UMA DESPEDIDA DIVINA

ademir-da-guia-allianz-parque-fernando-dantas-gp“Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.” (Carl G. Jung)

Alguma vez passou pela sua cabeça que o Divino Ademir da Guia teria uma despedida oficial em 2014, aos 72 anos? E que esse jogo seria no Allianz Parque, a nova casa do Palmeiras? Alguma vez você imaginou que veria Ademir marcando um gol, ao vivo?

Eu sabia que me emocionaria no evento, mas não pensei que fosse tanto, e nem que fosse antes mesmo dele começar…

Seria o último evento-teste, desta vez com 10 mil pessoas, antes que o Allianz Parque receba a sua primeira partida oficial, que, muito provavelmente, acontecerá no dia 08/11 contra o Atlético-MG.

Nos arredores do Allianz Parque, transitavam palmeirenses pra lá e pra cá. Todo mundo com uma satisfação enorme estampada no rosto… Eu entraria pelo portão D, mas precisava ir até o portão A, na Turiaçu, para encontrar um amigo.

Ao dobrar a esquina da Turiaçu, a minha enorme satisfação estampada no rosto aumentou um bocado. Por quatro longos anos, e uma quantidade imensa de saudade, a Turiaçu tinha deixado de ser o ponto de encontro habitual dos palestrinos. Por quatro longos anos, estivemos longe da nossa casa. Meu coração, doidinho pra “conversar” sobre isso, e eu tentando ignorá-lo para tratar das coisas práticas do dia.

E então, cheguei até a entrada do Allianz, até onde costumava ser a entrada do Palestra… e não teve jeito, dando de cara com a casa – gigante – do gigante Palmeiras, tive que prestar atenção ao meu coração… na marra.

Que emoção eu senti quando vi dezenas de palmeirenses na frente dos portões do Allianz, quando vi os portões do Allianz. Então, “acordei”, caiu a minha ficha de que o tempo passou e chegara o momento com que nós tanto sonháramos… a volta pra casa!

O que eu sentia era muito mais forte do que eu; por mais que tentasse pensar em outra coisa, prestar atenção em outra coisa, meu coração reinava absoluto. E eu me lembrava de quando me despedi do Palestra, da última vez que cruzei seus portões… da saudade que já sentira naquele dia… E ali, de frente para o Allianz Parque, não conseguia, de jeito nenhum, conter a emoção e as lágrimas.

Até a habitual fila para entrar estava ali (tinha inúmeros cambistas também. Como eles conseguiram ter esses ingressos?).

Já entrei no Allianz algumas vezes, mas era diferente agora, ia ter Palmeiras em campo, torcida cantando… uma festa para o Rei Verde… e uma boa parte da realeza palestrina estaria reunida ali. Além do Divino, estariam em campo Dudu, Leivinha, Eurico, Rosemiro, Edu Bala, Evair, Cleber, César Sampaio, Jorginho Putinatti – eu adorava ele -, Galeano, Toninho Cecílio, Tonhão, Pires, Ney, Cafu, Amaral, Edmilson, Zé Mário, Denilson, Sérgio, Adãozinho, Pio, Odair, Celso Gomes, Toninho, Velloso, Demétrius Ferreira, Gilmar… e São Marcos (senti falta do Animal).

Dois Palmeiras entrariam em campo, o time verde e o time branco. O time verde começou com Sérgio, Rosemiro, Tonhão, Cleber e Cafu (que joga um bolão ainda); Pires, Claudecir, César Sampaio e Célio; Reinaldo Xavier e Nei. No banco:  O time branco era formado por Marcos, Eurico, Arouca, Toninho e Chiquinho; Edmílson, Adãozinho, Edu Bala e Ademir da Guia, o Divino; Denilson e Evair. Leivinha e Dudu seriam os técnicos. Tá bom pra você?

