1999… O ANO QUE JAMAIS ESQUECEREMOS…

Esse texto foi escrito há alguns anos. Resolvi republicá-lo, para relembrar aquele 16 de Junho, pra relembrar aquele campeonato conquistado. Comecei aquele dia, chorando de tristeza e ansiedade; tristeza, por não ter ingresso para ir ao Palestra, e  ansiedade, pelo título inédito. Ao final daquele mesmo dia, eu choraria de felicidade… uma felicidade tão grande que nem caberia no peito…

16 de Junho de 1999… que dia foi aquele… Eu nem tinha conseguido dormir à noite. A cabeça pensando, pensando, sem parar. Tentando imaginar qual seria o desfecho da partida que teria início logo mais. Algumas horas apenas nos separavam de um sonho. E ele parecia tão real, naquela manhã. O coração apertado, nem me deixava engolir o café da manhã. Evair, Zinho, Alex, César Sampaio, Arce, Euller, Junior Baiano, Cléber, Junior, Galeano, Paulo Nunes, Sérgio, Roque Junior, Oséas, Marcos… o que será que eles estariam fazendo àquelas horas… Muito provavelmente estariam dormindo. Será que estavam nervosos, ansiosos, assim como nós?  Claro que sim, né? Conquistar a Copa Libertadores seria um feito único, inigualável, inesquecível.

Eu confiava tanto, mas tanto em Felipão, que tinha quase certeza do título. Mas, claro, sempre tem o inesperado, os juízes e suas “falhas”. Ai que meeedo! Eu, que tinha ido em quase todos os jogos do Verdão, estava de fora da final. Mesmo tendo ficado na fila, lá no Palestra, desde muito antes da bilheteria abrir, não consegui comprar ingresso. Eles acabaram sem que a fila tivesse andado 20 metros. Disseram que Mustafá tinha “sumido” com uma boa parte, para distribuir como cortesia. E muitos dos torcedores, reais, que vivem e respiram Palmeiras vinte e quatro horas por dia, iam assistir na TV. As horas passavam e o momento tão esperado ia chegando. Quem disse que eu almocei? Trabalhar foi um suplício. Durante a tarde, a cada vez que imaginava o apito final, eu já não conseguia segurar as lágrimas… “Meus Deus, por favor, permita que eu tenha essa alegria…” – era a única coisa que eu conseguia rezar.

Se você me perguntar o que eu me lembro do jogo, direi que quase nada, mesmo me lembrando de tudo. Era como se eu estivesse no meio de uma nuvem. Não conseguia ficar à frente da TV. Andava de um lado pro outro, tentando me acalmar, e rezando. O Palmeiras em cima, e a bola ia na trave, ou raspando…Parece mentira mas, quando a aflição já não cabia mais no peito, quando já era o segundo tempo, eu peguei uma imagem de Sto Expedito, num papel, e corri pro quarto rezar a oração que estava escrita no verso. No exato momento em que acabei a oração eu escutei: “Penalti para o Palmeiraaaas!”. Deus do céu! Quase caí dura! Evair ia cobrar, eu não parava de tremer. Ele foi prá bola e guardou!!!!! GOOOOOOOOOOOOOOOOL! Obrigada, Santo Expedito! Obrigada, Evair!

Jogo de Libertadores é sempre difícil, catimbado e os piores para acalmar o coração do torcedor. Só que Junior Baiano fez pênalti e o Deportivo empatou. Nós tínhamos perdido a primeira por 1 x 0 e agora tínhamos que ganhar, ou ganhar. Lá pelos 30′, Euller lançou Junior na esquerda, que cruzou na área e encontrou Oséas que enfiou pras redes. Ubaldo Aquino, maledeto, ainda expulsou Evair, no finzinho. Eu que nem bebo, tomava vinho para acalmar… O juiz apitou e a decisão seria nos temíveis pênaltis. Eu simplesmente não era capaz de assistir. Não sabia se fechava ou abria os olhos.

Zinho, tão querido, perdeu o primeiro; Dudamel fez pros inimigos; Junior Baiano guardou; Deportivo fez mais um; Roque Junior marcou e dele e  vibrou tanto que chamou a torcida pros penaltis, também. Era só coração e raça naquele momento. Os inimigos marcaram mais um… eu quase morria do coração… Rogério cobrou e guardou; o jogador colombiano meteu na trave. O Palestra explodiu de alegria!!! Tava tudo igual. “Nos ajuda, meu Santo Expedito”… Euller foi prá ultima cobrança e a fez com uma categoria de campeão… Naquele momento ninguém mais estava em sua casa, na rua; estávamos todos no Palestra, uma energia só, milhões de corações e olhos grudados no campo; milhões de preces ao céus; milhões de vozes que pediam: “Fora, fora, fora…”

Marcos e Zapata, frente a frente… o mesmo Zapata que havia marcado, de penalti, no segundo tempo… O que será que pensavam agora, esses dois jogadores? A Nação, de respiração suspensa, de olhos grudados na bola, em Marcos, o coração esperando… Os jogadores palmeirenses, de joelhos, e eu também. Os suplentes e a comissão abraçados, rezando… O colombiano chutou… e ela, a bola, numa reverência ao melhor goleiro do mundo que se encontrava à sua frente, foi pra… FORA!!!!!!

O pranto, que era contido, se fez  livre no rosto do palestrino, os jogadores choravam, todos gritando, alucinados, ninguém sabia para onde corria, ou a quem abraçava… Até os anjos e santos, tão lembrados e cantados durante a partida, vieram espiar que alegria era aquela no Palestra. Deus, por certo, estaria sorrindo naquele momento. O Palestra era verde e branco, a América era verde e branca, e reverenciava a fantástica conquista da Sociedade Esportiva Palmeiras.

MUITO OBRIGADA, GUERREIROS DO VERDÃO! OBRIGADA, FELIPÃO! VOCÊS FORAM GENIAIS! SEUS NOMES ESTÃO ESCRITOS EM NOSSOS  CORAÇÕES… PRA SEMPRE!