ANTES TARDE DO QUE NUNCA…

Éramos um pouco mais de vinte e um mil pagantes no Palestra. Casa cheia. Não estava lotado, mas tinha um público muito bom. E, afinal, era um jogo que valia a vaga para a Libertadores, a gente ia secar os Hexaviados, torcer pro Grêmio, aquelas coisas de futebol que o torcedor conhece tão bem. Antes do jogo, uma grata surpresa: a garotada do Sub-11, Campeã Paulista, em cima dos gambás, que veio a campo para nos mostrar a sua bela taça. E que festa bonita a torcida fez para os verdinhos. A Mancha Verde gritava o nome de cada um deles, que quase morriam de alegria com a homenagem. Era visível a pressa deles para chegar logo em frente à torcida. Fiquei olhando aqueles garotos e pensando se daqui alguns anos não estarei comprando a camisa de um deles.

O jogo ia começar e a festa estava linda. Que me perdoem as outras mas, dentro do estádio não tem prá ninguém, a Mancha arrasa! Uma delícia estar ali no meio daqueles balões coloridos, daquela gente que não para nunca de cantar e apoiar o time. O jogo começou bem, o Verdão dava ares de que ia prá cima, até as deficiências, que conhecemos tão bem, começarem a aparecer. Muitas chances de gol desperdiçadas… Ai, ai, ai… Uns vacilos de nossos jogadores, que acabaram fazendo o Botafogo, tão sem compromisso, gostar do jogo em alguns momentos. Aos 10′ já levamos um susto; Marcos mal posicionado e fora do gol, falava com a defesa, na cobrança de um escanteio que ainda chegou a tocar o travessão.  Aos 30′ Lúcio Flávio apareceu livre na área e disparou, a bola passou por Marcos e Capixaba salvou o gol. Logo depois, o mesmo Lúcio Flávio mandou um foguete no travessão…

O Palmeiras tinha seus bons momentos, que paravam no goleiro ou na  finalização… Sorte que os outros concorrentes à vaga da Libertadores, estavam se enrolando também.Isso até ajudou, porque a torcida, feliz com os resultados que nos favoreciam, só pensava em cantar. As cobranças eram isoladas com um ou outro jogador, mas nada que atrapalhasse o time, ou que fosse justificar mais tarde o resultado que nós veríamos. Mas a tarde estava complicada. Comecinho do segundo tempo e o Botafogo abriu o placar. Por essa ninguém esperava. Mas a torcida cantava: “O Palmeiras é o time da virada…”, e o empate não vinha, e muito menos a virada.  O Cruzeiro já ganhava o seu jogo e o torcedor palmeirense começou a prestar mais atenção no jogo do Flamengo, que continuava perdendo. Se eles virassem o placar a nossa vaga mudaria de dono. Só que eles continuavam perdendo. A torcida comemorava feliz mas, é claro, esperando pelo menos o empate do Verdão, que não vinha. Os gols continuavam a serem desperdiçados, Kléber que o diga… Luxemburgo, que permaneceu sentado, quase que os 90 minutos da “decisão” (segundo suas palavras), fez umas substituições, que até fizeram o time um pouco mais ofensivo, mas no resultado que é bom, não ajudaram em nada.

E assim o palmeirense viu a tão sonhada vaga  (que deixamos de ganhar em casa no ano passado), chegar. E, ironicamente, quem nos deu foi Caio Junior, que cumpriu a palavra, com um ano de atraso e nos colocou na Libertadores. Não fosse o resultado negativo do Flamengo, teríamos deixado escapar mais uma vez, e em nossa casa. Só que dessa vez com o “melhor” técnico do Brasil. E eu pensava no amigo que viajou seis horas para ver essa partida… na garota que mandou o moto-táxi à São Paulo comprar o seu ingressso e veio de Bragança Paulista na  maior esperança de ver uma vitória  ou pelo menos gritar um gol do seu time… Quantos outros anônimos não fizeram loucuras para estar ali… Saíram contentes e desapontados… Felizes, mas sorrindo menos…