O Allianz Parque está 97% pronto, faltam detalhes. Digamos que ele já “tomou banho, se perfumou, se vestiu, e falta só a maquiagem para a festa”. O nosso velho Palestra – o lugar é o mesmo – ficou irreconhecível. Baba, baby!

AllianzParque

De fazer a gente perder o fôlego, né? O local onde fiquei era na curvinha do que seria o “gol das piscinas” (lembra?), e a visão era essa:

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Um mestre de cerimônias deu início ao evento e chamou a galera para a festa. Chamou também Walter Torre, o responsável pela obra que fez do Palestra a maravilha chamada Allianz Parque. O presidente Paulo Nobre foi chamado e apresentou Sir Ademir da Guia… De arrepiar!! O Divino, o Rei Verde, aparecia no campo e no telão do Allianz Parque… e os seus súditos não sabiam se aplaudiam, cantavam, choravam de emoção, ou se faziam tudo ao mesmo tempo. Salve, Ademir da Guia, o Divino! O Allianz Parque estava devidamente batizado pela emoção!

Até um lindo bem-te-vi apareceu e pousou na grade para espiar a festa do Rei Verde… deve ter vindo nos trazer boa sorte.

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E aqueles homens, que ajudaram a fazer o Palmeiras do tamanhão que ele é hoje, entraram em campo trazidos por Evair e Cafu… E nos deliciávamos com os jogadores que pisavam o sagrado tapete verde palestrino e iam aparecendo nos imensos telões. Até os palmeirenses Flávio Saretta e Hugo Hoyama, do tênis e tênis-de-mesa iriam entrar em campo também. A torcida delirava com as apresentações… Evair!! São Marcos! A emoção tomava conta de todos.

Então, Marcos Kleine veio nos brindar com a sua maravilhosa e tão familiar versão do hino palestrino. Em pleno gramado do Allianz, na despedida do Divino, diante dos times em formação, o som da sua guitarra nos emocionava ainda mais. Só quem é parmera sabe… só entendedores entenderão…

Depois, foi Simoninha quem veio, para cantar o Hino Nacional.

E o jogo começou… Ademir toca para Evair… a gente pode com uma coisa dessa?

Era magia pura ver Marcos, Evair, Eurico… e Divino, jogando num time, e Sérgio, Rosemiro, Clebão, Sampaio, Pires, Cafu… e Nei no outro… Quantos momentos palestrinos se misturavam ali, quantas conquistas, quantos jogos, dribles e gols para lembrarmos. A história do Palmeiras em 3D…

A bola, por “herança genética”, parecia reconhecer o dono da festa… ele, magro, elegante, classudo, divino, ainda faz o que quer com ela. Ficávamos maravilhados de vê-lo jogando. Teve um momento em que a bola, lançada em sua direção, simplesmente parou nos seus pés, por iniciativa própria, como se ela sentisse a mesma submissão e adoração que as bolas, suas ancestrais, sentiam diante dele… Que privilégio poder estar ali no Allianz. Que privilégio ser Palmeiras, de tantos craques, ser Palmeiras, do Divino…

Não dava para prestar atenção direito no jogo, porque queríamos ver todos os detalhes, todos os jogadores e não só os que disputavam a bola, e queríamos conversar  sobre o “Evair que fez isso”, o “Clebão que fez aquilo”, o “Cafu que poderia jogar o derby”, o “Divino que sabe tudo”, e era um tal de “olha lá o Sampaio”,  “que lançamento do Edu Bala pra Evair”, “olha a matada do Divino”, “é brincadeira o pivô do Evair?”, “que golaço do Jorginho”, “olha a defesa do Marcos! Ele tem lugar no time ainda”… que delícia tudo isso. Nossa alma verde e branca como nunca.

Denilson fez firula na frente de Rosemiro e caiu na área… pênalti!! O Divino bateu bonito, mas ela foi na trave. E a gente na bronca com o Sérgio, achando que ele tinha defendido.

