QUANDO O GIGANTE GANHOU A AMÉRICA

Hoje, 16 de Junho de 2008, está fazendo nove anos que o Palmeiras conquistou a América e a Libertadores. O texto que segue, foi escrito por mim (quando eu ainda não era a Clorofila), exatamente na tarde daquele dia, e é a maneira que eu agora encontro de comemorar e relembrar…

Acordei sem vontade de sair de dentro de mim mesma. Mas a vida me chamava para o lado de fora. Tomei café, joguei um pouco no computador e fui cuidar da vida…

Dar leite à filha, arrumar a desordem da sala. Uns poucos minutos e eu já me adequara à vida do dia 16 de Junho de 1999.

Um aperto insistente no coração me fazia lembrar a todo momento que, finalmente o dia da Decisão da Libertadores havia chegado. O Palmeiras precisava vencer.

Rezei, pedi a Deus que me abençoasse com essa imensa alegria.

Infelizmente não vou poder estar lá à noite. Não consegui ingressos e na porta do Palestra Itália, ontem à noite, um cambista me pediu 80 reais por um ingresso que custa 15, pode? Sem falar na quantidade  de ingressos falsos que aparecem em grandes jogos.

Eu não vou estar lá…mas o meu coração, a minha alma, minha energia vital, com certeza lá estarão.

Fecho os olhos e, de repente, estou chegando ao estádio…

A multidão de pessoas nas ruas, a dificuldade de estacionar os carros. O trajeto até o portão, as conversas paralelas, a esperança, forte, densa, impregnando o ar. As ruas em verde-e-branco, rostos pintados de verde-e-branco, bandeiras, camisas, crianças, chapéus… Tudo é verde-e-branco, com um grande “P” junto ao coração!!

Sinto o cheiro das barracas de comida, da cerveja vendida nas ruas. Nos portões, os costumeiros empurra-empurra. Revista das bolsas, dos corpos dos homens. Algumas pessoas costumam levar armas para os jogos, onde a única atividade é a diversão. Passo pelas catracas eletrônicas, dou a bolsa para a policial revistar e…..pronto!! Agora é só me apressar para conseguir sentar no lugar de sempre: arquibancada lateral, quase no meio do campo, um pouco mais próximo das piscinas. Caminho apressada, segurando as mãos do meu companheiro de jogos e de vida.As pernas querem correr e vou puxando o meu companheiro.

Os torcedores gritam nas janelas dos vestiários do Palmeiras: É CAMPEÃO!!!

As pessoas não podem ver os jogadores, mas gritam mesmo assim, pois sabem que eles estão ali:

– PEGA TUDO, MARCÃO!!
– SEGURA ELES, CLÉBER!!
– EÔ EÔ EVAIR É UM TERROR!!
– ARREBENTA, PAULO NUNES!!
– VAI PRO GOL, OSÉAS!!

Eu também grito: “Força, gente! No peito e na raça! Vamos lá, Zinho!”.

Com um nó na garganta e olhos úmidos corremos para a arquibancada. Sentamos, ufa! Agora é só esperar. Faltam duas horas e meia para o início da partida. Os refletores estão acesos. O Palestra Itália brilha em verde-e-branco, com o Palmeiras no coração.

Que coisa linda! Os torcedores fazem a “ola”, se dão as mãos, se abraçam, se beijam e dançam cantando o hino do clube. É de arrepiar!! A emoção sai pelos poros. Meus olhos marejam e minhas mãos tremem.

O jogo vai começar… Todos os olhos se voltam para a boca do túnel… De repente, uma pequena criança com o uniforme do Palmeiras aparece seguida por outras, e logo depois todo o time chega.

O Palestra estremece! Fogos, gritos, palmas, assobios, fumaça…São tantos os fogos que as pessoas quase ensurdecem. A fumaça verde cobre o gramado e os torcedores.

Os jogadores se dão as mãos e se apresentam à torcida. Ela os saúda com um grito que ecoa pelos ares: É CAMPEÃO!! Os nomes de todos os jogadores são gritados um a um, à exaustão. Estes, respondem aos torcedores com acenos, gestos de garra, de confiança, batem no peito…

A partida tem seu início e todos se calam, aguardando… Todas as pessoas nervosas, respiração pesada, coração aos saltos, olhos quase pulando pra dentro do campo. O Palmeiras joga fácil, mas os jogadores estão nervosos, também. Querem decidir de qualquer maneira e se atrapalham um pouco. Mas eis que numa jogada pela ponta, a bola é cruzada na área e quem aparece? Oséas, claro!  Tinha que ser! E ele manda pro fundo do gol.

GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!!!

O Palestra Itália explode em verde-e-branco!! O mundo é verde-e-branco!!

De repente, alguém me pergunta:
– Já chegou “O resgate do soldado Ryan”?

Só então me dou conta que estou na minha loja de locação de filmes e não num estádio de futebol. Não estou no Palestra…

Estava sonhando acordada e, como em todo sonho, acordei na melhor parte. Não!! Peraí!! A melhor parte será com certeza à noite, quando Oséas fizer o seu gol, de verdade, real. Quando os anjos do céu, reunidos,(tomando o seu leitinho Parmalat), fizerem coro com a torcida, pedindo:

– FICA, FELIPÃO!! E VAMOS JUNTOS GANHAR TAÇA NO JAPÃO!!!”

Parabéns, Palmeiras! Que muitas outras Taças, importantes, legítimas, venham fazer parte de sua maravilhosa Sala de Troféus.

A Nação agradece, mais uma vez.

  • Marta

    MARAVILHOSO!!! Impossível não se emocionar, sem duvida um dos dia mais feliz e emocionate da vida de todo Palmeirense.

    Beijo Clo, como sempre mandando muito bem.

  • Fabio (Bito)

    Simplesmente magnífico!!!
    Ótima lembrança!!!

    Bjs
    Bito

  • Hamilton Suaki

    Emocionante, eu estava atras do gol abaixo do placar e foi assim mesmo, antes do jogo procurávamos dar forças uns aos outros como se fossemos os jogadores e nos abraçávamos como se fossemos irmãos! Só não concordo quando você disse que não era a Clorofila, você já nasceu Clorofila só não havia despertado!
    Beijo amiga
    Hamilton

    • Olha quem apareceu aqui! 🙂
      Quanta emoção naquele dia, né? Por isso eu falo que de emoção e alegria a gente não morre!
      E acho que vc tem mesmo razão. Eu já devo ter nascido Clorofila, só demorei um tempo para me lembrar do nome, porque o resto veio mesmo de fábrica! hahahah

      Beijo pra você.
      Clo

  • Hamilton Suaki

    Emocionante, eu estava atras do gol abaixo do placar e foi assim mesmo, antes do jogo procurávamos dar forças uns aos outros como se fossemos os jogadores e nos abraçávamos como se fossemos irmãos! Só não concordo quando você disse que não era a Clorofila, você já nasceu Clorofila só não havia despertado!
    Beijo amiga
    Hamilton