima, Aquiles (Richard), Ponce de León, Jair Rosa Pinto (Rodrigues) e Canhotinho. Técnico: Ventura Cambon.
Nice-FRA: Robert Germani; Serge Pedin e Mohamed Firoud; Jean Belver, Cesar Gonzalez e Rossi Leon; Bonifaci Antoine,  Bengtsson Per, Yeso Amalfi, Désir Carrè e Hjalmars Ake. Técnico: Numa Andoire
Estádio do Pacaembu – São Paulo-SP
Árbitro: 
Franz Grill (Áustria)
Gols:  Aquiles (8′, 2ºT), Ponce de Leon (11′, 2ºT), Richard (30′, 2ºT)
Nenhuma ocorrência com cartão vermelho (ainda não existiam os cartões amarelos)
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No Maracanã, pelo Grupo A, na chave do Rio de Janeiro, diante de um público de 27.463 (18.429 pagantes – Renda CR$ 552.220,00), o Áustria Viena (AUS), numa partida primorosa goleou o Nacional (URU) por 4 x 0.

ÁUSTRIA VIENA(AUS) 4 X 0 NACIONAL (URU)
Áustria:
 Sweis, Melchior II, e Kowanz, Fischer, Ocwirk e Sukach, Melchior I, Koller, Huber (Higgers), Stojaspal e Aurednik.  Técnico: Heinrich “Wudi” Müller.
Nacional:  Penalva, Santamaría e Duran, Suarez (Cruz), Washington e Cajiga, Sovelio (Rutelli), Javier Ambrois, Tiger, J. Garcia (Julio Perez) e Orlandi. Técnico: Henrique Fernandez
Estádio Municipal do Rio de Janeiro, Maracanã – RJ
Árbitro
: Powers (Inglaterra)
Gols: Lukas Aurednik (22′, 1º T e 27′, 1º T), Ernst Stojaspal (8′, 2º T e 40′, 2º T)

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No domingo, na continuação da primeira rodada, o Vasco, base da seleção brasileira de 50 e um grande favorito ao título, estrearia na competição enfrentando o Sporting (POR) no Maracanã; no Pacaembu, o confronto seria entre Estrela Vermelha (IUG) e Juventus (ITA).

E foi nesse mesmo domingo, 1º de Julho, que o presidente em exercício da CBD, Mario Pollo, enviou uma nota de agradecimento ao jornalista Mario Filho, o idealizador do torneio:

Ilmo Sr. Mario Rodrigues Filho – No momento em que se inicia o Torneio Internacional de Clubes Campeões, a Confederação Brasileira de Desportos presta ao grande jornalista-esportista a homenagem merecida por ter sido o inspirado idealizador do certame, cujas proporções atingirão o prestígio e o renome do football brasileiro, no concerto mundial das nações. Em futura oportunidade esta Confederação se sentirá muito feliz em reafirmar o justo preito que agora lhe leva. Manifestando, pois, os sentimentos da instituição representativa do football brasileiro, agradeço também a colaboração constante, eficiente, ampla e entusiasta que o jornal sob sua direção vem dando ao êxito do Torneio. Com os protestos de minha particular estima e do meu elevado apreço. Dr. Mario Pollo – Presidente em exercício

A C.B.D. agradece a Mario Filho o idealizador do “Torneio dos Campeões”. Jornal dos Sports, 1 de julho de 1951, pág. 3.

À tarde,  o Vasco fez, então, a sua tão esperada estreia no Maracanã… cheio de gente.  Diante de 91.438 pessoas (79.712 pagantes – renda: CR$ 2.964.000,00) o outro representante do Brasil goleou o Sporting (POR),  por 5 x 1. Friaça, aos 9′ do primeiro tempo, abriu o placar para o Vasco, Tesourinha, aos 41′, fez o segundo. Na segunda etapa, no primeiro minuto, Ipojucan marcou o terceiro do Vasco;  Patalino, aos 33′, diminuiu para o Sporting; Ipojucan, aos 38′, e Dejayr, aos 45 deram números finais à partida. Uma grande vitória do Vasco diante dos campeões portugueses. E essa vitória, com goleada, deixou os brasileiros mais confiantes ainda nas possibilidades do time brasileiro.

