AQUI É PALMEIRAS, P@#&A!

Se não fosse tão arrebatador, se não escancarasse todas as nossas emoções, se não abrisse todas as nossas gavetas e colocasse o nosso coração do lado de fora do peito, se não tirasse nossos pés do chão, se não nos levasse às lágrimas, e não fizesse com que nos sentíssemos pertinho de Deus… não seria Palmeiras…  💚

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Palmeiras x Jorge Wilstermann… Palmeiras x Peñarol… Peñarol x Palmeiras… Palmeiras x Santos… Inter x Palmeiras… Palmeiras x Cruzeiro…  Só o Palmeiras mesmo para nos proporcionar emoções tão intensas, tão arrebatadoras…

Estar perdendo, por 3 x 0, num jogo de quartas de  final da Copa do Brasil, ainda no primeiro tempo – o que faz minar totalmente o psicológico do time que está sendo derrotado – e ir buscar… não é para qualquer um.

Achei que Cuca tinha se equivocado na escalação. Depois de algumas partidas em que deixou Zé Roberto no banco, o técnico me inventa de escalá-lo no jogo de ontem. E na lateral, com Dracena para lhe dar cobertura. Não ia dar muito certo… Estranho que Cuca não tivesse se dado conta disso. Sem contar que, pra mim, Borja no banco também era um  erro.

Mas, mesmo meio temerosa pela escalação, eu não esperava – nenhum palmeirense esperava – pelo que aconteceu no primeiro tempo de Palmeiras x Cruzeiro, acho que nem mesmo o mais otimista dos cruzeirenses sonhou com aqueles 3 x 0 no Palmeiras com 30  minutos de jogo…

No início, o  Palmeiras dava pinta de que iria jogar sem muitas dificuldades, que estava tranquilo em seus domínios, e tomava mais a iniciativa… tudo como  imagináramos antes do jogo.

No primeiro minuto, Willian recebeu de Guedes e, meio sem ângulo, finalizou no cantinho, mas pelo lado de  fora… Logo em  seguida, Guerra, de fraque e cartola, fez uma jogada maravilhosa, saiu lá de trás – do nosso campo de defesa -, com bola dominada, fez a fila, avançou, mandou um chutaço pro gol e obrigou o goleiro das marias  a fazer uma grande defesa. O Allianz ficou encantado, de olhos arregalados, com a jogada de Guerra (que craque ele é, me lembrou Valdivia)…

E,  de repente, “a lua se escondeu” e ninguém  entendeu mais nada… Em três únicas descidas,  o Cruzeiro fez 3 gols…

Num contra ataque do adversário, numa cochilada da nossa defesa, e em  apenas 4 toques, a bola estava no fundo das nossas redes. Parecia tão irreal termos tomado aquele gol… e com sete minutos de jogo. “Como assim?”, nos perguntávamos todos. E o que nos parecera que estava certo  antes, começava a dar errado…  o gol deixou nosso time desencontrado, mas a torcida – fazendo contas – cantava, para animar e motivar o time.

Doze minutos depois, numa bobeira geral, Robinho faria o segundo gol do Cruzeiro (tenho a impressão que, algumas vezes, nossos jogadores marcam a bola, correm atrás dela, e esquecem de marcar os jogadores adversários). Uma ducha de água fria na torcida esse gol… todos sentimos o baque… Eu me sentia anestesiada, e me estranhava… mas continuávamos cantando… e fazendo contas.

Aos 30′, na terceira descida do Cruzeiro no jogo, o terceiro gol marcado… de novo, um vacilo palmeirense…

Cuca, pra começar a consertar as coisas… chamou Egídio e sacou Fabiano. Zé Roberto deixaria a lateral e iria para o meio onde nos ajudaria mais…

Se já era difícil imaginarmos uma derrota do Palmeiras, mais difícil ainda era lidarmos com o placar dilatado e com a sombra de uma desclassificação antecipada pairando sobre nossas cabeças… ainda mais quando o primeiro tempo acabou sem que conseguíssemos descontar…

Enquanto pensávamos: “Agora, ferrou”,  nossos olhos interrogavam os dos amigos: Será que tem jeito? A boca, orientada pelo coração, dizia: Jeito tem. E é o Palmeiras, pô! Vamos conseguir! E, dessa maneira, aflitos sim, mas sem tempo para não acreditar,  guiados apenas pelo coração,  todos tínhamos a certeza que, de alguma maneira, iríamos superar mais essa…

E então, o segundo tempo começou… e nós estávamos sem o Guerra – ó céus -, que sentiu dores e foi substituído no intervalo. Borja entrava em seu lugar.