Na verdade não importa como veio a vaga, e sim que tenha vindo. Vamos disputar a porra da Libertadores. Mas eu não quero só disputar. Eu quero ganhar e tenho certeza que os 20 milhões de palestrinos do planeta também querem. Mas quero que me dêem condições de acreditar que podemos vencer, conquistar. Não só acreditar porque sou palmeirense e tenho que acreditar e ponto final. Quero um time de bons jogadores, um técnico comprometido com conquistas para o clube e não as de sua conta bancária. Uma diretoria forte, atuante, dentro e fora dos corredores do Palestra Itália. Que aprenda a manter os bons jogadores e a recusar a vinda das  pobres “indicações” de pseudo entendidos em futebol. Só assim eu tenho certeza que poderei sonhar e comemorar o título da América em 2009.

VALEU, CAIO JUNIOR! MUITÍSSIMO OBRIGADA!

  • Marcelo Contini

    Olá, Tânia. Td bem?
    O sentimento que fica para o palmeirense nesse final de ano, acredito, é da amargura de ver um time que tanto prometeu e pouco realizou, principalmente no campeonato brasileiro.
    Erros na escolha de competições prioritárias, falta de qualidade e comprometimento de muitos jogadores, problemas internos com uma política confusa e um treinador que, no momento em que viu a sua “vaga” na seleção ir para o brejo, se perdeu emocionalmente e isso foi transmitido para o elenco.
    Outro fator é a visível inversão de valores que esse “pseudo-profissionalismo” pregado ultimamente no meio futebolístico tem provocado.
    E o melhor exemplo foi o do Marcos, que viu a sua vontade de vencer ser interpretada como uma atitude transloucada, de desespero.
    Definitivamente, é o cúmulo do absurdo, da insensatez e da cegueira que a falta de qualidade de alguns e a falta de modéstia de outros provoca.
    E como Valdívia faz falta em nosso time!
    Sinceramente, espero do Palmeiras e seus diretores atitudes competentes; que seus diretores e principalmente o futuro Presidente exerça o seu cargo com ombridade e com a força da sua autoridade, cumprindo a sua parte e cobrando, exigindo dos seus subornados a competência que deles se esperam em suas funções, mas diretamente aos seus, e não por intermediários ou pela imprensa.
    Que a comissão técnica e os jogadores incorporem o espírito e o brio dos vencedores que passaram pela Academia e que hoje podem ser vistos nas faces de São Marcos, Pierre, Kleber, e porque não, de Valdívia, transformando o “nostro Palestra” na equipe definitivamente vencedora, que joga com lealdade, sem artimanhas obscuras, buscando a vitória sempre dentro de campo!
    Com o trabalho e a dedicação, os resultados vêm. As conquistas virão. E as coisas voltarão ao seu devido lugar.
    E como um torcedor apaixonado e leal, é isso, apenas isso que espero e quero ver do time que escolhi para torcer, sofrer e me alegrar!
    Abraço!

  • É preciso refletir o ano e não repetir os mesmos erros. União é a palavra de ordem.

    “Construir para poder conquistar! Acreditar sempre!”

  • Edu Queiroga

    Clô, eu concordo 110% com o que vc disse, sobra a festa, a espectativa, tudo.. putz, ta pra nascer torcida igual a nossa.

    qto ao jogo (apesar de ter se passado 1 semana) foi bem o que vc relatou, foi mais um jogo “quase”, quase finalizamos bem, quase fizemos gol, e quase ficamos sem a vaga pra libertadores, graças a Deus Caio Jr. resolveu cumprir com a promessa de um ano atrás e nos deu essa classificação.

    espero que 2009 venha com mais VONTADE de ganharmos, e não de diretores e elenco pensarems em seus proprios umbigos, tem que pensar que 15 milhoes de fanáticos estão esperando uma campanha melhor que essa de 2008. paulista foi ótimo? foi, lógico! mas esse time aí merece brigar por mais (nao pelos jogadores mas sim pela história e tradição da camisa, e por nós torcedores que sofremos em todos os jogos). espero um 2009 muito diferente desse ano que está acabando e diferente pra MELHOR!
    beijos e fica com Deus minha amiga =*