VASCO DA GAMA 5 X 1 SPORTING (POR)
Vasco da Gama
: Barbosa, Augusto (Laerte), Clarel, Ely, Danilo, Alfredo II, Tesourinha, Ipojucan, Friaça, Maneca e Dejayr. Técnico: Oto Glória.
Sporting: Azevedo, Serafim (Belenenses), Passos, Juvenal, Canário, Juca (Veríssimo), Jesus Correia (Patalino, “o Elvas), Vasques, Ben David (Atlético), Travassos e Albano. Técnico: Randolph Galloway
Estádio Municipal do Rio de Janeiro-RJ
Árbitro
: Gabriel Tordjan (França)
GOLS – Friaça (9′, 1ºT), Tesourinha (41′, 1ºT), Ipojucan (1′,  2ºT), Ipojucan (38′ 2ºT) e Dejayr (45′ 2ºT) marcaram para o Vasco;  Patalino, “O Elvas” (33′, 2º T) marcou para o Sporting.
……

Pelo Grupo de São Paulo, nesse mesmo domingo, jogaram Juventus (ITA) e  Estrela Vermelha (IUG) – não há a informação sobre o público, a renda foi de CR$ 874.965,00. Com tantos jogadores da seleção italiana no Juventus e da seleção iugoslava no Estrela Vermelha, a partida foi quase um ITA x IUG,  e o time italiano venceu os iugoslavos por 3 x 2. Tomazevich abriu o placar, aos 17′, para o Estrela Vermelha, Boniperti marcou duas vezes, empatando aos 25′ e virando o jogo aos 42′. Na segunda etapa, Mitic deixou tudo igual, em 2 x 2. Aos 40′, Praest fez o terceiro e deu a vitória ao Juventus.

JUVENTUS (ITA) 3 x 2 ESTRELA VERMELHA (IUG)
Juventus: Viola, Bertucelli, Marente, Mari, Parola, Piccinini, Muccinelli, John Hansen, Bonipert, Karl Hansen e Praest. Técnico: Jesse Craver
Estrela Vermelha: Lovric, Stankovich, Ditich, Palbi, Djurjevich, Djajich, Ogujanov, Mitic, Tomazevich, Ilakovitch (Zlatkovich), Vukosaljevich (Jezervich). Técnico: Lubisa Brocci
Estádio do Pacaembu – São Paulo-SP
Árbitro: Alberto da Gama Malcher (Brasil)
Gols
: Boniperti (25′, 1ºT), Boniperti (42′, 1ºT) e Karl Hansen (40′, 2ºT) marcaram para o Juventus
……….Tomazevich (17′, 1ºT) e   Mitic (15′, 2ºT) marcaram para o Estrela Vermelha

……

A segunda rodada teve duas partidas no dia 3 de Julho. Pelo Grupo A, o grupo do Rio de Janeiro, Sporting (POR) e Nacional (URU) jogaram no Maracanã, às 21h00. Aproximadamente 30 mil pessoas (21.642 pagantes – renda de CR$ 387.840,00)  assistiram à vitória do Nacional sobre o Sporting, por 3 x 2. Com essa vitória, conseguida no finalzinho de jogo, os uruguaios entravam na briga pela classificação.

NACIONAL (URU) 3 X 2 SPORTING (POR)
Nacional
: Penalva, Santamaria e Duran (Holley), Suarez, Washington Gomez, Vargin, Rosselo, Julio Perez (Javier Ambrois), Gimenez, Bermudez e Ramires. Técnico: Henrique Fernandez
Sporting: Azevedo, Serafim e Juvenal, Canário, Passos e Juca (Veríssimo), Jesus Correia, Vasquez, Patalino (Bem David), Travassos e Albano. Técnico: Randolph Galloway
Estádio Municipal do Rio de Janeiro – RJ
Árbitro: 
Galvatti (ITA)
Gols: Bermudez (12′,1ºT), Ramirez (30′, 2ºT), Javier Ambrois (43′, 2ºT) marcaram para o Nacional
……….Patalino (10′,1ºT), Jesus Correia (15′, 1ºT) marcaram para o Sporting

Disse a imprensa da época que foi um grande jogo. Jogo nervoso, extremamente viril, com expulsões, mas de muita luta e entusiasmo, e que o Sporting merecia ter empatado (depois da final da Copa, a torcida brasileira, claro, era praticamente toda para os portugueses, e muitos torcedores vaiaram os uruguaios durante a partida). Para se ter uma ideia, Julio Perez, jogador do Nacional, precisou ser substituído por causa do nervosismo excessivo. Nervosismo, que o próprio técnico afirmou ser o retrato do time em campo.