A torcida apoiava o time… cantava,  mostrando aos jogadores em campo que ela acreditava sim e que ia jogar também, e jogar muito. Eu, que estivera meio anestesiada até aquele momento, estava de olhos fechados, mentalizando coisas que queria que acontecessem, falando comigo mesma e com mais alguém em outro plano… e então, meus sentidos acordaram, senti uma energia diferente, forte… abri os olhos e parecia que tinha chegado ali naquele instante, como se estivesse voltando de algum outro lugar…

Acho que aconteceu o mesmo com o resto da torcida, porque a energia que rolava no Allianz começou a crescer – como sempre acontece antes dos gols do Palmeiras. O time, mais acertado com Egídio, mais perigoso com Borja, comandado pelo craque Dudu (joga muito), se insinuava deliciosamente na área do Cruzeiro…

E, aos 7′, foi Borjão da Massa quem enfiou uma bola linda para Duduzinho. O baixinho craque fez o pivô  para o Zé, que chutou, mas foi interceptado pelo zagueiro, a bola, então, voltou para Dudu, que estava de costas pro gol, ele dominou, girou e estufou a rede das marias. GOOOOOOOOOOOOL, P#RRA!! O Allianz explodia no gol de Dudu.  Na hora, eu nem sabia quem tinha feito o gol. Estava lá do outro lado e só tinha visto a bola na rede, e então me perdi no meio do abraço gigante dos meus amigos.

“O Palmeiras é o time da virada. O Palmeiras é o time do amor…” !! Vamos, Palmeiras! Pra cima deles! 

O Allianz estava ensurdecedor… a energia parecia aumentar cada vez mais… E o Cruzeiro sentiu, seus jogadores sabiam que o Palmeiras iria pra cima… e ele foi mesmo. Os sorrisos estavam de volta  aos rostos palestrinos… os nossos olhos, antes chateados, sem graça, por um “não saber o que estava acontecendo”, recuperavam o brilho e a alegria. O Palmeiras em campo, buscando gols, era a luz que eles refletiam agora.

O Palmeiras morava na área do Cruzeiro e botava pressão nos smurfs… as chances surgiam e os palmeirenses todos sentiam que o segundo gol estava chegando…

Egídio cruzou na área, o zagueiro rebateu, outro zagueiro deu um chutão pra cima, Borja, no meio de dois adversários, subiu e tocou de cabeça pra Duduzinho, que entrou na área e fuzilou pro gol… “Meu Deus do céu!! Gooooooooool do Palmeiras!! E só tínhamos  15 min de jogo no segundo tempo. O Allianz quase vinha abaixo na explosão de felicidade da torcida. “Boooooooora, Verdão, vamos buscar mais um”.

E se não fosse o juiz, o terceiro poderia ter saído no ataque seguinte… Caicedo cometeu pênalti em Borja,  e o juiz nada marcou…

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A energia no Allianz era absurda, eletrizante… Eu sentia até tontura e mal conseguia respirar direito… Conhecemos a força da torcida, temos anos de bancada (eu tenho)… e, mesmo assim, a gente se arrepiava e se perguntava: Meu Deus, o que é isso que está acontecendo no Allianz agora? Lindo demais! Forte demais! A torcida, em todos os setores da arena, jogava com o time e buscava o gol  de empate…

Cobrança de falta para o Palmeiras, zagueiros tentando tirar a bola, parmeras tentando ficar com ela… e Willian pegou a sobra, chutou pro gol, a bola ainda bateu no cruzeirense e entrou… Gooooooooooool! Aqui é Palmeiras, p#rra!! A torcida enlouqueceu de alegria!! Nunca vou esquecer dos rostos dos meus amigos nesse momento…

Como pode aquela bola, balançando a rede adversária, representar tanto em nossas vidas? Fazer nosso mundo ficar tão lindo, tão certo, tão verde? O momento do gol é inexplicável… todo mundo se “despe” das caras e bocas e poses… todo mundo fica de verdade, inteiro… e ri… e chora… e grita, pula… abraça quem estiver pela frente… é muito mais  que futebol…

Tivemos muitas outras chances, mas o quarto gol não saiu… no entanto, muito mais do que aliviados, saímos do Allianz felizes, orgulhosos com a reação do time, mantivemos intacta a nossa invencibilidade em casa, e tínhamos na boca um delicioso sabor de vitória…

“Morremos” todos, é verdade, mas voltávamos pra casa mais vivos e inteiros do que nunca… E nenhum de nós conseguiria dormir facilmente naquela noite…

Não vai ser fácil a partida de volta, mas estamos na briga, e vamos buscar.