Uns minutinhos depois, pênalti para o time verde. Ademir, o dono da festa, trocou de camisa com Cafu e foi cobrar – ele podia tudo. Divino e São Marcos… até os anjos desceram do céu pra ver isso… Ademir cobrou lindamente e marcou o primeiro gol do Allianz Parque… GOOOOOOL DIVINO!

Reza a lenda que Marcão teria dito: “Ademir, vai ser um prazer tão grande levar um gol seu.” ‘Ademir, vai ser um prazer tão grande levar um gol seu’ ‘ ‘Ademir, 

Cafu, que parece um garoto ainda, desceu pela direita e tocou para Célio fazer o segundo do time Verde. Reinaldo Xavier marcou o terceiro.

E a torcida pedia: “Cafu, vai para o Pacaembu” – onde o time principal do Palmeiras jogaria à tarde.  E ele diria depois, que “tinha esquecido a identidade, e que não tinha nem uma 3 x4.”.

Na segunda etapa (eram dois tempos de 30 minutos), Velloso entrou no lugar de São Marcos, que virou comentarista e narrador da transmissão. O Divino continuava no jogo. Gilmar foi para o gol do time verde no lugar do Sérgio, Tonhão foi pro jogo também. Depois de alguns minutos, Ademir deixaria o campo (jogou 40 minutos)

Galeano fez o primeiro do time branco, 3 x 1. Depois, foi a vez de Jorginho marcar um golaço, o segundo do time branco, 3 x 2. Reinaldo empataria a partida.

O jogo acabou, os jogadores receberam medalhas, foram muito festejados pela torcida. Foi tudo pefeito! Os craques palestrinos, a Família Esmeralda, o Allianz Parque, gols e boas doses de emoção… tudo na mais perfeita comunhão.

PARABÉNS, DIVINO ADEMIR DA GUIA!! Muito obrigada por tudo e por tanto!

  • Fernando

    Nada mais justo do que esta homenagem ao Divino, tanto ele como tantos outros que escreveram a história do nosso verdão. Realmente o Allianz Parque está maravilhoso como descreve e fotos que comprovam, é o campo mais bonito do Brasil sem dúvida alguma. Agora só nos resta lutar para manter verdão onde merece e posteriormente montar time competitivo onde poderemos comemorar títulos em local invejado por tantos outros.
    PARABÉNS DIVINO, PARABÉNS ALLIANZ, PARABÉNS SOC. ESPORTIVA PALMEIRAS!!!
    “VERDÃO” NOSSO ORGULHO…SEMPRE!!!!

    • FABIO

      TANIA GOSTARIA DE VER VIDEOS DO JOGO DO DIVINO NAO PUDE ASSISTIR O JOGO ESTAVA VIAJANDO E OUTRA COISA GOSTO BASTANTE DOS SEUS COMENTARIOS ONDE TODOS OS ANTIS FICAM MORRENDO DE INVEJA RESPONDE POR FAVOR E A PRIMEIRA VEZ QUE COMENTO NO SEU BLOG MAIS ADORO TUDO AUE VC FALA A RESPEITO DO NOSSO VERDAO

      • Oi, Fábio.

        Vou tentar encontrar um vídeo do jogo do Divino para postar aqui, tá?
        Obrigada por frequentar o blog e pelas palavras tão gentis.

        Um abraço.

      • Fabio,

        Postei o vídeo do jogo do Divino lá no texto sobre a despedida dele.

        • FABIO

          VALEU TANIA

  • FABIO

    TUDO QUE TENHO A DIZER DO VIDEO DO JOGO DO DIVINO EMOCIONANTE VALEU TANIA

    • Ontem à noite eu assisti ao vídeo… e chorei tudo de novo. hahaha

  • Jean

    Tania, você saberia dizer o motivo pelo qual o Edmundo não jogou na despedida do Ademir da Guia, no Allianz Parque?