No dia seguinte, no jornal, além das informações sobre a tristeza que se abateu sobre a equipe do Sporting (POR) com a derrota para os uruguaios, no finalzinho de jogo (também, no final da partida, o português Bem David perdeu duas chances, na cara do gol), e sobre a declaração do jogador Azevedo, de que “nunca sentira tanto uma derrota”, havia também um relato emocionante sobre os vestiários uruguaios pós jogo. Relato que mostrava bem a importância do torneio mundial para clubes e jogadores:

“A entrada dos uruguaios no vestiário ofereceu uma nota emocionante. Lá se encontrava Julio Perez, que havia se retirado de campo devido ao seu intenso nervosismo, num momento, aliás, crítico para o seu bando. Isolado entre as paredes do vestiário, Julio Perez, o bravo e incansável artífice dos ataques do Nacional não soube exatamente o instante em que findara o “match”. Súbito, abrem-se bruscamente as portas e entram os companheiros, em tremenda algazarra, anunciando a vitória! Vitória em que Perez, a rigor, já descria… Encontramos o crack uruguaio em tremenda crise de nervos, que a emoção do triunfo e a festa dos companheiros lhe causaram:

– Julito! Julito!

Perez, no auge do entusiasmo, chorava de tanto contentamento. Tinha os olhos congestionados e o rosto umedecido de lágrimas. Os rapazes do Nacional, para evitar a insistência dos fotógrafos, cobriram Julio Perez com uma grande toalha. E lá, coberto e rodeado sempre pelos “players”, ficou sentado no banco, refugiou-se por fim nos chuveiros, até que desaparecessem os derradeiros vestígios, nos olhos vermelhos e na voz rouca,  das suas lágrimas e dos seus soluços… Refeito da violenta crise, Julio Perez, cordialmente, falou aos repórteres. Fôra uma partida duríssima, onde prevalecera mais a fibra. Confessou que jamais experimentara emoção como aquela: a vitória e as circunstâncias em que a conheceu…”
Jornal “Última Hora”, de 04 de Julho, de 1951, p.9. “Sob forte emoção, que o pôs fóra de jogo, Julio Perez chorou com a vitória.

A emoção e a vontade de vencer eram muito grandes no primeiro Torneio Mundial de Clubes Campeões…
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Pelo Grupo B, o grupo de São Paulo, no Pacaembu, também às 21h00, jogaram Juventus (ITA) x Nice (FRA).  Não há registro do número de pessoas que assistiram à partida, só o da renda que foi de CR$ 200.995,00. O Juventus venceu o Nice por 3 x 2. Pasquale Vivolo abriu o placar para os italianos aos 11′ do primeiro tempo. Jean Courteaux empatou para os franceses aos 20′. Karl Praest colocou o Juventus em vantagem aos 35′. Na segunda etapa, Courteaux empatou de novo para o Nice, aos 15′. Aos 32′, Muccinelli marcou o terceiro e deu a vitória ao Juventus. Mas o Nice jogou bem e perdeu duas grandes chances com Ieso e uma com Ben Tifour, que, sozinho diante do gol, chutou por cima e muito alto. O Nice também reclamou da arbitragem. O auxiliar marcara “off-side” na jogada que resultou no primeiro gol do Juventus, mas o árbitro, confiando em sua própria percepção, validou o gol. Com duas vitórias, o time italiano ficava com uma das duas vagas do Grupo de São Paulo para as semifinais.

JUV (ITA) 3 x 2 NICE (FRA)
Juventus
: Viola, Bertucelli, Manente, Mari, Parola, Piccinini, Mucinelli, Karl Hansen, Pasquale Vivole, John Hansen e Karl Aage Praest. Técnico: Jesse Craver
Nice: Robert Germani; Serge Pedin e Mohamed Firoud; Jean Belver, Cesar Gonzalez e Rossi Leon; Jean Courteaux, Bonifaci Antoine (Ieso),  Désir Carre, Hjalmars Ake e Bentifur. Técnico: Numa Andoire
Estádio do Pacaembu – São Paulo-SP
Árbitro: Franz Grill (Áustria)
Gols: Pasquale Vivole (11′, 1ºT), Praest (35 ‘, 1ºT), Muccinelli (32’, 2ºT) marcaram para o Juventus
………Jean Courteaux (20′, 1ºT e aos 15′, 2ºT) marcou para o Nice.

 

Ainda pela segunda rodada, no dia 4 de Julho, o Vasco enfrentaria o Áustria, mas devido ao frio e mau tempo, a partida foi remarcada para o dia seguinte. E se já havia grande interesse no jogo por parte dos torcedores, as 24 horas extras de espera aumentaram esse interesse ainda mais.

As duas equipes vinham de goleadas aplicadas em seus adversários anteriores. Mais de 100 mil pessoas  (93.833 pagantes – renda: CR$ 2.615.000,00) assistiram à partida. E o Vasco, sem Ademir (ele não se recuperaria a tempo de disputar o torneio mundial) venceu o Áustria por 5 x 1. Mas foi o austríaco Melchior I, cobrindo o goleiro Barbosa, quem abriu o placar no Maracanã, aos 10′. Aos 15′, Friaça empatou a partida, aos 21′, o mesmo Friaça virou o jogo, colocando o Vasco à frente no marcador. Ainda no primeiro tempo, Tesourinha fez o terceiro dos brasileiros. Na segunda etapa, Friaça aos 18′ e aos 39′ assinou a goleada brasileira e colocou o Vasco na semifinal.

VASCO 5 X 1 ÁUSTRIA (AUS)
Vasco:
 Barbosa; Laerte e Clarel; Eli, Danilo e Alfredo; Tesoura (Noca), Ipojucan, Friaça, Maneca (Tesoura) e Djair. Técnico: Oto Glória
Áustria: Schweda (Plovs); Melchior II e Kowanz; Fischer, Ocwirck e Jocksen; Melchior I, Koller (Kominac), Huber, Stoyassat e Aurednick. Técnico: Heinrich “Wudi” Müller.
Estádio Municipal do Rio de Janeiro – Maracanã
Árbitro: Mr. Power (ING)
Gols: Melchior I (10′, 1ºT) ; Friaça (15′  e 21′, 1ºT); Tesourinha (1ºT),  Friaça  (18′  e 39′, 2ºT)
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Completando a segunda rodada, com jogo remarcado para o dia 5 também, o Pacaembu recebeu Palmeiras x Estrela Vermelha (IUG). A previsão era a de uma noite muito fria em terras paulistanas. Liminha e Rodrigues estavam escalados.

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O Alviverde Imponente ia em busca da sua segunda vitória e da classificação no grupo. E o Palmeiras venceu os iugoslavos por 2 x 1, mas levou um susto quando Ongjanov abriu o placar para o Estrela Vermelha, aos 8′ do primeiro tempo. Aquiles empatou o jogo aos 30′. Na segunda etapa, aos 35′, Liminha, que tivera problemas de gastrite e se recuperara para a partida, marcou o  segundo e selou a classificação do Palmeiras. A nota preocupante foi Jair, machucado, ter que ser substituído antes do término do jogo. E justo ele, que vinha ganhando destaque no campeonato.

PALMEIRAS 2 X 1 ESTRELA VERMELHA (IUG)
Palmeiras
: Oberdan; Salvador e Juvenal; Waldemar Fiúme, Luiz Villa e Dema; Lima, Aquiles, Liminha, Jair Rosa Pinto e Canhotinho (Rodrigues). Técnico: Ventura Cambon.
Estrela Vermelha: Krivokuca Srboljuc; Tadic e Stankovi Branko; Palfi Bena, Duratinec e M. Disuic; Ognjanov, Mitic Raiko, Tomasevic Kosta, Djajic Predrag e Vukosavljevic Bane. Técnico: Lubisa Brocci.
Estádio do Pacaembu – São Paulo-SP
Árbitro: Gabriel Tordjan (França)
Gols: Ongjanov (8’ do 1ºT), Aquiles (30’ do 1ºT) e Liminha (35’ do 2ºT)

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A terceira e última rodada da fase de grupos seria disputada nos dias 07 e 08 daquele Julho de tantas e imensas emoções…
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No Maracanã, no dia 07, se enfrentaram Sporting (POR) x Áustria (AUS). Não há registro do número de pessoas que assistiram à partida, só o da renda que foi de CR$ 339.895,00. A segunda vaga no grupo ainda estava disponível. Áustria, Nacional e até mesmo o Sporting, dependendo de uma combinação de resultados, tinham chances de ir para a semifinal. Por isso as partidas eram importantes. E o Áustria venceu o Sporting por 2 x 1.

SPORTING (POR) 1 X 2 ÁUSTRIA (AUS)
Áustria
: Paul Schweda; Oto Melchior e Karl Kowanz; Fischer, Ernst Ocwirk e Joksch; Karl Melchior, Koller (Koelin), Adolf Huber, Ernst Stojaspal e Lukas Aurednick. Técnico: Heinrich “Wudi” Müller.
Sporting: Azevedo; Serafim e Juvenal; Canário, Passos e Barros; Jesus Correia, Vasquez (Vieira), Patalino, Travassos e Albano. Técnico: Randolph Galloway
Estádio Municipal do Rio de Janeiro-RJ (Maracanã)
Árbitro: Mika Popovic (Iugoslávia)
Gols: Auredinick abriu o placar para os austríacos no primeiro tempo; na segunda etapa, Albano empatou para o Sporting; Huber fez 2 x 1 e praticamente colocou o Áustria na semifinal.
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Pela chave de São Paulo, no Grupo B, a partida foi Nice x Estrela Vermelha. As duas equipes já não tinham mais chances de classificação. O Nice venceu a partida por 2 x 1. Não há registro do número de pessoas que assistiram à partida, só o da renda do jogo que foi de CR$ 198.800,00

ESTRELA VERMELHA (IUG) 1 X 2 NICE (FRA)
Estrela Vermelha
: Krivokuca; Tadic  e Djakic (Nesovich); Palfi, Djurdjevic e Djajic; Tihomir, Ognjanov, Rajko Mitic, Zlatkovic, Knstic e Jezerka. Técnico: Lubisa Brocci
Nice: Germain; Rossi e Firoud; Bonifaci, Gonzalez e Beiver (Pedine); Corteaux, Ieso, Pär Bengtsson, Carrè (Cartidia) e Abdelaziz Ben Tifour – Técnico: Numa Andoire
Estádio do Pacaembu – São Paulo-SP
Árbitro: Mario Viana (Brasil)
Gols: Rajko Mitic (1′, 2ºT) marcou para os iugoslavos,  Ben Tifour (4′, 2ºT) e Pär Bengtsson, de pênalti (2º T), marcaram para o Nice.

Nesse jogo em que as duas equipes, já eliminadas, se despediam do Torneio Mundial de Clubes Campeões, houve uma ocorrência: O goleiro Krivokuca, do Estrela Vermelha, empurrou o juiz  juiz brasileiro, Mario Viana, e cuspiu em seu rosto, porém, ele não foi expulso de campo.
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Completando a terceira e última rodada da fase de grupos, no dia 08 de Julho, Vasco e Palmeiras, já classificados, enfrentariam os representantes de dois países bicampeões mundiais: Uruguai e Itália. O Uruguai tinha conquistado a Jules Rimet em 1930 e 1950, e a Itália se sagrara campeã em 1934 e 1938. Estaria em disputa também a primeira colocação nos grupos. Era Brasil x Uruguai, no Rio; Brasil x Itália, em São Paulo…

A partida do Grupo do Rio de Janeiro era muito aguardada. O Vasco, a base da seleção vice-campeã do mundo de 50, enfrentaria o Nacional, campeão uruguaio, e representante do país que tomara do Brasil a Taça Jules Rimet, há menos de um ano… O público pagante foi de 61.766, para uma renda de CR$ 1.532.120,00. O Nacional tinha esperanças de vencer o Vasco (dizia-se na época, que seus dirigentes, confiantes em uma vitória, e em uma possível classificação, haviam até reservado um  hotel para o restante do torneio). Mas quem venceu o jogo, por 2 x 1, foi o Vasco, acabando com as pretensões dos uruguaios, consolidando a sua classificação e ficando em primeiro em seu grupo.

VASCO DA GAMA 2 X 1 NACIONAL
Vasco: 
Barbosa; Augusto e Clarel; Eli, Danilo Alvim e Alfredo; Tesourinha, Ipojucan (Amorim), Friaça, Maneca e Dejair. Técnico: Oto Glória.
Nacional: Penalva; Santamaria e Holdoway; Duran, Washington Gomez e Varela; Rosselo (Ramiro), Julio Perez (Ambrois), Gimenez, Bermudez e Orlandi. Técnico: Henrique Fernandez.
Estádio Municipal do Rio de Janeiro – RJ (Maracanã)
Árbitro
: Power (Inglaterra)
Assistente 1: Franz Grill (Áustria)
Assistente 2: Gabriel Tordjan (França)
Gols: Djair (36′, 1ºT), Ipojucan (23′, 2ºT), não há registro sobre o autor do gol do Nacional.
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Da mesma maneira, era grande o interesse na partida do Grupo de São Paulo entre Palmeiras e Juventus (ITA). Muito embora as duas equipes já estivessem classificadas, estava em jogo a liderança do grupo, uma vez que o líder enfrentaria o segundo colocado do Grupo do Rio de Janeiro nas semifinais, e o segundo colocado enfrentaria o Vasco.

O Pacaembu estava lotado. 37.639 eram os pagantes – Renda: Cr$ 1.120.905,00. O Palmeiras foi a campo com uma formação diferente, sem três titulares – Jair, um desfalque e tanto, tinha saído machucado no jogo anterior, foi banco naquela partida e atuou só em parte da segunda etapa, o zagueiro Salvador e o atacante Luiz Villa  não jogaram -,  e deu tudo errado para o Palmeiras. O Juventus, que tinha uma defesa muito boa, sólida, mas também tinha atacantes perigosos, venceu por 4 x 0. Boniperti, aos 10′ e aos 18′ do primeiro tempo, deixou o Juventus com 2 x 0 no placar.  Na segunda etapa, os 3′, Karl Hansen marcou o terceiro, Praest, aos 35′, deu números finais ao placar fazendo o quarto gol. Pra desgosto dos brasileiros, que esperavam que Palmeiras e Vasco pudessem ser os dois finalistas, os representantes do Brasil no mundial de clubes iriam se enfrentar na semifinal e só um seguiria em frente – as glórias palestrinas sempre parecem preferir percorrer os caminhos mais difíceis… Juventus e Áustria decidiriam a outra vaga na final.

PALMEIRAS 0 X 4 JUVENTUS (ITA)
Palmeiras
: Oberdan; Sarno e Juvenal; Waldemar Fiúme, Túlio e Dema; Lima, Aquiles (Ponce de Leon), Liminha, Canhotinho (Jair Rosa Pinto) e Rodrigues. Técnico: Ventura Cambon.
Juventus: Viola; Bertucceli e Manente; Mari, Parola e Piccinini; Muccinelli, Karl Hansen, Boniperti, Johan Hansen (Vivole) e Praest. Técnico: Jesse Carver.
Estádio do Pacaembu. São Paulo-SP
Árbitro: Edward Graigh (Inglaterra)
Assistente 1: Gardeli (Itália)
Assistente 2: Mika Popovic (Iugoslávia)
Gols: Boniperti (10’ do 1ºT), Boniperti (18’ do 1ºT), Karl Hansen (3’ do 2ºT) e Praest (35’ do 2ºT)

Fim da fase de Grupos… Os clubes classificados já estavam definidos… Palmeiras e Juventus, do grupo de São Paulo, enfrentariam Vasco e Áustria,  do grupo do Rio de Janeiro.

A sorte estava lançada, uma equipe brasileira estaria na final… Palmeiras ou Vasco representariam o Brasil na decisão do primeiro Torneio Mundial de Clubes Campeões. Palmeiras ou Vasco iriam em busca do título que faltava ao Brasil… Uma felicidade, inédita, novinha em folha, daquelas de estremecer e emocionar um país inteiro, já espreitava os torcedores brasileiros…